Mais de 70% dos eleitores já estão decididos sobre o voto presidencial, diz DataFolha

Lula em Belém, 1 de setembro de 2022. Foto: Ricardo Stuckert.

Lula passa a liderar em todas as regiões do país e abre 20 pontos entre mulheres

Por Miguel do Rosário

01 de setembro de 2022 : 23h26

A pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira trouxe excelentes notícias para Lula. Apesar do gigantesco esforço de Bolsonaro, centrão e governadores aliados para secar os cofres públicos com iniciativas eleitoreiras, o presidente não avançou nenhum ponto.

Bolsonaro tinha 32% em agosto. Continua pontuando os mesmos 32%.

Lula, por sua vez, oscilou dentro da margem de erro, e agora tem 45%.

Ciro Gomes e Simone Tebet experimentaram algum crescimento, de 2 a 3 pontos.

O que chama atenção, porém, é  o fato de que Lula agora lidera em todas as regiões do país, incluindo Sul e Centro-Oeste.

Sua maior vantagem é no Nordeste, com 58% dos votos totais, 34 pontos acima de Bolsonaro.

No Sudeste, região com maior eleitorado do país, o petista oscilou para baixo, mas mantém uma vantagem acima da margem de erro, atingindo 41%, seis pontos acima de Bolsonaro, 35%.

Outro ponto que merece destaque é a ampliação da vantagem de Lula entre mulheres, que chegou a 20 pontos.  Lula oscilou um ponto para cima entre mulheres e agora tem 48% nesse estrato, enquanto Bolsonaro desceu 1 ponto e tem 28%.

Lula tem 40% na espontânea, contra 29% de Bolsonaro, 4% de Ciro e 2% de Simone Tebet.

Outra boa notícia para Lula é que ele consolidou um “cinturão evangélico” de 32% de votos, contra 48% de Bolsonaro.

Entre eleitores mais pobres, com renda familiar até 2 salários, que representam 52% do eleitorado, segundo o Datafolha, Lula mantém mais que o dobro de votos de Bolsonaro, com 54% dos votos, contra 25% de Bolsonaro. As variações estão dentro da margem de erro.

O Datafolha também liberou os números referentes a pesquisa presidencial em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Lula manteve uma vantagem de 18 pontos sobre Bolsonaro em Minas, com 47% a 29%, e ainda está à frente em São Paulo, acima da margem de erro, com 40% X 35%. No Rio de Janeiro, Lula chegou a 42% das intenções de voto, versus 36% de Bolsonaro.

Essa força de Lula nos três principais colégios eleitorais do país, somado à hegemonia impressionante que mantém no Nordeste, e ao crescimento que vem experimentando no Centro-Oeste e Norte, lhe garantem um resultado favorável no primeiro turno. Mesmo que não leve em primeiro turno, a tendência é que obtenha mais votos que Bolsonaro e chegue à frente.

No segundo turno, houve leve estreitamento da diferença, mas Lula ainda venceria com folga, pontuando 54%, contra 37% de Bolsonaro, 17 pontos de vantagem.

Conclusão

Ao contrário do que a maioria dos analistas tem dito, Lula ficou mais próximo de vencer no primeiro turno, porque o crescimento de Simone Tebet e Ciro Gomes constitui a formação de um estoque de votos anti-Bolsonaro, que tendem a alimentar o voto útil em Lula às vésperas das eleições.

Agora que o Auxílio Brasil foi pago em agosto, Bolsonaro tem poucos cartuchos para queimar. Ele se beneficia da melhora relativa da economia, e da injeção bilionária de recursos, através dos auxílios federais, da liberação do FGTS, além dos gastos crescentes com emendas parlamentares e despesas de governos estaduais, que costumam subir vertiginosamente às vésperas de eleições.

Mesmo assim, Bolsonaro não cresceu. Agora tem apenas 30 dias para reverter o jogo.

