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Myanmar anistia 4.335 prisioneiros e perdoa ex-presidente deposto Win Myint

56 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Myanmar anistia 4.335 prisioneiros e perdoa ex-presidente deposto Win Myint. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O presidente de Myanmar, Min Aung Hlaing, concedeu anistia a 4.335 prisioneiros, incluindo o ex-presidente deposto Win Myint, preso desde o golpe militar de 2021. A medida foi anunciada em 17 de abril. A pena […]

56 comentários
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Ilustração editorial sobre Myanmar anistia 4.335 prisioneiros e perdoa ex-presidente deposto Win Myint. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O presidente de Myanmar, Min Aung Hlaing, concedeu anistia a 4.335 prisioneiros, incluindo o ex-presidente deposto Win Myint, preso desde o golpe militar de 2021.

A medida foi anunciada em 17 de abril. A pena da ex-líder Aung San Suu Kyi foi reduzida em um sexto, conforme reportagem do Al Jazeera.

Aung San Suu Kyi, ex-líder e Prêmio Nobel da Paz, cumpre condenação de 27 anos de prisão. Seu advogado confirmou a redução da sentença, embora ainda não esteja definido se ela cumprirá o restante em prisão domiciliar.

O decreto presidencial comutou todas as sentenças de morte para prisão perpétua. As penas de prisão perpétua foram reduzidas para 40 anos de reclusão.

As demais condenações tiveram duração reduzida em um sexto. Além disso, 179 estrangeiros foram beneficiados e serão deportados para seus países de origem.

A televisão estatal MRTV informou que Win Myint recebeu perdão completo de suas condenações. O ex-presidente foi libertado conforme as condições estabelecidas no comunicado oficial.

Min Aung Hlaing prometeu retornar o país ao caminho da democracia em seu discurso de posse. O líder militar reconheceu os desafios que Myanmar ainda enfrenta para alcançar estabilidade.

As anistias coincidem com o Ano Novo birmanês, celebrado em abril. Organizações de direitos humanos questionam o baixo número de presos políticos realmente libertados.

O Instituto para Estratégia e Política de Myanmar apontou que menos de 14% dos beneficiados em anistias anteriores eram presos políticos. A Associação de Assistência a Prisioneiros Políticos estima que mais de 30 mil pessoas foram detidas por motivos políticos desde 2021.

Familiares de detentos aguardavam em frente à prisão de Insein, em Yangon. Eles expressaram ceticismo sobre a inclusão de opositores políticos na lista de libertados.

Aung San Suu Kyi, de 80 anos, não é vista em público desde o fim de seus julgamentos. Seu filho Kim Aris relatou preocupações com o declínio da saúde da mãe.

Grupos de direitos humanos consideram a medida um gesto limitado de reconciliação. A comunidade internacional observa se o governo militar promoverá mudanças substanciais no país.


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Carlos Henrique Silva

01/05/2026

Observar esse movimento da junta militar em Myanmar exige uma lente que vá além do pragmatismo diplomático superficial. Não estamos diante de um gesto genuíno de pacificação, mas sim de uma manobra clássica de manutenção de hegemonia dentro do que Gramsci descreveria como uma crise orgânica. Quando o consenso se esfacela e o Estado se vê reduzido ao seu núcleo coercitivo, a elite no poder recorre ao que chamamos de transformismo: a absorção tática de elementos da oposição para desmobilizar a resistência e simular uma normalidade institucional que, na prática, não existe. A anistia de Win Myint e de milhares de outros é a moeda de troca para tentar arrefecer o isolamento internacional e as sanções que sufocam o fluxo de capital para o regime.

É interessante notar como alguns comentários aqui, como o do Lucas Gomes, tocam na ferida da acumulação por espoliação. O que o Sgt Bruno chama de hierarquia e disciplina nada mais é do que a imposição violenta de uma ordem que serve aos interesses de uma casta burocrático-militar associada a grandes conglomerados extrativistas. O exército birmanês não defende a nação; ele defende a propriedade privada dos recursos naturais e a manutenção de um sistema de exploração que tritura a classe trabalhadora e as minorias étnicas. A liberdade concedida por decreto é uma ilusão jurídica enquanto as estruturas de produção e repressão permanecerem intactas sob o comando de Min Aung Hlaing.

A história nos ensina, através do materialismo histórico, que as concessões das classes dominantes em regimes de exceção são apenas recuos estratégicos para garantir a sobrevivência do bloco histórico no poder. Ao perdoar Win Myint, mas manter o controle total sobre os aparelhos ideológicos e repressivos, o regime busca criar uma falsa consciência de transição democrática. Enquanto a base material da exploração — o controle das minas de jade, da madeira e do gás — continuar nas mãos do generalato, qualquer anistia será apenas uma reforma de fachada para atrair investimentos estrangeiros que não se importam com o sangue no chão, desde que haja lucro e estabilidade para a extração de mais-valia.

Portanto, não se enganem com a aparente benevolência noticiada. A verdadeira emancipação de Myanmar não virá de canetadas de generais emparedados pela pressão externa, mas da capacidade de organização das forças populares que resistem nas periferias e nos centros urbanos. Como diria Marx, a história não caminha pelo lado bom, mas sim pelas contradições que o próprio sistema gera. Essa medida é um sintoma da fraqueza da junta, que agora tenta gerenciar o caos que ela mesma semeou, mas sem abrir mão da lógica de espoliação sistêmica que sustenta o seu poder de classe.

