Há 106 teorias concorrentes tentando explicar a consciência — e nenhuma venceu. Michael Pollan decidiu investigar o problema por conta própria. No livro A World Appears: A Journey into Consciousness, ele propõe uma hierarquia de consciência com quatro níveis — sensibilidade (sentience), sentimento, pensamento e ego — que vai de plantas até seres humanos, desafiando o modelo materialista tradicional ao explorar como se sente, pensa e define a identidade. (https://michaelpollan.com/interviews/consciousness-is-really-under-siege/?utm_source=openai))
A investigação começa nas plantas: Pollan sugere que elas manifestam sensibilidade — reagem ao ambiente, reconhecem parentes, emitem sinais diante de predadores e respondem a anestésicos semelhantes aos usados em humanos. Esse tipo de reação, segundo ele, inaugura o primeiro nível da consciência, mesmo sem sistema nervoso central. (https://michaelpollan.com/interviews/consciousness-is-really-under-siege/?utm_source=openai)
O segundo nível — sentimento — exige algo mais que reação: envolve prazer, dor, medo, desejo. Pollan identifica o tronco cerebral, entre os sistemas mais antigos em termos evolutivos, como estruturante para esses estados. Só organismos com este tipo de configuração corporal, argumenta ele, podem experimentar emoções no sentido pleno do termo. (https://www.theguardian.com/books/2026/feb/16/a-world-appears-by-michael-pollan-review-a-kaleidoscopic-exploration-of-consciousness?utm_source=openai)
Já o pensamento se refere ao fluxo mental consciente cotidiano. Em um estudo documentado por Pollan, participantes usam um aparelho para relatar exatamente «o que está consciente» em dado momento. A descoberta: capturar algo tão fugaz como um pensamento concreto é quase impossível — ele se dissolve antes de se tornar objeto de reflexão. (https://www.michaelpollan.com/reviews/can-consciousness-ever-be-understood-this-side-of-death/?utm_source=openai)
O ego — ou autoidentidade — representa o nível mais complexo. Pollan descreve experiências que dissolvem o “eu”, como relatos místicos ou uso de psicodélicos, quando a identidade pessoal parece se desfazer ou unir-se a algo maior, o que ele chama de consciência universal. Essas experiências desafiam a noção de ego como núcleo permanente do ser. (https://www.michaelpollan.com/reviews/can-consciousness-ever-be-understood-this-side-of-death/?utm_source=openai)
No debate sobre inteligência artificial, Pollan se mostra cauteloso. Ele considera improvável que máquinas desenvolvam sentimentos humanos autênticos, pois eles dependem de vulnerabilidade física, de corpo vivo. Mesmo que laboratórios construam IAs capazes de simular incerteza ou conflito interno, para ele não há equivalência com emoções genuinamente biológicas. (https://www.scientificamerican.com/article/michael-pollan-explains-why-ai-will-never-replicate-human-consciousness/?utm_source=openai)
Pollan sugere que a missão não é apenas explicar a consciência, mas praticá-la. Ele propõe uma atenção renovada ao que significa estar vivo: unir ciência, filosofia, poesia, experiências transformadoras — psicodélia, meditação e contato com a natureza — como caminhos complementares. (https://www.imhu.org/book-reviews/a-world-appears-a-journey-into-consciousness?utm_source=openai)
Ele relata ter tomado psilocibina e vivido uma dissolução do ego tão intensa que visualizou milhares de post-its azuis caindo ao chão — uma experiência desconfortável, mas profundamente reveladora do que ele chama de «mind at large». Um momento em que o tecido da identidade pessoal se desfaz para revelar outra forma de consciência. (https://www.theguardian.com/books/2026/feb/16/a-world-appears-by-michael-pollan-review-a-kaleidoscopic-exploration-of-consciousness?utm_source=openai)
As implicações éticas emergem de forma inevitável: se plantas ou outros seres vivos têm algum nível de consciência ou sensibilidade, a relação com a natureza precisa mudar. Não basta tratá-los como recursos. O que está em jogo não é só tecnologia, mas o sentido de humanidade — como se cultiva empatia, respeito, vida interior. Ignorar isso pode reduzir a existência a rotinas técnicas, algoritmos e telas, e apagar o que torna a vida digna.
Com informações de www.nzherald.co.nz.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!