O ex-negociador israelense Daniel Levy afirma que Israel acelera operações militares para consolidar dominação regional antes que o equilíbrio geopolítico se altere de forma irreversível.
Levy preside o think-tank US/Middle East Project, sediado em Nova York, e já integrou delegações de paz durante os governos de Ehud Barak e Yitzhak Rabin. Ele expôs a tese em entrevista ao jornalista Steve Clemons no programa The Bottom Line, da Al Jazeera.
Ao analisar a postura militar de Tel Aviv, Levy sustenta que a lógica oficial só aceita dois tipos de vizinho: os dependentes ou os suficientemente fragmentados para não oferecer resistência organizada. Essa leitura enquadra Líbano, Síria e territórios palestinos na categoria dos colapsados.
Para o analista, ciclos de bombardeios que alternam com cessar-fogos meramente formais não são efeito colateral, mas um objetivo deliberado. O propósito é impedir a reconstrução econômica e institucional da região.
Levy também aponta o papel de Washington, cuja política externa estaria saturada de premissas israelenses, tornando difícil identificar onde termina a agenda de um aliado e começa a do outro. Ele argumenta que a dependência política mútua reforça a sensação de impunidade que sustenta operações militares sucessivas.
Conforme reportado pelo portal Al Jazeera, Levy vê na retomada de negociações nucleares entre EUA e Irã uma ameaça direta a essa arquitetura de controle regional. Para evitar qualquer acomodação entre Washington e Teerã, Israel pressiona por mais uma grande operação contra a República Islâmica, insistindo que a diplomacia precisaria ser precedida por demonstração de força.
Na prática, explica o ex-negociador, abrem-se frentes de tensão simultâneas: ataques pontuais a instalações sírias, investidas contra posições do Hezbollah no sul do Líbano e incursões frequentes em Gaza ou Jenin, mesmo quando vigora um acordo de cessar-fogo no papel. O objetivo é manter a pressão tão constante que qualquer gesto conciliatório pareça politicamente inviável para a Casa Branca.
Levy acrescenta que a estratégia permanece popular dentro de Israel porque oferece uma narrativa coerente ao eleitorado sobre segurança e identidade nacional, apesar de não resolver a questão palestina. Ao mesmo tempo, o custo diplomático cresce à medida que novas potências questionam publicamente a ocupação prolongada e a escalada nos assentamentos da Cisjordânia.
O deslocamento do centro de gravidade mundial para uma ordem mais multipolar, impulsionado pelos BRICS e por mediações chinesas na região, dificulta a pretensão israelense de atuar sem supervisão externa. Para o analista, o cálculo em Tel Aviv é intensificar ações militares enquanto ainda conta com blindagem diplomática dos EUA no Conselho de Segurança.
Essa urgência é uma corrida contra fatores demográficos, contra a erosão do prestígio ocidental e contra a fadiga social interna gerada por décadas de mobilização bélica. Levy recorda que o orçamento de defesa absorve recursos que poderiam ser investidos em moradia, saúde e inovação civil — assunto cada vez mais sensível entre jovens israelenses.
Do lado americano, prossegue o analista, a classe política segue dividida, mas ambos os partidos principais operam com premissas desenhadas em Tel Aviv, o que limita alternativas de desescalada. Mesmo negociações pragmáticas, como a reativação do acordo nuclear suspenso em 2018, tropeçam em pressões para inserir cláusulas adicionais sobre mísseis balísticos e influência regional iraniana.
Com Donald Trump em seu segundo mandato e as próximas eleições presidenciais americanas previstas apenas para 2028, o dossiê iraniano corre o risco de ser instrumentalizado como capital político doméstico. Nesse cenário, alerta Levy, Israel pode buscar um ataque preventivo que force Washington a reagir militarmente após o fato consumado, repetindo o padrão observado em conflitos anteriores.
Se essa dinâmica prosperar, conclui o ex-negociador, a possibilidade de uma solução política justa para palestinos, libaneses e israelenses continuará se estreitando, condenando a região a décadas adicionais de instabilidade calculada. Para ele, apenas uma reorientação clara da política norte-americana poderia romper o ciclo — mas essa mudança, por enquanto, não passa de hipótese distante.
Com informações de Al Jazeera.
Leia também: Tensões Irã-Israel: “Só um grande acordo no Médio Oriente pode evitar a guerra regional”
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Cláudio Ribeiro
03/05/2026
A Marina Costa reproduz o discurso da “defesa existencial” sem perceber que ele serve justamente para perpetuar o estado de exceção que o Levy denuncia. O direito à autodefesa, quando ilimitado e sem horizonte político, vira máquina de guerra permanente — e quem paga a conta é a população civil de ambos os lados, enquanto o complexo militar-industrial engorda.
