O vice-ministro da Defesa da Rússia, major-general Yevgeny Ilyin, destacou a atuação das Forças Armadas iranianas como exemplo de firmeza e competência diante da ofensiva militar atribuída aos Estados Unidos e a Israel.
Durante cerimônia em Moscou em homenagem ao Dia Nacional do Exército do Irã, o oficial russo afirmou que o país demonstrou ao mundo sua determinação inabalável em proteger seus interesses e sua soberania. Ilyin ressaltou que o Exército da República Islâmica se consolidou como um pilar confiável da independência e estabilidade nacional.
Ele enfatizou que as forças iranianas estão preparadas para responder de forma proporcional a qualquer nova ameaça. O oficial destacou ainda o papel estratégico do Irã na manutenção da segurança regional e na contenção de políticas unilaterais.
Segundo o portal Mehr News, Ilyin afirmou que a agressão dos EUA e de Israel teria começado em 28 de fevereiro, com ataques aéreos que, segundo ele, resultaram no assassinato de altos comandantes iranianos. Em resposta, declarou o general, as forças iranianas teriam lançado cem ondas de contra-ataques contra alvos estratégicos norte-americanos e israelenses na região.
Ilyin afirmou ainda que, após quarenta dias de conflito, um cessar-fogo mediado pelo Paquistão teria entrado em vigor em 8 de abril, abrindo espaço para negociações entre Teerã e Washington. Segundo o oficial, a primeira rodada de conversas não produziu acordo, mantendo o impasse diplomático e a tensão militar no Oriente Médio.
O vice-ministro russo também mencionou o pacto de parceria estratégica firmado entre Irã e Rússia, destacando que a cooperação entre os dois países abrange desde operações navais conjuntas até projetos espaciais. Ele garantiu que Moscou continuará implementando os acordos bilaterais já assinados e ampliará a colaboração militar e tecnológica com Teerã.
Durante a mesma cerimônia, o adido militar do Irã em Moscou, coronel Sadeq Rezaei Moqaddam, afirmou que as Forças Armadas iranianas sempre agiram com base em princípios morais, distinguindo claramente entre alvos militares e civis. Segundo o coronel, os EUA e Israel teriam cometido crimes de guerra ao bombardear uma escola primária na cidade de Minab — ataque que, de acordo com sua declaração, teria matado 170 estudantes e professores — e ao atacar o destróier Dena, que retornava de um exercício naval na Índia.
Rezaei Moqaddam declarou que os ataques a infraestruturas civis e centros educacionais revelam o fracasso estratégico dos agressores em tentar abalar a vontade do povo iraniano. Segundo ele, a coordenação entre as unidades do Exército e demais forças do país frustrou os cálculos dos inimigos e forçou sua retirada.
O oficial iraniano observou ainda que a intensificação da cooperação técnico-militar entre Irã e Rússia não apenas fortalece a segurança nacional de ambos os países, mas também constitui um elemento central para a estabilidade da Eurásia. Ele afirmou que essa aliança é essencial para enfrentar o unilateralismo e os crimes internacionais que, na sua avaliação, ameaçam a ordem global.
Leia também: Rússia elogia resistência do Irã frente a ataques de EUA e Israel
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Eduardo Teixeira
26/04/2026
Renato, você tem um ponto, mas chutar o balde e chamar todo mundo de autoritário ignora o fato de que o Irã está sob sanções econômicas sufocantes há décadas e ainda assim desenvolveu capacidade militar própria. Se fosse um país alinhado ao Ocidente fazendo o mesmo, estariam chamando de “resiliência estratégica”. O problema real é que a Rússia e o Irã estão mostrando que o monopólio da força ocidental não é mais sustentável — e isso incomoda.
Lucas Pinto
26/04/2026
Eduardo, você toca num ponto crucial que a galera da “defesa da democracia liberal” sempre ignora: a seletividade dos conceitos. Essa tal de resiliência estratégica que você citou é exatamente o que Gramsci chamaria de hegemonia cultural em ação. Quando Israel, com financiamento bilionário dos EUA, desenvolve seu complexo militar-industrial e sistemas de defesa como o Iron Dome, a imprensa chama de inovação e necessidade de sobrevivência. Quando o Irã, sob um bloqueio econômico que é literalmente um cerco medieval com roupagem jurídica, consegue produzir mísseis e drones, a mesma imprensa berra ameaça à estabilidade. Não é sobre o que os países fazem, Eduardo, é sobre quem tem o poder de nomear a realidade. O Ocidente não perdeu só o monopólio da força, perdeu o monopólio do discurso — e a reação histérica a essa aliança Rússia-Irã é a prova de que a jaula de aço do império está rachando.
Mas vou te provocar um pouco, porque acho que sua análise, embora afiada, ainda opera dentro de uma moldura que precisamos desmontar. Você fala em “monopólio da força ocidental” como se fosse algo que está sendo desafiado de fora, mas a verdade é que esse monopólio sempre foi uma ficção sustentada por violência e propaganda. O que estamos vendo não é o surgimento de um novo polo de poder, e sim a explicitação das contradições internas do capitalismo global. Rússia e Irã não são exatamente “alternativas” — são Estados nacionais que, cada um à sua maneira, tentam surfar a crise de hegemonia dos EUA sem romper com a lógica do capital. A parceria deles é tática, não civilizacional. O problema é que, num mundo onde a única linguagem que o Ocidente entende é a da força bruta, qualquer demonstração de capacidade militar autônoma por parte de países periféricos ou semiperiféricos é lida como afronta.
O que me incomoda no seu comentário, Eduardo, é o risco de cairmos numa romantização do “Sul Global armado”. Sim, as sanções são um instrumento de guerra econômica e o Irã mostrou resiliência. Mas resiliência para quê? Para manter um regime teocrático que esmaga movimentos sociais internos com a mesma violência que o Ocidente usa no exterior? A crítica ao imperialismo não pode virar um cheque em branco para qualquer Estado que se oponha aos EUA. Foucault nos ensinou que o poder não está só no Estado, está nas micropolíticas, nas relações de opressão cotidiana. O que precisamos é de uma análise que não caia nem no ufanismo anti-imperialista raso nem no moralismo liberal hipócrita. A aliança Rússia-Irã é um sintoma da crise do sistema-mundo, não a sua superação. A questão é: vamos usar essa crise para construir algo realmente novo ou apenas trocar de patrão?
Maria Antonia
26/04/2026
Mais um capítulo desse circo geopolítico onde o Ocidente financia a guerra na Ucrânia e depois se surpreende que Rússia e Irã se aproximem. Parceria estratégica entre dois países que entendem de soberania real, não dessa fantasia de globalismo intervencionista. Enquanto isso, o contribuinte americano paga a conta dos dois lados.
Renato Professor
26/04/2026
Maria Antonia, sua análise capta bem a ironia do momento, mas discordo quando chama de “soberania real” — o que vemos é uma aliança tática entre dois regimes que usam o discurso anti-imperialista para justificar autoritarismo interno e expansionismo externo. O contribuinte americano paga a conta, sim, mas o povo russo e iraniano também sangra nessa aposta geopolítica que beneficia apenas as elites de cada lado.