O movimento libanês Hezbollah divulgou imagens de um ataque realizado com um drone FPV (First Person View) contra um veículo militar israelense.
O vídeo, captado pela própria câmera do artefato, mostra o momento em que o drone se aproxima em alta velocidade e atinge diretamente um Humvee das forças de Israel. A operação foi classificada como bem-sucedida pelo grupo libanês.
O Hezbollah não divulgou detalhes sobre vítimas ou danos adicionais causados pelo ataque. O episódio ocorre em um contexto delicado: desde novembro de 2024, Israel e Hezbollah estão formalmente sob um cessar-fogo mediado por potências regionais e internacionais.
A divulgação do vídeo representa uma demonstração de capacidade operacional em meio a um período de trégua ainda frágil. O Hezbollah define-se como movimento de resistência nacional libanês e reitera que suas ações visam conter agressões e incursões israelenses em território libanês.
A publicação das imagens tem também valor simbólico, ao registrar em tempo real o impacto sobre um alvo militar israelense. O material reforça a narrativa de dissuasão do grupo frente às forças de Israel.
O uso de drones FPV tem se intensificado em múltiplos teatros de operação no Oriente Médio. Esses equipamentos, de baixo custo e operados remotamente com câmeras de alta resolução, permitem ataques de precisão com menor exposição de combatentes.
Analistas militares apontam que a acessibilidade e a adaptabilidade dos drones FPV desafiam o domínio aéreo convencional. Forças regulares se veem em posição defensiva diante de adversários com recursos limitados, mas tecnologia de ponta.
Mediadores regionais e o governo libanês alertam que qualquer escalada pode comprometer o cessar-fogo vigente e arrastar outros atores do Oriente Médio para o conflito. A tensão na fronteira norte de Israel permanece elevada, com ambos os lados monitorando de perto os movimentos um do outro.
O episódio reforça a percepção de que, mesmo sob trégua formal, a fronteira entre o Líbano e Israel continua sendo palco de demonstrações de força. A capacidade do Hezbollah de registrar e divulgar ataques de precisão contra alvos israelenses mantém o grupo como ator central nas equações de segurança do Oriente Médio.
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Marina Costa
26/04/2026
Mais um capítulo dessa guerra sem fim que só traz destruição. Israel tem todo o direito de se defender, mas o Hezbollah age como instrumento do caos patrocinado pelo Irã. Enquanto a esquerda mundial chora pelos terroristas, esquece que a verdadeira paz só vem quando se reconhece o direito de existir do Estado judeu. Que Deus ilumine os líderes de Israel para erradicar esse mal.
Mariana Oliveira
26/04/2026
Marina, seu comentário levanta pontos que merecem ser aprofundados para além do maniqueísmo entre “direito de defesa” e “terrorismo”. Quando você afirma que Israel tem todo o direito de se defender, é importante lembrar que o direito internacional, especialmente a Carta da ONU, reconhece o direito à autodefesa, mas também impõe limites claros: proporcionalidade, distinção entre civis e combatentes, e a proibição de punição coletiva. A ocupação israelense dos territórios palestinos desde 1967, condenada por resoluções da ONU e pela Corte Internacional de Justiça, não é uma situação de “defesa”, mas de colonização e apartheid, como reconhecem organizações como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch. O Hezbollah, por sua vez, não surge do vácuo: ele é produto direto da invasão israelense do Líbano em 1982 e da ocupação do sul do país até 2000. Reduzir sua existência a “instrumento do caos patrocinado pelo Irã” apaga a história de resistência libanesa contra uma ocupação militar que matou dezenas de milhares de civis.
A ideia de que “a verdadeira paz só vem quando se reconhece o direito de existir do Estado judeu” carrega uma armadilha retórica. Reconhecer o direito de existir de Israel como um Estado étnico-religioso judeu significa, na prática, negar o direito de retorno dos refugiados palestinos (cerca de 5,6 milhões de pessoas, segundo a UNRWA) e a igualdade de direitos para os cidadãos palestinos que vivem dentro de Israel — que já são 21% da população e sofrem discriminação estrutural, como documenta a ONG Adalah. A pesquisadora Kimberlé Crenshaw, ao desenvolver o conceito de interseccionalidade, nos ensina que opressões não se somam simplesmente, mas se cruzam: a experiência de uma palestina muçulmana em Gaza não é a mesma de uma judia israelense em Tel Aviv, e qualquer projeto de paz que ignore essas diferenças será, como bell hooks diria, uma paz falsa, baseada na dominação de um grupo sobre outro.
