O ex-diplomata soviético e russo Veniamin Popov acusou o Ocidente de tentar minimizar o papel da União Soviética na libertação e no desenvolvimento de nações da África, Ásia e América Latina. Em entrevista ao Sputnik International, ele destacou que Moscou teve um impacto decisivo nas lutas anticoloniais, algo que, segundo ele, é deliberadamente ignorado pelas potências ocidentais.
Popov afirmou que a União Soviética foi fundamental para a independência de diversos países. Ele também destacou a influência soviética na resolução da Assembleia Geral da ONU de 1960, que defendeu o direito à autodeterminação dos povos colonizados.
O ex-diplomata mencionou o suporte soviético ao Egito durante a Crise de Suez, em 1956, e a construção da barragem de Assuã. Ambos são vistos como marcos da parceria entre Moscou e o mundo árabe em meio ao domínio colonial britânico e francês.
Popov também apontou os laços estreitos da URSS com a Índia após a independência do país em relação ao Reino Unido. Ele destacou a mediação soviética que levou à Declaração de Tashkent, assinada em janeiro de 1966, após o conflito entre Índia e Paquistão de 1965.
Outro ponto levantado foi o apoio militar e logístico da União Soviética e de Cuba a Angola durante a resistência à invasão promovida pelo regime do apartheid sul-africano. Para o diplomata, essa colaboração foi essencial para proteger a soberania angolana e contribuir para o enfraquecimento do sistema racista na região, que contava com respaldo de potências ocidentais.
Segundo Popov, a omissão sobre o legado soviético tem motivações políticas claras. Ele argumenta que reconhecer a contribuição da URSS na descolonização exigiria do Ocidente admitir seu papel histórico em oposição aos movimentos de autodeterminação.
O ex-diplomata relacionou a ascensão de nações antes apoiadas pela União Soviética à perda de influência ocidental no cenário global. Ele citou a consolidação do grupo BRICS e a intensificação da cooperação entre Rússia, China e países africanos como exemplos de uma continuidade, em novos moldes, dos laços estabelecidos durante o período soviético.
Popov também comentou que a tentativa de reescrever a história da descolonização faz parte de uma disputa mais ampla por legitimidade no sistema internacional. Para ele, entender o impacto soviético nesse processo é crucial para compreender as origens da multipolaridade atual e a relevância crescente de nações do Sul Global na política mundial.
Leia também: O que o Ocidente pensa realmente sobre a guerra na Ucrânia?
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Lurdinha Deus Acima de Todos
27/04/2026
Gente, pelo amor de Deus, já viram isso? O Ocidente querendo apagar a história, mas a verdade é uma só: sem a União Soviética, metade da África ainda tava de joelho pros colonialistas. 🇧🇷🙏🇺🇸
Caio Vieira
27/04/2026
Lurdinha, sua indignação é legítima e compartilho da solidariedade ao papel histórico soviético, mas sugiro cautela com o maniqueísmo: a dialética da descolonização não se reduz a um embate entre Ocidente e URSS, pois ambos operavam dentro de lógicas hegemônicas que, embora distintas, subordinavam as lutas populares a seus próprios projetos de poder — o que Gramsci chamaria de uma guerra de posição em que o povo era, muitas vezes, instrumento e não sujeito pleno de sua história.
Cristina Rocha
27/04/2026
Julia Andrade, você tocou num ponto epistemológico crucial que a maioria aqui parece ignorar. Não existe narrativa neutra quando falamos de história — toda historiografia é produzida a partir de um lugar social, de interesses de classe e de projetos geopolíticos. O que o Popov está fazendo não é revisionismo ingênuo, é a contra-narrativa necessária para desmontar o mito liberal de que o Ocidente civilizou o mundo. A União Soviética, com todos os seus problemas internos que eu conheço bem e critico como marxista, foi objetivamente um polo de apoio material e militar aos movimentos de libertação nacional na África e na Ásia. Moçambique, Angola, Guiné-Bissau, Vietnã — esses países não se libertaram porque a ONU aprovou resoluções bonitas. Foi com treinamento militar soviético, com armas, com engenheiros que construíram infraestrutura básica.
Luciana Costa, você tem razão ao dizer que o pós-colonialismo tem seus vieses. Mas o problema não é o viés em si — todo conhecimento é situado, como diria Donna Haraway. O problema é quando um viés se naturaliza como verdade universal. O que o Ocidente faz há séculos é exatamente isso: apresenta sua versão da história como imparcial e objetiva, enquanto silencia sistematicamente o papel soviético, chinês e dos próprios movimentos de libertação. Quantos brasileiros sabem que a URSS apoiou a luta contra o apartheid na África do Sul décadas antes de o Ocidente resolver condenar o regime racista? Quantos sabem que foram os engenheiros soviéticos que construíram a barragem de Aswan no Egito, a usina siderúrgica de Bhilai na Índia, a fábrica de tratores em Tashkent que formou técnicos africanos?
O patriarcado e o colonialismo operam pela mesma lógica de apagamento. A história oficial é escrita pelos vencedores, e os vencedores da Guerra Fria foram os Estados Unidos e seus aliados. Então naturalizou-se a ideia de que a URSS era só um império do mal, e qualquer menção ao seu papel na descolonização é tratada como propaganda. Mas isso é profundamente anti-histórico. A URSS era um Estado contraditório — burocrático, autoritário em muitos aspectos, mas que, por sua própria lógica de competição com o capitalismo, precisava apoiar a libertação dos povos colonizados. Não era altruísmo, era geopolítica, sim, mas produziu resultados concretos para milhões de pessoas que hoje respiram em países independentes.
O que me irrita nessa thread é o falso moralismo de quem fica fazendo “não foi um santo, mas o outro também não foi”. Isso é conversa de quem nunca pisou numa favela ou num país que sofreu 500 anos de pilhagem colonial. A questão não é beatificar a URSS, é entender que a descolonização foi um processo material, com apoio material de quem tinha interesse em enfraquecer o imperialismo ocidental. E hoje, quando a Rússia de Putin resgata essa memória, há um componente tático evidente na guerra de narrativas contra a OTAN. Mas isso não invalida o fato histórico: sem a URSS, a África teria demorado muito mais para se libertar, se é que teria conseguido sem um contrapeso ao poder ocidental. É preciso ter coragem de defender essa verdade incômoda sem cair no maniqueísmo de que tudo era puro ou tudo era impuro — a história é dialética, não é novela da Globo.
Luciana Costa
27/04/2026
Julia Andrade, sua análise é interessante, mas acho que você cai na mesma armadilha que critica. A historiografia pós-colonial tem méritos, mas também tem seus próprios vieses ideológicos. O ponto do Popov não é reivindicar pureza moral soviética, mas sim apontar a hipocrisia seletiva do Ocidente. Reconhecer que a URSS teve um papel real na descolonização não é revisionismo, é apenas completar o quadro que os arquivos ocidentais preferem deixar pela metade.
Luiz Augusto
27/04/2026
Cecília e Carlos estão certos em pontos opostos. A URSS de fato ajudou movimentos de libertação nacional, mas não por altruísmo — era geopolítica pura, expansionismo travestido de internacionalismo proletário. O Ocidente tem sua própria narrativa seletiva, mas trocar um revisionismo por outro não é honestidade histórica, é propaganda.