Marina Costa
03/05/2026
Lucas Andrade, seu discurso parece bonito, mas esconde a verdade: Israel tem todo o direito de se defender contra terroristas que juram destruí-lo. Essa tal “guerra permanente” é invenção de quem quer enfraquecer uma nação que luta pela sua existência. Enquanto a esquerda defende esses “ex-negociadores”, o povo de Israel só quer viver em paz, mas o mundo fecha os olhos para os ataques que sofrem.
Mariana Lopes
03/05/2026
O Daniel Levy não é nenhum novato e conhece os bastidores das negociações. A tese dele faz sentido quando a gente vê que Israel não apresentou nenhum plano político viável pra sair dessa, só vai ampliando as operações. O problema é que essa estratégia de guerra permanente desgasta todo mundo, inclusive a própria sociedade israelense a longo prazo.
Lucas Andrade
03/05/2026
O Major Ricardo e o Jeferson da Silva, cada um a seu modo, escancaram o mesmo impasse: enquanto um naturaliza a guerra como defesa, o outro denuncia seus custos pra classe trabalhadora. Mas a análise do Daniel Levy vai além — ela aponta que a guerra permanente não é acidente, é projeto. A questão não é se Israel tem direito de existir, mas se a existência de um Estado precisa se sustentar na ocupação e na eliminação sistemática do outro. Enquanto a esquerda ficar só no “Fora Patrão” sem desmontar a gramática do poder que produz esses conflitos, a direita vai seguir usando tanques e Bíblias como a mesma moeda.
Jeferson da Silva
03/05/2026
Major Ricardo, com todo respeito, o senhor fala como se estivesse num quartel general, mas a realidade aqui na fábrica é outra: guerra permanente significa tanque de guerra passando por cima de direitos, e não é só no Oriente Médio não. Enquanto a indústria bélica lucra, o povo trabalhador perde emprego, moradia e dignidade. Esse tal de Levy tá é denunciando o que a gente já sabe: paz de verdade nunca foi o objetivo de quem vive de vender armas e explorar mão de obra barata.
Major Ricardo Silva
03/05/2026
Esse Daniel Levy é mais um desses “ex-negociadores” que viraram militantes anti-Israel. O país está cercado por terroristas apoiados pelo Irã e pelo Hezbollah, e ainda tem que ouvir esse tipo de acusação. Enquanto a esquerda chora por “guerra permanente”, Israel só quer garantir que seus cidadãos possam dormir em paz sem foguete do Hamas no telhado.
Célia Carmo
03/05/2026
Guerra permanente é lucro garantido pra indústria bélica e miséria pro povo, #ForaPatrão!
Silvia Ramos
03/05/2026
Maria Aparecida, a senhora cita Mateus 5:9, mas esquece que a paz verdadeira só vem quando se reconhece o direito de Israel existir e se defender, como está em Gênesis 12:3. Esse ex-negociador aí é mais um desses que querem enfraquecer o povo escolhido de Deus. O mundo virou as costas para os valores bíblicos e agora querem culpar Israel por tudo.
João Silva
03/05/2026
Silvia, com todo respeito, reduzir um conflito geopolítico complexo a uma disputa teológica é um atalho perigoso que esvazia a crítica materialista do Estado de Israel como projeto de poder. Gênesis 12:3 não justifica ocupação e muito menos legitima um exército que age acima do direito internacional.
Luan Silva
03/05/2026
Laura Silva, para de lacrar. Israel se defende enquanto você chora por terrorista. Vai pra Cuba ver se lá tem paz.
Maria Aparecida
03/05/2026
Luan, querido, Jesus mandou amar os inimigos e orar pelos que nos perseguem, não bombardear crianças em nome da segurança. Cuba tem seus problemas, mas não financia genocídio com dinheiro de contribuinte estrangeiro — leia Mateus 5:9 e pare de confundir defesa com ocupação.
Laura Silva
03/05/2026
É revelador, mas não surpreendente, que um ex-negociador israelense como Daniel Levy confirme o que muitos analistas de geopolítica e historiadores do conflito já apontam há décadas: a chamada “defesa de Israel” é, na verdade, um projeto de dominação regional que se retroalimenta da guerra permanente. Levy não é um “vendido” como o Capitão Tavares sugere; ele é um realista que enxerga o que a extrema direita israelense e seus financiadores internacionais não querem admitir: que a ocupação, os assentamentos ilegais e os bombardeios periódicos não visam segurança, mas sim a inviabilização de qualquer solução de dois Estados e a consolidação de um Estado etnonacionalista com fronteiras expansionistas. É a lógica do capital bélico e do colonialismo tardio operando a pleno vapor, e qualquer um que estude Marx, Rosa Luxemburgo ou mesmo Hannah Arendt reconhece esse padrão: a guerra como negócio e a violência como instrumento de acumulação primitiva.
