Há 39% de chance de que computadores quânticos quebrem a criptografia da internet ainda nesta década — e avanços recentes do Google e da startup Oratomic sugerem que esse prazo pode ser ainda menor. Pesquisadores em segurança cibernética estão preocupados com a possibilidade de que essas máquinas, capazes de quebrar protocolos de criptografia que protegem a internet, cheguem mais cedo do que o esperado. Um relatório recente destaca que o uso de inteligência artificial (IA) foi crucial para acelerar o desenvolvimento de algoritmos que tornam esses computadores mais eficientes.
A computação quântica se baseia em qubits, que utilizam as leis da mecânica quântica para realizar cálculos de forma extremamente rápida. Essa velocidade representa uma ameaça à segurança da internet, já que a criptografia atual, que protege desde mensagens de WhatsApp até documentos secretos, pode ser quebrada por computadores quânticos em questão de dias.
O Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (NIST) estabeleceu um prazo até 2035 para se preparar para a chegada desses computadores. No entanto, tanto o Google quanto a Oratomic sugerem que esse prazo pode ser encurtado significativamente. A Cloudflare, empresa que protege uma fração significativa da internet, anunciou que está antecipando seu prazo para se preparar para computadores quânticos para 2029.
O papel da IA nesse avanço não pode ser subestimado. Dolev Bluvstein, um dos autores do estudo, afirmou que a IA foi essencial para o desenvolvimento do algoritmo da equipe da Oratomic, que agora requer apenas três átomos para codificar um qubit, reduzindo drasticamente o número de partículas necessárias para construir um computador quântico atômico.
Apesar dos avanços, o artigo ainda não foi revisado por pares e algumas das suposições feitas são consideradas “não testadas” por especialistas. Jeff Thompson, professor associado de Princeton, afirma que é “muito fácil” reduzir o tamanho do computador se assumirmos qubits melhores. Mesmo assim, a possibilidade de um computador quântico surgir antes da transição para criptografia pós-quântica preocupa, pois poderia levar a vazamentos de dados e extorsões.
Além de ameaçar a segurança da internet, a computação quântica tem o potencial de revolucionar outras áreas, como a física, o desenvolvimento de novos medicamentos e materiais, e até mesmo a criação de modelos de IA mais poderosos e eficientes. No entanto, a urgência em adaptar sistemas de segurança para essa nova realidade é clara.
O impacto desses avanços vai além do mundo da tecnologia. Como destacou Bluvstein, “quase todo sistema no mundo se torna vulnerável a um atacante quântico”. Essa realidade exige uma resposta rápida e coordenada para garantir que a segurança digital global não seja comprometida.
Para o leitor comum, o risco é concreto: senhas bancárias, prontuários médicos e comunicações privadas dependem hoje de criptografias que um computador quântico poderia desfazer em dias. A janela para a transição segura está se fechando — e 2029, não 2035, pode ser o prazo real.


Joao Silva
08/04/2026 - 07h12
Nossa!
maria medeiros
08/04/2026 - 06h57
Que medo!