Menu

Cientistas propõem barragem no estreito de Bering para impedir colapso da AMOC

7 Comentários🗣️🔥 Mapa mostra a localização do Estreito de Bering, entre a Rússia e o Alasca (EUA). (Foto: cleantechnica.com) Pesquisadores da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, propõem a construção de uma barragem de 88 quilômetros no estreito de Bering para evitar o colapso da Circulação Meridional do Atlântico, conhecida como AMOC. A proposta foi […]

7 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
Mapa mostra a localização do Estreito de Bering, entre a Rússia e o Alasca (EUA). (Foto: cleantechnica.com)

Pesquisadores da Universidade de Utrecht, nos Países Baixos, propõem a construção de uma barragem de 88 quilômetros no estreito de Bering para evitar o colapso da Circulação Meridional do Atlântico, conhecida como AMOC.

A proposta foi detalhada na revista Science Advances pelos cientistas Jelle Soons e Henk Dijkstra. Eles sugerem que o fechamento do canal entre a Rússia e o Alasca poderia estabilizar o sistema de correntes oceânicas.

A AMOC transporta águas quentes do Equador para o norte da Europa. O enfraquecimento dessa circulação já foi observado por cientistas de diversas instituições.

Um colapso do sistema poderia provocar quedas bruscas de temperatura na Europa. Também elevaria o nível do mar na costa leste dos Estados Unidos e do Canadá em mais de 30 centímetros.

O estreito de Bering possui profundidade média entre 30 e 50 metros, o que permitiria tecnicamente a construção da barragem. As simulações computacionais revelam que o bloqueio, feito enquanto a AMOC ainda tem força suficiente, ampliaria o chamado “orçamento de carbono seguro” do sistema.

O efeito seria o oposto se a corrente já estiver enfraquecida. Nessa situação, o bloqueio aceleraria a instabilidade da circulação atlântica.

O estreito de Bering funciona como passagem de grandes volumes de água doce do Pacífico para o Ártico. Essa água se mistura ao Atlântico, e o bloqueio aumentaria a salinidade no norte do oceano, ajudando a manter o afundamento das águas densas.

O professor Thomas Haine, da Universidade Johns Hopkins, alertou para os riscos ambientais e logísticos de uma estrutura desse porte. A barragem impactaria rotas marítimas, ecossistemas marinhos e importantes cadeias pesqueiras ao redor do mundo.

Uma vez construída, a remoção da barragem seria praticamente impossível, segundo especialistas. Qualquer erro de cálculo se tornaria irreversível, com graves consequências para o equilíbrio climático global.

O cientista Aixue Hu, do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica em Boulder, reconheceu a grande incerteza sobre o quão próximo o sistema está de um ponto de ruptura. Algumas projeções indicam que a AMOC pode colapsar até o fim do século, embora a margem de erro permaneça bastante ampla.

Hu considera que a hipótese de barrar o estreito merece ser analisada diante da gravidade das consequências de um colapso oceânico. O debate se insere no contexto mais amplo das propostas de geoengenharia destinadas a conter o aquecimento global.

Entre essas ideias estão projetos para fertilizar oceanos com ferro, aumentar a refletividade das nuvens ou capturar diretamente o dióxido de carbono da atmosfera. Críticos argumentam que tais medidas funcionam como paliativos e desviam o foco da necessidade urgente de reduzir a queima de combustíveis fósseis.

A construção de uma barragem no extremo norte do planeta não substitui a ação política e econômica necessária para frear as emissões globais. A humanidade já conhece o caminho para evitar o colapso climático, que passa por abandonar a dependência do petróleo e adotar um modelo energético sustentável.

Leia mais sobre o assunto na cleantechnica.com.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Lucas Moreira

25/04/2026

Mais uma ideia faraônica que ignora a realidade do mercado e a eficiência na alocação de capital global. Em vez de torrar trilhões em impostos para intervenções artificiais, o foco deveria ser a liberdade econômica para que a inovação privada gere soluções reais de adaptação. O custo de oportunidade desse tipo de projeto é um crime contra o desenvolvimento de nações que ainda buscam o básico.

