No dia 24 de agosto de 2021, a NASA concedeu um total de 750 mil dólares a três equipes que apresentaram protótipos não-biológicos capazes de transformar dióxido de carbono em açúcares úteis como glicose.
A competição CO2 Conversion Challenge exigia a conversão do gás em menos de sete horas utilizando apenas CO2, água e eletricidade — recursos disponíveis em ambientes como a superfície marciana. O objetivo central era reduzir drasticamente a dependência de remessas terrestres para sustentar missões humanas de longa duração.
As equipes vencedoras foram a Air Company, sediada no Brooklyn, a Hago Energetics, da Califórnia, e a Team SSwEET, da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Cada uma recebeu aproximadamente 216.667 dólares como prêmio base, com valores adicionais por critérios de eficácia, escalabilidade e preparação para o espaço, elevando o montante total a 750 mil dólares. Conforme detalhou o portal oficial da NASA, os sistemas desenvolvidos abrem caminho para a produção local de alimentos e materiais em missões interplanetárias.
A equipe da UC Berkeley, liderada pelo professor Peidong Yang, desenvolveu um processo eletroquímico que gera formaldeído e glicolaldeído diretamente a partir de CO2.
Esses compostos servem como precursores para a reação formose, um método químico clássico que produz açúcares com cadeias de três a oito carbonos. Os testes demonstraram que o sistema completo consegue entregar os produtos em cerca de quatro horas, sem qualquer intervenção biológica.
A Air Company e a Hago Energetics adotaram rotas termoquímicas em múltiplas etapas. No processo da Air Company, o dióxido de carbono reage com hidrogênio para formar metanol, que é convertido em formaldeído e posteriormente em glicose.
Essas abordagens não se restringem à fabricação de alimentos, mas permitem também a síntese local de plásticos, medicamentos, adesivos e combustíveis — o que representa uma mudança significativa na logística de colonização espacial.
Especialistas envolvidos no projeto reconhecem que vários obstáculos ainda precisam ser superados. A pureza do açúcar final, a eficiência energética dos processos, o desempenho dos catalisadores em gravidade reduzida e a capacidade de escalonamento dos sistemas demandam testes adicionais fora do ambiente laboratorial.
Embora os açúcares sintetizados já tenham sido utilizados para alimentar bactérias como a Escherichia coli, a adaptação para módulos funcionais em missões lunares ou marcianas exigirá refinamentos substanciais.
A NASA pretende incorporar avanços semelhantes aos sistemas de suporte à vida do programa Artemis, com operações na Lua funcionando como banco de provas antes da aplicação em Marte.
A visão de longo prazo é estabelecer colônias humanas capazes de produzir sua própria comida, remédios e insumos industriais a partir de recursos in situ — como o CO2 atmosférico, a água congelada e a eletricidade gerada por painéis solares. Essa abordagem reduz custos, riscos e a complexidade de manter cadeias de suprimento vindas da Terra.
O desenvolvimento desses protótipos integra os esforços mais amplos de utilização de recursos in situ e aponta para uma bioeconomia espacial autônoma. Ao transformar um gás abundante em outros planetas em compostos orgânicos essenciais, a tecnologia pode alterar os parâmetros de viabilidade para a presença humana sustentada no sistema solar.
As equipes continuam trabalhando para melhorar os catalisadores e otimizar as reações, de forma que os sistemas se tornem robustos o suficiente para operar em condições reais de missões tripuladas.
Com informações de olhardigital.com.br.


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