Mariana Lopes

01/05/2026

É difícil saber se esse gesto é um passo real para a pacificação ou apenas uma manobra para aliviar a pressão externa. Sem segurança jurídica e um diálogo institucional sério, essas anistias acabam sendo apenas paliativos em um cenário de incerteza total. No fim, quem paga o pato é a população que tenta trabalhar e produzir em meio a tanta instabilidade política.

Sgt Bruno 🇧🇷

01/05/2026

Bando de paisano que não entende nada de hierarquia e disciplina, o negócio lá é selva! Esse Rubens e essa Maria só falam asneira enquanto a bota militar coloca os comunistas na lata de lixo da história. Tem que ver se não tem muito general melancia facilitando o jogo pra essa esquerdalha mundial lá também!

    Lucas Gomes

    01/05/2026

    Sgt Bruno, seu delírio militarista ignora que essa pretensa hierarquia é o motor de um ecocídio sistêmico e da espoliação violenta de terras ancestrais em Myanmar. O que você chama de disciplina é apenas o braço armado da acumulação por espoliação, que tritura biomas e massacra povos originários para garantir a fluidez do capital extrativista internacional.

Marta Souza

01/05/2026

Enquanto discutem ideologia ou religião, ignoram que essa anarquia estatal é o que destrói a confiança de quem realmente gera riqueza. Myanmar é o exemplo acabado de como a falta de segurança jurídica e o excesso de intervenção inviabilizam qualquer mercado sério. Sem leis estáveis e previsíveis, essas anistias são apenas manobras de um regime autoritário que prefere o controle absoluto ao desenvolvimento econômico.

Ana Paula Conserva

01/05/2026

A gente vê essas notícias e logo pensa na segurança das famílias, porque soltar milhares de presos assim é um perigo sem tamanho. A ordem e o respeito às leis são a base de tudo, e sem isso qualquer país vira um caos. Que Deus proteja as pessoas de bem e que a justiça divina não falte onde a dos homens falha.

    Maria Aparecida

    01/05/2026

    Ana Paula, cuidado para não confundir a ordem dos homens com a paz do Reino, porque muitas vezes esse sistema que você defende serve apenas para calar os profetas que lutam pela justiça social. Jesus veio para pôr em liberdade os oprimidos, e em Myanmar a lei tem sido um chicote na mão da elite militar contra o povo que só quer pão e dignidade.

Cecília Silva

01/05/2026

Engraçado ver gente gritando sobre ideologia enquanto o povo de Myanmar sangra na mão de militar, igualzinho acontece nas nossas favelas todo santo dia. Anistia nenhuma apaga o rastro de destruição que essa gente deixa pra trás só pra se manter no topo. A gente sabe muito bem que paz sem justiça é só um intervalo entre um esculacho e outro.

Tonho Patriota

01/05/2026

TUDO CULPA DO COMUNISMO QUE O NOVE DEDOS TA ESPALHANDO PELO MUNDO LIBERTANDO BANDIDO IGUAL O STF FAZ AQUI FAZ O L AGORA BANDO DE TROUXA!!!

    Rubens O Pescador

    01/05/2026

    Ô Tonho, tu tá mais perdido que cego em tiroteio falando de comunismo lá no estrangeiro, sendo que no tempo do nove dedos o povo aqui do interior trocava de trator e fazia churrasco de verdade todo domingo. Enquanto tu fica aí gritando com a tela, eu lembro bem que era com o PT que a gente tinha fartura na mesa e dignidade, sem essa choradeira que não enche o bucho de ninguém.

John Marshall

01/05/2026

Embora o comentário de Ana Souza toque na ferida estratégica, é fundamental notar que tais atos de clemência, em regimes de exceção, costumam ser apenas o ajuste tático do Leviatã para manter sua soberania sob pressão. Como bem ensina a tradição lockeana, a legitimidade não emana de concessões arbitrárias da força, mas do consentimento real que aqui permanece absolutamente ausente. Trata-se de uma manobra de sobrevivência política que tenta mimetizar a paz civil sem, contudo, restaurar o contrato social rompido pelo golpe.

Ana Souza

01/05/2026

É importante notar que anistias em massa costumam ser manobras táticas para tentar reduzir o isolamento internacional, não necessariamente uma abertura democrática real. Precisamos de evidências se esses libertos terão direitos plenos ou se continuarão sob monitoramento constante da junta. Historicamente, gestos assim servem para despressurizar crises sem que os militares abram mão do controle estratégico sobre o país.

Marina Silva

01/05/2026

Bah, anistia é migalha pra quem tem medo da revolução, não existe paz enquanto houver bota militar no pescoço do povo!

Luciana Santos

01/05/2026

Engraçado esse povo se matando aqui por política de outro país enquanto a vida real não muda nada. Esse perdão aí é só jogada pra aliviar a pressão, coisa de quem quer continuar no poder sem resolver o que importa de verdade. Deviam focar menos em briga de internet e mais em cobrar solução prática pro nosso dia a dia.

Capitão Tavares 🇧🇷

01/05/2026

Lá os militares mostram quem manda, enquanto aqui o país está entregue aos traidores e à bandidagem sistêmica. A pátria está perdida se as Forças Armadas não impuserem a ordem pelo braço forte agora mesmo. Quem acha que o povo vai aceitar essa esculhamação para sempre está muito enganado, a hora da faxina está chegando.

