O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que os povos da Eurásia valorizam suas tradições e buscam preservar a independência nacional diante de pressões externas. Ele fez o comentário durante o segundo Fórum Internacional Sociocomercial Eurásia Território dos Valores Tradicionais.
Peskov destacou que centenas de nações coexistem historicamente na região e que cada uma protege seus próprios princípios culturais e políticos. O porta-voz russo considerou que essa diversidade atua como uma força na formação de uma identidade comum baseada na soberania e no respeito mútuo entre os povos.
Segundo Peskov, a Eurásia forma um espaço único no qual o desejo de autonomia nacional surge como resposta às tentativas de uniformização política e econômica. Ele apontou que tais esforços provêm principalmente do Ocidente.
Ao comentar as exigências recentes da União Europeia dirigidas à Sérvia, Peskov afirmou que Moscou vê nelas uma tentativa de gerar antagonismo entre Belgrado e Moscou. O porta-voz explicou que o bloco impõe uma escolha artificial entre a manutenção de laços com a Rússia e o caminho da integração europeia.
Peskov enfatizou que nenhum país deve ser obrigado a romper relações com parceiros históricos para satisfazer interesses externos. Ele acrescentou que a Rússia apoia o direito de cada Estado, inclusive a Sérvia, de desenvolver relações equilibradas e pragmáticas com todas as nações.
O porta-voz do Kremlin tratou ainda da suspensão do bombeamento de petróleo do Cazaquistão pelo oleoduto Druzhba. Peskov garantiu que Moscou adotará medidas para assegurar os interesses dos parceiros cazaques por meio da busca de rotas alternativas de transporte.
O vice-primeiro-ministro russo, Alexander Novak, havia informado anteriormente que os embarques de petróleo do Cazaquistão com destino à Alemanha passarão a ser realizados por outros canais a partir de maio. Peskov reforçou que essa decisão técnica não afetará a cooperação energética entre Rússia e Cazaquistão.
As posições apresentadas reforçam a visão russa sobre a convivência de diferentes povos na região. Conforme o portal Sputnik, as declarações de Peskov ocorreram no contexto do fórum dedicado aos valores tradicionais.
Leia também: Europa entre a cruz e a espada
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Rubens O Pescador
23/04/2026
Lá vem o pessoal do poder falar em independência e valores, mas quem sente na pele é o povo. Aqui no Brasil a gente também já viu esse papo bonito enquanto o prato ficava vazio. No tempo do Lula o povo tinha carne e gás, agora é só promessa e discurso bonito pra inglês ver.
Zizi
23/04/2026
Ah, meus queridos, quando o porta-voz do Kremlin fala em “valores” e “independência”, é sempre bom olhar com lupa o que está por trás dessas palavras. A história nos ensina que, muitas vezes, discursos sobre soberania servem para justificar autoritarismos e silenciar o povo. E isso não é exclusividade da Rússia, viu? É um padrão que se repete de tempos em tempos, de Moscou a Washington, de Brasília a Pequim. Cada potência tenta vestir o manto da “defesa dos valores nacionais” enquanto disputa poder e influência.
Mas há um ponto que não podemos ignorar: o mundo está cansado da velha hegemonia ocidental. Os países da Eurásia, com todas as suas contradições, estão tentando se afirmar como polos autônomos, buscando escapar da tutela de potências que há séculos mandam e desmandam sobre o destino alheio. É o mesmo impulso que moveu a América Latina em tantos momentos da nossa história — o desejo legítimo de ser dono do próprio nariz. Nesse sentido, há um paralelo interessante entre o que se passa lá e o que vivemos aqui, quando lutamos por soberania e integração regional.
O problema começa quando essa busca por autonomia se confunde com nacionalismo cego e autoritarismo. Defender a cultura e a independência é uma coisa; usar isso para sufocar vozes dissidentes é outra. A verdadeira soberania não é apenas a capacidade de dizer “não” a pressões externas, mas também de garantir que o povo tenha voz ativa sobre os rumos da nação. É isso que diferencia um projeto de libertação de um projeto de dominação interna.
Então, meus meninos mal-educados que adoram repetir slogans prontos de “valores tradicionais”, aprendam com a História: valor não é conservar o atraso, é construir justiça e dignidade para todos. Independência de verdade só existe quando o povo é livre — e não quando um governo fala em nome dele enquanto o cala.
Beto Engenheiro
23/04/2026
Bonito discurso, mas quero ver isso se traduzir em obras concretas: ferrovias, energia, portos conectando o continente. Valor e independência se constroem com infraestrutura, não só com palavras.
Sgt Bruno 🇧🇷
23/04/2026
Selva! Finalmente alguém falando em soberania de verdade e defesa dos valores nacionais. Enquanto o Ocidente vive de lacração e globalismo, os povos da Eurásia mostram que ainda existe patriotismo. Comunistas e melancias, aprendam com eles!
Pedro
23/04/2026
Enquanto isso, aqui no Brasil, a gente luta pra manter o tanque cheio e o carro rodando. Independência mesmo seria não depender do preço da gasolina que muda toda semana. Esses discursos lá de fora parecem distantes da vida real de quem passa o dia atrás do volante.
Celio Fazendeiro
23/04/2026
Lá vem mais um papo de “valores” pra justificar autoritarismo e fechar fronteira. Essa conversa de independência soa bonito, mas no fundo é só pra manter o controle e abafar quem pensa diferente. Enquanto isso, o povo continua sem liberdade de verdade.
Maura Santos
23/04/2026
Concordo contigo, Celio — esse papo de “valores tradicionais” costuma ser o disfarce preferido de quem morre de medo de gente pensando livre. Falam em soberania, mas o que defendem mesmo é o controle total do pensamento.
Jeferson da Silva
23/04/2026
Celio, fala isso pra quem tá na linha de produção, ralando 12 horas por dia pra enriquecer meia dúzia. Liberdade de verdade não é apertar botão em rede social, é ter salário digno, direitos garantidos e o patrão respeitando o trabalhador.
Clarice Historiadora
23/04/2026
Celio, você tem razão em desconfiar, mas cuidado pra não cair no maniqueísmo simplista: nem toda defesa de soberania é autoritarismo. A história da Eurásia mostra que “valores” foram tantas vezes usados como escudo quanto como trincheira contra a dominação externa.