Lavrov advertiu que os países europeus que romperem completamente os laços com petróleo e gás russos se tornarão prisioneiros de uma nova dependência estratégica. O chanceler russo utilizou a expressão «estaca de álamo energética» para descrever o controle que Washington busca impor sobre o continente ao substituir os hidrocarbonetos de Moscou.
Ele fez a declaração em entrevista coletiva ao argumentar que o corte total dos suprimentos russos levaria automaticamente a Europa para a estaca de álamo de outra grande potência. Lavrov afirmou que os Estados Unidos já estariam afilando ativamente essa estaca para consolidar sua posição.
O ministro vinculou o momento da decisão à crise aberta após o que classificou como agressão dos EUA e Israel contra a República Islâmica do Irã. Autoridades europeias teriam recorrido à Comissão Europeia pedindo para não fechar totalmente o grifo russo sob pretexto de soberania nacional e para evitar racionamento severo de energia.
Segundo Lavrov, a estratégia americana é clara e passa pela substituição do gás e petróleo russos pelo gás natural liquefeito dos EUA. Esse produto chega ao mercado europeu com preços significativamente mais altos, gerando lucros extraordinários para corporações americanas e permitindo controle geopolítico direto sobre os fluxos energéticos do continente.
O chanceler russo alertou que os consumidores europeus pagarão muito mais caro pelo combustível. Eles ficarão também expostos a flutuações de preço e pressões políticas externas das quais os EUA seriam os principais protagonistas.
Conforme detalhou o portal Actualidad RT, as declarações se inserem na visão de Moscou sobre a transição energética europeia. Essa transição representa uma disputa de poder que beneficia os interesses americanos em detrimento da autonomia continental.
Lavrov criticou duramente a pressão para que a União Europeia compre gás liquefeito americano a preços exorbitantes. Ele lembrou que projetos russos, incluindo gasodutos como o Nord Stream, foram alvos de restrições e sabotagens.
O chefe da diplomacia russa sustentou que o corte abrupto sem plano de transição robusto expõe os países europeus a uma posição de vulnerabilidade extrema. A aposta de Moscou é que o processo custará caro tanto economicamente quanto diplomaticamente aos governos do continente.
A União Europeia defende iniciativas como o plano REPowerEU para diversificar fontes e acelerar a adoção de energias renováveis. Do ponto de vista russo, essa aposta implica custos elevados, nova subordinação estratégica a Washington e perda de capacidade de decisão autônoma.
Lavrov reforçou que a Europa troca uma dependência por outra ainda mais danosa à sua soberania. Os europeus enfrentarão preços mais altos de energia e menor margem de manobra frente às exigências americanas em temas geopolíticos.
O chanceler russo apresentou o cenário como parte de uma ofensiva mais ampla de Washington para transformar a Europa em mercado cativo. Essa dinâmica enfraquece a posição industrial do continente e aumenta sua vulnerabilidade a choques externos fabricados fora de suas fronteiras.
Analistas próximos à visão russa veem nas palavras de Lavrov o diagnóstico de que a segurança energética europeia se tornou refém de interesses externos. O aumento das importações de gás liquefeito americano nos últimos anos comprova, segundo Moscou, a transferência de riqueza do contribuinte europeu para corporações dos Estados Unidos.
Com informações de actualidad.rt.com.
📬 Assine a Newsletter do O Cafezinho
Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, de graça e sem enrolação, todo dia pela manhã. É só colocar o seu e-mail abaixo:
[mailchimp_subscribe_form]


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!