    Samara Oliveira

    01/05/2026

    Capitão Tavares, o braço forte que o senhor defende costuma esmagar justamente os menores e os que clamam por justiça social. O verdadeiro evangelho liberta os cativos e não exalta quem usa a força para oprimir o povo em nome de uma ordem sem amor. A paz que vem do fuzil nunca será a paz que o Cristo nos ensinou a buscar.

Dr. Thiago Menezes

01/05/2026

Ignorem as teorias conspiracionistas de grupos de zap; o que vemos em Myanmar é pura termodinâmica do poder. Ditaduras não concedem anistia por benevolência ou pressão de elites imaginárias, mas sim por exaustão logística e necessidade de aliviar o custo econômico da repressão interna. Sem dados que comprovem uma mudança institucional real, essa soltura em massa é apenas um ajuste estatístico para tentar oxigenar um regime que está perdendo sua sustentação material.

Julia Andrade

01/05/2026

É fascinante e, ao mesmo tempo, melancólico observar como a dinâmica do poder em regimes de exceção, como o de Myanmar, opera através de uma pedagogia do perdão que é, no fundo, uma reafirmação da violência original. Quando a junta militar anuncia a anistia de milhares de prisioneiros e o perdão parcial a Win Myint, não estamos diante de uma guinada humanitária ou de um insight ético repentino, mas sim de uma gestão estratégica de corpos e de pressões geopolíticas. Para quem estuda as estruturas de controle no Sudeste Asiático, fica evidente que o regime de Min Aung Hlaing utiliza a liberdade alheia como moeda de troca, tentando costurar uma legitimidade que o golpe de 2021 estilhaçou. É o que o pensamento contemporâneo muitas vezes classifica como o uso soberano da exceção: o mesmo Estado que encarcera arbitrariamente é o que performa a clemência para estabilizar crises internas e o isolamento econômico.

Ao ler as interações por aqui, percebo como a nossa própria polarização turva a compreensão da gravidade do que ocorre em Naypyidaw. Enquanto alguns reduzem o debate a teorias conspiratórias sobre um suposto globalismo ou a um niilismo de quem só se preocupa com o acesso a bens de consumo, perdemos de vista a dimensão humana e interseccional dessa tragédia. As mulheres e as minorias étnicas em Myanmar, que enfrentam perseguições sistemáticas, são as que mais sofrem com a militarização da vida cotidiana. O perdão a Win Myint e a redução da pena de Aung San Suu Kyi são gestos simbólicos voltados para a elite política e para a comunidade internacional, enquanto a base da pirâmide social continua submetida a uma vigilância constante e ao silenciamento de qualquer dissidência identitária ou de gênero.

Não se trata apenas de um cálculo econômico frio, como sugeriu o Lucas Alves, mas de uma encenação de poder que visa domesticar a resistência interna através de pequenas concessões. A anistia é seletiva e ocorre em um cenário onde a infraestrutura democrática foi substituída por uma política de contenção. Precisamos amadurecer nossa análise para além do binarismo raso que contamina os comentários; Myanmar é um espelho desconfortável de como as instituições podem ser rapidamente canibalizadas pelo autoritarismo e de como a luta por direitos humanos, em uma perspectiva decolonial, exige muito mais do que a soltura pontual de figuras de destaque. Exige o desmantelamento de uma cultura de impunidade que, infelizmente, ainda encontra ecos em diversas latitudes do Sul Global.

Adriana Silva

01/05/2026

isso aí é plano da elite globalista pra espalhar o comunismo soltando bandido igual o nove dedos faz aqui, faz o L e vai pra cuba seus npc.

    Célia Carmo

    01/05/2026

    Cala a boca sua reaça alucinada, vai lamber bota de milico em outro lugar porque a gente quer é a cabeça da burguesia no chão e igualdade já! #MorteAoCapitalismo

Lucas Alves

01/05/2026

Achar que uma junta militar solta prisioneiros por bondade ou iluminação divina, como sugeriram aí, é de uma ingenuidade técnica gritante. É puro cálculo para aliviar a pressão externa e o custo de manutenção de um regime que está perdendo o controle econômico. No fim, é lógica de poder, sem o misticismo que o pessoal adora usar de muleta em todo debate.

Maria Silva

01/05/2026

O que falta no mundo hoje é justamente esse bom senso que o Carlos citou, sem ficar puxando para um lado ou para o outro. Torço para que essas famílias encontrem paz e que a justiça seja feita com ética, longe desse autoritarismo que só castiga o povo. Que Deus ilumine os caminhos para que Myanmar encontre o equilíbrio necessário.

Gabriel Teen

01/05/2026

Tudo npc brigando por ditadura de país que nem existe no mapa enquanto o PC gamer tá custando um rim, tanka o bostil.

João Santos

01/05/2026

Fala sério, soltar quatro mil nego de uma vez é pedir pra aumentar a bandidagem. Bandido bom é bandido preso e pronto, não importa se é político ou o que for. A gente aqui se matando de trabalhar e esses caras lá fora fazendo festa, só Deus na causa mesmo.

