A emancipação do povo brasileiro passa por um grande processo de reindustrialização do país. Segundo o geógrafo Elias Jabbour, especialista em China e estudioso dos processos de desenvolvimento, o Brasil precisa industrializar sua biodiversidade para gerar empregos melhor remunerados e escapar da armadilha do setor de serviços, que paga em sua grande maioria de um a um e meio salário mínimo e não abre nenhuma esperança de mudança real na vida da classe trabalhadora.
Pré-candidato a deputado federal pelo PCdoB do Rio, Jabbour preside hoje o Instituto Pereira Passos (IPP), órgão de pesquisa e planejamento urbano da prefeitura, posto para o qual foi nomeado por Eduardo Paes em dezembro de 2024 e do qual deve se licenciar para a pré-campanha. Antes do IPP, foi diretor de pesquisas do banco dos BRICS (NDB), em Xangai, a convite de Dilma Rousseff. É mestre e doutor pela USP, professor licenciado da UERJ, integrante do Comitê Central do PCdoB e autor de diversos livros sobre a China, entre eles China: o socialismo do século XXI, escrito com Alberto Gabriele e premiado pelo governo chinês com o Special Book Award of China em 2022. A China é a grande inspiração da sua ideia de projeto nacional, ancorada em indústria, planejamento e Estado.
A candidatura está inserida na estratégia do PCdoB dentro da Federação Brasil da Esperança, ao lado do PT e do PV, que mira eleger pelo menos três deputados federais pelo Rio: Jandira Feghali, a enfermeira Rejane e o próprio Jabbour.
Em entrevista a O Cafezinho, Jabbour afirma que está praticamente sozinho na disputa proporcional carioca a tratar do projeto nacional como tema. A política brasileira dos últimos 40 anos reduziu o debate público a temas fragmentados e perdeu a totalidade, diz, e o eixo do projeto nacional, na sua leitura, é a reindustrialização. Ela cumpre duas tarefas simultâneas: recoloca o país num mundo de potências e blocos de capital em competição feroz e, internamente, gera os empregos de qualidade que só a indústria pode criar. É também o caminho do combate ao fascismo: sociedades sem mobilidade social viram terreno fértil para a extrema direita, e a geração de 10 a 20 milhões de empregos industriais é o que pode reabrir a porta da esperança para a juventude.
Quais indústrias
Jabbour rejeita o discurso meramente futurista da quarta revolução industrial e defende a retomada do complexo industrial de defesa, da metal mecânica e da mecânica pesada, capaz de produzir trens, vagões e locomotivas. Defende ainda a digitalização da biodiversidade brasileira, lembrando que o país importa cerca de 26 bilhões de dólares em remédios com os insumos disponíveis em casa. Indústrias da primeira e da quarta revolução podem conviver aqui em unidade contraditória, e as várias industrializações respondem a várias demandas da sociedade, do trem de alta velocidade ao remédio de graça.
O impasse é também cultural. O desmonte do Estado nacional-desenvolvimentista nos anos 1990 e a captura da intelectualidade pelo fiscalismo erodiram a capacidade brasileira de pensar estrategicamente. O resultado é um país com as ligações internas destruídas e uma economia voltada para fora, como antes da Revolução de 30. A saída passa por uma parceria de longo prazo com a China, articulada à formação de conglomerados público-privados nacionais.
Geopolítica como eixo eleitoral
Para Jabbour, há pela primeira vez na história brasileira um candidato à Presidência abertamente pró-Estados Unidos. Flávio Bolsonaro acaba de voltar da CPAC, em Washington, onde prometeu entregar as terras raras brasileiras aos americanos para fazer frente à China, num gesto que Jabbour enquadra como adesão à Doutrina de Segurança Nacional dos EUA para a América Latina, que trata a região como reserva de recursos naturais e ativos estratégicos. A polarização eleitoral, defende, deveria ser entre projeto nacional e fascismo entreguista, com Lula como candidato da soberania e Flávio como candidato do alinhamento automático.
A esquerda também leva chumbo. Jabbour considera estranho falar em esquerda na periferia do capitalismo sem viés nacionalista e desenvolvimentista. Critica a migração da intelectualidade brasileira para o Norte Global nos anos 1970 e 1980, que voltou com agenda de democracia, instituições e economia neoliberal formatada nos Estados Unidos, e observa que aparelhos privados como a Open Society operam abertamente no campo progressista brasileiro.
Nova maioria, Rio e propostas
A reeleição de Lula, para Jabbour, fecha um ciclo de 50 anos. O que se abre é a disputa por uma nova maioria política de caráter de esquerda, nacionalista, desenvolvimentista e anti-neoliberal. Esse é o objetivo do mandato federal que ele pleiteia.
