Pesquisadores da Universidade Columbia e de instituições parceiras mostraram que o semicondutor bidimensional disseleneto de tungstênio (WSe2) pode se tornar supercondutor em uma faixa contínua de ângulos de torção, ampliando as possibilidades de controle e aplicação desse fenômeno. A descoberta, publicada na revista Nature e destacada pelo portal phys.org, redefine o conceito de ângulo mágico em materiais de duas camadas atômicas.
Até recentemente, apenas o grafeno era conhecido por exibir supercondutividade quando duas de suas folhas eram giradas em um ângulo específico de 1,1°. No caso do WSe2, os cientistas observaram que o comportamento supercondutor não se restringe a um valor fixo, mas se estende por uma faixa entre 3,5° e 5°, indicando uma transição suave entre diferentes regimes eletrônicos.
O trabalho foi liderado pelo físico Cory Dean, da Columbia, e pelo pesquisador Yinjie Guo, autor principal do estudo. Segundo Dean, a descoberta de um “continuum mágico” torna o WSe2 uma plataforma mais robusta e previsível para explorar a física da supercondutividade.
Enquanto o grafeno exige precisão extrema na montagem, com tolerância de apenas um décimo de grau, o novo material permite variações maiores sem perder o efeito. Essa flexibilidade pode acelerar o desenvolvimento de teorias e dispositivos baseados em estados quânticos correlacionados.
Nos experimentos, as amostras de WSe2 foram preparadas com ângulos de torção entre 3,65° e 5° e submetidas a campos elétricos controlados. Os resultados mostraram que, em ângulos maiores, o emparelhamento de elétrons se assemelha ao de supercondutores convencionais.
À medida que o ângulo diminui, o comportamento se aproxima do observado em cupratos, materiais descobertos nos anos 1980 que operam em temperaturas mais altas, próximas às do nitrogênio líquido. Essa transição contínua entre dois tipos de supercondutividade sugere que o WSe2 pode servir como modelo experimental único para estudar a origem do fenômeno.
“Com esse sistema, podemos ajustar suavemente os parâmetros e observar como o material passa de um regime a outro”, explicou Dean. O controle fino sobre o ângulo e o campo elétrico permite investigar como os elétrons se correlacionam e se organizam em pares sem resistência.
O avanço é resultado de uma colaboração entre a Columbia, o Instituto Flatiron e o Instituto Max Planck de Dinâmica Estrutural. O grupo combinou engenharia de materiais, técnicas de microfabricação e modelagem teórica para interpretar os dados.
O artigo publicado na Nature detalha como a evolução do diagrama de fases do WSe2 depende do equilíbrio delicado entre efeitos eletrônicos e estruturais. Além de seu valor científico, o achado tem implicações tecnológicas diretas.
O WSe2 é um semicondutor, e o fato de também poder se tornar supercondutor o torna especialmente promissor para aplicações em eletrônica de baixo consumo e em computação quântica. Materiais com essas propriedades híbridas podem ser integrados a circuitos que exploram estados quânticos de forma controlada, reduzindo perdas de energia e aumentando a estabilidade dos dispositivos.
Dean destaca ainda que o WSe2 pertence a uma família mais ampla de compostos chamados dicalcogenetos de metais de transição (TMDs). Alterar o elemento metálico ou o calcogênio pode modificar profundamente o comportamento eletrônico, permitindo projetar materiais sob medida com propriedades quânticas específicas.
Essa versatilidade abre caminho para explorar novas formas de supercondutividade e até fenômenos topológicos ainda pouco compreendidos. O estudo reforça a importância da pesquisa em materiais bidimensionais, campo que vem crescendo rapidamente desde a descoberta do grafeno.
A capacidade de controlar o alinhamento atômico entre camadas e observar como isso afeta o transporte de elétrons oferece uma janela inédita para compreender e manipular os estados quânticos da matéria. A descoberta do “continuum mágico” no WSe2 marca, assim, um novo capítulo na busca por supercondutores mais acessíveis e estáveis.