O Pedro Almeida tocou num ponto crucial ao lembrar que a guerra é o negócio mais lucrativo que existe, e a thread da Cecília Alves sobre o contribuinte americano bancar essa farra é igualmente certeira. Mas precisamos ir além: a “guerra permanente” de Israel não é apenas um bom negócio para a indústria bélica dos EUA e de Israel; ela é funcional para desviar a atenção das crises internas de ambos os países. Enquanto o governo Netanyahu bombardeia Gaza e o Líbano, ele enterra as denúncias de corrupção, a crise habitacional e a crescente desigualdade social em Israel. Do lado americano, cada míssil Tomahawk lançado é um subsídio disfarçado para a Lockheed Martin e a Raytheon, enquanto a população trabalhadora americana vê seus hospitais públicos definharem e suas universidades serem privatizadas. É a velha tática de transformar crises políticas em operações militares, exportando a violência para manter a ordem interna.
A Mariana Ambiental tem toda razão ao conectar o agro tóxico e a extrema direita global a esse esquema. O que vemos em Gaza é o mesmo modelo de exploração e expropriação que o agronegócio brasileiro pratica contra os povos indígenas e quilombolas: cercar a terra, expulsar quem vive nela, privatizar os recursos e justificar o massacre com discurso de “defesa nacional” ou “desenvolvimento”. A diferença é que, no Oriente Médio, o Estado de Israel tem um poder de fogo e um lobby internacional que tornam o genocídio mais “eficiente”. Mas a lógica é a mesma: o capital precisa de fronteiras abertas para o lucro e fechadas para os corpos indesejados. E enquanto a esquerda global não conseguir unificar a luta contra o colonialismo israelense com a luta contra o latifúndio brasileiro e o imperialismo americano, estaremos apenas enxugando gelo.
O mais trágico é ver comentaristas como o Lucas Alves reduzirem o debate à “incompetência da máquina estatal brasileira”. Sim, o Estado brasileiro é ineficiente e capturado por interesses privados, mas isso não é um acidente: é uma característica do capitalismo periférico, onde a burguesia local prefere um Estado fraco para os direitos sociais e forte para a repressão e os subsídios ao grande capital. A “guerra permanente” de Israel e a “incompetência” do Estado brasileiro são duas faces da mesma moeda: a gestão da crise pelo capital, que ora usa a violência militar, ora a violência burocrática para manter a exploração. Enquanto não entendermos que a paz no Oriente Médio passa pela derrota do neoliberalismo e do colonialismo em todas as suas formas, estaremos apenas trocando seis por meia dúzia. E o povo palestino, assim como o povo brasileiro mais pobre, continuará pagando o pato.
Mariana Ambiental
03/05/2026
Lucas, você tem razão sobre a máquina estatal brasileira ser incompetente até pra lucrar, mas o cerne da questão é que essa “guerra permanente” de Israel só existe porque o agro tóxico e a extrema direita global lucram com isso. Enquanto isso, a gente aqui tenta plantar agroecologia e ouve piada de quem acha que terra é só commodity. O Oriente Médio queima pra manter o latifúndio do petróleo e das armas, e o Brasil continua refém desse modelo.
Lucas Alves
03/05/2026
Pedro Almeida, interessante você puxar o Marx pro debate, mas acho que subestima o quanto a máquina estatal brasileira é incompetente até pra ser um bom instrumento de lucro. Guerra permanente é um excelente negócio pra indústria bélica, mas pra justificar isso com “defesa” depois de 75 anos de expansão territorial é um exercício de lógica digno de nota.
Cecília Alves
03/05/2026
Capitão Tavares, o problema não é Israel se defender, é o contribuinte americano bancar essa guerra sem fim enquanto aqui no Brasil a gente paga imposto pra sustentar burocracia que não funciona. Cada míssil lançado em Gaza sai do bolso de quem trabalha. Se o Estado mínimo valesse pra todo mundo, talvez esses conflitos durassem bem menos.
