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Bolsonaro conclui venda da segunda maior refinaria do Brasil ao governo dos Emirados Árabes

Hoje a Petrobrás anunciou a conclusão da venda da Rlam, sigla pela qual é conhecida a Refinaria Landulpho Alves, no interior da Bahia. Com capacidade instalada de produzir cerca de 323 mil barris por dia (14% da capacidade total do país), é a segunda maior refinaria do país, atrás apenas da refinaria de Paulínia (Replan), […]

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Hoje a Petrobrás anunciou a conclusão da venda da Rlam, sigla pela qual é conhecida a Refinaria Landulpho Alves, no interior da Bahia.

Com capacidade instalada de produzir cerca de 323 mil barris por dia (14% da capacidade total do país), é a segunda maior refinaria do país, atrás apenas da refinaria de Paulínia (Replan), que tem capacidade para produzir 425 mil barris por dia.

É também a primeira refinaria do Brasil. Seu nome é uma homenagem ao senador Landulpho Alves, importante líder político do PTB de Getúlio Vargas, que foi líder da bancada de seu partido no Senado, em 1952, e relator da Lei 2.004, que criou a Petrobrás.

Rlam foi vendida ao governo dos Emirados Árabes (controlador do fundo Mubdala), o que repete a ironia tão comum às forças liberais brasileiras, que fazem campanha contra o Estado nacional, mas vendem nossos principais ativos a fundos e grupos controlados por Estados estrangeiros.

Segundo a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o preço de venda, US$ 1,8 bilhão, corresponde a menos da metade dos US$ 3 a 4 bilhões que a refinaria efetivamente vale.

Entretanto, o mais triste é que a operação vai na contramão da necessidade de oferecer combustíveis a preços mais estáveis e mais acessíveis a consumidores e empresas, ampliando a exposição da economia brasileira à volatilidade insana das cotações internacionais do petróleo.

Quanto a Petrobŕas, a venda da Rlam consiste numa grave mutilação da estatal, porque remove um de seus principais ativos. Quando as cotações do petróleo estão elevadas, como hoje, a Petrobrás pode viver apenas de suas vendas de óleo bruto. Mas quando elas caem, as refinarias ajudam a dar estabilidade ao orçamento da empresa. Agora, se houver queda do preço do petróleo, quem vai lucrar será o… governo dos Emirados Árabes.

Além disso, enfraquecida, a Petrobrás tem menos desenvoltura para investir em pesquisa e tecnologia, sobretudo em energias alternativas, o que também é um movimento que vai na contramão de todo o mundo desenvolvido, em que governos e grandes empresas (contratadas por governos) investem quantidades imensas de recursos no desenvolvimento de energias mais limpas e mais econômicas.

Para se ter uma ideia da importância das refinarias para a Petrobras, tenha em mente que, no acumulado dos primeiros nove meses deste ano (jan/set), a receita líquida da estatal com a venda de refinados foi de R$ 191,13 bilhões, contra R$ 89,48 bilhões obtidos com a exportação de petróleo bruto. 

Com um faturamento desse quilate, não faltaria recursos próprios para que a Petrobrás pudesse ampliar o parque de refino nacional sem a necessidade de alienar seu patrimônio. 

A venda da Rlam é um crime do governo Bolsonaro contra a soberania nacional, porque expõe ainda mais o país às instabilidades do mercado internacional de petróleo, o mais volátil do mundo. Se um terrorista árabe explodir um óleoduto no Casaquistão, e os preços internacionais explodirem, o país não terá mais instrumentos para evitar que um repasse brusco e imediato dos custos aos consumidores tumultue e paralise a economia brasileira. 

Para os monarcas árabes, e seus sócios milionários em todo mundo, no entanto, é um excelente negócio!

Leia mais sobre a importância da Petrobrás no artigo abaixo.

Petrobras é a joia da coroa de um projeto de desenvolvimento

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Comentários

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carlos

20/06/2022 - 22h33

Acabou com o povo que vive de salário mínimo, como vão pagar as contas de luz, de água , Internet, gás como vamos comprar o nosso pão de cada dia, tinha que ser logo prá um árabe, poderia ser para outro que não fizesse parte da OPEP?

Fabiano

09/05/2022 - 11h21

Falou tudo meu caro, a partir do seu comentário, ninguém deveria comentar mais nada antes de se informar!!!!!!!!!! Votei nesse traste e hoje me arrependo amargamente!!!!!!!!!

ALORIMAR DOS SANTOS BOTELHO

06/05/2022 - 13h35

Choro dos acionistas,querem continuar monopolizando os combustíveis e tendo lucros exorbitantes,precisamos sim de concorrência nesta área.
E também, precisamos cobrar dos governadores a forma de cobrar o icms.

Comecu

19/03/2022 - 15h38

Então meu caro, a única solução é que o Lula volte para o governo ou que você se candidate a presidência s2

Nelson

03/12/2021 - 14h09

Não contes com isso, meu caro. O Bolsonaro sabe muito bem onde fica a Rlam e a foto acima só confirma isso. De outra parte, não foi ele que substituiu o presidente da Petrobras por um general?

Nelson

02/12/2021 - 15h07

“Brasil acima de tudo”, “Pátria amada Brasil”, são os slogans mais repetidos pela propaganda desse governo entreguista. Jair Bolsonaro quer ultrapassar Fernando Henrique Cardoso e assumir o título de maior vendilhão da pátria da história. Slogans ocos, vazios de conteúdo, portanto.

