Nesta terça-feira (14 de abril de 2026), em posicionamento oficial divulgado durante o julgamento em Salvador, a Anistia Internacional afirmou que a condenação dos réus pelo assassinato da líder quilombola e ialorixá Mãe Bernadete é a oportunidade de o Brasil firmar um pacto com a proteção de defensores de direitos humanos. A manifestação ocorre no que deve ser o último dia do júri popular de Arielson da Conceição Santos e Marílio dos Santos, acusados pela execução de Maria Bernadete Pacífico, em 2023, no município baiano de Simões Filho.
Para a organização, o julgamento é um teste do compromisso do Estado com a proteção de quem defende direitos. A Anistia destacou que o caso vem se desenrolando com atraso e exige uma resposta à altura da gravidade do crime, ressaltando que a justiça por Mãe Bernadete representa também justiça para as comunidades quilombolas em todo o país, após anos de ameaças denunciadas e ignoradas pelo poder público.
Mãe Bernadete foi assassinada aos 72 anos, com 25 tiros, dentro de sua casa na sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, em 17 de agosto de 2023. Na ocasião, homens armados invadiram a comunidade, mantiveram familiares como reféns e executaram a ialorixá. Ela era uma das lideranças da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas e uma voz ativa na defesa do território, na luta contra o racismo e na busca por respostas pela morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, assassinado em 2017.
O crime ocorreu mesmo com a vítima integrada ao Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. Os réus Arielson e Marílio são acusados de homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa da vítima e utilização de arma de uso restrito. Arielson também responde pelo crime de roubo.
A sessão do júri teve início na segunda-feira (13 de abril de 2026), após ter sido transferida da comarca original para o Fórum Ruy Barbosa, em Salvador. Conduzida pela juíza Gelzi Maria Almeida Souza Matos, a etapa desta terça-feira concentra os debates entre acusação e defesa. Na parte da manhã, o Ministério Público da Bahia apresentou as alegações finais, seguindo-se o tempo regulamentar para a exposição dos argumentos dos advogados de defesa e possíveis réplicas.
Na segunda-feira, foram sorteados os sete jurados do conselho de sentença e colhidos os depoimentos das testemunhas e de um dos réus, Arielson. O réu Marílio permanece foragido. Outros três denunciados pelo Ministério Público — Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus, este último apontado como mandante — ainda não possuem data definida para serem submetidos a julgamento.
Fonte: Agência Brasil


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