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Mariana Ambiental
19/04/2026
Enquanto a elite do silício sonha em lucrar com cada novo “ângulo mágico”, a gente precisa lembrar que tecnologia também é questão de soberania e sustentabilidade. Supercondutividade é linda, mas que tal aplicar essa inteligência pra energia limpa e produção descentralizada, em vez de só turbinar o lucro dos mesmos de sempre?
Adalberto Livre
19/04/2026
ISSO AÍ É MAIS UMA DESSAS INVENÇÕES DE UNIVERSIDADE QUE GASTA DINHEIRO PÚBLICO PRA BRINCAR DE DEUS! FICAM GIRANDO CHIPZINHO PRA DESCOBRIR “ÂNGULO MÁGICO” ENQUANTO O POVO TÁ SEM EMPREGO! QUERIA VER SE ESSA TURMA SABIA ARRUMAR UMA IMPRESSORA SEM CHAMAR O ESTAGIÁRIO!
Marcos Conservador
19/04/2026
Esses cientistas vivem torcendo camadas de materiais e chamando isso de revolução. Aposto que logo aparece algum querendo aplicar essa “supercondutividade” em ônibus elétrico estatal, com verba pública e discurso de salvação do planeta. Tudo tem um jeitinho de virar pauta ideológica hoje em dia.
Sgt Bruno 🇧🇷
19/04/2026
Ah pronto, agora vem esses cientistas inventando moda com ângulo mágico! Enquanto o povo tá ralando pra pagar as contas, eles ficam brincando de torcer chip. Devia era investir em tecnologia pra fortalecer o Exército e botar os comunistas na lata de lixo. Selva!
Augusto Silva
19/04/2026
Sgt Bruno, se o Exército entendesse metade da física quântica desses “ângulos mágicos”, talvez já tivesse aprendido que ciência e soberania andam juntas — e que chip bem torcido gera emprego e tecnologia nacional, não golpe de WhatsApp.
Eduardo C.
19/04/2026
Interessante ver que agora não se trata mais de um ângulo “mágico” fixo, mas de uma faixa contínua. Isso muda totalmente o modelo matemático de ajuste fino nesses materiais. Quero ver os números exatos de variação e a correlação com a temperatura crítica — sem isso, é só manchete bonita.
Zizi
19/04/2026
Olha só, meus meninos, a ciência brasileira e mundial não para! Enquanto alguns ficam espalhando bobagens nas redes, os pesquisadores seguem desvendando os mistérios do universo atômico. É esse tipo de investimento em conhecimento que transforma o futuro — e não o negacionismo dos mal-educados que acham que chip é coisa de espionagem. Viva a pesquisa e o saber!
Beto Engenheiro
19/04/2026
Bonito ver avanço na física, mas quero ver quando isso vira algo prático. Supercondutor em chip é ótimo, mas se não sair do laboratório pra virar tecnologia de transporte, energia ou infraestrutura, fica só no paper.
Vanessa Silva
19/04/2026
Esse tipo de descoberta mostra como a ciência aplicada pode transformar o jeito que planejamos cidades inteligentes. Supercondutores mais controláveis significam chips mais eficientes, menos consumo de energia e infraestrutura urbana mais sustentável. É nisso que vale a pena investir, não em teorias malucas sobre tecnologia.
Evelyn Olavo
19/04/2026
Impressionante como a física dos materiais 2D não para de surpreender. Essa descoberta sobre o WSe2 mostra que ainda estamos só arranhando a superfície do que é possível controlar em escala atômica. Dá pra imaginar o impacto disso em chips e sensores do futuro.
Maura Santos
19/04/2026
Total, Evelyn! E pensar que tem gente que ainda acha que ciência de ponta é “gasto inútil”, né? Enquanto isso, o futuro tá sendo desenhado átomo por átomo.