No Rio, ele propõe assumir que o estado passou por uma guerra econômica nos últimos vinte anos, com queda de emprego industrial compatível com a de uma região sancionada e expulsa do SWIFT. A saída envolve um novo Pacto Federativo, renegociação da dívida estadual e o que apelida de Plano Marshall para o Rio, com ramo ferroviário ligando Rio, Niterói e Baixada e dois polos industriais, no Norte e no Sul Fluminense, articulados ao petróleo, ao gás e às munições de defesa.
Eleito, Jabbour deverá protocolar dois projetos: a diferenciação entre capital nacional e estrangeiro, restaurando o texto original da Constituição de 1988, abandonado por Fernando Henrique Cardoso; e a revisão do regime de metas de inflação, cuja temporalidade anualizada força o Banco Central a operar sempre via taxa de juros, mesmo diante de choques que o ciclo econômico absorveria sozinho em três anos. É um mandato, não uma subversão republicana.


Marcus Almeida
29/04/2026
Mais uma miragem da esquerda que troca o Criador pela criatura. Industrialização forçada pelo Estado sempre termina em filas, inflação e corrupção, enquanto o verdadeiro progresso vem de corações convertidos e famílias tementes a Deus. Esse papo de “biodiversidade industrial” tem cheiro de Babel e entrega nossa soberania nas mãos de parceiros que não temem o Senhor. Lembrem-se do que está em Salmos 33:12 – bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e não a que se curva a planejamentos utópicos.
Beto Engenheiro
29/04/2026
Discurso bonito, mas sem obra no chão não sai do papel. Quero ver é trem cargueiro cruzando o estado e rodovia duplicada pra escoar produção. Depois a gente fala em industrializar biodiversidade.
Maria Silva
29/04/2026
Beto, você tem razão na ânsia por obras concretas, mas sonhar com trens e rodovias sem um plano ético e sem combate à corrupção é receita para mais promessas enterradas no asfalto. Industrializar com responsabilidade não exclui logística, só exige que a gente pare de romantizar obra como fim em si mesma, especialmente quando o dinheiro público some nos canteiros.
Luciana Costa
29/04/2026
Beto, sua cobrança por obras concretas é justa, e de fato sem trilhos e asfalto o discurso perde lastro. Mas reduzir a industrialização da biodiversidade a trens e rodovias é tratar o paciente só pelo sintoma: sem um projeto de agregação de valor à nossa riqueza natural, as estradas vão continuar escoando matéria-prima barata para o mundo. O desenvolvimento sustentável que o estado precisa está exatamente em unir as duas pontas — infraestrutura e inovação — em vez de tratá-las como etapas separadas.
Cíntia Ribeiro
29/04/2026
A proposta é instigante do ponto de vista da economia política, mas a viabilidade de um projeto nacional de reindustrialização depende menos de um mandato individual e mais de arranjos institucionais que alinhem planejamento estatal de longo prazo com mecanismos democráticos de controle. Sem essa base, mesmo diagnósticos sofisticados correm o risco de permanecer apenas como retórica eleitoral.
Jeferson da Silva
29/04/2026
Esse papo de arranjo institucional é bonito no papel, mas na vida real a reindustrialização só sai quando o trabalhador tem poder de compra e direitos garantidos. O resto é conversa fiada de quem nunca viu uma máquina de perto.
João Silva
29/04/2026
Você acerta no diagnóstico, mas subestima o cerne: arranjos institucionais, sem ruptura com a financeirização globalista, viram apenas gestão da miséria. Falta consciência de classe para que o planejamento estatal não seja sequestrado pelo mesmo bloco de poder que desindustrializou o país.
Major Ricardo Silva
29/04/2026
Mais um comunista do PCdoB querendo salvar o Brasil com dinheiro público. Esse papo de industrialização sempre termina em estatais inchadas, corrupção e impostos nas nossas costas. O que resolve mesmo é ordem, segurança e valores que essa turma tanto despreza.
Mariana Alves
29/04/2026
Major Ricardo Silva, seu comentário é uma cápsula do tempo ideológica. Ele repete, com a precisão mecânica de um autômato doutrinário, a tríade que a direita brasileira recicla desde 1964: ordem, segurança e valores — como se essas palavras flutuassem num vácuo histórico, imunes às determinações materiais que as produzem. O que o senhor chama de “papo de industrialização” é, para qualquer pessoa minimamente familiarizada com a história econômica, a espinha dorsal da soberania nacional. A industrialização não é uma invenção do PCdoB, nem uma jabuticaba tropical. Ela foi o caminho material que tirou a Inglaterra do feudalismo, a Alemanha do atraso agrário, os Estados Unidos da condição de colônia informal e, pasme-se, o Brasil da condição de arquipélago agroexportador para a condição de economia complexa — processo esse interrompido justamente quando as forças que o senhor representa conseguiram impor, a partir dos anos 1990, o desmonte programático do parque produtivo nacional em nome do deus-mercado. O que o senhor chama de “dinheiro público” com desprezo é, na verdade, o mecanismo pelo qual todas as potências industriais do planeta se construíram. A diferença é que, quando o National Institutes of Health dos EUA financia a pesquisa que gera a patente da Moderna, chama-se “inovação”. Quando o BNDES financia a engenharia nacional, chama-se “corrupção”. Essa assimetria não é inocente: é o funcionamento preciso da geopolítica do conhecimento que nos quer eternos exportadores de grãos e minério.
