O governo italiano reagiu com indignação a um ataque das Forças de Defesa de Israel (IDF) contra um veículo blindado italiano da Unifil (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), ocorrido no dia 7 de abril de 2026, a cerca de dois quilômetros da base de Shama, no sul do Líbano.
O veículo fazia parte de um comboio que seguia para Beirute quando foi alvo de disparos de advertência. Os tiros atingiram os pneus e o para-choque, forçando os capacetes azuis a retornarem à base. Não houve feridos no incidente, mas a ação gerou forte repúdio em Roma.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, classificou o ataque como ‘totalmente inaceitável’ e uma ‘violação clara’ da resolução 1701 das Nações Unidas, que regula a presença da Unifil na região. Meloni cobrou explicações imediatas de Israel sobre o ocorrido.
Em resposta, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, convocou o embaixador israelense para prestar esclarecimentos e manifestou solidariedade ao presidente do Líbano, Joseph Aoun, pelos ataques sofridos pelas forças da Unifil no território libanês, considerando-os ‘injustificados e inaceitáveis’.
O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, também se pronunciou, solicitando à ONU que pressione as autoridades israelenses para garantir a segurança do contingente italiano e de todo o pessoal da Unifil.
Crosetto reafirmou o compromisso da Itália com a missão de paz, mas exigiu respeito absoluto ao papel da força internacional e proteção aos seus militares. O presidente da Câmara dos Deputados, Lorenzo Fontana, expressou gratidão aos soldados italianos por sua dedicação em meio ao contexto desafiador no sul do Líbano.
Políticos de diferentes espectros também se manifestaram. Enrico Borghi, vice-presidente do partido Italia Viva, condenou o incidente e pediu ao governo medidas para preservar a integridade da missão de paz.
Nicola Fratoianni, secretário do partido Sinistra Italiana, foi mais incisivo, criticando a resposta do governo Meloni como insuficiente diante do que descreveu como ‘violações repetidas e atos de violência’ pelo exército israelense. Fratoianni defendeu a aplicação de sanções contra Israel e a suspensão do tratado de associação entre o país e a União Europeia.
Este incidente não é um caso isolado. No dia 15 de novembro de 2025, dois foguetes atingiram a base de Shama, ferindo quatro militares italianos.
A Unifil, criada em 1978, tem como objetivo monitorar a retirada de tropas israelenses do sul do Líbano, apoiar o governo libanês na manutenção da soberania e contribuir para a segurança na região. De acordo com o portal Al Jazeera, os ataques a forças de paz têm se intensificado nos últimos meses, agravando a instabilidade na fronteira entre Líbano e Israel.
A reação italiana reflete a crescente preocupação com a segurança de suas tropas em missões internacionais, especialmente em áreas de conflito como o sul do Líbano, onde a tensão entre Israel e grupos armados locais permanece elevada.
O governo de Roma sinalizou que não tolerará novos incidentes e espera respostas concretas de Israel para evitar escaladas futuras. Enquanto isso, a Unifil continua a desempenhar seu papel em um ambiente cada vez mais hostil, com a comunidade internacional atenta aos desdobramentos na região.
Com informações de ansa.it.


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