Um importante trunfo de Lula nesse momento é o início da propaganda eleitoral, cujos efeitos sobre a população de baixa renda ainda devem se fazer sentir. O petista é o candidato com o maior tempo de rádio e TV, e isso agora naturalmente fará uma grande diferença.

Os eleitores de Lula e Bolsonaro estão muito decididos a manter seu voto.

No geral, 76% dos eleitores responderam que estão “totalmente” decididos sobre seu voto, contra pouco mais de 20% que disseram que ainda podem mudar.

Os eleitores de Lula estão ainda mais decididos que a média, com 83% afirmando que não mudariam de voto. Os de Bolsonaro, idem, com 84% afirmando categoricamente que não irão mudar de voto

Já entre eleitores de Ciro, apesar de ter aumentado o percentual de eleitores decididos a manter seu voto até o fim, quase 60% ainda dizem que podem mudar . Esse voto é que pode garantir uma vitória em primeiro turno de Lula, mas esse eleitor provavelmente só virá às vésperas das eleições.

Abaixo, reuni alguns gráficos da pesquisa liberados há pouco.

Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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14 comentários

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Jonathan

02 de setembro de 2022 às 12h21

O silencio oportunista rasteiro da velha imprensa e da esquerda sobre as movimentaçoes nada democraticas do STF, sobre as barbaridades do nazistoide, sobre as invencionices de Fachin e Cia para tornar o Canastrao elegivel sao claro sinal de algo errado.

A democracia brasileira é altamente viciada pelos reiterados atos e intromissoes que nada tem a ver com a constituiçào do STF em outros poderes.

O silencio da esquerda é claro sinal do lado de onde se colocou essa corte que nao foi aparelhada a toa durante mais de 20 anos. A Constituiçào permite isso e obviamente quem ganhava as eleiçoes com bilhoes roubados aos brasileiros para comprar o congresso e se financiar nao perdeu a ocasiao.

O Brasil ainda nao é uma democracia, as nomeçoes exclusivamente politicas dos minsitros do STF sao um claro cancer que deve ser removido quanto mais cedo possivel.

O STF nao pode ser aparelhado por grupos politicos que por ventura ganham as eleiçoes mais que outros, a Constituiçào é de todos os brasileiros independentemente da politica.

As grandes emissoras precisam levar aos brasileiros programas com assuntos diarios importantes e de interesse dos brasileiros como acontece em qualquer democracia sadia e nao a mesma imundicia de sempre para imbecilizar cada dia mais.

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Canastra

02 de setembro de 2022 às 11h48

Sao claras tentativas de por numeros inversos da realidade bem onde o Larapio certamente nao ganha para tentar dar uma forcinha ao lavador de cuecas de estimaçào da “Globe/Folhe” e da Faria Lima…Sul e Controeste; nem no Suleste ganha obviamente.

Fora do NE ainda hà maioria de petralhume no Parà provavelmente.

As imagens com o atual Presdeinte da Republica na rua sao as mesmas de 2018 e a manifestaçào do dia 7 de setembro serà muito provavelmente uma das maiores da historia brasileira…sem ser bancada com a ficha de 30 R$, transporte e o lendario pao com mortadela vencida pagos com dinheiro sotraido ilegalmente aos brasileiros.

Haverà provavelmente mais abstençào ou votos anulados mas o afastamento da facçào da cena do crime ao que tuda indica sera mantido.

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Luiz

02 de setembro de 2022 às 11h42

É média por estados Minions.

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Luiz

02 de setembro de 2022 às 11h41

Vou desenhar para os Minions:
Quando se fala em regiões eles estão fazendo a média por estados. Será que é tão difícil assim?
E agora com 51 imóveis comprados na grana, vai ser no primeiro turno.
Kkkkkkk

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Valeriana

02 de setembro de 2022 às 11h28

Pesquisa Datafolha: https://youtu.be/bWTwlLhALLA?t=64

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Fernando

02 de setembro de 2022 às 11h24

Não sei dão de tiraram estes números. Aqui em SC é difícil achar alguém que vai votar no lula

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EdsonLuíz.

