Na Cisjordânia ocupada, a celebração da Páscoa por colonos israelenses em 2026 tem sido marcada por ações que resultaram no deslocamento forçado de comunidades palestinas.
Haitham al-Zayed, um jovem de 24 anos, recorda com nostalgia os tempos em que nadava nas piscinas naturais de al-Auja, no Vale do Jordão. Expulso da região há três meses por colonos, ele observou milhares deles reunindo-se no local no início de abril de 2026 para celebrar a Páscoa, ocupando os mesmos espaços que antes eram frequentados por sua família e comunidade.
Imagens divulgadas em redes de colonos mostram crianças brincando nas piscinas de al-Auja e adultos organizando churrascos, expressando satisfação por retornar ao que consideram sua terra.
Para muitos palestinos, essas cenas representam um reflexo da violência sistemática que tem afetado suas comunidades. Jovens colonos, frequentemente chamados de hilltop youth, são apontados como os principais responsáveis pelas ações de expulsão, que se intensificaram nos últimos anos.
De acordo com o portal Al Jazeera, a violência promovida por colonos resultou no deslocamento de 1.727 palestinos de 36 comunidades apenas entre janeiro e abril de 2026.
Desde 2023, o número total de pessoas forçadas a abandonar suas casas ultrapassa 5.600, evidenciando a escala do problema. Allegra Pacheco, chefe do Consórcio de Proteção da Cisjordânia, declarou que tais atos configuram uma clara violação do direito internacional, apontando para a ausência de punição ou responsabilização dos responsáveis pelos deslocamentos.
A violência não se restringe a al-Auja. Em Hammam al-Maleh, também no Vale do Jordão, moradores palestinos enfrentaram ataques severos, incluindo agressões físicas que deixaram marcas profundas na comunidade.
Apesar disso, muitos resistem à intimidação. Muhammad, um residente local, afirma que permanecer em sua terra é um ato de resistência contra as tentativas de expulsão, mesmo sob constante ameaça.
A escalada da violência por parte dos colonos, que inclui registros de assassinatos de palestinos, levanta alertas sobre o risco de agravamento da crise humanitária na região.
Allegra Pacheco adverte que a impunidade pode abrir caminho para violações ainda mais graves, enquanto os números de deslocados continuam a crescer. A situação na Cisjordânia permanece tensa, com comunidades palestinas enfrentando pressões crescentes para abandonar suas terras ancestrais, em meio a um contexto de ocupação que desafia resoluções internacionais.


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