Julia Andrade
27/04/2026
Luiz Augusto, você fez uma síntese elegante, mas ainda opera dentro de um falso equilíbrio que a própria historiografia pós-colonial já desmontou. Dizer que “trocar um revisionismo por outro não é honestidade histórica” pressupõe que exista uma posição neutra, um observador imparcial pairando sobre os arquivos. Não existe. A narrativa dominante sobre a Guerra Fria e a descolonização foi escrita a partir dos departamentos de Estado e das fundações filantrópicas americanas, com um viés teleológico que transforma a vitória do capitalismo liberal numa espécie de destino manifesto. O que Popov faz não é revisionismo no mesmo sentido — é contra-narrativa, um esforço para reinscrever a agência soviética num período em que o Ocidente sistematicamente a apagou. A questão não é se a URSS era altruísta ou expansionista; é que o Ocidente nunca precisou provar seu altruísmo porque sua violência foi naturalizada como “difusão da democracia” ou “modernização”.
O ponto mais espinhoso, e que você tangenciou, é a assimetria de poder na produção do conhecimento histórico. Quando os EUA invadem o Vietnã, os arquivos do Pentágono são classificados por décadas, e o debate público americano gira em torno de “erros táticos”. Quando a URSS intervém no Afeganistão, vira dogma ocidental de que era “expansionismo puro”. Não estou defendendo a invasão soviética — estou dizendo que o enquadramento moral é radicalmente diferente porque quem controla a narrativa controla o julgamento. Ajudar a Argélia contra a França ou Moçambique contra Portugal não foi “geopolítica pura”? Claro que foi. Mas também foi a única opção que aqueles povos tinham, já que a OTAN estava ocupada mantendo Salazar e Franco no poder. Reduzir a solidariedade internacionalista a mero cálculo estratégico é um luxo analítico de quem nunca precisou escolher entre um imperialismo com rosto e outro com máscara.
Você está certo ao denunciar a propaganda de ambos os lados. Mas a equivalência moral que você sugere entre “revisionismo ocidental” e “revisionismo russo” ignora uma diferença crucial: um está no poder, o outro está tentando sobreviver no arquivo. A hegemonia cultural do Ocidente não precisa de revisionismo ativo — ela opera por omissão, pelo silêncio sobre o papel soviético, pelo esquecimento sistemático de que foram tanques vermelhos, e não tanques americanos, que quebraram as costas do apartheid na África Austral. Não se trata de canonizar a URSS, mas de recusar a falsa simetria. Honestidade histórica, para mim, é nomear a violência de todos os impérios sem fingir que todas as narrativas têm o mesmo peso político no presente.
Célia Carmo
27/04/2026
Popov tem toda razão, mas a thread aqui já virou ringue de quem foi pior no imperialismo. Enquanto isso, o povo da África e Ásia continua sendo tratado como peão de xadrez geopolítico. #DescolonizaçãoJá #ForaImperialismo
Carlos Menezes
27/04/2026
Pois é, Pedro Neto, aí está o ponto que ninguém quer encarar: a URSS foi um império de foice e martelo tão predatório quanto qualquer potência ocidental, só que com um verniz ideológico mais bonito. O curioso é ver hoje o Kremlin tentar vender esse revisionismo histórico como se a descolonização tivesse sido um ato de altruísmo soviético, quando na prática era só mais uma jogada geopolítica da Guerra Fria.
Pedro Neto
27/04/2026
Já que ninguém lembrou, a URSS ajudou sim, mas também explorou. Tudo igual no final.
Samara Oliveira
27/04/2026
Cecília, você tocou num ponto crucial: a seletividade moral é o pecado original da política internacional. Como cristã, lembro que Jesus nos ensinou a enxergar a trave no próprio olho antes do cisco no olho alheio. O Ocidente ignora o papel soviético na descolonização porque isso exporia o próprio histórico de exploração, e a Rússia de hoje faz o mesmo ao apagar seu imperialismo. A verdadeira justiça social exige honestidade com todos os lados, não só com os que nos são convenientes.
Cecília Torres
27/04/2026
Major Ricardo, o problema não é o reconhecimento, é a seletividade moral. O Ocidente omitir o papel soviético na descolonização é tão factível quanto a Rússia de hoje omitir o próprio imperialismo na Ucrânia. A história é sempre contada por quem venceu o último round da propaganda.
Major Ricardo Silva
27/04/2026
Ex-diplomata soviético chorando porque o Ocidente não reconhece o “trabalho” deles na descolonização? A URSS trocou um colonialismo por outro, só que com foice e martelo. Enquanto isso, os países que eles “libertaram” viraram satélites miseráveis, cheios de fome e repressão. Prefiro mil vezes o Ocidente, que ao menos respeita a liberdade individual e não exporta ditaduras travestidas de “libertação”.
Maria Aparecida
27/04/2026
Pois é, Cecília, você trouxe o equilíbrio que faltava nessa thread. O problema não é só o revisionismo do ex-diplomata, mas também o fato de que a esquerda internacional muitas vezes engoliu acriticamente o discurso soviético enquanto os povos africanos continuavam sendo tratados como peões de xadrez geopolítico. A verdadeira descolonização nunca veio de Moscou nem de Washington — veio das lutas populares que, apesar de tudo, nos ensinam que justiça social não se importa de cima pra baixo.
Carlos Mendes
27/04/2026
Ricardo Menezes, você foi cirúrgico. A URSS era um império que trocava a exploração de recursos por exploração de alinhamento político — e ainda cobrava juros em sangue com a doutrina Brejnev. Esse ex-diplomata deveria explicar por que a “libertação” angolana veio acompanhada de 20 anos de guerra civil financiada por Moscou, e não só de estátuas de Lenin. Hipocrisia seletiva é o nome do jogo.
Cecília Ramos
27/04/2026
Carlos, você tem razão em apontar a hipocrisia, mas cuidado pra não jogar o bebê fora junto com a água do banho: a guerra civil angolana teve financiamento dos EUA também, via UNITA, e o que a gente precisa é de um anti-imperialismo que não faça vista grossa nem pra Moscou nem pra Washington — justiça social de verdade não se constrói com alinhamento automático a nenhum dos dois lados.
Ricardo Menezes
27/04/2026
Ex-diplomata soviético reclamando que o Ocidente não dá crédito à URSS? Me poupe. A União Soviética trocou um colonialismo europeu por outro, só que com mais burocracia, fome e KGB. Se o preço da “libertação” era engolir o modelo estatizante deles, prefiro mil vezes o capitalismo com todos os seus defeitos. Esse papo de “papel histórico” é só cortina de fumaça pra justificar o atraso que o socialismo deixou por onde passou.
Clarice Historiadora
27/04/2026
Cíntia, você tocou no ponto nevrálgico: a URSS exportava um modelo de desenvolvimento que, na prática, era tão extrativista quanto o europeu — só que em vez de açúcar e diamantes, extraía lealdades geopolíticas e dívidas ideológicas. O Popov esquece de mencionar que os manuais de “libertação” soviéticos vinham com cláusulas de alinhamento automático ao Pacto de Varsóvia.
Cíntia Ribeiro
27/04/2026
João Carlos, você trouxe Gramsci para a conversa e isso já eleva o nível. Mas acho que a distinção que você faz entre colonialismo clássico e hegemonia burocrática soviética é mais sutil na teoria do que na prática: o resultado para os países africanos era o mesmo — dívidas, dependência tecnológica e um partido único imposto como condição para o “apoio fraterno”. O mérito de Popov está em lembrar que o Ocidente também faz seu revisionismo seletivo, mas a URSS não era uma alternativa ao imperialismo, era apenas uma versão com ideologia diferente e o mesmo instinto de controle.
