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Exame/Ideia: maioria culpa Bolsonaro pelo aumento dos combustíveis

Por Miguel do Rosário

22 de outubro de 2021 : 09h23

O governo Bolsonaro está nas cordas.

Pesquisa Exame/Ideia divulgada há pouco (íntegra aqui) é uma verdadeira bomba para o governo.

As avaliações negativas voltaram a subir, e as positivas, a cair.

A maioria dos entrevistados agora culpa o governo federal, ou seja, Jair Bolsonaro, pelo aumento no preço dos combustíveis, o que mostra o enfraquecimento da narrativa bolsonarista de que a culpa seria dos governadores.

Se o preços dos combustíveis é visto como principal problema para 63% dos entrevistados de classe média, a inflação de alimentos é o que tem preocupado as famílias de baixa renda.

Ou seja, após uma gestão profundamente mal avaliada da pandemia, as angústias dos eleitores se voltam para a economia, com ênfase na inflação, e a tentativa de Bolsonaro de jogar a culpar nos outros não está colando.

Em números exatos, o percentual de entrevistados que considera o governo ruim ou péssimo subiu para 53%, ao passo que aqueles que o qualificam como ótimo e bom desceu para 23,4%.

O desempenho pessoal do presidente, por sua vez, é desaprovado por 54%, contra 23% que o apoiam.

Opinião: tanto a aprovação pessoal do presidente, como a nota ótimo/bom, são muito números muito próximos das intenções de voto de Bolsonaro. Conclui-se daí que, se essa pesquisa trouxesse também as intenções de voto, é provável que mostrasse queda de Bolsonaro.

Entretanto, o que se tem visto é uma oscilação entre 20% e 25% dessa aprovação, a depender do momento da pesquisa. Esse tem sido uma espécie de “piso” de Bolsonaro ainda difícil de romper.

Por outro lado, até o momento a questão econômica, embora dramática, ainda não era vista como o principal problema, porque todas as atenções estavam voltadas para a saúde, em virtude da pandemia que aterrorizou o mundo e fez a colheira macabra de mais de 600 mil vidas no Brasil.

Com a vacinação avançando rapidamente, e o número de infectados e mortes caindo, todo o foco passa a ser a economia. As famílias emergiram muito endividadas da pandemia, milhares de negócios tiveram prejuízos enormes ou fecharam as portas, e esperava-se que o governo tomasse a iniciativa de lançar um ambicioso programa de recuperação econômica. 

O que se tem visto, todavia, é exatamente o contrário. Bolsonaro se preocupa apenas com sua reeleição, e tenta apagar focos de incêndios em sua popularidade através de ofertas assistencialistas e populistas. Claro que é preciso oferecer auxílio emergencial aos brasileiros, mas o correto seria que programas desse tipo viessem acompanhados de  políticas públicas para segurança alimentar, emprego, educação, e readequação dos negócios ao “novo normal”. 

Para piorar, nesta quinta-feira assistimos a uma debandada da equipe econômica de Paulo Guedes, em virtude de insatisfação com o rumo populista e irresponsável, do ponto-de-vista fiscal (deles), seguido pelo governo.

O Auxílio Emergencial de R$ 400, a “bolsa diesel”, também de R$ 400, prometidos por Bolsonaro, serão rapidamente neutralizados pela inflação, a menos que o governo eleve radicalmente esse valor, furando ainda mais o teto de gastos.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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5 comentários

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Alan C

22 de outubro de 2021 às 15h58

Os lulistas culpam Ciro.

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Galinzé

22 de outubro de 2021 às 09h44

2 anos de aulas perdidos inutilmente e mais uma remessa de analfabetos bem encaminhada.

Milhões de empregos queimados inutilmente.

Alguém tem notícias dos hospitais de campanha que foram montados durante a onda de terror e nunca foram utilizados…nem durante o povo de internações…?

A cada dia que passa fica mais claro do que o Mundo e Brasil fizeram antes e durante a pandemia foi uma da maiores idiotices da história da humanidade e como foi dito aqui mesmo desde o começo da pandemia a conta dessa asneira será cara, muito cara.

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Tony

22 de outubro de 2021 às 09h39

Mesmo com o aumento dos combustíveis o trânsito nas estradas continua como sempre.

O consumo de diesel foi recorde nós ultimos meses…. caminhões, indústrias, ecc…

Shopping, clubes, festas, ecc…são lotados de gente nos finais de semana.

Os brasileiros voltaram a consumir o básico durante a semana e se divertir no fim de semana.

Tudo já voltou ao normal a despeito da mensagem que a imprensa quer passar.

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William

22 de outubro de 2021 às 09h34

Até onde a gente sabe o Presidente da República não mandou ninguém ficar em casa feito idiotas esperando o vírus sumir milagrosamente …. muito pelo contrário.

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Daniel

22 de outubro de 2021 às 09h31

O preço de tudo subiu no Mundo inteiro.

A conta de ter parado o Mundo vai ser salgada e não serviu em nada para conter o vírus.

Lá fora tem um vírus andando…
Solução “científica”…fica em casa.

Tem que ser muito imbecil para achar que isso é a resposta da ciência para um problema.

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