O senhor associa estatais a corrupção como se o mercado fosse, por essência, um reduto de virtudes éticas. Essa operação retórica, típica do neoliberalismo vulgar, ignora que a corrupção é um fenômeno relacional que atravessa Estado e mercado de forma simbiótica — vide os escândalos recorrentes no setor financeiro privado, vide o cartel internacional da construção pesada que envolvia empresas estatais e privadas numa teia que nenhum maniqueísmo consegue reduzir a “coisa de comunista”. Mas suponho que o senhor, com sua patente militar, saiba bem distinguir entre o fenômeno empírico da corrupção e o uso instrumental do discurso anticorrupção como dispositivo de deslegitimação do Estado para fins de pilhagem do patrimônio público. A Lava Jato, aliás, foi pródiga nessa pedagogia.
Falemos então de “ordem, segurança e valores”. Sua invocação à ordem me soa como um fetiche autoritário que confunde ausência de conflito com justiça social. A ordem neoliberal que o senhor defende — e que seus valores tacitamente sustentam — é a ordem do desemprego estrutural, da informalidade que atinge 40% da população ocupada, do encarceramento em massa da juventude negra, da militarização da vida cotidiana nas periferias enquanto os grandes capitais se movem com a desenvoltura de quem nunca viu uma viatura da Polícia Federal em sua porta. Essa ordem produz precisamente a insegurança que o senhor diz combater, pois não há segurança pública possível num país em que a desigualdade é o verdadeiro nome da estrutura social. E quanto aos seus “valores”, permita-me uma suspeita filosófica: quando a direita brasileira atual fala em valores, está quase sempre a falar da hierarquia como princípio, da família monogâmica como norma compulsória, da tradição como antídoto à crítica social. São os valores de uma classe que teme perder seus privilégios e, para tanto, precisa demonizar qualquer projeto de emancipação coletiva como “ameaça comunista”.
Jabbour pode ser tudo o que o senhor diz, ou pode não ser. Não estou aqui para defender indivíduos, mas para lembrar-lhe que o debate sobre industrialização é muito mais sério do que os seus slogans permitem alcançar. Ele toca na questão central da divisão internacional do trabalho que condena o Sul Global à produção de commodities de baixo valor agregado enquanto os centros do capitalismo monopolizam a ciência, a tecnologia e o valor. Recusar essa discussão em nome de uma suposta “ordem” que o mercado proveria é aderir, por ação ou omissão, ao projeto colonial que mantém o Brasil como um espaço subalterno na geopolítica mundial. E isso, Major, não é defesa da pátria: é defesa da servidão voluntária.
Padre Antônio Rocha
29/04/2026
Amém, Major. O senhor acertou no essencial: sem valores cristãos e temor a Deus, qualquer projeto de industrialização ou de nação desaba. Mas lembre-se, ordem e segurança sem a Cruz de Cristo no centro são apenas castelos na areia — e o Brasil precisa urgentemente de uma reconsagração, não apenas de um deputado desenvolvimento.
Cláudio Ribeiro
29/04/2026
A defesa da reindustrialização ecoa o que Gramsci chamaria de construção de uma vontade coletiva nacional-popular. Sem um tecido produtivo robusto, qualquer projeto de emancipação fica refém da racionalidade neoliberal que nos reduz a exportadores de commodities. Que Jabbour leve para o parlamento essa urgência estrutural.
Lurdinha Deus Acima de Todos
29/04/2026
Cláudio, Gramsci é coisa de comunista ateu isso sim, e essa história de emancipação só vai dar certo quando fecharem de vez as igrejas, mas o Jabbour parece um moço trabalhador então eu até rezo 🙏🇧🇷
Sandra Martins
29/04/2026
Lurdinha, entendo sua desconfiança com Gramsci, mas acho que a emancipação não depende de fechar igrejas, e sim de uma fé que também saiba questionar lideranças quando elas se misturam demais com o poder. O Jabbour parece esforçado mesmo, que o trabalho dele frutifique sem precisar anular a espiritualidade de ninguém.