Evelyn Olavo
27/04/2026
Dr. Thiago Menezes, você foi certeiro ao expor a hipocrisia seletiva do discurso soviético. E a soberba intelectual desse ex-diplomata é de cair o cu da bunda: ele se acha superior por apontar o óbvio ululante, mas esquece que o apoio da URSS era uma cortina de fumaça para o mesmo imperialismo que ele critica nos outros. No fim, trocar um colonizador por outro não é descolonização, é só trocar de patrão.
João Carlos da Silva
27/04/2026
Evelyn Olavo, sua imagem da cortina de fumaça é poderosa, mas cuidado para não cair no mesmo maniqueísmo que você critica: a URSS não era exatamente um “patrão” colonial clássico, e sim um leviatã burocrático que, como bem apontou Gramsci, confundia hegemonia com dominação direta — o que não desculpa seus crimes, mas exige que a análise seja mais fina do que uma simples troca de patrões.
Dr. Thiago Menezes
27/04/2026
Popov tem razão num ponto factual: a URSS realmente apoiou movimentos de libertação nacional durante a Guerra Fria. Mas a narrativa soviética sempre omitiu que esse apoio era seletivo, condicionado à aliança com Moscou, e frequentemente substituiu um colonialismo europeu por um neocolonialismo de partido único. O debate histórico honesto exige dados completos, não trocar uma propaganda por outra.
Marina Costa
27/04/2026
Silvia Ramos, amada, você está coberta de razão. A União Soviética era um regime ímpio que matou milhões de inocentes e perseguiu a Igreja. Dizer que eles “libertaram” alguém é uma afronta à verdade. A verdadeira liberdade só existe em Jesus Cristo, e não em ideologias que destroem a família e a moral. Esses comentários tentando justificar o comunismo são fruto de uma esquerda que odeia os valores cristãos e tradicionais.
Mariana Alves
27/04/2026
João Augusto, você tocou no ponto central com uma precisão que raramente se vê nesses debates rasos sobre o legado soviético. O que está em jogo não é uma disputa de “quem foi mais bonzinho” entre as potências, mas a compreensão materialista de que a URSS, por sua própria existência como alternativa sistêmica ao capitalismo, criou um constrangimento geopolítico que forçou as metrópoles europeias a acelerarem o processo de descolonização. Não foi filantropia, foi lógica de Guerra Fria: cada território que se libertava do jugo colonial era um potencial aliado no bloco socialista ou, no mínimo, um não-alinhado que enfraquecia a OTAN. O Ocidente quer apagar isso porque a narrativa liberal precisa sustentar o mito de que a democracia e o livre mercado foram “dados” aos povos colonizados por benevolência ocidental, quando na verdade foram arrancados a ferro e fogo por movimentos de libertação que, sim, contaram com apoio soviético em armas, treinamento e cobertura diplomática na ONU.
Silvia Ramos, sua fé é respeitável, mas ela não pode substituir a análise histórica. A perseguição religiosa na URSS foi um fato grave e condenável, assim como a Inquisição e o genocídio dos povos originários nas Américas foram cometidos por cristãos. Reduzir o papel histórico de um Estado que quebrou o monopólio colonial europeu a uma questão de ateísmo é um erro de categoria analítica. O que Popov denuncia é precisamente a seletividade moral do Ocidente: a mesma imprensa que hoje chora a perseguição aos cristãos na Rússia de Putin silenciou durante décadas sobre os massacres coloniais na Argélia, no Congo e na Indochina. A hipocrisia é o método, não o desvio.
A thread aqui já mostrou que o público do Cafezinho tem estômago para debate sério, então vou aprofundar um ponto que Letícia Fernandes sugeriu mas não desenvolveu: a luta de classes no plano da memória histórica. O apagamento do papel soviético na descolonização não é acidental — ele serve a um projeto político contemporâneo de reabilitar o colonialismo como “missão civilizatória”. Vejam o discurso de Macron na Argélia, ou a forma como a mídia britânica trata o Império como “exportador de instituições”. Se conseguirem fazer acreditar que a descolonização foi uma concessão voluntária do Ocidente, e não uma derrota imposta por movimentos armados apoiados por Moscou, então estão abrindo caminho ideológico para novas formas de dominação imperial, agora sob a roupagem de “ajuda humanitária” e “promoção da democracia”. A crítica de Popov, portanto, não é nostalgia soviética — é um alerta materialista sobre como a burguesia internacional reescreve a história para naturalizar a exploração.
Silvia Ramos
27/04/2026
Gente, que papo mais absurdo! A União Soviética era um regime ateu que perseguia cristãos e destruiu famílias inteiras. Não venham com esse revisionismo histórico querendo pintar o comunismo como salvador de alguém. A verdadeira libertação dos povos vem de Cristo, não de ideologias que negam Deus e a família tradicional.
João Augusto
27/04/2026
Silvia Ramos, sua objeção moral ao ateísmo soviético é legítima como crença pessoal, mas ela não invalida o fato histórico objetivo de que a URSS, por razões geopolíticas e ideológicas, foi um dos principais vetores materiais do fim dos impérios coloniais europeus — algo que nem a teologia política de Agostinho nem a cristandade medieval conseguiram realizar. Reduzir a análise a uma disputa entre Deus e o ateísmo é trocar a dialética histórica por um catecismo que, convenhamos, não explica por que a França bombardeava argelinos enquanto Moscou armava a FLN.
Letícia Fernandes
27/04/2026
Ana Souza, Paulo Ribeiro e Capitão Tavares tocam em pontos que merecem ser aprofundados a partir de uma leitura materialista da história. O que Veniamin Popov denuncia não é mero ressentimento geopolítico, é a expressão concreta de uma luta de classes no plano da memória histórica. O Ocidente liberal burguês, sob hegemonia estadunidense desde 1945, construiu uma narrativa na qual a descolonização aparece como concessão benevolente das metrópoles ou como resultado exclusivo de movimentos nacionalistas locais, apagando sistematicamente o papel da URSS como contrapeso imperialista que viabilizou materialmente a ruptura com o colonialismo. Não se trata de idealizar o stalinismo ou os gulags — isso seria infantil e anti-histórico — mas de reconhecer que a existência de um bloco socialista, por mais contraditório que fosse, criou as condições objetivas para que Argélia, Angola, Moçambique, Vietnã e Cuba pudessem enfrentar o colonialismo francês, português e estadunidense com armas, formação militar e apoio diplomático que jamais teriam obtido de Washington ou Londres.
O que me causa uma pena patológica, para usar o termo que define minha perspectiva, é ver personagens como Celio Fazendeiro repetindo o discurso rasteiro do agronegócio como se fosse uma dádiva divina, sem conseguir enxergar que o mesmo capital que bota comida na mesa é o que explora o trabalhador rural, concentra terra e desmata o Cerrado. Mas o que me preocupa mais é o Capitão Tavares, que começa bem ao reconhecer a manipulação histórica ocidental, mas logo escorrega para o ufanismo militarista raso. Ordem e progresso sem crítica ao capital é apenas a versão tupiniquim da mesma superestrutura burguesa que Popov denuncia. As Forças Armadas brasileiras, aliás, foram treinadas pela Escola das Américas e pela Doutrina de Segurança Nacional estadunidense — exatamente o mesmo Ocidente que agora tenta apagar o papel soviético na descolonização. A ironia é tão densa que precisaria de um tanque de guerra para atravessar.