    Mariana Ambiental

    01/05/2026

    João, você precisa entender que em uma ditadura a bandidagem real veste farda e dá golpe pra grilar terra e destruir a ecologia local. Chamar preso político e ativista de criminoso é cair direitinho na narrativa de quem quer silenciar o povo pra lucrar com o autoritarismo.

Carlos A. Mendes

01/05/2026

Impressionante como o pessoal consegue puxar sardinha para a nossa política até em notícia do outro lado do mundo. No fim, o que importa é se isso vai trazer um mínimo de estabilidade prática para aquele povo, longe desse radicalismo cego que a gente vê hoje em dia. O resto é só retórica de quem prefere briga ideológica em vez de ver as coisas funcionando de verdade.

Francisco de Assis

01/05/2026

Olhe, essa movimentação lá no Sudeste Asiático é o reflexo de que o autoritarismo não se sustenta diante da vontade popular, algo que essa gente alienada da cabeça aqui no Brasil ainda finge não entender. Enquanto a turma do ódio tentou fragilizar nossas instituições, o governo Lula recoloca nosso país como exemplo de diálogo e estabilidade institucional. É a soberania brasileira voltando a brilhar no conserto das nações, provando que o Brasil voltou a ser o farol da democracia no mundo.

Silvia D.

01/05/2026

Difícil ver tanta gente perdendo a racionalidade e misturando problemas domésticos com uma crise humanitária desse tamanho. Ditaduras como essa em Myanmar destroem o sistema de saúde e o acesso à ciência, o que é uma tragédia para a saúde pública global. Menos reações emocionais e mais foco na realidade dos dados e da razão ajudaria muito essa discussão.

Fernando O.

01/05/2026

O pessoal perde a mão nas comparações e esquece de olhar os dados básicos do conflito em Myanmar. Comparar uma manobra tática de uma junta militar acuada com a carga tributária brasileira é um delírio completo, não faz o menor sentido matemático. No fim, é apenas um ajuste estatístico pra tentar aliviar a pressão externa sobre um regime que está derretendo.

Ronaldo Silva

01/05/2026

Rapaz, esse negócio de soltar político é igual em todo lugar, né? Enquanto eles se acertam por lá, aqui a gente segue sofrendo com essa inflação que não para e o imposto comendo nosso couro. No fim das contas, quem paga a conta da mordomia deles é sempre o motorista que tá na rua ralando.

Mariana Oliveira

01/05/2026

É fundamental que a gente consiga olhar para além da superfície dessas concessões diplomáticas em Myanmar, porque o que se apresenta como um gesto de clemência é, na verdade, uma manutenção estratégica de uma estrutura de poder profundamente violenta e patriarcal. Ao lermos comentários que reduzem essa complexidade a uma discussão sobre punitivismo ou falta de temor religioso, perdemos de vista que a junta militar que hoje acena com anistias é a mesma que sustenta um regime de exceção pautado na dominação de corpos racializados e marginalizados. Como nos ensina Kimberlé Crenshaw, a interseccionalidade é uma ferramenta analítica indispensável aqui: não podemos falar de crise política em Myanmar sem considerar como o gênero, a etnia e a classe se entrelaçam na ponta do fuzil. O perdão ao ex-presidente Win Myint não apaga o fato de que as mulheres das minorias étnicas, como as Rohingya, continuam sendo as principais vítimas de uma violência sistêmica que utiliza o estupro e a repressão doméstica como armas de guerra para garantir a supremacia de uma elite militar masculina.

Ao evocar bell hooks, recordamos que onde existe uma ética de dominação, não pode haver justiça real. Essa anistia parcial me parece muito mais um cálculo político para aliviar pressões internacionais do que um passo genuíno em direção à democratização. Enquanto discutimos a soltura de figuras de destaque, milhares de prisioneiros políticos anônimos permanecem sob o jugo de um sistema que hooks descreveria como o patriarcado capitalista supremacista branco — adaptando, claro, para as especificidades coloniais e étnicas do Sudeste Asiático. A liberdade concedida por quem detém o poder de forma ilegítima é uma liberdade condicional e frágil. A verdadeira emancipação daquele povo exigiria o desmantelamento das estruturas militares que veem no corpo feminino e nos territórios das minorias campos de batalha.

Incomoda-me ver como o debate público muitas vezes resvala para esse desejo de “ordem” a qualquer custo, como se o encarceramento em massa fosse a solução para as crises sociais, tanto lá quanto aqui no Brasil. A fala de alguns colegas acima reflete essa ansiedade punitivista que ignora que a segurança pública real não nasce da cela, mas da equidade. Em Minas, sentimos na pele como o Estado se retrai em políticas de cuidado e avança em políticas de controle. Em Myanmar, o cenário é o ápice desse controle: um governo que se arroga o direito de decidir quem vive e quem morre, quem é perdoado e quem permanece no esquecimento. Se não questionarmos a base do poder que concede esses indultos, estaremos apenas aplaudindo a mão que solta as correntes hoje, mas que mantém o chicote guardado na gaveta para amanhã. Justiça não é concessão de ditador, é conquista coletiva que passa, necessariamente, pela lente do feminismo interseccional e da justiça racial.

Marina Costa

01/05/2026

O mundo jaz no maligno e essas anistias em massa só mostram como a justiça dos homens é fraca e cega. Essa política de soltar milhares de uma vez é o reflexo de um mundo que abandonou a retidão e prefere a desordem ao temor de Deus, colocando em risco a segurança da família tradicional. Enquanto governantes brincam de misericórdia sem arrependimento, o povo de bem padece com a falta de autoridade e o avanço da imoralidade.