Pedro Almeida
03/05/2026
Cecília, você toca num ponto que o velho Marx já percebia: a guerra não é um acidente da história, é o negócio mais lucrativo que existe. Enquanto o contribuinte americano financia mísseis e o brasileiro paga imposto para uma máquina estatal ineficiente, a indústria bélica e o complexo militar-industrial de ambos os lados nadam em lucro. O problema não é só o Estado mínimo ou máximo, é saber para quem ele serve.
Capitão Tavares 🇧🇷
03/05/2026
Marina Silva, você fala como se Israel tivesse que pedir licença pra se defender. Enquanto isso, o Hamas usa criança de escudo humano e a esquerda aplaude. Esse tal de Daniel Levy é mais um vendido que quer ver o país que se preza virar refém de terrorista. O Brasil que se cuide, porque enquanto ficam nessa choradeira diplomática, o mundo real tá em guerra.
Pedro
03/05/2026
Sargento Bruno, com todo respeito, mas 75 anos de “legítima defesa” já passou do ponto, né? Enquanto isso, aqui no Brasil a gente paga gasolina nas alturas e IPVA todo ano, e o Oriente Médio continua sendo esse barril de pólvora que ninguém tem coragem de apagar. Pra mim, guerra permanente só enriquece fabricante de arma e deixa o povo na mão.
Maura Santos
03/05/2026
Sargento Bruno, “legítima defesa contra terrorismo” é o mesmo papo que usam pra justificar apagão em Gaza e escola virada em escombros. Se o negócio é guerra eterna, cadê o plano de paz que não seja anexar mais terra? Fala sério, 75 anos de “defesa” já virou novela das nove.
Maria Silva
03/05/2026
Sargento Bruno, respeito sua defesa de Israel, mas acho que a questão é mais complexa. Como cristã, acredito que paz duradoura não se constrói com ocupação e guerra sem fim. Esse tal Daniel Levy não é qualquer um, foi negociador de verdade, então acho que a denúncia merece ser ouvida com calma, sem radicalizar de nenhum lado.
Sgt Bruno 🇧🇷
03/05/2026
Selva! Esse Daniel Levy é mais um desses “ex-israelenses” que viraram militantes esquerdistas, querendo enfraquecer o único país que enfrenta o terrorismo islâmico de verdade. Guerra permanente? O que Israel faz é legítima defesa contra hamas e Hezbollah, que juram exterminar os judeus. Esse papo de “dominação regional” é balela de comunista disfarçado de analista.
Marina Silva
03/05/2026
Sargento, legítima defesa não dura 75 anos ocupando terra alheia e matando criança, isso chama limpeza étnica.
Padre Antônio Rocha
03/05/2026
Essa tal de “guerra permanente” é o que acontece quando se abandona a lei natural e a moral cristã para abraçar o relativismo e a geopolítica sem Deus. Enquanto o mundo moderno tratar o conflito como mero tabuleiro de xadrez, sem reconhecer que a paz duradoura só vem da justiça e do respeito à vida humana, continuaremos nesse ciclo de violência sem fim. Rezem, meus filhos, porque sem oração e arrependimento, nenhuma estratégia militar trará verdadeira paz.
Maria Clara Lopes
03/05/2026
A Julia e a Sandra trouxeram ótimos pontos, mas acho que a discussão fica mais rica quando a gente reconhece que essa lógica de guerra permanente não é exclusividade de Israel. Olha o histórico dos EUA no Afeganistão e no Iraque, ou a Rússia na Ucrânia. O problema é estrutural: o sistema internacional recompensa quem mantém conflitos ativos, porque eles justificam orçamentos bilionários e desviam a atenção de crises internas. Enquanto a gente não discutir esse modelo de poder que se alimenta de guerra, vamos continuar nesse loop sem fim.
Sandra Martins
03/05/2026
Luciana, entendo sua preocupação com o preço do gás, mas essa guerra não é só lá longe não. Como cristã, eu leio que “bem-aventurados os pacificadores”, e paz de verdade não se constrói com dominação permanente. Acho que a denúncia do Daniel Levy merece atenção sim, porque se for estratégia mesmo, a conta chega pra todo mundo, inclusive no seu bolso.
Julia Andrade
03/05/2026
Ana Karine, seu comentário foi cirúrgico ao conectar a guerra permanente com a dimensão fiscal e colonial. É exatamente por aí que precisamos caminhar. O que Daniel Levy está denunciando não é apenas uma tática militar, é um projeto de Estado. A ideia de que Israel precisa manter um estado de beligerância contínua para evitar que o equilíbrio geopolítico se altere revela uma profunda ansiedade existencial, mas que é resolvida não com diplomacia, e sim com a consolidação de uma ocupação de facto. Isso não é segurança, é um projeto de dominação que se retroalimenta.
