A indústria têxtil argentina perdeu 12.000 empregos formais em 2025 — mais de 20.000 desde 2023 — enquanto camisetas de algodão entram no país declaradas a menos de um centavo de dólar. A causa: subfaturação sistemática nas importações, que segundo a Federação de Indústrias Têxteis Argentinas (FITA), afeta mais de 70% das importações têxteis, com preços abaixo dos históricos, nem cobrindo o custo da matéria-prima.
Essa prática, além de impactar o setor têxtil, começa a se expandir para outras indústrias, como a do aço e de brinquedos. O enfraquecimento das medidas antidumping, que vencem em 2026, agrava a situação. Em uma reunião com o ministro da Economia, Luis Caputo, a União Industrial Argentina (UIA) expressou preocupação com a entrada de produtos subfaturados, destacando a sobrecapacidade global que incentiva a importação desleal.
O impacto é devastador: em janeiro de 2026, a produção industrial têxtil caiu 23,9% em relação ao ano anterior, o menor nível desde 2016. Com armazéns lotados e vendas estagnadas, o uso da capacidade instalada no setor caiu para 24%, muito abaixo dos 53,6% da indústria em geral.
Além disso, a importação de bens de consumo cresceu 54% em 2025, enquanto a de insumos básicos caiu 35%. Esta mudança no padrão de importação limita o crescimento da produção local, com investimentos em maquinário importado caindo 11% no primeiro bimestre de 2026. Em fevereiro de 2026, o setor de vestuário e calçados não registrou inflação, contrastando com o aumento geral de preços de 33,1%.
A situação evidencia a fragilidade da indústria argentina diante das políticas comerciais globais e locais. A dependência de importações baratas e a falta de controle sobre a subfaturação ameaçam a sustentabilidade econômica do país, colocando em risco milhares de empregos e a soberania industrial. Segundo o portal Perfil, essa crise exige uma resposta imediata do governo para proteger o mercado interno e reverter a tendência de desindustrialização.


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