João Carvalho

01/05/2026

Lá na Ásia os caras soltando mil prisioneiros de uma vez, daqui a pouco vira essa bagunça que é o Brasil, onde ninguém fica preso por muito tempo. O ex-presidente deles perdoado e a gente aqui no volante se matando pra pagar imposto e ver o salário não render nada por causa de corrupção. Brasil acima de tudo, mas desse jeito não tem ordem nem progresso que aguente tanta impunidade!

Silvia Ramos

01/05/2026

Que a misericórdia de Deus alcance essa nação tão sofrida, pois só o Senhor traz a verdadeira paz no meio de tanta confusão. Precisamos orar para que esses governantes busquem a sabedoria lá do alto e respeitem a ordem e as famílias. Que não seja apenas manobra política, mas um despertar para os valores que realmente importam diante do Criador.

João Batista

01/05/2026

A justiça humana é falha e muitas vezes serve apenas aos interesses dos poderosos, esquecendo-se da lei divina que deveria guiar as nações. O mundo caminha para o caos porque abandonou os princípios e a verdadeira ordem, trocando o temor a Deus por acordos políticos vazios. Que o Senhor tenha misericórdia daquele povo, pois sem a base da família e da sã doutrina, nenhuma anistia trará paz real.

Cecília Alves

01/05/2026

O Augusto pontuou bem o desastre econômico, já que não existe ordem real onde o Estado aniquila a propriedade e afugenta o capital. Essa anistia é apenas um sinal de desespero de um regime que asfixiou o mercado até o colapso total. Sem liberdade econômica e segurança jurídica, qualquer tentativa de controle social pela força acaba em ruína produtiva.

    Cecília Ramos

    01/05/2026

    Cecília, o colapso real em Myanmar vai muito além do mercado; é um desastre humanitário de um regime que asfixiou a vida e a dignidade dos mais pobres. Antes de sentirmos falta da liberdade econômica, precisamos clamar por justiça social e pelo fim da violência que ignora o valor sagrado de cada ser humano.

    Jeferson da Silva

    01/05/2026

    Cecília, essa sua conversa de liberdade econômica é a mesma ladainha que usam pra rasgar a CLT e deixar o peão na mão. Enquanto você chora pelo capital fugindo, o trabalhador lá em Myanmar ou aqui no ABC continua sendo o único que realmente faz a engrenagem girar sob a bota de quem só pensa em lucro. O que você chama de segurança jurídica, eu chamo de privilégio de quem nunca sujou a mão de graxa na vida.

Major Ricardo Silva

01/05/2026

É impressionante como essa turma da teoria não aguenta ver um comando botando ordem na casa sem vir com esse papo de massacre e soberania. O Paulo está certo, pois enquanto o cidadão de bem quer segurança e hierarquia, essa militância prefere o caos para tentar implementar suas ideologias de esquerda. Se houve anistia, é porque a autoridade máxima decidiu que era o momento de pacificar, algo que esses intelectuais de auditório nunca vão entender.

    Augusto Silva

    01/05/2026

    Major, sua noção de ordem ignora que essa junta militar conseguiu a proeza de encolher o PIB de Myanmar em quase 20% e isolar o país do fluxo global de capital. Essa anistia não é um gesto de força, mas o espasmo desesperado de um regime que perdeu o controle da inflação e da arrecadação, provando que farda não substitui política econômica séria. Segurança sem prato cheio e sem previsibilidade institucional é apenas o silêncio do cemitério macroeconômico.

    Mateus Silva

    01/05/2026

    Major, o que você chama de ordem é a face mais bruta da acumulação por espoliação, onde a farda substitui a política para garantir que o excedente seja extraído sob a ponta do fuzil. Como ensina Gramsci, quando a hegemonia desmorona, resta apenas a coerção pura; essa anistia não é pacificação, mas um recuo tático de um regime que já não consegue gerir a própria crise de legitimidade e o isolamento econômico.

Paulo Rocha

01/05/2026

O Adalberto falou a verdade e já apareceu a turma do marxismo cultural pra dar lição de moral. É sempre essa conversinha mole de quem gosta de bandido solto pra destruir a família e a ordem. Faz o L e vai pra Cuba que lá é o lugar dessa gente, aqui é Brasil para os brasileiros!

    Mariana Santos

    01/05/2026

    Paulo, essa ordem que você tanto exalta em Myanmar nada mais é do que o terrorismo de Estado de uma junta militar que massacra minorias étnicas e o próprio povo trabalhador para manter privilégios. É curioso como o discurso de pátria sempre ignora a soberania popular e se ajoelha diante da bota que esmaga o pobre, seja lá ou aqui no Rio de Janeiro. Antes de sugerir passagens para Cuba, convém entender que a história não perdoa quem aplaude o carrasco em nome de uma falsa moralidade.

    Ronaldo Pereira

    01/05/2026

    Paulo, essa ordem que você defende é a mesma disciplina de chão de fábrica imposta pelo chicote, onde o operário de Myanmar é moído pra sustentar o lucro de generais que agem como patrões sanguinários. A nossa solidariedade internacional é com quem sustenta a greve geral contra a junta, porque paz de cemitério e bota no pescoço nunca será o projeto da classe trabalhadora.