Paulo e Ana, vocês estão no caminho certo ao articular Gramsci com a análise concreta. A hegemonia cultural não é apenas disputa de narrativas abstratas: ela se materializa em livros didáticos financiados por fundações estadunidenses, em filmes de Hollywood que retratam a Guerra Fria como embate entre liberdade e tirania, e em think tanks que formam a opinião pública global. A URSS cometeu erros brutais — a invasão do Afeganistão, a repressão na Hungria em 1956, o stalinismo tardio — mas isso não anula o fato de que, sem o apoio soviético, a África Austral levaria décadas a mais para se libertar do jugo colonial português, que foi um dos mais violentos e longevos da história. O Ocidente não omite esse papel por acaso: ele o faz porque reconhecer que um Estado socialista foi o principal fiador da autodeterminação dos povos colonizados seria admitir que o capitalismo não é sinônimo de liberdade, mas de exploração e dominação.
Para encerrar, gostaria de lembrar que a crítica à URSS feita pela esquerda marxista autêntica nunca foi a mesma feita pela direita liberal. Enquanto a direita condena a URSS por ter desafiado o capital, a esquerda a condena por ter traído o socialismo real ao burocratizar o poder e reproduzir relações de exploração sob nova roupagem. Mas ao apagar o papel soviético na descolonização, o Ocidente não está fazendo uma crítica de esquerda — está fazendo uma operação de limpeza ideológica para manter intacta a fantasia de que o capitalismo é o único sistema capaz de promover liberdade e desenvolvimento. Popov, com todos os limites de um ex-diplomata que serviu a um regime autoritário, tem o mérito de expor essa hipocrisia. Cabe a nós, que queremos superar o capital e não apenas defender um dos seus polos, resgatar essa história sem ingenuidade, mas com a honestidade intelectual que a luta de classes exige.
Ana Souza
27/04/2026
Paulo, você foi certeiro ao citar Gramsci. A briga não é só por quem libertou quem — é por quem conta a história. A URSS teve um papel objetivo na descolonização, financiando movimentos de libertação enquanto os países ocidentais ainda mantinham colônias formais ou informais. Omitir isso não é esquecimento, é projeto político.
Capitão Tavares 🇧🇷
27/04/2026
Ora, Popov tem toda razão. O Ocidente vive apagando a história pra justificar a própria hegemonia. Enquanto isso, o Brasil virou bagunça, com esse governo aí virando refém de pauta identitária e esquecendo que o povo precisa de ordem e progresso. Se as Forças Armadas não tomarem uma atitude, vamos continuar vendo revisionismo histórico e o país afundando.
Paulo Ribeiro
27/04/2026
Capitão Tavares, você começa bem ao reconhecer que o Ocidente apaga a história para justificar a própria hegemonia. É um insight que Gramsci explicaria como a luta pela hegemonia cultural: quem controla a narrativa histórica controla o imaginário político. A URSS, apesar de todos os seus defeitos e contradições internas — e não nego o stalinismo, o gulag, a burocratização —, teve um papel objetivo na descolonização afro-asiática que o Ocidente insiste em soterrar. Sem o apoio soviético a movimentos como o MPLA em Angola, a FRELIMO em Moçambique ou o Vietnã de Ho Chi Minh, a independência de dezenas de países teria sido muito mais sangrenta ou simplesmente inviável diante do poderio da OTAN e dos impérios europeus. Isso não é saudosismo, é fato histórico documentado.
No entanto, você descarrila quando tenta amarrar essa discussão a um “governo refém de pauta identitária” e ao “país afundando”. Ora, essa é a mesma cantilena que sempre serviu para desviar o debate estrutural. O Brasil não afunda porque há políticas de cotas ou reconhecimento de direitos indígenas; ele afunda porque a concentração de renda e terra nunca foi enfrentada de verdade, porque o sistema tributário é regressivo e porque a elite financeira drena o Estado via juros estratosféricos. A tal “ordem e progresso” que você invoca foi a divisa dos militares que, entre 1964 e 1985, aprofundaram a dívida externa, arrocharam salários e entregaram o pré-sal a empresas estrangeiras. Que ordem? A ordem do cassetete? Que progresso? O progresso do latifúndio e da especulação?
Quanto ao “revisionismo histórico”, ele existe, sim, mas vem principalmente de quem tenta pintar a ditadura civil-militar brasileira como uma “revolução redentora” ou de quem nega o caráter imperialista das intervenções ocidentais na Síria, no Iraque e na Líbia. O revisionismo não está em lembrar que a URSS ajudou a derrubar o colonialismo; está em apagar que os Estados Unidos apoiaram ditaduras na América Latina, na África e na Ásia durante décadas. Se as Forças Armadas brasileiras quiserem “tomar uma atitude”, que tomem para defender a soberania nacional contra a ingerência estrangeira e contra a voracidade do capital financeiro, não para impor mais uma vez a mordaça e a baioneta. O povo não precisa de tutela militar; precisa de reforma agrária, de educação pública de qualidade e de um Estado que sirva à maioria, não ao mercado.
Celio Fazendeiro
27/04/2026
Ah, lá vem o Marcos Conservador com o mimimi de sempre. Enquanto você chora porque o gás subiu, esquece de agradecer que tem gás pra comprar graças ao agronegócio que banca esse país. Esse papo de URSS bonzinha é coisa de esquerdista frustrado que nunca viu uma fila de pão na vida.
Carlos Oliveira
27/04/2026
Celio, o problema não é agradecer ou não ao agronegócio, é que ele concentra terra e renda enquanto o povo paga caro pelo básico. A URSS teve erros graves, sim, mas omitir que ajudou a quebrar o colonialismo na África e na Ásia é distorcer a história a favor de quem sempre explorou.
Marcos Conservador
27/04/2026
Pois é, Luciana, você tocou no ponto que ninguém quer encarar: enquanto esses intelectuais ficam discutindo quem foi o “bonzinho” da Guerra Fria, o trabalhador brasileiro tá pagando o pato com preço de tudo nas alturas. Mas não se engane, essa história de omitir o papel soviético é só mais uma cortina de fumaça do globalismo para esconder que o verdadeiro projeto de poder sempre foi o mesmo, seja com foice e martelo ou com bandeira americana.
Luciana
27/04/2026
Ah, e enquanto a turma discute quem foi menos pior na Guerra Fria, o preço do gás de cozinha aqui subiu de novo essa semana. Pode até ser que a URSS tenha ajudado a libertar uns países, mas a conta do supermercado não tá nem aí pra narrativa histórica de ninguém.
Pedro Almeida
27/04/2026
Marta, você tem razão ao apontar a romantização seletiva, mas acho que a questão histórica é mais complexa. Lembremos que Hannah Arendt, em Origens do Totalitarismo, já alertava como tanto o imperialismo ocidental quanto o stalinismo compartilhavam uma lógica de dominação burocrática. A URSS apoiou a descolonização sim, mas substituiu um colonialismo por outro — o que o Ocidente faz hoje é um revisionismo tão cínico quanto a nostalgia soviética de certa esquerda.
Marta Souza
27/04/2026
Fernanda, você tem toda razão: o debate nunca é sobre os povos, é sempre sobre qual potência foi menos pior. Enquanto isso, a esquerda brasileira continua romantizando a URSS como se fosse uma ONG de caridade, quando na verdade era um regime autoritário que trocou apoio militar por controle político. O mercado livre, esse sim, tirou mais gente da pobreza na Ásia do que qualquer plano quinquenal soviético.