Carlos Mendes
29/04/2026
Industrialização pela mão do Estado é a velha fórmula do fracasso: escolhe-se campeões nacionais com dinheiro público, distribuem-se cargos e propinas entre os dois lados do balcão político. O BNDES já queimou centenas de bilhões nessa brincadeira durante os governos petistas, e o resultado foi recessão e desemprego. Se Jabbour quer mesmo empregos melhores, deveria defender menos impostos, menos burocracia e mais liberdade para quem realmente produz, em vez de pregar esse intervencionismo que só enriquece político e amigo do rei.
Zé Trovãozinho
29/04/2026
Exatamente, Carlos! Só não vê quem não quer: o intervencionismo do BNDES é a receita certa pra virar uma Venezuela com toga do STF. Menos Estado, menos impostos e menos amigo do rei.
Beatriz Lima
29/04/2026
Zé, vou te fazer um favor e presumir que você não acredita que uma frase de efeito, por mais vibrante que seja, substitui uma análise minimamente informada. Comparar o BNDES com uma suposta “Venezuela com toga do STF” é uma colagem de pavores que soa mais a um gerador de memes do que a uma crítica econômica. Que tal a gente descer do palanque e conversar sobre o que realmente significa intervencionismo de um banco de desenvolvimento, em vez de recitar bordões? Se a ideia é reduzir a complexidade da política industrial brasileira a um espantalho autoritário, eu preciso te perguntar: você tem algum dado ou estudo que mostre que a atuação do BNDES nos últimos anos gerou indicadores socioeconômicos similares aos da Venezuela? Ou é só a sensação térmica do argumento? Porque, do ponto de vista cético — e eu insisto em ser cética, sem carteirinha de partido —, é curioso que a mesma galera que adora brandir a bandeira do “menos Estado” frequentemente ignore que a Coreia do Sul, a China e os próprios EUA, em seus saltos industriais, souberam usar bancos públicos e políticas de fomento sem, veja só, virar ditaduras bolivarianas. A questão não é se o Estado deve ou não intervir, mas quando, como e com que mecanismos de transparência — nuance que não cabe em tweet.
O BNDES certamente coleciona tropeços, alguns bem graves, e já foi usado como instrumento de concentração de poder e de campeões nacionais duvidosos. Eu não vou fingir que o histórico é impecável. Mas daí a pintar a industrialização induzida como caminho certo ao autoritarismo com grife judicial é um salto retórico que faria qualquer metodologia chorar no canto. O STF entra nessa história como uma toga decorativa, imagino eu, porque o objetivo era soar alarmante, e não construir uma relação causal de verdade. Se você realmente acredita que o intervencionismo financeiro leva de maneira linear à ruína institucional, me explica então como a Alemanha tem um KfW estatal gigantesco e segue sendo uma democracia funcional, enquanto países ultraliberais latino-americanos desmontaram seus bancos de desenvolvimento e só produziram mais desigualdade e estagnação. Fica o convite para fugirmos do raciocínio binário: existem inúmeros tons entre o laissez-faire romântico e o estatismo burro, e discuti-los cansa menos do que reciclar slogans de YouTube.
Aliás, sobre esse “menos Estado, menos impostos e menos amigo do rei”: a honestidade intelectual me obriga a perguntar se a verdadeira utopia não é achar que, encolhendo o Estado, os “amigos do rei” desaparecem. O capitalismo de compadrio não se alimenta apenas do Estado grande — ele se infiltra justamente nos vácuos de regulação, nos leilões de promessas tributárias e nos subsídios disfarçados de renúncia fiscal que os arautos da austeridade raramente criticam com o mesmo entusiasmo. Quando uma grande corporação recebe incentivos bilionários sem contrapartida social, isso é “eficiência de mercado”? Quando um setor inteiro depende de isenção para sobreviver, chama-se “liberdade econômica”? O cinismo aqui é bilateral: tanto o intervencionismo sem critério quanto o “Estado mínimo” seletivo produzem elites confortáveis. Se você quer mesmo combater “amigos do rei”, deveria concentrar sua artilharia também nos rentistas que amam menos impostos para si e mais juros pagos pelo governo. Não é escandalosamente irônico que, no Brasil, os mesmos que clamam por Estado enxuto costumem considerar sagrados os privilégios creditícios e tributários do andar de cima?