Por fim, sua invocação divina para que Israel “erradique esse mal” me preocupa profundamente. Erradicar o Hezbollah, um movimento político e militar enraizado na comunidade xiita libanesa, não é uma operação cirúrgica — é uma guerra que já matou mais de 40 mil palestinos em Gaza desde outubro de 2023, segundo o Ministério da Saúde local, e deslocou 1,9 milhão de pessoas. A história mostra que violência gera violência: a invasão do Líbano em 1982 não eliminou a resistência, a criou. A verdadeira paz, como argumenta a teórica palestina Edward Said, exige reconhecimento mútuo, não aniquilação do outro. Enquanto tratarmos o conflito como uma luta entre o “bem” e o “mal”, estaremos apenas alimentando o ciclo de destruição que você mesma lamenta.
Carlos Henrique Silva
26/04/2026
Marina, você toca num ponto central, mas acho que precisamos ir além da dicotomia entre “direito de defesa” e “terrorismo” para entender a dinâmica real da região. Quando você afirma que Israel tem todo o direito de se defender, está partindo de um pressuposto que a própria história desmente: o direito à autodefesa, no direito internacional, não é absoluto — ele é condicionado à legalidade da ocupação e à proporcionalidade da resposta. Israel é uma potência ocupante reconhecida pela ONU nos territórios palestinos e sírios (Colinas de Golã). O Hezbollah, que você classifica como “instrumento do caos”, surge justamente como resistência a essa ocupação, em 1982, quando Israel invadiu o Líbano. Não estou aqui para romantizar organização alguma, mas é preciso reconhecer que, na lógica de Gramsci, o Hezbollah ocupa um espaço de hegemonia entre as populações xiitas libanesas justamente por preencher o vácuo deixado pelo Estado libanês e pela violência israelense. Chamá-lo de “mal” sem contextualizar as raízes materiais do conflito é cair no que o marxismo chama de fetichismo da política — tratar o fenômeno como se fosse descolado das relações de produção e da geopolítica imperialista.
O segundo ponto que me incomoda no seu comentário é essa ideia de que a “verdadeira paz” viria do reconhecimento do direito de existir do Estado judeu, como se isso fosse uma condição unívoca e aceita por todos. O problema é que esse reconhecimento, na prática, tem sido usado como chantagem política: “reconheça Israel e depois a gente conversa sobre os palestinos”. Isso ignora que a paz duradoura exige o fim da ocupação, o direito de retorno dos refugiados e um Estado palestino viável — não apenas a normalização das relações com um Estado que, desde 1948, opera como projeto colonial de assentamento, como demonstrou o historiador Ilan Pappé. Você cita Deus e a erradicação do mal, mas a teologia política aqui é perigosa: transformar um Estado nacional em instrumento divino de purificação é o caminho mais curto para a barbárie infinita, como vimos na Guerra do Líbano de 2006 e nos repetidos massacres em Gaza.
Por fim, acho que sua visão sobre a “esquerda mundial” merece um reparo. Não se trata de “chorar por terroristas”, mas de denunciar a assimetria brutal de poder. O Hezbollah dispara foguetes artesanais; Israel usa caças F-35 fornecidos pelos EUA e bombas de fragmentação. A esquerda crítica, da qual faço parte, não defende violência indiscriminada de lado algum — defende o direito dos povos oprimidos à resistência, nos termos da Resolução 37/43 da Assembleia Geral da ONU, e a aplicação consistente do direito internacional. Se a paz dependesse apenas de “erradicar” um lado, já teria sido alcançada há décadas com o poderio militar israelense. O fato de não ter sido mostra que o problema é estrutural, não moral. Enquanto não enfrentarmos a ocupação, o apartheid e o financiamento externo da máquina de guerra israelense, estaremos apenas trocando um ciclo de violência por outro.
Mateus Silva
26/04/2026
Marina, sua invocação divina para “erradicar o mal” é curiosa vindo de quem invoca o direito internacional — porque a eliminação pura e simples do outro, sem mediação política, é exatamente o que transforma conflitos assimétricos em carnificina permanente, como o próprio Gramsci nos ensinaria sobre a ausência de hegemonia.
Ricardo Almeida
26/04/2026
Marina, sua invocação divina para “erradicar o mal” é curiosa vindo de quem invoca o direito internacional — porque a eliminação pura e simples do outro, sem mediação política, é exatamente o que transforma conflitos assimétricos em carnificina permanente, como o próprio vídeo do Hezbollah demonstra.