02 de setembro de 2022 às 10h58

Com rejeição absolura de 40% ou mais –e daí infiro que a rejeição relativa deles esteja na casa dos 60%– que país Lula e jair bolsonaro querem liderar?

A conjuntura mundial prevista para os próximos dois anos não é nada favorável e contrasta completamente com a conjuntura de imenso crescimento econômico mundial da primeira década deste século que favoreceu o Brasil e que o país, pelos erros técnicos e morais de Lula e do PT, desperdiçou.

Lula1 governou com o melhor dos mundos: país saneado e relativamente organizado por Fernando Henrique, financiado por aumento da carga tributária de 29,8% do PIB quando FHC assumiu e por ele elevada para 32%, com picos de 35%, aumento necessário naquele momento para conseguir fazer o trabalho de reconstrução do país, que a ditadura de 1964 havia colocado de barriga no chão, e iniciar minimamente um programa de criação de valor novo e geração de renda e encaminhar políticas de resgate social e de recuperação do salário mínimo –naquele país herdado da ditadura militar, só a inflação era de 2780% ao ano e houve mês que ultrapassou a taxa de 90%. Não havia um país : o Brasil não era um país!

Lula assumiu o país saneado e relativamente reestruturado por Fernando Henrique e dele foi continuidade.

O governo Lula1 foi continuidade do período Fernando Henrique nos acertos e nos limites ideológicos, continuidade essa assumida em documento, a Carta ao Povo Brasileiro, onde Lula e o PT se comprometiam a manter as políticas que herdariam e efetivamente mantiveram. Lula e o PT xingavam Fernando Henrique todo dia e o dia todo, chamavam a limitada mas bendita herança que receberam de “herança maldita”, mas mantiveram essa heranca em Lula1 e o Brasil, favorecido pelas políticas de Fernando Henrique, que em Lula1 não só foram continuadas como aprofundadas.

E o PSDB deixou no governo vários técnicos para ajudarem o PT, já que o PT se comprometeu em documento com as políticas de FHC. Foi nesse tempo que o país que conseguiu melhorar as coisas um pouquinho. Esse “Período Fernando Henrique” foi de 1993, ano em que FHC assumiu a economia no governo Itamar Franco até o final de Lula1, em 2006, quando Lula e o PT começaram a mudar tudo e implantar sua própria herança política econômica. E deu no que deu! Deu em Dilma! Deu em Temer! Deu em jair bolsonaro! Esse é o “Período Lula”, que abriu o “BuracoPT” em que estamos até hoje, tudo agravado depois pela pandemia e pelas instabilidades geradas pelo comportamento e valores retrógrados de bolsonaro e sua lista de imóveis, que chega a superar, especificamente em imóveis, os escândalos de corrupção também envolvendo imóveis de Lula.

No Lula1 os resultados do amadurecimento das políticas anteriores, feitas no FHC1 e FHC2, conferiram a Lula uma imagem bem favorável, turbinada por uma conjuntura econômica mundial extremamente vantajosa e que entornou uma quantidade de dinheiro formidável no Brasil com exportação de comodities, principalmente soja e minério de ferro.

Essa conjuntura econômica nunca mais vai se repetir e o mundo, nos próximos anos, vai ficar mais parecido com o mundo tulmutuado que foi nos anos de governo de Fernando Henrique. E as políticas internacionais que fazem Lula, à esquerda, e bolsonaro, à direita, que nós sabemos que em nada contribui para o Brasil e para o mundo livre, podem agravar as coisas ainda mais, se eles não mudarem suas crenças de verdade.

Também o Brasil, interna e institucionalmente, não está o país organizado do período FHC, mas um Brasil desorganizado econômicamente por Lula2 e pelo PT e tumultuado institucionalmente por jair bolsonaro. Soma-se a esses problemas o estraçalhamento do Bradil pelo ódio fermentado por décadas pelo PT contra todos e potencializado pelo ódio bolsonarista.

É com a rejeição que têm que esses dous, Lula e jair bolsonaro, querem liderar essas dificuldades atuais do Brasil, dificuldades que foram eles mesmos que produziram?