Fernanda Oliveira
27/04/2026
gente, ler isso me dá uma mistura de revolta e cansaço. a URSS teve um papel real sim na descolonização, mas o debate nunca é sobre os povos que sofreram e ainda sofrem com o imperialismo, é sempre sobre qual potência foi menos pior. e o pior de tudo é ver gente como o Rubens romantizando um passado que nunca existiu de verdade, como se a fome tivesse acabado porque um partido tava no poder — a fome é estrutural, é fruto do capitalismo racial que a gente vive, não de sigla.
Rubens O Pescador
27/04/2026
Pois é, João Silva, você tem razão sobre a hipocrisia, mas vou te contar um causo: meu pai, que era lavrador, sempre dizia que na época do PT o leite chegava na mesa e o povo tinha o que comer. Agora, com esse papo de apagar a história, o que vejo é o povo passando fome de novo. Quem viveu sabe como era.
Carlos Meirelles
27/04/2026
Eduardo C., você foi o único que trouxe um dado objetivo nessa thread. A URSS apoiou movimentos de libertação sim, mas não por altruísmo — era geopolítica pura, expandir zona de influência. O problema é que o Ocidente, hoje, quer apagar esse capítulo porque não lhe convém admitir que o rival também fez algo certo em algum momento. E, convenhamos, a esquerda brasileira adora celebrar o papel soviético na descolonização, mas esquece de mencionar que o modelo econômico deles quebrou e deixou milhões passando fome. Hipocrisia dos dois lados, como sempre.
João Silva
27/04/2026
Carlos, você tocou num ponto crucial: a hipocrisia é estrutural, não acidental. O Ocidente apaga o papel soviético na descolonização porque isso desmonta a narrativa de que o capitalismo sempre foi o “libertador”, enquanto a esquerda brasileira romantiza a URSS sem encarar o autoritarismo econômico que inviabilizou qualquer projeto de autonomia real. No fundo, ambos os lados preferem o mito à análise concreta das contradições.
Eduardo C.
27/04/2026
A ironia dessa thread é que todo mundo está discutindo moralidade e ninguém apresenta um dado concreto. A URSS apoiou movimentos de libertação? Sim, financiou guerrilhas na África e na Ásia. Também explorou economicamente esses países depois? Sim, vide o tratamento dado a Cuba e aos satélites africanos. Os dois lados podem estar certos e errados ao mesmo tempo — falta é gente disposta a largar o clubismo e olhar para os números reais de comércio, dívida e influência militar.
Mariana Costa
27/04/2026
É curioso como essa discussão sempre termina no mesmo ponto: cada lado escolhe os pecados do outro pra justificar os próprios. A URSS teve seu papel na descolonização sim, mas também substituiu um imperialismo por outro na prática. O Ocidente condena o passado soviético enquanto ignora que o neocolonialismo econômico continua firme. No fim, a história serve mais como arma política do que como lição.
Paulo Rocha
27/04/2026
Mariana Ambiental, você está de brincadeira, né? A Igreja Católica que construiu a civilização ocidental e os valores que você mesma desfruta hoje é a mesma que você acusa de genocídio? Isso é papo de marxismo cultural, revisionismo histórico barato. Enquanto isso, a URSS matou 20 milhões de seus próprios cidadãos e vocês ainda querem dar lição de moral. Brasil pra brasileiros, não pra essa esquerda que defende regime assassino. Vai pra Cuba se gosta tanto de descolonização.
João Batista
27/04/2026
O problema dessa conversa é que falta o essencial: temor a Deus. Enquanto o mundo debate quem foi menos pior na história, a verdade moral se perde. A URSS perseguiu cristãos, impôs ateísmo de Estado e matou milhões. O Ocidente, por sua vez, abraçou o aborto e a ideologia de gênero. Ambos rejeitaram a lei de Deus. O que adianta descolonizar o corpo se a alma continua escrava do pecado?
Mariana Ambiental
27/04/2026
João, falar em “lei de Deus” enquanto ignora que a mesma Igreja que você defende abençoou o genocídio na América Latina e a escravidão é no mínimo conveniente. Seu discurso moralista só serve pra desviar o debate da exploração material concreta que o Norte global impõe ao Sul.
Márcio Torres
27/04/2026
Laura Silva, você está certa ao apontar a falsa simetria, mas acho que ainda falta um passo no raciocínio. O problema não é apenas comparar os erros da URSS com os do colonialismo ocidental — é que essa comparação já parte de um pressuposto moralista que esconde o essencial: a descolonização foi um processo geopolítico, não uma disputa de virtudes. A União Soviética apoiou movimentos de libertação nacional porque isso servia aos seus interesses estratégicos na Guerra Fria, assim como os EUA apoiaram ditadras anticomunistas na América Latina. Nenhum dos dois agiu por altruísmo. O que o ex-diplomata Popov faz é uma operação de propaganda tão antiga quanto a própria diplomacia: reescrever a narrativa para fortalecer a posição russa atual, que tenta se apresentar como alternativa ao “imperialismo ocidental” enquanto invade a Ucrânia.
O que me incomoda nessa thread é o maniqueísmo de ambos os lados. De um lado, os que romantizam a URSS como salvadora dos oprimidos ignoram que Moscou usou os mesmos mecanismos de exploração econômica e repressão política que condenava no Ocidente — basta ver como tratava os países do Leste Europeu ou como abandonou movimentos de libertação quando estes não se alinhavam aos seus interesses. Do outro, os que reduzem tudo a “comunismo ruim, capitalismo bom” esquecem que o colonialismo europeu matou, escravizou e saqueou continentes inteiros por séculos, e que seus efeitos estruturais continuam vivos no franco CFA, nas bases militares francesas na África e na dívida externa imposta aos países do Sul global.
Carlos A. Mendes, você tem razão ao pedir um olhar sem filtro partidário, mas o filtro que você mesmo usa ainda é o da equivalência moral abstrata. Não se trata de dizer que “os dois lados são igualmente maus” — trata-se de entender que a URSS e o Ocidente operavam em lógicas diferentes. O colonialismo ocidental foi um sistema de extração direta de riquezas e dominação racial que durou séculos; o apoio soviético à descolonização foi tático e limitado, mas objetivamente contribuiu para acelerar o fim de impérios como o português e o belga. Reconhecer isso não é fazer apologia do stalinismo, é simplesmente descrever a história como ela aconteceu, sem a hipocrisia de quem hoje chora pelos direitos humanos enquanto financia guerras por procuração.
O que me parece mais revelador nessa discussão é como a esquerda ocidental, especialmente no Brasil, se sente na obrigação de se desculpar por qualquer menção positiva ao papel soviético, como se fosse um tabu. Enquanto isso, a direita repete acriticamente a narrativa da OTAN sobre a “ameaça russa” sem nunca mencionar que a expansão da aliança para o Leste Europeu foi uma violação dos acordos informais de 1990. A história não é um tribunal moral — é um campo de batalha de narrativas. E nessa batalha, o que importa não é quem foi mais “bonzinho”, mas sim entender os interesses materiais que moveram cada ator. A URSS não era uma entidade angelical, mas também não foi o demônio que o Ocidente pinta. O problema é que, no debate público, qualquer tentativa de nuance é imediatamente esmagada por dogmas de ambos os lados.