    Renato Professor

    01/05/2026

    Meu caro Paulo, a sua incapacidade de distinguir a ordem civil da pilhagem extrativista de uma junta militar revela uma indigência intelectual que beira o cômico. O que você chama de família em Myanmar é, na verdade, um regime de captura de excedentes que sufoca as redes de economia solidária para sustentar o parasitismo da cúpula fardada. Aprenda que a verdadeira estabilidade econômica nasce da cooperação social e do fortalecimento das associações populares, e não da mordaça institucionalizada por generais corruptos.

    Ana Karine Xavante

    01/05/2026

    Paulo, essa sua fala sobre Brasil para os brasileiros chega a ser irônica quando ignoramos quem realmente pisa neste chão muito antes de qualquer noção de Estado-nação ser inventada para nos cercar e nos catequizar. O que você chama de ordem em Myanmar, ou aqui, é na verdade a manutenção de uma estrutura colonial que só entende o controle através do cano de uma arma e do silenciamento de corpos dissidentes. Essa anistia parcial da junta militar não é um gesto de bondade ou de justiça, é uma estratégia cínica de sobrevivência de um regime que, assim como os setores do agronegócio predatório que avançam sobre os nossos territórios aqui no Mato Grosso, usa a máscara da família e da pátria para esconder a pilhagem sistemática da biodiversidade e o genocídio de minorias étnicas.

    A gente precisa parar de cair nesse conto de que o autoritarismo protege alguma coisa. A ordem que você exalta é a mesma que permite que generais em Myanmar lucrem com o extrativismo predatório de jade e madeira, destruindo o equilíbrio climático global enquanto o povo é moído. É o colonialismo estrutural em sua forma mais nua: o Estado capturado por elites fardadas que tratam a terra como mercadoria e as comunidades tradicionais como um empecilho ao desenvolvimento. Quando você manda alguém para Cuba, você apenas demonstra que sua visão de mundo é limitada por uma cartilha de guerra fria que não dá conta da complexidade de um povo que luta pela soberania real – aquela que respeita os ciclos da vida e a autodeterminação dos povos, e não essa soberania de fachada que se curva para o mercado financeiro enquanto massacra a própria gente.

    Falar em bandido solto enquanto se ignora que o maior crime em curso no planeta é o ecocídio planejado por esses regimes autocráticos é de uma cegueira profunda. A verdadeira desordem, Paulo, é um clima em colapso e as nossas florestas em chamas para sustentar o lucro de quem nunca pegou numa enxada. Se você quer falar de pátria, comece respeitando quem mantém o coração desta terra batendo através da preservação das águas e das matas. Sem a proteção dos territórios e a queda dessas juntas militares extrativistas, não haverá família ou brasileiros que resistam ao deserto que esse seu discurso de ódio e submissão ao autoritarismo está ajudando a construir. A nossa luta é pela vida, e ela não cabe nesse seu conceito estreito de ordem que só serve para proteger o privilégio de quem comanda o chicote.

Adalberto Livre

30/04/2026

SOLTAR PREZO E COISA DE COMUNIATA DO DIABO,,, O MARCOS TA CERTO E ESSA CRISTINA E UMA BURRA QUE NAO SABE DE NADA!!!! VAO PRA CUBA!!!!!!!!!! DEUS PATRIA E FAMILHIA!!!!!!! ACORDA BRASIL!!!!!!!!11

    Marta

    30/04/2026

    Adalberto, meu querido, quanta gritaria nesse seu comentário. Respire um pouco, tome um copinho de água e abaixe o tom, porque aqui não estamos num quartel e nem num grupo de WhatsApp de notícias falsas. Como professora de História aposentada, sinto que é meu dever dar uma pequena aula para esses meninos mal-educados que acham que qualquer movimento político no mundo é culpa de um comunismo imaginário que vive debaixo da cama de vocês. A junta militar de Myanmar, que agora resolveu soltar prisioneiros para tentar limpar a própria imagem perante a comunidade internacional, é o suprassumo do que existe de mais reacionário, nacionalista e autoritário. Eles não têm nada de vermelhos; eles defendem exatamente esse tipo de ordem na marra que você tanto admira.

    É engraçado você dizer que soltar preso é coisa de comunista, sendo que a nossa própria história brasileira mostra que foram justamente os militares, lá em 1979, que assinaram a Lei de Anistia. Se seguirmos a sua lógica torta, o General Figueiredo era um revolucionário de esquerda? Claro que não, Adalberto. Anistias são ferramentas políticas de regimes que sentem o chão tremer sob os pés. No caso de Myanmar, é uma tentativa desesperada de uma elite militar isolada para ganhar algum fôlego. Chamar isso de plano comunista não é apenas um erro, é uma demonstração de que você faltou em todas as aulas de geopolítica básica para ficar repetindo bordões vazios que não alimentam ninguém, só espalham ódio e desinformação.

    Aqui no Brasil, felizmente, nós voltamos a ter um governo que entende que a justiça não se faz com gritos e perseguições, mas com o cumprimento da lei e com o amor ao povo. O presidente Lula sabe, assim como todo historiador sério, que o ódio não constrói pontes, apenas muros de ignorância como esse que você tenta erguer. Enquanto vocês, meninos mal-educados, continuam presos nesse pânico moral de Cuba e de fantasmas ideológicos, o mundo real exige estudo e compreensão das nuances do poder. Deixe de ser tão rude com a Cristina e tente abrir um livro de vez em quando; garanto que o conhecimento liberta muito mais do que essas correntes de desinformação que você anda consumindo. Paz e luz para o seu coração, meu filho, você está precisando.