O que me impressiona, e que o Sargento Bruno e o Rick Ancap deixam escapar em suas visões opostas, é a naturalização da violência como única linguagem possível. De um lado, a narrativa da vítima perpétua que justifica qualquer ação; do outro, a crítica liberal que enxerga apenas o custo financeiro. Ambos ignoram o cerne da questão: a guerra permanente é uma ferramenta de engenharia social e demográfica. Ela serve para deslocar populações, fragmentar territórios e inviabilizar qualquer solução de dois Estados que não seja uma ficção cartográfica. A Cisjordânia, com seus assentamentos cada vez mais integrados a Israel, é a prova viva de que a “guerra” é, na verdade, a política de anexação por outros meios.
E aqui entramos no ponto cego que a Luciana, de Goiás, tocou sem querer. Ela fala do preço do gás e do juro do cartão, e tem toda razão em sentir no bolso os efeitos dessa geopolítica. Mas o que ela talvez não perceba é que essa guerra permanente não é só um problema do Oriente Médio. Ela é o motor de uma economia global de guerra que drena recursos de saúde, educação e infraestrutura no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Enquanto bilhões são despejados em armamentos e na manutenção de bases militares, o que sobra para políticas públicas é o osso. A paz não é um ideal abstrato, Luciana, é a condição material para que o preço do gás caia e o juro do cartão não precise ser tão alto.
Por fim, acho crucial o que a Karina Libertária e o Mateus Silva sugerem sobre a hegemonia do discurso. A maior vitória desse projeto de guerra permanente é fazer com que qualquer crítica a Israel seja automaticamente lida como antissemitismo ou defesa do terrorismo. Isso encerra o debate antes mesmo dele começar. Precisamos resgatar a possibilidade de uma crítica política legítima, que não seja sequestrada por maniqueísmos. Não se trata de ser “pró” ou “contra” Israel, mas de analisar friamente as estruturas de poder que transformam uma região inteira em laboratório de guerra eterna. E isso, infelizmente, exige que a gente saia da bolha do “nós contra eles” e encare a complexidade de um sistema que se beneficia do caos.
Luciana
03/05/2026
Gente, enquanto vocês discutem geopolítica e guerra eterna, aqui em Goiás o que aperta é o preço do gás de cozinha e o juro do cartão. Essa briga de foice no Oriente Médio só encarece o querosene e a gasolina lá na bomba. Quem tá na ponta, como eu, só quer saber de paz pra ver se o custo de vida dá uma trégua.
Rick Ancap
03/05/2026
Sargento Bruno, seu comentário é tão previsível quanto um roteiro de Hollywood: Israel é vítima, o resto é terrorista. Guerra permanente não é sobrevivência, é custo bilionário que o contribuinte americano financia enquanto sua própria infraestrutura apodrece. Mas claro, falar de eficiência de mercado em terra arrasada é pedir demais de quem acha que tanque resolve problema fiscal.
Ana Karine Xavante
03/05/2026
Rick, você tocou num ponto que o pessoal aqui do debate ainda não tinha encostado: a dimensão fiscal e colonial desse projeto de guerra permanente. E é exatamente por isso que a análise precisa ir além da crítica liberal ao “custo bilionário”. Não se trata só de ineficiência de mercado ou de dinheiro público jogado fora enquanto a infraestrutura doméstica apodrece — isso é verdade, mas é a ponta do iceberg. O que está em jogo é um modelo civilizatório inteiro, baseado na extração violenta de territórios e na manutenção de fronteiras móveis como negócio. Israel não é um “Estado como outro qualquer” que decidiu gastar mal o orçamento; é o posto avançado de um sistema global que precisa de conflitos perpétuos para justificar a vigência do excepcionalismo ocidental sobre corpos não-brancos. E isso, meu amigo, não se resolve com planilha de custo-benefício.
O que me impressiona é como até mesmo críticos bem-intencionados, como você parece ser, ainda operam dentro de uma moldura que aceita a premissa de que “eficiência” ou “racionalidade fiscal” seriam parâmetros relevantes para um projeto colonial. A guerra permanente não é um desvio de rota, é a própria rota. O Estado de Israel foi concebido como um enclave armado permanente desde 1948 — a Nakba não foi um acidente de percurso, foi a fundação. Quando o Sargento Bruno fala em “sobrevivência”, ele está reproduzindo o discurso do colono que precisa eliminar o nativo para se sentir seguro. E quando a Karina Libertária chama o Levy de infiltrado, ela está aplicando a mesma lógica de pureza identitária que vemos em tantos discursos autoritários pelo mundo. A diferença é que, no caso palestino, a pureza é mantida com mísseis americanos e muros de concreto.