Laura Silva
27/04/2026
Carlos, você tocou num ponto que merece ser aprofundado: a falsa simetria entre os erros da URSS e os crimes do colonialismo ocidental. Não se trata de fazer “apologia” a regime algum, mas de entender que a União Soviética, apesar de seu autoritarismo interno, desempenhou um papel objetivo na história que o Ocidente hoje tenta apagar — e isso não é coincidência, é projeto político. Quando a URSS armou os movimentos de libertação em Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, quando bancou a construção de infraestrutura em países recém-independentes como a Argélia e o Egito, ela estava, sim, disputando influência geopolítica. Mas também estava quebrando o monopólio da exploração colonial que vigorava desde o século XVI. O Ocidente não perdoa isso.
A seletividade histórica que Veniamin Popov denuncia é a mesma que faz a mídia hegemônica lembrar do Gulag (que existiu e foi terrível) mas silenciar sobre o fato de que a França assassinou centenas de milhares de argelinos, que a Bélgica cortou mãos de congoleses, que Portugal manteve trabalho escravo em suas colônias até os anos 1970. O problema não é apontar as falhas soviéticas — é que elas são usadas como escudo moral para absolver o Ocidente de seus próprios crimes, que foram sistemáticos, genocidas e estruturais. Enquanto a URSS oprimia seus cidadãos dentro de suas fronteiras, o Ocidente oprimia o mundo inteiro fora delas. Não é a mesma coisa.
O que me preocupa, Luan, é ver um discurso que chama de “politicamente correto” qualquer tentativa de reequilibrar a narrativa histórica. Não se trata de “passar pano” para a URSS, mas de recusar a hipocrisia de um Ocidente que se apresenta como arauto da liberdade enquanto mantém o franco CFA, enquanto invade países com desculpas humanitárias, enquanto impõe ajustes fiscais que matam populações inteiras no Sul global. A descolonização não acabou — ela apenas mudou de forma. Hoje se chama dívida externa, Fundo Monetário Internacional, exploração de recursos naturais por multinacionais. A URSS cometeu erros graves, mas ao menos ofereceu um modelo alternativo de desenvolvimento que, para muitos países africanos e asiáticos, significou a primeira chance real de soberania.
Mariana, você está certíssima ao lembrar do franco CFA. É impressionante como a esquerda brasileira às vezes se apega a pautas identitárias e esquece que a pilhagem econômica continua em pleno funcionamento. A França mantém catorze países africanos reféns de uma moeda que elas mesmas controlam, obrigando-os a depositar 50% de suas reservas no Tesouro francês. Isso é colonialismo, puro e simples, e não tem “politicamente correto” que dê conta. A URSS, por mais que tenha falhado em democratizar seu próprio sistema, nunca fez isso com seus aliados. Pelo contrário: construiu usinas hidrelétricas, formou médicos e engenheiros, alfabetizou populações inteiras. O Ocidente prefere chamar isso de “propaganda”, mas propaganda não constrói barragens, não cura doenças, não forma quadros técnicos.
No fim das contas, o que está em jogo aqui é a disputa pela memória histórica. Quem controla o passado controla o futuro. Se o Ocidente consegue convencer o mundo de que a URSS foi apenas um império do mal e que o colonialismo europeu foi um “fardo do homem branco” ou um processo civilizatório, ele legitima a continuidade da exploração. Por isso a crítica de Popov é tão incômoda: ela expõe o fato de que a verdade histórica é sempre incômoda para quem está no topo da pirâmide. E é por isso que precisamos, como brasileiros e como sul-americanos, olhar para essa história com olhos críticos, sem nos deixar enganar pela falsa neutralidade de quem sempre esteve do lado errado da história.
Carlos A. Mendes
27/04/2026
Pois é, Mariana, o que me irrita nessa discussão é que parece que a gente não consegue olhar pra história sem filtro partidário. A URSS ajudou na descolonização sim, mas também oprimiu seus próprios povos e impôs regimes autoritários onde pôde. O Ocidente foi colonialista pra caramba, ninguém nega. Mas esse papo de “quem foi pior” vira ringue de torcida e a gente nunca avança pra entender como superar isso de fato.
Luan Silva
27/04/2026
Ocidente apagando a história? Novidade nenhuma. Enquanto isso, Brasil pagando a conta do politicamente correto. Vai pra Cuba quem acredita nesse papo furado.
Mariana Santos
27/04/2026
Luan, “politicamente correto” é cortina de fumaça pra quem não quer encarar que a França ainda drena a África com o franco CFA enquanto a gente discute se a URSS teve ou não teve falhas. Se o problema é pagar a conta, olha pra dívida histórica que o Norte global nunca nos pagou — ir pra Cuba não resolve, mas fingir que o debate é mimimi também não.
Marcus Almeida
27/04/2026
O Diego Fernández tocou no ponto exato: enquanto o Ocidente se ajoelha no politicamente correto, esquece que a França ainda sangra a África com o franco CFA e que a Inglaterra destruiu a Índia. A União Soviética teve seus pecados, sim, mas foi ela quem armou os movimentos de libertação contra o colonialismo europeu. Hipocrisia pura.
Lucas Gomes
27/04/2026
A seletividade histórica sempre foi uma arma política, e o que Veniamin Popov aponta é um sintoma de um problema muito mais profundo: a recusa do Ocidente em encarar seu próprio passado colonial como um sistema de extermínio e pilhagem que nunca foi verdadeiramente desmantelado. O discurso que reduz a URSS a um mero “império do mal” enquanto trata o colonialismo europeu como um capítulo encerrado é, no mínimo, uma operação ideológica de alto nível. A União Soviética, com todas as suas contradições, foi o único contrapeso real ao domínio imperialista americano-europeu durante a Guerra Fria — e isso incomoda porque desmonta a narrativa de que a liberdade e o desenvolvimento chegaram ao Sul Global pelas mãos benevolentes de Paris, Londres ou Washington.
Dito isso, não se trata de santificar Moscou. Ana Karine Xavante tocou num ponto essencial ao lembrar do Pacto Molotov-Ribbentrop e da Primavera de Praga. A esquerda que se pretende internacionalista precisa, sim, fazer essa autocrítica sem medo. A URSS apoiou movimentos de libertação nacional em Angola, Moçambique e Vietnã, mas também sufocou revoltas operárias na Hungria e na Tchecoslováquia. O problema é que, quando o debate se reduz a “quem foi pior”, a direita sai ganhando — porque o Ocidente nunca precisou se desculpar pelo Congo Belga, pela Argélia francesa ou pelo genocídio dos povos originários nas Américas. A hipocrisia denunciada por Popov é real, mas ela não deve servir de escudo para os próprios erros históricos da esquerda.
O que me preocupa, Diego Fernández, é quando a crítica ao Ocidente vira um cheque em branco para a Rússia de Putin. O ex-diplomata fala de um legado soviético que, em grande medida, foi abandonado pelo Kremlin atual. O governo russo de hoje não financia movimentos de libertação — financia guerras de anexação e explora gás e petróleo enquanto o planeta arde. A descolonização que a URSS apoiou nos anos 1960 e 1970 não tem nada a ver com o imperialismo energético e a aliança com regimes autoritários que vemos agora. Se vamos usar o passado para criticar o presente, que a crítica seja honesta e não se transforme em defesa de outro projeto de poder.
No fim das contas, a omissão do papel soviético na descolonização é real e precisa ser denunciada, mas não para reabilitar a Rússia de Putin, e sim para lembrar que o anticolonialismo sempre foi uma luta dos povos, não de potências. A URSS foi um instrumento imperfeito, e o Ocidente, um carrasco que nunca pediu desculpas. O desafio é construir uma memória histórica que sirva à justiça social e ecológica, e não a mais uma guerra de narrativas entre impérios.