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Saulo

02 de setembro de 2022 às 10h56

É só pegar estado por estado do sul e centro oeste e não há q sequer estado onde Lula estaja na frente nas pesquisas.

Pesquisas mal servem para acender a churrasqueira, papel higiênico e óleo velho funcionam melhor.

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carlos

02 de setembro de 2022 às 10h47

Os desempre um abraço, se Deus quiser se não for no 1° é 2° turno mais dia menos dias o mandrião vai desocupar o Palácio vai habitar no Palácio da Polícia.

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Ronei

02 de setembro de 2022 às 08h59

Pesquisa encomendada pela Globo e Folha de Sao Paulo dizendo que Folha de Sao Paulo e Folha nao sao a mesma “pessoa”…?!!?

O aprezo dessa turma para o candidato que é atualmente Presidente da Republica é notorio….e a gente viu muito bem o tratamento especial (vergonhoso) que a Globo deu a outro candidato durante um papo de boteco poucos dias atras….

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Dudu

02 de setembro de 2022 às 08h41

https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/10/04/pesquisa-datafolha-para-presidente-bolsonaro-35-haddad-22-ciro-11-alckmin-8-marina-4.ghtml

35 foi 46…11 pontos a mais
22 foi 29…7 pontos a mais

95% de índice de confiança e margem de erro 2%….kkkkkk

E essa…https://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/09/28/datafolha-bolsonaro-perde-todos-os-cenarios-de-2-turno-ciro-vence-haddad.htm

Quem pariu coisas dessas não faz pesquisas, inventa conforme interesses particulares.

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Kleiton

02 de setembro de 2022 às 07h23

Lula lidera no centro oeste (DF, MS ,MT, GO)…?!?! Kkkkkkkk

No Sul também, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e e Paraná ?!?! Kkkkkkkkk

Tem que ser muito imbecil para acreditar nessas besteiras ou muito dissimulado para fingir acreditar…https://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-perde-de-haddad-por-45-a-39-no-2o-turno-diz-datafolha/

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Kayk Santos

02 de setembro de 2022 às 02h06

Miguel com análises sempre lúcidas acerca dos dados. Os dias de Bolsonaro estão contados. Apostou alto e não colheu e nem colherá os resultados esperados do despejo de dinheiro. A população sabe que as medidas são eleitoreiras e Bolsonaro só começou fazer agora o que poderia ter feito antes. Mais de 3 anos de uma gestão catastrófica para tentar reverter em 30 dias, improvável, ainda que esteja no reino do possível. A campanha vai entrar no momento mais difícil, Bolsonaro vai tensionar, reforçar o discurso ideológico e inventar alguma ficção para tentar aumentar a rejeição a Lula e ao PT… ao mesmo tempo que estouram novos escândalos de corrupção da família do presidente. Os dias lhes serão pesados e o governo, com pouca margem de manobra, vai asfixiar e agonizar até o fim. Jovens, mulheres e miseráveis vão fuzilar o mito nas urnas.

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Alexandre Neres

02 de setembro de 2022 às 00h25

Tudo como antes no quartel de Abrantes.

Só que agora falta apenas um mês para começarmos a abandonar o fundo do poço.

O horizonte de Salnorabo está cada vez mais limitado. Sem saída.

A eleição vai pegar fogo só na disputa pelo terceiro lugar.

Pelo teor dos comentários, depreende-se que tem gente louca pra se bandear pro lado da Tebet.

Ora, nos dois primeiros anos desse desgoverno disfuncional, ela votou só 86% das vezes junto com o candidato que ajudou a eleger.

Vou apontar um ranking dos institutos de pesquisa, de acordo com a credibilidade que adquiriram ao longo do tempo, privilegiando, entre outros critérios, que seja feita de forma presencial:
1- Datafolha
2- Ipec (ex-Ibope)
3- Quaest
4- CNT/MDA


Na rabeira: Paraná Pesquisas e Modalmais

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