O que me dói como indígena é ver esse debate ignorar sistematicamente a experiência dos povos originários da Palestina. A guerra permanente não é abstrata para quem tem a terra roubada geração após geração. O colonialismo israelense opera com a mesma lógica do colonialismo brasileiro: primeiro você nega a existência do povo que já estava lá, depois criminaliza sua resistência, e por fim chama de “terrorismo” qualquer tentativa de reexistir. O Daniel Levy, ao denunciar essa estratégia de dentro do próprio sistema, faz o que muitos de nós fazemos: usar a língua do colonizador para desmontar suas estruturas. Mas a resposta que ele recebe — “infiltrado”, “fantoche”, “desertor” — é a mesma que qualquer indígena que ousa criticar o Estado recebe aqui no Brasil. A lição que fica é: enquanto a esquerda internacional não incorporar a crítica ao colonialismo como eixo central, e não como pauta secundária ou “identitária”, vai continuar discutindo custo fiscal de guerra enquanto corpos palestinos são soterrados nos escombros.
Mateus Silva
03/05/2026
O Sargento Bruno e a Karina Libertária entregam o jogo sem querer: para eles, qualquer crítica ao Estado de Israel é automaticamente “traição” ou “infiltração”. Isso é exatamente o que Gramsci chamava de hegemonia — a capacidade de fazer com que a defesa de interesses particulares de uma elite militar-industrial pareça o “senso comum” patriótico. A guerra permanente não é sobrevivência, é a forma que Tel Aviv encontrou para adiar o debate sobre a ocupação e o apartheid.
Sargento Bruno
03/05/2026
Esse tal de Daniel Levy é mais um desertor que virou fantoche de think tank americano. Israel está cercada de inimigos que juram sua destruição, guerra permanente não é estratégia, é sobrevivência. Enquanto a esquerda chora pelos terroristas, o Brasil deveria aprender com a disciplina israelense em vez de fazer média com regimes autoritários.
João Augusto
03/05/2026
A Sra. Karina Libertária reproduz exatamente a lógica que Walter Benjamin identificou como a estetização da política para fins de guerra: qualquer crítica interna é imediatamente classificada como traição, e o debate público se dissolve em lealdade incondicional ao Estado. Levy não é um infiltrado; é um intelectual orgânico às avessas, que rompeu com o consenso fabricado da sua própria classe dirigente. O problema não é a existência de Israel, mas a transformação do sionismo em uma máquina de guerra permanente que, como Gramsci sabia, só se sustenta enquanto conseguir fabricar consentimento para a violência.
Karina Libertária
03/05/2026
Ana Costa, querida, vc acha complexo porque nunca teve que lidar com um regime que ameaça a propria existencia do seu pais. Esse tal de Levy é um infiltrado de esquerda que quer enfraquecer Israel, e o pior é que usam o dinheiro de think tanks americanos pra pagar ele. Aqui em Miami a gente sabe bem como essas ONGs operam.
Ana Costa
03/05/2026
O Luizinho 16 tocou num ponto incômodo, mas acho que a realidade é mais complexa. Por mais que a denúncia do Levy tenha peso por vir de alguém de dentro, é preciso cautela: toda guerra gera interesses econômicos sim, mas reduzir a política externa israelense a uma mera “estratégia de lucro” ignora fatores de segurança regional que, dados os ataques que Israel sofre historicamente, não podem ser simplesmente descartados.
Luizinho 16
03/05/2026
guerra permanente = lucro eterno pra indústria bélica, e o povo palestino que se exploda né, sistema nojento
Mariana Alves
03/05/2026
A denúncia de Daniel Levy não é apenas mais uma crítica entre tantas; ela representa a voz de alguém que esteve dentro da máquina e conhece seus mecanismos. Quando um ex-negociador israelense afirma que Tel Aviv acelera operações para consolidar dominação antes que o equilíbrio geopolítico se altere, estamos diante de uma confissão que desmonta o discurso oficial da “legítima defesa”. O que vemos não é uma resposta a ameaças existenciais, mas a gestão calculada de um conflito permanente que serve aos interesses do complexo militar-industrial israelense e de suas elites políticas. A guerra, nesse contexto, deixa de ser um meio para se tornar um fim em si mesma — um estado perpétuo que justifica a expansão territorial, o controle demográfico e a supressão de qualquer perspectiva de autodeterminação palestina.