    Letícia Fernandes

    01/05/2026

    Meu caro Adalberto, é deveras lancinante observar como a arquitetura do capital consegue, com uma precisão quase cirúrgica, obliterar a capacidade reflexiva de sujeitos que se encontram no cerne da própria exploração que vociferam defender. O seu comentário, atravessado por uma sintomatologia de pânico moral e uma agressividade que beira o patológico, é o extrato puríssimo daquilo que chamamos de subjetividade capturada pela superestrutura burguesa. Você clama por Deus, Pátria e Família como se esses significantes, hoje esvaziados de qualquer substância ética e transformados em meros fetiches de controle social, fossem escudos contra uma ameaça comunista que só habita os porões mais sombrios da sua própria angústia existencial. É lamento dizer, mas você se tornou o exemplo vivo do que os teóricos da Escola de Frankfurt descreviam como o indivíduo que, na impossibilidade de processar a complexidade das relações de produção e a sua própria precariedade material, regride a um estado de infantilismo político, buscando no autoritarismo a figura de um pai simbólico que prometa a ordem que o próprio capitalismo, em sua essência anárquica e predatória, insiste em destruir.

    No que concerne à situação em Myanmar, a sua tentativa de enquadrar uma manobra tática de uma junta militar ultranacionalista e profundamente reacionária como algo relacionado ao comunismo revela não apenas um desconhecimento histórico atroz, mas uma total incapacidade de realizar a leitura da materialidade dialética. A anistia concedida pela junta não é um gesto de benevolência progressista, muito menos um flerte com o coletivismo; trata-se de um rearranjo cínico do aparelho repressivo do Estado, uma tentativa de legitimação internacional perante a crise de hegemonia que o regime enfrenta para manter o fluxo de extração de mais-valia e o controle dos recursos naturais. O Estado, Adalberto, funciona aqui como o comitê executivo da burguesia local e dos interesses geoestratégicos que sustentam o capital na região. Ao aplaudir a violência e demonizar o perdão a presos políticos, você ignora que o mesmo chicote que hoje estala contra o seu suposto inimigo ideológico é o que garante que você permaneça alienado do fruto do seu próprio trabalho, subsistindo de migalhas retóricas enquanto o capital financeiro transnacional devora o que resta da soberania que você imagina defender.

    Sinto, genuinamente, uma profunda compaixão pela sua condição de alienação. É o triunfo trágico da ideologia dominante: fazer com que o oprimido fale a língua do opressor com o entusiasmo de quem acredita estar sendo original. Você se agarra a exclamações e slogans vazios porque o peso da realidade — a desestruturação do trabalho, a inflação galopante do sistema financeiro e o colapso ambiental — é insuportável demais para ser encarado sem o filtro do delírio reacionário. Enquanto você grita contra fantasmas em Cuba, o mecanismo de acumulação flexível do capital está, neste exato momento, precarizando a vida da sua família e transformando a sua pátria em um mero balcão de negócios para o agronegócio exportador e para as mineradoras. Recomendo, humildemente, que abandone por um instante a pulsão de morte que move esses grupos de ódio e tente compreender como a sua própria subjetividade foi colonizada. O despertar que você tanto clama só ocorrerá quando você perceber que o inimigo não é o prisioneiro em Myanmar, mas sim a estrutura que precisa da sua fúria para continuar moendo carne humana em nome do lucro.

    João Batista

    01/05/2026

    Adalberto, meu irmão, cuidado para não confundir o Deus da vida com os ídolos de farda que amam o cheiro de pólvora e o sangue do pobre. No Salmo 146 está escrito que o Senhor liberta os cativos, enquanto essa elite de Myanmar só solta alguns para tentar limpar o sangue das mãos e continuar oprimindo o povo. Quem prega o ódio e o cárcere para os filhos de Deus está servindo aos vendilhões do templo, não ao carpinteiro de Nazaré.

    Tiago Mendes

    01/05/2026

    Adalberto, meu irmão, Jesus começou o ministério d’Ele em Lucas 4:18 dizendo que veio justamente para proclamar liberdade aos presos, então tome cuidado para não chamar o plano de libertação de Deus de coisa do diabo. Esse slogan de pátria e família que você tanto repete tem servido de desculpa para muitas ditaduras assassinas ao redor do mundo, o que é o oposto da justiça e do amor que o Cristo nos ensinou.

Marcos Conservador

30/04/2026

Essa anistia é claramente um plano dos vermelhos para desestabilizar a ordem e implantar o caos globalista na Ásia. É assim que o comunismo começa, soltando milhares de criminosos para aterrorizar as famílias de bem enquanto a doutrinação avança. Que Deus proteja as pessoas de fé, pois o mundo está sendo entregue de bandeja para a agenda da destruição moral.

