O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou duramente a extinção da obrigatoriedade do imposto sindical, acusando a medida da reforma trabalhista de 2017 de ter asfixiado o movimento sindical brasileiro.
Lula fez a declaração ao receber representantes das centrais sindicais no Palácio do Planalto nesta quarta-feira. O presidente comparou a estratégia ao modo como o Estado trata o crime organizado, ao retirar recursos para impedir organização, protestos e produção de materiais de mobilização.
«Retiram-lhes os recursos para que não consigam se organizar, protestar, fazer panfleto. Vamos asfixiá-los», disse Lula. A afirmação foi destacada pelo portal Metrópoles em sua cobertura do evento.
As centrais sindicais entregaram ao presidente a Pauta da Classe Trabalhadora, documento que reúne 68 reivindicações para o quadriênio 2026-2030.
As demandas centrais incluem regulação do trabalho por aplicativos, fim da jornada 6×1, combate ao feminicídio e à violência no trabalho, enfrentamento à pejotização, revisão dos marcos da reforma trabalhista de 2017, políticas para trabalhadores informais e reorganização do modelo sindical.
Lula questionou como outros sistemas de financiamento, como o Sistema S, permanecem ativos enquanto os sindicatos sofreram perdas expressivas de receita e capacidade operacional.
A reforma de 2017 tornou facultativa a contribuição sindical, com exigência de autorização prévia e expressa do trabalhador. Essa mudança provocou redução drástica na capacidade financeira das entidades para manter estrutura e atividades.
Antes do encontro no Palácio do Planalto, as centrais realizaram a Marcha da Classe Trabalhadora, ato que reuniu mais de mil manifestantes na Esplanada dos Ministérios.
Participaram da reunião o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho e o ministro das Relações Institucionais José Guimarães. Estiveram presentes ainda representantes da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, NCST, Intersindical e Pública.
Lula cobrou dos sindicatos participação direta no processo legislativo no Congresso Nacional, afirmando que a luta não termina com o encontro, mas apenas começa.
Para o presidente, o imposto sindical obrigatório representava muito mais que simples fonte de custeio: a contribuição simbolizava a força organizada dos trabalhadores e sua capacidade de mobilização e pressão.
A reforma trabalhista criou obstáculos estruturais à atuação das entidades sindicais. Lula defendeu a revisão de seus principais marcos como forma de recuperar direitos da classe trabalhadora.
As declarações reacendem o debate sobre a sustentabilidade financeira dos sindicatos. O governo sinaliza intenção de reposicionar o movimento sindical no centro da agenda laboral e legislativa.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!