    Nelson

    03/12/2021 - 14h13

    “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. A foto acima confirma a assertiva do pensador inglês Samuel Johnson. O cara foi ao Oriente Médio doar parte do patrimônio que pertence ao povo brasileiro ao mesmo tempo em que arrota patriotismo.

Bandoleiro

01/12/2021 - 19h36

Bolsonaro nao sabe nem que esiste esta refinaria, quem vendeu foi a Petrobras.

Souza

01/12/2021 - 18h58

ENLOUQUECEMOS, TODOS. EM 30 ANOS DESTRUÍRAM O PAÍS.

Batista

01/12/2021 - 16h08

Concordo, ótima notícia para os Emirados Árabes Unidos.

Quem sabe, de lambuja pela incrível mamata arrematada por seu governo, na banca da balada balançante dos bufunfeiros da Faria Lima e da Casa ‘das Graças’, no Rio, de quebra, para agradar os aspirantes a leiloeiros da demolição, até comprem o Vasco, Cruzeiro, Grêmio e até os falecidos & desfalecidos, Jabuca, Esportiva, Germânia e Canto do Rio, para deixarem os nativos torcedores, eternos geraldinos, a tentar enxergarem a bola a rolar pelos gramados da Colônia do Bananal, enquanto levam ‘as joias da coroa’ numa boa, mais ‘felizes’ ainda, né, adestrada replicante?

Mauro Morro Branco

01/12/2021 - 13h30

Pros Árabes, péssima notícia pros brasileiros.

carlos

01/12/2021 - 13h04

Por falar em estatizar, o único político que teve coragem de fazer isso foi Acrisio Moreira da Rocha, que comprou a light e fundou a coelce empresa genuinamente cearense.

    Nelson

    03/12/2021 - 14h16

    Estás equivocado, meu caro. Dês uma olhada na história do grande Leonel de Moura Brizola e verás como ele criou a CEEE e a CRT aqui no Rio Grande do Sul a partir da estatização da Eletric Bond and Share e a ITT, companhias de eletricidade e de telefonia estadunidenses.

wagner

01/12/2021 - 11h22

Lula vai ter que reestatizar!!

Querlon

01/12/2021 - 10h54

Ha paises sem uma sequer gota de petroleo e sem refinarias que importam tudo e o preço do combustivél é estavel…ter 10-100-1000 refinarias nao significa nada, ter refinarias que dao prejuizo significa muito.

Na Venezuela a gasolina custa menos que agua.

    Nelson

    02/12/2021 - 14h56

    Quem te disse que as refinarias dão prejuízo, meu chapa. Ao invés de ficares a repetir o que a mídia hegemônica e seus comentaristas e as fake news propalam, faças o favor de buscar informações fidedignas.

    Se buscares tais informações, acredito que vais deixar de querer defender um governo entreguista como o de Bolsonaro.

    O preço do combustível passou a disparar desde o momento em que MiShell Temer, obedecendo aos ditames do Sistema de Poder que domina os Estados Unidos, tomou a medida, POLÍTICA, de obrigar a Petrobras a seguir a chamada PPI, política de paridade internacional.

    Temer tomou tal medida, a mando dos EUA, repetindo, com três objetivos:

    1 – Garantir lucros sempre maiores para a Petrobras e, em consequência, dividendos crescentes aos acionistas privados da empresa, cuja esmagadora maioria é feita de estrangeiros.
    2 – Garantir lucros para os importadores de combustíveis, que estão a ganhar rios de dinheiro com a diferença entre o preço que pagam no mercado internacional e o preço que cobram do brasileira e da brasileira.
    3 – Talvez o mais importante dos três objetivos, destruir, de uma vez por todas, a Petrobras e importantíssima cadeia do petróleo brasileira, a mais importante cadeia produtiva do país.

    E se Temer tomou uma medida política, Jair Bolsonaro deveria tomar a sua, ordenando o fim da PPI. Porém, Bolsonaro foi eleito para concluir o projeto imposto com Temer a partir do golpe de Estado de 2016 e não contrariá-lo.

    Assim, Bolsonaro só vai fazer algum barulho para simular que está a tomar alguma providência contra os aumentos dos combustíveis, colocar a culpa em meio mundo e, de prático, nada teremos em defesa do povo brasileiro, legítimo dono da imensa riqueza petrolífera que o país passou a ter a partir da descoberta do Pré-Sal.

Valeriana

01/12/2021 - 10h48

Otima noticia.

    Nelson

    02/12/2021 - 15h06

    Tu fazes parte da turma que habita o topo da pirâmide, milionários e bilionários, minha cara, únicos que realmente já estão ganhando têm a ganhar ainda mais com as privatizações?

    Ou fazes parte do grupo de inocentes, incautos e desavisados – talvez pudesse dizer tapados -, que de nadam sabem e vivem a repetir as mentiras veiculadas pela mídia hegemônica e seus comentaristas, ou mesmo pelas fake news, que tentam nos convencer de que as privatizações vão nos levar a um quase-paraíso?

    Ou seria porque nasceste nos EUA, na Europa ou em algum outro país rico e não está nem aí para a nossa nação?

    Bem, do primeiro grupo eu tenho certeza de que não fazes parte. Alguém com tanta riqueza estaria dedicando seu tempo a usufruir de todos os prazeres que ela proporciona e não encontraria tempo para vir escrever comentários em um sítio que faz oposição ao sistema dominante.

    Sobram, então, as outras duas opções. Em qual delas tu te enquadras?


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