Por fim, não estou aqui para fazer apologia do BNDES, e sim para pedir um pouco de ceticismo de verdade — aquele que desconfia de qualquer discurso que ofereça bodes expiatórios simplistas e catástrofes morais a cada decisão de política econômica. O problema do Brasil não é a existência de um banco de desenvolvimento, mas o uso que se faz dele, a falta de contrapartidas mensuráveis e a eterna dança entre oligarquias políticas e econômicas que sobrevive com ou sem caneta estatal. Quando você substitui todo esse emaranhado pela frase “vai virar Venezuela”, você não está debatendo — está se consolando com um atalho mental. E eu, mineiramente, te digo: sejamos menos profetas de terra arrasada e mais investigadores chatos, daqueles que pedem planilha, olham resultado de longo prazo e desconfiam tanto do Estado salvador quanto do mercado redentor. Afinal, se até as convicções mais barulhentas precisam de provas, as suas não deveriam ser exceção.
João da Silva
29/04/2026
Beatriz, você falou bonito e eu, como motorista que roda Brasília todo dia, só queria que metade dessa análise virasse asfalto liso e posto de saúde funcionando. Porque no fim, independente do lado, a gente só quer o imposto bem gasto, sem viés de amigo do rei.
Maria Clara Lopes
29/04/2026
Olha, a proposta é interessante e toca num ponto real: o Brasil precisa urgente de empregos de maior valor agregado. Dito isso, tenho um pé atrás com esse discurso salvacionista da industrialização, que ora vem da esquerda com viés desenvolvimentista, ora da direita com protecionismo. O diabo mora nos detalhes – como financiar isso sem repetir os erros do passado e sem demonizar o setor de serviços, que também emprega milhões.
Sofia García
29/04/2026
Maria, o diabo nos detalhes é literalmente o meme do cachorro no fogo dizendo “this is fine”: todo mundo quer industrializar, mas ninguém explica como pagar a conta sem desidratar o setor de serviços, que é o verdadeiro backstage sobrevivendo de café e precarização. 🫠
Silvia Ramos
29/04/2026
Amiga, você tocou no ponto mais sério — o diabo realmente está nos detalhes, e não por acaso a Palavra nos alerta que é enganoso o coração. O Brasil precisa de trabalho digno para sustentar as famílias, mas nenhum programa industrial pode substituir a obediência aos princípios de Deus; sem isso, será como construir sobre a areia, seja com mão esquerda ou direita.
Cecília Silva
29/04/2026
Industrialização de quê, pra quem? Se for só pra encher bolso de empresário enquanto a favela continua sem saneamento e sem escola de qualidade, eu dispenso. Aqui na periferia a gente sabe bem o preço de promessa vazia — emprego melhor remunerado onde, se nem a creche abre direito na quebrada? Falar de biodiversidade é fácil, difícil é fazer política que bota a mão na massa suja do racismo que estrutura esse país.
Lucas Alves
29/04/2026
Concordo com a desconfiança, mas me diz uma coisa: sem uma base industrial forte, de onde você acha que sai o dinheiro pra saneamento, escola e creche funcionando de verdade? Ficar só na crítica sem um plano material é trocar uma promessa vazia por outra.
Sargento Bruno
29/04/2026
Lucas, você tem razão numa coisa: sem indústria forte não há soberania. Mas o problema é quem controla esse processo. A esquerda fala em industrialização enquanto entrega nossas riquezas pra China e sufoca o empreendedor com imposto e ideologia. O dinheiro pra creche e saneamento vem do trabalho do povo, não da caneta de burocrata que odeia o lucro.
Carlos Menezes
29/04/2026
A proposta de reindustrialização é sedutora no papel, mas fico me perguntando como isso se encaixa num país que há décadas patina entre projetos grandiosos e uma burocracia que sufoca o setor produtivo. O foco na biodiversidade faz sentido, mas até que ponto o discurso não subestima a complexidade de competir com cadeias globais já consolidadas? Torço para que não seja apenas mais uma bandeira eleitoral que some depois das urnas.
Karina Libertária
29/04/2026
Carlos, isso é delusional, típico de quem nunca colocou os feet numa economia de verdade. O Brasil não tem fit nenhum pra indústria competitiva, só sobrevive à base de bolsa família e burocracia. Quem tem cérebro faz off-shore e investe em Miami, my friend.
Francisco de Assis
29/04/2026
Karina, misturar inglês no português não disfarça o complexo de vira-lata de quem acha que o Brasil só serve pra exportar playboy pra Miami. Foi com essa mentalidade colonizada que entregaram nossa engenharia e agora querem desmerecer quem luta pela reindustrialização do país.
Cíntia Alves
29/04/2026
Karina, você não acha curioso como o discurso de que “não tem jeito” se torna uma profecia autorrealizável? Miami pode ser uma saída individual brilhante, mas será que resolve para os 200 milhões que não têm esse off-shore?
Ronaldo Pereira
29/04/2026
Finalmente alguém fala em reindustrialização, mas esse papo só cola se vier acompanhado de trabalhador forte e organizado no chão de fábrica, porque patrão adora modernizar a produção e continuar pagando salário de fome. Vi isso na prática nas greves do polo petroquímico em Camaçari, onde só arrancamos aumento decente com paralisação e solidariedade internacional da classe operária. Se for pra industrializar a biodiversidade mantendo a exploração, isso não passa de nova roupagem pra velha mais-valia.
