Jeff Thornburg, ex-engenheiro da SpaceX e um dos responsáveis pelo desenvolvimento do motor Raptor, utilizado nos foguetes Starship, lidera agora um projeto ousado na startup Portal Space Systems.
Fundada em 2021, a empresa anunciou no dia 9 de abril de 2026 um financiamento de US$ 50 milhões em sua rodada Série A, liderada pela Geodesic Capital e Mach33, com participação de investidores como Booz Allen Ventures, ARK Invest, AlleyCorp e FUSE.
Essa injeção de capital avaliou a companhia em US$ 250 milhões, consolidando sua posição no setor aeroespacial.
A Portal Space Systems trabalha no desenvolvimento de uma tecnologia de propulsão térmica solar, um método que utiliza o calor do sol para aquecer propelentes e impulsionar espaçonaves a altas velocidades.
Diferentemente dos sistemas atuais de satélites, que dependem de combustíveis químicos ou de propulsores elétricos de baixa potência alimentados por energia solar, o sistema da Portal concentra a energia térmica solar de forma direta, prometendo maior eficiência e redução de custos.
Essa abordagem, embora estudada desde os anos 1960 em laboratórios governamentais, nunca foi aplicada em órbita. A equipe de Thornburg, ao lado dos cofundadores Ian Vorbach e Prashaanth Ravindran, pretende concretizar esse avanço nos próximos dois anos.
Além do financiamento da Série A, a empresa já havia captado US$ 45 milhões em contratos estratégicos com o exército dos EUA, voltados para aplicações militares, como manobras rápidas em órbitas para fins de vigilância ou resposta a ameaças.
Somados a isso, outros US$ 67,5 milhões em capital privado foram arrecadados anteriormente, totalizando mais de US$ 160 milhões em recursos para o projeto, conforme destacou Travis Bales, diretor-gerente da Booz Allen Ventures.
A demanda por mobilidade espacial tem crescido com o aumento de lançamentos de satélites e as necessidades estratégicas dos EUA no espaço, especialmente em cenários de competição orbital com potências rivais.
A Portal Space Systems já realizou testes iniciais, enviando eletrônicos de voo em uma missão experimental ao redor da Terra. A empresa planeja lançar uma espaçonave protótipo em outubro de 2026, com a meta de demonstrar um motor funcional até 2027.
Segundo a Bloomberg, que acompanha o setor aeroespacial, a tecnologia pode transformar a capacidade de manobra de satélites, reduzindo custos operacionais e aumentando a flexibilidade em missões espaciais.
Outro ponto de destaque é a possibilidade de evolução para sistemas de propulsão nuclear térmica, substituindo o calor solar pelo de um reator nuclear.
Thornburg argumenta que testar essas tecnologias diretamente em órbita é mais viável do que construir instalações terrestres de teste nuclear, cujo custo estimado seria de cerca de US$ 2 bilhões. Essa estratégia poderia acelerar avanços significativos no campo da propulsão espacial, posicionando a startup como uma referência em inovação no setor.
Embora a tecnologia tenha potencial para aplicações civis e comerciais, o interesse militar dos EUA levanta debates sobre o uso dual de tais sistemas.
A capacidade de mover espaçonaves rapidamente entre órbitas pode tanto facilitar missões de exploração quanto intensificar a militarização do espaço, um tema que continua a gerar discussões em fóruns internacionais. Por enquanto, a Portal Space Systems foca em provar a viabilidade de sua tecnologia, com expectativas altas para os próximos passos de seu ambicioso projeto.
Com informações de techcrunch.com.


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