    Samara Oliveira

    25/04/2026

    Lucas, o mercado não tem alma para sentir a dor dos pobres que serão os primeiros a sofrer com o colapso do clima, e confiar na ganância para salvar a criação de Deus é uma ilusão perigosa. O verdadeiro crime é colocar o capital acima da vida, esquecendo que sem terra firme e clima estável não existe desenvolvimento nenhum para o nosso povo.

Roberto Lima

25/04/2026

Esses doutores estudam tanto que acabam perdendo o juízo, achando que podem mandar na natureza usando o dinheiro de quem produz. Enquanto essa turma fica inventando barragem no Alasca, o produtor aqui no Triângulo Mineiro tem que carregar o Brasil nas costas e enfrentar essa pauta esquerdista. É mais uma invenção desse povo do estado grande para tentar controlar o clima e o nosso bolso.

    Renato Professor

    25/04/2026

    Roberto, sua insistência em ignorar a interdependência biofísica da economia revela um analfabetismo científico que beira o cômico. Sem a intervenção estratégica e solidária sobre o clima, o seu Triângulo Mineiro colapsará junto com a AMOC, provando que o seu conceito rústico de produção é apenas um delírio diante da realidade termodinâmica. Enquanto o senhor se apega a um individualismo tacanho, a ciência e a economia solidária buscam salvar o solo que a sua ignorância condena à esterilidade.

    Cláudio Ribeiro

    25/04/2026

    Prezado Roberto, sua análise confunde a necessária gestão da biosfera com autoritarismo, ignorando que a hybris do mercado é quem realmente ameaça a viabilidade do seu solo mineiro. Como nos ensina a dialética, negar a urgência climática em nome da acumulação imediata é assinar o atestado de falência da própria base material que sustenta a sua produção.

    Carlos Henrique Silva

    25/04/2026

    Roberto, seu comentário é a materialização perfeita do que Gramsci chamava de senso comum: uma visão de mundo fragmentada e capturada por uma ideologia que o faz acreditar que o setor privado é um ente autônomo e heroico. É curioso notar como o discurso do produtor que carrega o país nas costas ignora solenemente o fato de que o agronegócio brasileiro é sustentado por pesados subsídios estatais, planos de safra bilionários e uma infraestrutura logística paga pelo fundo público. O que você classifica pejorativamente como pauta esquerdista ou invenção do Estado nada mais é do que a ciência tentando mitigar as contradições ecológicas de um sistema de produção predatório que agora ameaça a própria base climática da qual a sua produtividade depende.

    O colapso da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC) não é uma trama burocrática para controlar seu bolso, mas o resultado direto do que Marx chamaria de ruptura metabólica entre o capital e a natureza. A proposta de uma barragem no Estreito de Bering, longe de ser uma fantasia progressista, é na verdade uma solução tecnocrática extrema — uma tentativa desesperada do sistema de consertar com engenharia o que ele mesmo destruiu com a acumulação desenfreada. O drama aqui reside no fato de que, enquanto você se insurge contra o Estado Grande, as elites econômicas continuam externalizando os custos ambientais para toda a sociedade, deixando a conta da catástrofe climática para os mais vulneráveis e para o pequeno agricultor que não possui o fôlego financeiro dos barões da soja.

    Em vez de atacar a ciência que tenta prever o desastre, deveríamos estar discutindo como o modelo de desenvolvimento atual é inerentemente insustentável. A sua revolta contra o suposto controle do clima é contraditória, pois o Triângulo Mineiro será uma das regiões mais afetadas pela desertificação e pela alteração do regime de chuvas se esse colapso oceânico ocorrer. O verdadeiro controle que deveria te preocupar não é o do cientista ou do professor universitário, mas o da hegemonia neoliberal que desmantela o interesse público em favor de um extrativismo cego. Se o Estado não intervir agora para planejar a sobrevivência do ecossistema, não haverá mercado, propriedade ou produção que resista ao caos climático que se avizinha. O real juízo que estamos perdendo é o de achar que a economia pode funcionar num planeta em colapso biológico.

    Luizinho 16

    25/04/2026

    Papo reto, o agro é o câncer do mundo e você tá aí chorando por centavo enquanto o capitalismo destrói o clima e a gente vai morrer frito por causa da tua ganância.


Leia mais

Recentes

Recentes