Rick Ancap
29/04/2026
Para de chorar com sindicato, se o salário é fome é porque ninguém quer pagar mais pelo seu trabalho, simples.
Adalberto Livre
29/04/2026
QUEM RECLAMA DE SALARIO É PREGUIÇOSO, O MERCADO É LIVRE, SE NÃO GOSTA VAI PLANTA BANANA NO MST.
José dos Santos
29/04/2026
Tanta promessa de industrialização e emprego melhor, mas na rua o que a gente vê é trânsito parado, gasolina cara e corrida pagando mixaria. Até torço pra dar certo, mas já perdi a fé em político que só fala bonito na TV.
Renato Professor
29/04/2026
José, sua indignação com o trânsito e a gasolina é a prova viva de que você sente os sintomas, mas não entende a doença: um país desindustrializado depende de fretes rodoviários ineficientes e refém da volatilidade do petróleo. A economia solidária que Jabbour defende planeja exatamente o contrário: reativar malhas ferroviárias, aproximar a produção do consumo e gerar empregos industriais de alta produtividade, que elevam a renda e fazem a corrida de aplicativo parar de pagar mixaria. Você perdeu a fé em políticos de TV, mas talvez nunca tenha ouvido um projeto de Estado concreto — e aí, a ignorância é sua, não deles.
Maria Antonia
29/04/2026
Seu ceticismo é o mais puro suco da realidade, José. Enquanto políticos brincam de articular planos mirabolantes, o estado segue sufocando o trabalhador com impostos abusivos na gasolina e uma malha viária que é um fracasso de planejamento centralizado. Quem realmente gera emprego e solução é o setor privado quando o governo sai do caminho.
Rodrigo Meireles
29/04/2026
O discurso é sedutor, mas reindustrializar o Brasil exige mais do que bandeira de campanha — precisa de política tributária previsível, infraestrutura funcionando e marco regulatório que não mude a cada quatro anos. Sem amarrar essas pontas soltas, mesmo a biodiversidade mais rica do planeta continua sendo apenas matéria-prima subvalorizada. Quero ver dados, cronograma e modelagem de viabilidade econômica, não apenas intenções.
Helton Barros
29/04/2026
Rodrigo, seu checklist tecnocrata é exatamente o que mantém o Brasil de joelhos há décadas enquanto entregamos nossa soberania para globalistas de gabinete. Se tivéssemos homem com coragem e fé na pátria no comando, a infraestrutura e o marco regulatório sairiam da canetada, sem depender de modelagem econômica de quem nunca sujou as botas no chão de fábrica.
Lucas Pinto
29/04/2026
Caro Helton, você reclama do checklist tecnocrata e reivindica um homem de fé e coragem para resolver tudo na canetada, como se a vontade pura pudesse se impor sobre o real sem mediação. Mas é sintomático que essa revolta contra os “globalistas de gabinete” reproduza exatamente a lógica que você diz combater: ela troca a tecnocracia explícita por uma tecnocracia oculta, mascarada de decisão soberana. Em vez de enfrentar a materialidade do poder — o modo como o capital financeiro internacional se capilariza nos marcos regulatórios, nas agências, nos tratados de comércio — você aposta em uma espécie de deus ex machina político que despreza a modelagem econômica como coisa de quem nunca sujou as botas no chão de fábrica. Ora, Gramsci nos ensinou que a hegemonia não se rompe com decretos mágicos, mas com a construção de um novo senso comum que parta justamente da análise crítica das estruturas, inclusive as econômicas. A sua “canetada” é irmã gêmea da tecnocracia que você abomina, pois ambas ignoram que o poder circula, se dispersa e se exerce bem antes de chegar ao gabinete do chefe.
A “fé na pátria” que você invoca não é neutra: é um resquício teológico no discurso político, uma religião civil que transfere para a nação os atributos do divino e, para o líder, o papel de profeta ou messias. Como ateu convicto, vejo aí o velho truque ideológico que Marx já denunciava: essa fé suprime as contradições reais, unifica imaginariamente o que está cindido pela luta de classes e entrega ao voluntarismo do condutor a solução que só poderia ser coletiva. Foucault mostraria que a governamentalidade moderna funciona exatamente assim — produzindo sujeitos que desejam um pastor, um soberano que resolva, enquanto o que mantém o Brasil de joelhos não é a falta de um salvador, mas a reprodução cotidiana de relações de força que moldam as instituições, a infraestrutura e o que você chama de soberania. A industrialização que interessa ao capital transnacional já acontece sem necessidade de heroísmo patriótico, porque ela é conduzida por dentro do Estado por meio de regulações técnicas que ninguém vê. A sua crítica à modelagem econômica, portanto, não passa de um anticapitalismo romântico que deixa intocados os dispositivos reais de exploração.