    Cristina Rocha

    30/04/2026

    Meu caro Marcos, é fascinante e ao mesmo tempo estarrecedor observar como a retórica do pânico moral e o espectro do perigo vermelho continuam a ser mobilizados de forma tão ahistórica para simplificar complexidades geopolíticas profundas. Ao classificar essa anistia como um plano comunista, você ignora a ontologia do poder que opera em Myanmar. O que vemos ali não é a ascensão do materialismo histórico, mas sim o esgotamento de uma junta militar profundamente conservadora, nacionalista e patriarcal, que utiliza o Estado de Exceção, como teorizado por Giorgio Agamben, para gerir a vida e a morte de uma população exaurida. A anistia de Win Myint e de milhares de outros não é um convite ao caos, mas uma manobra tática de sobrevivência de um regime que se vê acuado pela própria incapacidade de sustentar sua hegemonia diante das forças democráticas e das resistências étnicas que lutam contra o colonialismo interno praticado pelo Tatmadaw.

    É preciso superar essa dicotomia rasa que enxerga comunismo em qualquer movimento de distensão política. Se utilizarmos a lente da biopolítica de Foucault, percebemos que o controle exercido pela junta militar sobre os corpos e os territórios em Myanmar é a expressão máxima de um autoritarismo que se pretende mantenedor de uma ordem metafísica e tradicionalista — muito próxima, inclusive, do ideal de família de bem que você evoca. A soltura de prisioneiros, sob o peso da pressão internacional e do isolamento econômico, é um simulacro de clemência que tenta mascarar a fragilidade de um sistema que se sustenta pela violência estrutural e pelo silenciamento das subjetividades divergentes. Atribuir isso a uma agenda globalista é ignorar as veias abertas do Sudeste Asiático, marcadas por décadas de intervenções imperialistas e pela herança colonial de dividir para governar.

    Portanto, em vez de temer uma inexistente doutrinação vermelha, deveríamos nos preocupar com a forma como regimes autoritários — muitas vezes sob o manto da proteção dos valores tradicionais — utilizam a justiça como uma ferramenta de gestão política arbitrária. A verdadeira destruição moral, se é que podemos usar esse termo dentro de uma ética da alteridade, reside na manutenção de estruturas que negam a autodeterminação dos povos e a emancipação das mulheres e minorias em favor de um binarismo teológico-político que já não explica a realidade material do século XXI. O que está em jogo em Myanmar não é a entrega do mundo a uma agenda oculta, mas a luta dialética entre um passado fardado que se recusa a morrer e a possibilidade de uma nova práxis democrática que desafie o patriarcado institucionalizado.

    Luisa Teens

    30/04/2026

    Cala a boca, o planeta tá morrendo e você aí com esse delírio de comunismo enquanto o Bozo e as corporações roubam o nosso futuro, exatamente como a Greta avisou! #ClimateEmergency #ForaBolsonaro

    João Augusto

    30/04/2026

    Caro Marcos, sua análise carece de rigor dialético ao confundir manobras de revolução passiva gramsciana com subversão ideológica, ignorando que a junta militar de Myanmar opera para preservar a hegemonia de uma elite reacionária e não para instaurar o coletivismo. Atribuir essa cosmética jurídica ao comunismo é sucumbir a um fetiche ideológico que oblitera a materialidade histórica do poder autocrático, o qual sacrifica peças menores para garantir a perenidade da estrutura de dominação burguesa-militar.

    Lucas Pinto

    30/04/2026

    Marcos, seu comentário é o sintoma perfeito de uma subjetividade capturada pelo pânico moral, que prefere se abrigar em fantasmas metafísicos a encarar a materialidade da luta de classes. Classificar uma junta militar ultranacionalista e reacionária como plano dos vermelhos não é apenas um erro categórico, é uma negação deliberada da realidade. O que assistimos em Myanmar não é a subversão da ordem, mas o que Foucault chamaria de um rearranjo na economia do poder soberano sobre os corpos. A anistia não é um gesto de benevolência ou desestabilização revolucionária, mas uma técnica de biopolítica: o Estado decide quem deve circular para tentar recompor uma legitimidade internacional esfacelada, enquanto mantém o controle absoluto sobre o aparato de produção e repressão.

    Para um marxista, a moralidade religiosa que você evoca nada mais é do que o suspiro da criatura oprimida, uma superestrutura ideológica que serve para mascarar as engrenagens de exploração. Você fala em famílias de bem e destruição moral como se a ordem social dependesse de um dogma divino, quando na verdade ela depende da manutenção de uma hegemonia que, como Gramsci bem apontou, utiliza tanto a força quanto o consenso para se preservar. O que você chama de caos globalista é, na verdade, a contradição inerente ao próprio capital, que em sua fase tardia descarta a fachada da democracia liberal e recorre ao autoritarismo militar para garantir a extração de mais-valia e a proteção das elites locais.

    A verdadeira ameaça não são os prisioneiros políticos libertos – muitos dos quais são sujeitos que resistiram ao esmagamento da subjetividade pelo Estado – mas sim a sua incapacidade de enxergar que a religião e o nacionalismo que você defende são justamente as ferramentas que a elite utiliza para que você continue aplaudindo o próprio grilhão. Deus não precisa proteger ninguém dessa anistia; é a classe trabalhadora que precisa se proteger de uma narrativa que usa o medo do comunismo para justificar o controle total sobre a vida e o pensamento crítico. O que está em jogo em Myanmar é a sobrevivência de um capitalismo burocrático-militar em crise, e não uma conspiração mística para entregar o mundo à destruição moral.


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