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Sâmia e Boulos. Foto: Reprodução/Twitter da Sâmia

A disputa no PSOL

Por Pedro Breier

06 de dezembro de 2022 : 17h05

A deputada Sâmia Bonfim e o deputado eleito Guilherme Boulos verbalizaram publicamente a disputa interna quente que está se desenhando no PSOL: integrar ou não o governo Lula.

Sâmia defende que o PSOL não participe do governo para manter sua independência diante de possíveis opções conservadoras que Lula possa adotar:

Temas relativos a direitos humanos, por exemplo, é muito comum que não sejam pautados em função de acordos feitos com fundamentalistas, com setores mais conservadores. A gente quer manter a independência para seguir pautando. Essa é a nossa vocação no Parlamento.

Boulos discorda. Para ele, é possível integrar o governo sem perder a autonomia partidária. O deputado eleito prefere a tática de “disputar internamente espaços para puxar a agenda do país para a esquerda”.

“Quem vai fazer oposição ao Lula é o bolsonarismo, e não estaremos ao lado deles. O momento do país é outro. Enfrentamos uma oposição raivosa. E não dá para brincar com isso.”

Ambos apresentam bons argumentos, mas tendo a concordar com Boulos.

O país está nas mãos da direita desde o golpe de 2016. Lá se vão mais de seis anos, período em que ficou bastante evidente a importância de se ter o comando da máquina do Poder Executivo – e do seu portentoso orçamento.

A atuação dos parlamentares no Congresso é importante, assim como as ações dos partidos e da militância. Mas nada disso se compara, em termos de efeito direto na vida da população e de transformação do país, a estar no comando do Executivo.

Depois de uma batalha sangrenta pela presidência, em que o campo popular saiu vitorioso contra o Hitler brasileiro, é hora de as melhores cabeças que temos à disposição se posicionarem em postos chave do governo. É hora de usar o orçamento – que pertence ao povo – para implementar políticas públicas que beneficiem o povo. E os quadros do PSOL são imprescindíveis nessa tarefa.

Por outro lado, não seria mesmo interessante que o partido perdesse sua independência. É essencial termos uma bancada de esquerda combativa na Câmara, que enfrente os assuntos que são espinhosos para o senso comum conservador.

A manutenção da autonomia do PSOL será boa inclusive para o governo Lula – a tensão à esquerda é importante para que o eixo do debate público não se desloque demasiadamente para a direita. Lula e o PT demonstrarão sensibilidade e inteligência política se não atrelarem a nomeação de psolistas para o ministério a uma adesão total dos parlamentares do partido a toda e qualquer ação do governo federal.

O PSOL apoiou Lula nas eleições e, agora que pode ajudar a construir um novo país, não deveria abrir mão do poder que as urnas conferiram ao campo popular. O desafio é fazê-lo sem perder sua importante voz crítica no Parlamento.

É uma equação delicada, mas que pode ser resolvida satisfatoriamente.

Pedro Breier

Pedro Breier nasceu no Rio Grande do Sul e hoje vive em São Paulo. É formado em direito e escreve sobre política n'O Cafezinho desde 2016.

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6 comentários

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Paulo

06 de dezembro de 2022 às 21h41

Pelo visto, o nosso “querido” e velho Boulos está se reciclando, querendo escorregar um bocadinho mais ao centro. Acho que a votação que ele teve subiu à cabeça e ele imagina poder dar saltos maiores, daqui em diante. No fim, terminará como Lula, escravo do Centrão e da banca…Mas, se serve de consolo, tampouco a tal Sâmia pode vislumbrar qualquer futuro político mais consistente, fora da bolha…

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Paulo Werneck

06 de dezembro de 2022 às 19h19

A deputada Samia tem razão: não participa do governo, assim a direita tem mais espaço, faz mais besteira e assim ela pode protestar mais no Congresso.

Já se o Boulos vence a queda de braço, o governo fica melhor, tem melhor resultado e a Sâmia fica com menos assunto para criticar.

O que é melhor: o povo ser melhor governado ou o PSOL ter mais assunto para criticar?

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Paulo Werneck

06 de dezembro de 2022 às 19h18

A deputada Samia tem razão: não participa do governo, assim a direita tem mais espaço, faz mais besteira e assim ela pode protestar mais no Congresso.

Já se o Boulos vence a queda de braço, o governo fica melhor, tem melhor resultado e a Sâmia fica com nenis assunto para criticar.

O que é melhor: o povo ser melhor governado ou o PSOL ter mais assunto para criticar?

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Partagas

06 de dezembro de 2022 às 18h20

O PDT é o partido mais inutil do Brasil e o PSOL o mais ridiculo da face da terra….kkkkkkkkkk

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Natalia

06 de dezembro de 2022 às 18h15

O PSOL é um receptaculo de desadatados.

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Galinzé

06 de dezembro de 2022 às 18h12

PSOL….kkkkkkkkkkkk

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