E aqui está o ponto central: ao fetichizar o chão de fábrica como símbolo viril contra o gabinete, você reproduz uma oposição estéril entre trabalho manual e trabalho intelectual que serve maravilhosamente ao capital. A figura do trabalhador que “sujou as botas” é convertida em estandarte moral, enquanto as decisões continuam sendo tomadas por quem nunca precisou fabricar nada. O marxismo sério jamais desprezou a modelagem econômica; pelo contrário, foi Marx quem passou anos enfiado na biblioteca do Museu Britânico analisando exatamente as leis de movimento do capital. O que nos falta não é um líder disposto a rasgar tratados numa explosão de fé, mas a capacidade de politizar esses instrumentos técnicos, de modo que a classe trabalhadora possa se apropriar deles e não apenas ser tutelada por um déspota iluminado que age em seu nome. Sua proposta de atalho pela canetada só entrega ainda mais poder a quem já controla a caneta — e, no limite, reedita o bonapartismo que historicamente sempre acabou por esmagar os de baixo.
Marina Costa
29/04/2026
Lucas, você denuncia com razão a idolatria da pátria e a fé cega em salvadores humanos, mas troca a Verdade revelada nas Escrituras por uma nova religião secular, com seus próprios profetas Gramsci e Marx. Sem o temor do Senhor, toda análise materialista deságua no mesmo vazio espiritual que produz déspotas e oprime os de baixo, porque só Cristo transforma o coração e, a partir dele, as estruturas que você tão bem descreve.
Pedro Neto
29/04/2026
Industrialização? Vai pra Cuba, Jabbour!
Samara Oliveira
29/04/2026
Pedro, reduzir industrialização a Cuba é esquecer que a Bíblia fala de trabalho digno e pão na mesa do pobre — e isso só vem com desenvolvimento soberano. Trocar meme raso por projeto de nação também é um ato de fé.
Ana Rodrigues
29/04/2026
Pedro, Cuba não tem motorista de aplicativo, né? Mas se a tal industrialização fizer o brasileiro andar com mais dinheiro no bolso, quem sabe sobra corrida pra eu pagar o aluguel sem rezar pra tarifa dinâmica.
Eduardo C.
29/04/2026
Você tem dados que comprovem que industrialização resulta necessariamente em um modelo cubano? Apresente as fontes e os números.
Bia Carioca
29/04/2026
Amigo, industrialização não é sinônimo de modelo cubano — isso é uma associação tão pobre quanto o transporte público de Niterói antes do Rodrigo Neves assumir a prefeitura pela primeira vez. Toda economia séria precisa de chão de fábrica e trilho, não de autoajuda liberal.
João Batista Alves
29/04/2026
A industrialização é um caminho abençoado se feita com respeito aos mandamentos. O trabalho dignifica o homem, mas não podemos trocar os valores cristãos por fábricas que afastam o pai da família e enfraquecem a fé. Um político que fala em desenvolvimento tem que lembrar primeiro de fortalecer o alicerce moral do nosso povo.
Lucas Moreira
29/04/2026
Discordo, João. A industrialização que gera emprego e renda é justamente o que permite ao pai prover e estar presente com a família, em vez de ser esmagado pela miséria do desemprego. O maior risco para a família não é a fábrica, mas um Estado inchado que destrói a prosperidade e, com ela, o alicerce moral que só uma sociedade civil forte e livre pode sustentar.
Zé do Povo
29/04/2026
FALOU TUDO LUCAS! CHEGA DE ESTADO INCHADO DESTRUINDO AS FAMÍLIAS, VOLTA DOS VALORES TRADICIONAIS JÁ! 😡👊 FORA COMUNISMO!
Ahmed El-Sayed
29/04/2026
O senhor grita contra o comunismo, mas o que vejo no Ocidente é um secularismo ateu destruindo famílias com muito mais eficiência do que qualquer Estado inchado. Se quer mesmo resgatar valores tradicionais, precisam primeiro reencontrar a submissão a Deus — sem isso, é só vaidade ideológica.
João Carlos da Silva
29/04/2026
Ahmed, a sua premissa de que valores tradicionais só se sustentam pela submissão a Deus ignora que, para Freire, a verdadeira humanização é um ato de coragem e autonomia, não de heteronomia. A história demonstra sobejamente que a rigidez dogmática — seja estatal, seja religiosa — produz o mesmo efeito de domesticação das consciências, e reduzir a crítica ao Estado inchado a uma suposta solução teocêntrica é apenas trocar um dispositivo de controle por outro.