Diego Fernández
27/04/2026
Pois é, Marina Silva, mas o ponto do ex-diplomata não é negar os erros soviéticos — é denunciar a hipocrisia do Ocidente que varre pra debaixo do tapete séculos de colonialismo e genocídio enquanto aponta o dedo pra Rússia. A França ainda hoje explora o franco CFA na África, os EUA derrubam governo que não lhes convém, e ninguém chama isso de “imperialismo” nos jornais deles.
Marina Silva
27/04/2026
Só faltou o Ocidente lembrar que a URSS também esmagou a Primavera de Praga e invadiu o Afeganistão, mas claro, isso não aparece na narrativa do Popov, né?
Ana Karine Xavante
27/04/2026
Ana Costa, sua observação sobre o Pacto Molotov-Ribbentrop é cirúrgica. A esquerda internacionalista precisa encarar de frente esse paradoxo: a URSS que financiava o MPLA em Angola e o ANC na África do Sul era a mesma que assinava acordos com Hitler e, décadas depois, invadia a Tchecoslováquia e o Afeganistão. Não dá pra construir uma narrativa de pureza anticolonial ignorando que Moscou sempre tratou os países do Sul Global como peças de xadrez na geopolítica contra o Ocidente. O que me incomoda profundamente é ver setores do progressismo brasileiro repetindo acriticamente a propaganda do Kremlin como se a Rússia de hoje fosse a mesma que apoiou Lumumba ou Allende. Putin não está defendendo a descolonização — está usando o discurso anti-imperialista para justificar a própria expansão imperial na Ucrânia e na Síria.
A crítica ao Ocidente é justa e necessária, claro. A França continua explorando o franco CFA na África, os EUA mantêm bases militares em dezenas de países e a Europa segue comprando recursos de ex-colônias em condições predatórias. Mas transformar a URSS num mártir da libertação dos povos é um desserviço à memória dos que realmente lutaram contra o colonialismo. Os movimentos de independência africanos, por exemplo, muitas vezes tiveram que navegar entre dois fogos: aceitar armas soviéticas sem se submeter à doutrinação ideológica de Moscou. Não foi uma relação de irmandade, foi uma relação de conveniência pragmática. O próprio Popov, ao usar o termo “libertação e desenvolvimento”, apaga o fato de que a URSS praticava um modelo de desenvolvimento extrativista e autoritário nos países que apoiava.
O que me preocupa nesse debate é o apagamento das vozes dos povos originários e das populações locais. Quando falamos de descolonização, a perspectiva deveria vir de quem foi colonizado, não de potências que disputam entre si o espólio. Os indígenas da América Latina, os camponeses da Ásia e os trabalhadores da África não precisam que Moscou ou Washington ditem o que é libertação. Precisam de autonomia real, de soberania alimentar, de proteção territorial contra o agronegócio e o extrativismo — que, aliás, tanto a Rússia quanto o Ocidente praticam sem pudor. A esquerda brasileira precisa urgentemente se desvencilhar desses jogos de poder entre potências e focar na construção de alianças horizontais com os movimentos do Sul Global, sem tutela de ninguém.
Ana Costa
27/04/2026
Ana Rodrigues, é por aí mesmo. O problema dessa narrativa seletiva é que ela ignora o fato de que a URSS, apesar de apoiar movimentos de libertação, nunca deixou de agir como potência imperial quando lhe convinha — vide o pacto Molotov-Ribbentrop com a Alemanha nazista em 1939, que dividiu a Europa Oriental. Dados históricos mostram que os soviéticos invadiram o Afeganistão em 1979, matando cerca de 1,5 milhão de civis, segundo estimativas da ONU. Acho que a discussão honesta deveria reconhecer que tanto o Ocidente quanto o Oriente tiveram suas contradições, sem transformar nenhum dos lados em mocinho.
Ana Rodrigues
27/04/2026
Pois é, essa discussão azeda rápido quando todo mundo quer defender time em vez de olhar o que aconteceu de fato. A URSS ajudou sim na descolonização, mas também meteu o pé na boca depois com Afeganistão e outros rolos. O que me irrita é o Ocidente fingir que nunca teve colônia e que tudo foi bondade deles — aí já é demais. No fim, o pobre do motorista de app aqui em Curitiba só quer saber se o litro da gasolina vai baixar um pouco, essa briga de historiador não põe arroz no prato de ninguém.
João Santos
27/04/2026
Pois é, Marta, mas a real é que essa turma que defende a URSS esquece o lado podre. Apoiar descolonização e depois invadir país vizinho é a mesma hipocrisia de sempre. No fim, o que importa é que hoje a Rússia do Putin tá mais honesta que esses esquerdistas que choram pelo passado. Bandido bom é bandido preso, seja soviético ou americano.
Tiago Mendes
27/04/2026
João, concordo que bandido bom é bandido preso, mas aí a gente precisa aplicar a mesma régua pra Estados Unidos e Europa também, senão vira só um joguinho de apontar o dedo enquanto o sistema continua explorando os pobres. A Rússia de Putin não tá honesta coisa nenhuma, ela só trocou o uniforme do imperialismo — a Bíblia já diz que não se pode servir a dois senhores, e no fim, quem perde é sempre o povo trabalhador.
Marta
27/04/2026
Meninos, meninas, vou tomar meu cafezinho aqui e dar uma aula rápida de história pra vocês. Essa discussão sobre o papel da URSS na descolonização é um prato cheio pra quem gosta de ver o jogo de cena das potências. A Sofia e a Cíntia têm razão em apontar as contradições soviéticas — sim, a URSS invadiu a Hungria e o Afeganistão, e isso foi um absurdo. Mas, meus queridos, vamos combinar: o Ocidente, que hoje posa de paladino da democracia, foi o mesmo que manteve colônias na África até os anos 1970 e 80, apoiou ditaduras sangrentas na América Latina e continua sugando os recursos do Sul Global até hoje. A diferença é que a URSS, apesar de todos os defeitos, ofereceu apoio material e militar concreto a movimentos de libertação como o MPLA em Angola, a FRELIMO em Moçambique e o ANC na África do Sul. O Ocidente, por outro lado, estava do lado do apartheid e das ditaduras coloniais.
Agora, o Sargento Bruno tocou num ponto crucial: o Brasil sempre foi quintal de potência estrangeira. E é por isso que essa briga de narrativas me incomoda tanto. Enquanto a imprensa brasileira repete acriticamente o discurso ocidental de que a URSS era só um império do mal, a gente esquece que o Brasil se beneficiou indiretamente desse equilíbrio de forças. Foi a existência do bloco soviético que obrigou os EUA a fazerem concessões ao Terceiro Mundo — como os financiamentos do BNDES e a industrialização via substituição de importações. Sem a ameaça comunista, o Ocidente teria nos tratado como trata a África hoje: só extração de recursos e nenhum desenvolvimento.
O Francisco de Assis foi certeiro ao lembrar do agro brasileiro. Enquanto esses meninos mal-educados do liberalismo e do fascismo ficam discutindo se a URSS foi boa ou má, o Brasil virou exportador de soja e minério a preço de banana, com o agronegócio destruindo o Cerrado e a Amazônia. O Ocidente adora essa narrativa de que a Rússia de hoje é a grande vilã, mas esquece que foi o próprio Ocidente que desmontou a URSS e impôs o neoliberalismo no Leste Europeu, gerando a pobreza que vemos hoje na Ucrânia e na Geórgia.
