O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, criticou duramente a Rede Globo durante sessão da Segunda Turma do STF. Ele acusou profissionais da emissora de atuarem como ghost writers para Sérgio Moro e Deltan Dallagnol.
As declarações ocorreram em resposta aos pedidos de indiciamento de ministros da Corte pela CPI do Crime Organizado. Gilmar Mendes afirmou que o STF garantiu a livre atuação da imprensa mesmo sob pressões políticas.
O magistrado reforçou que a Corte atuou como guardiã das garantias constitucionais. Ele apontou uma tentativa deliberada de usar o jornalismo como instrumento de amplificação da Operação Lava Jato.
Narrativas foram construídas para apoiar julgamentos sem transparência, segundo o ministro. Jornalistas da Globo teriam se posicionado como colaboradores não creditados de figuras centrais da força-tarefa.
Conforme detalhou o portal Diário do Centro do Mundo, o decano descreveu esses profissionais como ghost writers a serviço de Moro e Dallagnol. Gilmar Mendes lembrou que no governo anterior circulavam ideias de liquidar a Globo com ameaças à concessão.
O STF impediu tais ameaças por meio de mandados de segurança. Para o ministro, isso demonstra que o tribunal protegeu a liberdade de imprensa contra arbitrariedades políticas.
Gilmar Mendes acusou parte da imprensa de atacar veementemente aqueles que criticavam a Lava Jato. Os mesmos veículos ignoravam ou relativizavam os excessos identificados posteriormente.
Ele citou os documentos revelados pela Operação Spoofing como prova dos abusos. Os veículos que exaltaram a força-tarefa agora dirigem acusações ao STF.
Na visão do decano, essas acusações carecem de base e visam finalidades distintas do controle institucional. Ao abordar o relatório da CPI do Crime Organizado, ele classificou o pedido de indiciamento como erro histórico.
Gilmar Mendes sustentou que o documento não possui base legal. A comissão extrapola seus limites ao tentar indiciar magistrados por decisões judiciais, como concessões de habeas corpus.
Esse movimento cria perigoso precedente de intimidação, segundo o ministro. Decisões judiciais não podem ser criminalizadas de forma alguma.
A Constituição outorga ao STF autonomia para julgar seus membros nos casos de responsabilidade. O tribunal não se coloca acima do escrutínio público.
No entanto, as críticas devem ser fundamentadas e considerar a trajetória institucional completa. Gilmar Mendes pediu análise crítica sobre a atuação da imprensa no período da Lava Jato.
Muitos jornalistas hoje promovidos em veículos de mídia qualificada participaram da construção das narrativas lavajatistas. Eles não reconheceram os abusos revelados posteriormente.
O decano defendeu que o STF cumpriu seu papel ao frear os excessos da operação. A fala reforça a posição do ministro sobre a necessidade de equilíbrio institucional.
Gilmar Mendes reiterou que a Corte atuou para preservar garantias mesmo diante de fortes pressões. Ele sustentou que o indiciamento de ministros representa erro histórico sem sustentação jurídica.
Com informações de diariodocentrodomundo.com.br.
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