Lucas Gomes
29/04/2026
O discurso da reindustrialização como via única para a “emancipação do povo brasileiro” carrega uma perigosa amnésia histórica. Basta olhar para os ciclos desenvolvimentistas que marcaram o Brasil do século XX para constatar que a industrialização, longe de libertar, aprofundou a dependência externa, concentrou renda e internalizou uma lógica colonial de exploração da natureza e do trabalho. A geração de empregos “melhor remunerados” prometida pelo setor industrial jamais rompeu a superexploração da força de trabalho, e menos ainda enfrentou o racismo ambiental que impõe os custos do progresso às periferias, comunidades tradicionais e territórios indígenas. Emancipação não rima com mais fábricas; rima com redistribuição radical da terra, soberania alimentar e o fortalecimento dos modos de vida que o capital insiste em chamar de “atrasados”.
No centro da proposta de Elias Jabbour está a “industrialização da biodiversidade”, expressão que soa a tecnocracia verde e esconde o germe de uma nova rodada de acumulação por despossessão. Converter a sociobiodiversidade em insumo para cadeias produtivas — ainda que sob o manto retórico da bioeconomia — significa, na prática, submeter os saberes ancestrais e os ecossistemas inteiros à lógica de patentes, commodities e métricas de produtividade. Quem controlará essas novas indústrias? O capital transnacional travestido de sustentabilidade, com suas certificações vazias e sua voracidade por ativos genéticos. Ou os povos que há séculos preservam esses recursos e que hoje são criminalizados e expulsos de seus territórios? Chamar esse projeto de salvação nacional é ignorar que a principal ameaça à biodiversidade brasileira é justamente o modelo econômico que o candidato pretende aprofundar.
O ataque ao setor de serviços como “armadilha” desvia o olhar do verdadeiro problema: a armadilha extrativista que nos condena a fornecer matéria-prima barata ao Norte Global, enquanto a riqueza gerada pela natureza é drenada e a população local sobrevive nos interstícios da informalidade. A solução não está em trocar os trabalhadores de aplicativo por operários de uma montadora verde — ambos submetidos à mesma relação assalariada e alienada. Está em garantir renda básica, fortalecer cooperativas de produção agroecológica, reconhecer e titular territórios quilombolas e indígenas e construir uma economia que tenha como medida o bem viver, e não o PIB industrial. A fixação pela reindustrialização revela um olhar domesticado pelo produtivismo ocidental, que insiste em medir dignidade pelo número de chaminés.
É sintomático que a campanha de Jabbour se ancore em um especialista em China — modelo de desenvolvimento que combina taxas impressionantes de crescimento com a maior crise ambiental da história e a repressão brutal de qualquer dissidência camponesa ou étnica. Exportar essa receita para a Amazônia ou para o Cerrado seria decretar a sentença final dos últimos refúgios de biodiversidade planetária e dos povos que neles residem. A emancipação real exige a descolonização do imaginário político: romper com a crença de que o caminho único é industrializar e competir globalmente, para abraçar uma pluralidade de economias — da floresta em pé, dos rios livres, das roças coletivas — que já existem e resistem, apesar do Estado e do mercado.
Portanto, o chamado à industrialização, mesmo quando adornado com a pauta ambiental, é uma reiteração do velho desenvolvimentismo que sempre sacrificou a vida em nome do “progresso”. A justiça social e ecológica não virá da conversão da natureza em mercadoria de alto valor agregado, mas da desmercantilização radical dos bens comuns e do respeito inegociável à autonomia dos povos originários. Enquanto a esquerda institucional seguir fascinada por chaminés e complexos industriais, seguirá incapaz de ouvir o que as florestas e seus guardiões gritam: a única emancipação possível é aquela que nos livra, inclusive, da necessidade de uma indústria voraz.
Lucas Andrade
29/04/2026
Seu desmonte do altar produtivista é afiado, Lucas. Mas me pergunto se a gramática da “emancipação” não carrega, ela mesma, o espectro da teleologia que tanto criticamos — afinal, que sujeito essa liberdade pressupõe?
João Carvalho
29/04/2026
Ih, amigão, esse papo de gramática e teleologia é muito bonito em livro, mas aqui na vida real a liberdade que o povo entende é carteira assinada, salário em dia e comida na mesa — o resto é conversa pra boi dormir. Se não tem indústria forte gerando emprego, qualquer discurso de emancipação vira só enfeite de intelectual.
Carlos Rocha
29/04/2026
João, carteira assinada só vira realidade sustentável quando o Estado para de sufocar quem produz com impostos e regulações. Indústria forte não nasce de governo grande, nasce de liberdade econômica — o resto é conversa de quem nunca gerou um emprego na vida.