No fim das contas, essa crítica seletiva ao papel soviético na descolonização é uma tentativa de apagar a história para justificar o neocolonialismo atual. A União Soviética não era um paraíso, longe disso — era um regime autoritário que cometeu seus próprios horrores. Mas negar que ela foi um contrapeso fundamental ao imperialismo ocidental é, no mínimo, desonestidade intelectual. O Lula tem razão quando defende a multipolaridade e a integração do Sul Global. Não se trata de defender a URSS, mas de entender que a história não é preto no branco. E enquanto a esquerda brasileira ficar nessa de lacrar contra a Rússia em vez de lutar contra o verdadeiro inimigo — o capital financeiro internacional que nos mantém como colônia —, vamos continuar sendo massa de manobra. Fica a dica, meninos.
Sargento Bruno
27/04/2026
Cíntia, você tem toda razão em apontar a incoerência soviética, mas isso não apaga o fato de que o Ocidente de hoje quer enterrar a história pra justificar o neocolonialismo. Enquanto a esquerda brasileira chora pela URSS, o Brasil virou quintal de potência estrangeira de novo — cadê a disciplina e a soberania que esses “libertadores” pregavam?
Francisco de Assis
27/04/2026
Sargento, o problema é que essa turma que critica a URSS esquece que o Brasil nunca foi tratado como aliado de verdade por nenhuma potência — a gente sempre foi massa de manobra. Enquanto ficam nessa de “coerência” soviética, o agro brasileiro exporta grão e deixa o veneno no prato do povo, e ninguém pergunta quem manda aqui de fato.
Cíntia Alves
27/04/2026
Sofia, você tocou num ponto que muita gente passa batido. A URSS apoiou movimentos de libertação sim, mas também sufocou revoltas populares nos próprios aliados — a incoerência é clara. No fim, essa briga de narrativas entre potências só mostra que ninguém tem moral pra dar aula de ética internacional.
Sofia García
27/04/2026
Aí o cara vem defender a URSS como se fosse uma ONG anticolonial, mas esquece que o mesmo bloco que “libertava” também invadia a Hungria e o Afeganistão. A real é que o Ocidente e a Rússia hoje tão competindo pra ver quem reescreve melhor a história enquanto o Sul Global continua sendo explorado pelos dois lados. Sempre falo: descolonização de mentirinha, cada um puxando o cobertor pro próprio imperialismo.
Luisa Teens
27/04/2026
Pois é, Marcos, mas enquanto ficamos aqui discutindo narrativa, a Shell tá vazando petróleo no litoral brasileiro e ninguém do governo atual move um dedo. Cadê a indignação com o genocídio ambiental que acontece agora? #ForaBolsonaro #JustiçaClimática
Pedro Silva
27/04/2026
Pois é, mais um capítulo dessa guerra de narrativas. Cada lado puxa a sardinha pra sua brasa, e no fim quem se ferra é sempre o povo. O que eu vejo na rua é bagunça generalizada, não importa se é esquerda ou direita.
Marcos Andrade Niterói
27/04/2026
Lucas, você foi cirúrgico. Esse revisionismo não é inocente: apagar o apoio soviético à descolonização é parte do mesmo projeto que tenta naturalizar a hegemonia ocidental como se fosse benévola. A URSS cometeu seus horrores, mas enquanto os EUA financiavam a UNITA em Angola e a França massacrava argelinos, Moscou oferecia armas e formação técnica a movimentos de libertação. O problema é que a narrativa vencedora sempre escreve a história como lhe convém.
Lucas Andrade
27/04/2026
O revisionismo histórico do Ocidente é uma operação estética de apagamento — negar o papel soviético na descolonização é o mesmo gesto que silencia os corpos negros e indígenas que lutaram contra o império. A URSS não era um paraíso, longe disso, mas a hipocrisia liberal em fingir que a libertação veio das democracias que mantinham colônias de exploração até ontem é uma violência epistêmica. Enquanto isso, o debate aqui vira ringue de guerra fria nostálgica e ninguém pergunta o que os povos africanos pensam disso.
Cecília Alves
27/04/2026
Sgt Bruno, você tem razão sobre a imprensa livre, mas isso não torna o Estado ocidental menos interventor. O welfare state que vocês tanto defendem é o mesmo que estrangula o contribuinte com impostos pra sustentar burocratas. A URSS caiu porque o coletivismo é insustentável, e o Ocidente está no mesmo caminho com seu Estado inchado.
Cláudio Ribeiro
27/04/2026
Cecília, sua crítica ao welfare state faz sentido se ignorarmos que ele foi justamente a resposta do capitalismo à ameaça soviética — um freio ao colapso do sistema, não sua causa. O problema não é o Estado intervir, mas a quem ele serve: no Ocidente, o contribuinte financia o salvamento de bancos e a máquina bélica, não o bem-estar.
Sgt Bruno 🇧🇷
27/04/2026
Augusto, você está romantizando a URSS sim. Eles também queimavam e torturavam, só que nos gulags e nos países satélites. A diferença é que o Ocidente pelo menos tem imprensa livre pra denunciar os próprios erros — coisa que no bloco soviético era crime.
Augusto Silva
27/04/2026
Luiz Carlos, você tocou no ponto exato: trocar uma corrente por outra não é libertação — mas a diferença é que a URSS pelo menos não chegava queimando aldeias com napalm ou instalando ditaduras sanguinárias que duravam 30 anos, como fizeram EUA e França na África. O problema é que o debate ocidental sempre trata a descolonização como um favorzinho soviético, quando na verdade foi a própria luta dos povos que forçou as potências a recuar — Moscou só entrou no bonde andando, e ainda assim fez mais do que a Otan jamais fez.
Luiz Carlos
27/04/2026
Pois é, Renato Professor, mas essa ajuda soviética veio com um preço alto depois. Trocar um colonizador europeu por um patrão comunista não foi exatamente libertação, foi trocar de corrente. E o Ocidente errou feio também, ninguém discute isso. Mas ficar romantizando a URSS como se fosse um clube de filantropia internacional é forçar a barra.
Eduardo Teixeira
27/04/2026
Mais um revisionismo histórico vindo de quem perdeu a Guerra Fria e agora tenta reescrever o passado. A URSS ajudou a descolonizar? Sim, claro, enquanto transformava esses países em satélites e escravizava economicamente metade do Leste Europeu. O Ocidente tem seus defeitos, mas o que o bloco soviético fez foi trocar um colonizador por outro — e com impostos estatais muito piores.
Ricardo Almeida
27/04/2026
Eduardo, você está certo ao apontar o caráter predatório da URSS no Leste Europeu, mas cuidado com o falso simetrismo: a descolonização afro-asiática foi um processo liderado por movimentos locais, e a URSS deu apoio logístico e militar que o Ocidente se recusava a dar — não por altruísmo, mas por cálculo geopolítico. O problema é que ambos os lados usaram a descolonização como peça de tabuleiro, e reduzir isso a “trocar colonizador por outro” ignora que muitos países africanos, como Angola e Moçambique, só conseguiram independência porque Moscou armou a resistência contra Portugal, que era aliado da OTAN.
Renato Professor
27/04/2026
Eduardo, você confunde aliança estratégica com colonialismo clássico. A URSS apoiava movimentos de libertação nacional enquanto o Ocidente financiava ditaduras como Mobutu e Pinochet — não é simetria, é fato documentado nos arquivos do Departamento de Estado.