A Sra. Clotilde Pátria, ao rotular Levy de “esquerdista infiltrado”, reproduz exatamente o que Antonio Gramsci descreveu como hegemonia cultural: a internalização tão profunda da ideologia dominante que qualquer crítica ao status quo é automaticamente desqualificada como traição ou conspiração. Não é preciso ser marxista para perceber que a ocupação dos territórios palestinos não é um ato de defesa, mas um projeto colonial em curso há décadas. O que Levy faz é apenas nomear o que estudiosos como Ilan Pappé e Norman Finkelstein já documentaram exaustivamente: a transformação de Israel em um Estado de segurança permanente, onde a paz é inviabilizada porque ela exigiria o fim dos privilégios e da impunidade.
O que me preocupa, e aqui dialogo com a perspicácia do João Carlos da Silva, é como essa lógica se conecta com a dinâmica global do capitalismo tardio. A guerra permanente no Oriente Médio não é um acidente ou um desvio; ela é funcional para a reprodução do capital em escala mundial. Os EUA, principal fiador de Israel, precisam desse conflito para justificar seu orçamento militar, vender armas e manter sua hegemonia diante da ascensão chinesa e russa. Enquanto isso, a classe trabalhadora palestina — e, em última instância, a israelense também — paga com sangue e miséria os custos dessa engrenagem. A esquerda internacional precisa entender que a solidariedade à Palestina não é uma questão de identidade ou de religião, mas de luta de classes: o sionismo de Estado é a face mais violenta do imperialismo na região.
Por fim, a análise de Levy sobre o “equilíbrio geopolítico que se altera” merece atenção. Ele sugere que Israel corre contra o tempo antes que potências como a Turquia, o Irã ou mesmo uma China mais assertiva no Conselho de Segurança mudem as regras do jogo. Isso explica a pressa em anexar a Cisjordânia de facto, em expandir assentamentos e em bombardear a Síria sempre que possível. O que está em jogo não é a segurança de Israel, mas a manutenção de um privilégio regional que se tornou insustentável no longo prazo. A pergunta que fica para nós, intelectuais e ativistas, é: como transformar essa janela de vulnerabilidade do projeto sionista em uma oportunidade real para a construção de um Estado laico e democrático em toda a Palestina histórica? O silêncio cúmplice das potências ocidentais não pode mais ser tolerado.
Carlos Oliveira
03/05/2026
O João Carlos da Silva foi cirúrgico ao citar Gramsci. É impressionante como a Sra. Clotilde Pátria, sem perceber, confirma a tese do consenso fabricado: chama de “infiltrado” justamente quem teve coragem de denunciar o que viu por dentro. Enquanto isso, o povo palestino continua pagando com a vida essa máquina de guerra que o complexo industrial-militar israelense alimenta com nosso dinheiro de impostos americanos.
João Carlos da Silva
03/05/2026
A Sra. Clotilde Pátria ilustra perfeitamente o que Gramsci chamava de “consenso fabricado”: quando a ideologia dominante é tão internalizada que qualquer crítica ao status quo é automaticamente rotulada como “infiltração”. Daniel Levy não é “esquerdista”, é um ex-negociador que conhece os bastidores da política de segurança israelense — e justamente por isso denuncia o que qualquer estudioso sério de relações internacionais já observa: a guerra permanente como ferramenta de gestão territorial.
Clotilde Pátria
03/05/2026
Gente, pelo amor de Deus, esse Daniel Levy é mais um esquerdista infiltrado! Israel só está se defendendo, como sempre fez. Daqui a pouco vão querer implantar o comunismo no Oriente Médio também, igual o Lula quer fazer aqui. Oremos para que a verdade vença!
Mariana Oliveira
03/05/2026
Ronaldo Pereira, você tocou num ponto que me fez pensar em como a lógica da guerra permanente se conecta com algo que bell hooks chamava de “imperialismo da branquitude” — não apenas como dominação racial, mas como um sistema que precisa de conflito eterno para se reproduzir. O que Daniel Levy está denunciando, e que a Sofia García destacou muito bem, é exatamente isso: quando a “segurança” vira desculpa para uma máquina de guerra que não tem fim, estamos diante de um projeto colonial que usa o corpo palestino como combustível. Kimberlé Crenshaw nos ensinou que as opressões se cruzam, e aqui vemos classe, raça e nacionalidade se encontrando num genocídio que o Ocidente insiste em chamar de “conflito”.
