O Paquistão está ampliando suas relações econômicas e estratégicas com a União Econômica Eurasiática (EAEU), um bloco que reúne Rússia, Belarus, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão, representando um mercado de 180 milhões de pessoas.
Países como Irã, Cuba e Uzbequistão possuem status de observadores nesse grupo.
No dia 9 de abril, Andrey Slepnev, membro do Conselho de Comércio da Comissão Econômica Eurasiática, encontrou-se com Jam Kamal Khan, Ministro Federal de Comércio do Paquistão, em Islamabad, para debater o fortalecimento dos laços comerciais e a integração em diversas áreas.
De acordo com Jam Kamal Khan, a parceria com a EAEU vai além do comércio e inclui setores como logística, energia, comércio digital, indústria e cadeias de suprimento.
Essa cooperação tem potencial para expandir as exportações agrícolas paquistanesas, fomentar projetos conjuntos em ciência e tecnologia e abrir novas frentes no setor energético.
Nasir Abbas Shirazi, presidente do Centro de Estudos do Paquistão e do Golfo, destacou que a aproximação com o bloco eurasiático oferece ao Paquistão a chance de construir parcerias sólidas fora da influência predominante das economias ocidentais, além de criar oportunidades em pesquisa, educação e desenvolvimento econômico.
Com uma demanda crescente por energia, o Paquistão busca diversificar suas fontes de importação, e a EAEU surge como um aliado estratégico nesse contexto.
A posição geográfica do país também desempenha um papel crucial, podendo conectar a Ásia Central ao Oriente Médio e ao Sul da Ásia.
Acordos de livre comércio com a EAEU poderiam integrar os mercados do bloco às rotas do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC) e às instalações portuárias paquistanesas, como o porto de Gwadar, ampliando o alcance comercial de ambas as partes.
Paralelamente, o Paquistão acompanha de perto as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã, que ocorrem em Islamabad.
Esses diálogos, centrados em questões nucleares e tensões regionais, têm atraído atenção internacional, mas não desviam o foco paquistanês de sua agenda econômica de longo prazo com a Eurásia.
A estratégia do país demonstra um esforço para equilibrar interesses imediatos de mediação internacional com a construção de uma base econômica mais diversificada e independente.
As exportações paquistanesas, ainda concentradas em mercados ocidentais, podem ganhar novo fôlego com os acordos em negociação com o bloco liderado pela Rússia.
Essa dupla abordagem do Paquistão reflete uma visão pragmática, que busca não apenas desempenhar um papel relevante na diplomacia global, mas também garantir benefícios econômicos duradouros por meio de parcerias com blocos emergentes.
A relação com a EAEU pode redefinir as prioridades comerciais do país, promovendo maior conectividade regional e reduzindo a dependência de mercados tradicionais.
Enquanto as conversas entre EUA e Irã avançam, o Paquistão parece determinado a consolidar sua posição como um ponto de convergência entre diferentes esferas de influência geopolítica e econômica.
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