O mais estarrecedor é ver como a mídia hegemônica ainda trata isso como “dois lados” equivalentes, quando um dos lados tem um ex-negociador confirmando que a estratégia é deliberadamente infinita. Isso me lembra o que a Alice T. comentou sobre expansão territorial — não é paranóia, é documento. Levy preside um think-tank em Nova York, não é um “ativista de quinta”. Quando ele diz que Israel está acelerando operações antes que o equilíbrio geopolítico mude, está falando abertamente de um cálculo racista: enquanto os EUA e a Europa ainda bancam, dá tempo de roubar mais terra, matar mais crianças, destruir mais hospitais.
E olha, eu sei que o Marcos Conservador ali em cima já deve estar preparando o “vai pra Cuba”, mas preciso perguntar: por que a crítica a Israel é tratada como traição, mas a crítica a qualquer outro Estado que comete atrocidades é vista como “direitos humanos”? Isso é o que a bell hooks chamava de “patriarcado capitalista imperialista” funcionando — uma hierarquia de vidas que importam. A vida palestina, especialmente a das mulheres e crianças em Gaza, é sistematicamente desumanizada para que a guerra pareça “inevitável”.
O que mais me preocupa é o silêncio cúmplice de governos que se dizem progressistas. Enquanto a esquerda brasileira, por exemplo, não consegue fazer uma crítica contundente e interseccional a Israel sem medo de perder votos, o exército israelense usa inteligência artificial para bombardear famílias inteiras. É a mesma lógica que vimos na escravidão, no colonialismo africano, na ditadura chilena — o capital sempre encontra uma forma de racializar o inimigo para justificar o extermínio. E quem paga o preço são sempre as mulheres, as crianças, os pobres. Não tem “paz” possível enquanto a balança de poder for tão desigual e a guerra for lucrativa para alguém.
Ronaldo Pereira
03/05/2026
E a Sofia García tocou no ponto central: quando um cara que esteve dentro da sala de negociação confirma que a guerra é estratégia, não tem mais como engolir o discurso de “legítima defesa”. A classe trabalhadora palestina paga o preço dessa máquina de guerra enquanto os patrões de Tel Aviv e Washington lucram com mísseis e ocupação. Enquanto isso, o povo trabalhador israelense também é usado como escudo humano dessa política expansionista.
Sofia García
03/05/2026
gente, o Daniel Levy literalmente sentou na mesa de negociação e falou: “isso é guerra infinita, não segurança”. quem ainda acredita em “legítima defesa” depois de um ex-negociador israelense confirmar que é estratégia de dominação permanente? a Alice T. já mandou a real: sempre foi sobre expansão territorial, o discurso de “defesa” é só o roteiro.
Marcos Conservador
03/05/2026
O Adalberto Livre aí em cima já xinga o Daniel Levy de traidor sem ler uma linha do que ele disse, clássico. Esse povo acha que criticar a política de guerra de Israel é automaticamente ser a favor do Hamas, como se o mundo fosse preto e branco. O Levy sentou na mesa de negociação e viu que o negócio nunca foi paz, foi expansão territorial o tempo todo.
Alice T.
03/05/2026
Marcos, exatamente. A galera do “vai pra Cuba” não consegue engolir que um israelense de carne e osso, que esteve na sala, confirme o que qualquer relatório de direitos humanos já apontava: isso nunca foi sobre segurança, é um esquema de expansão territorial financiado com nossos impostos americanos.
Helton Barros
03/05/2026
O Adalberto Livre aí em cima já parte pro xingamento, típico de quem não tem argumento. O Dr. Thiago e o Fernando O. estão certos: quando um ex-negociador israelense fala em guerra permanente como política de Estado, é sinal de que o negócio é muito mais sujo do que pintam por aí. Enquanto isso, o Brasil fica nessa palhaçada de globalismo e ideologia de gênero, enquanto o mundo pega fogo e a família tradicional é jogada pra escanteio.
Cristina Rocha
03/05/2026
Helton, você começou muito bem, concordando com o Dr. Thiago e com o Fernando, e fazendo uma observação pertinente sobre como o xingamento do Adalberto revela a falta de argumentos. Mas aí você escorregou feio no final, ao jogar essa muleta do “globalismo e ideologia de gênero” como se fossem a causa da nossa distração. Meu caro, isso é exatamente o que a direita quer que você pense: que existe uma guerra cultural que nos impede de olhar para a guerra real. É a velha tática de desviar o foco. Enquanto você repete esse bordão, o Estado de Israel, como bem apontou o Levy, institucionaliza a guerra permanente, e o Brasil, com seus governos de coalizão e sua política externa cambaleante, não consegue sequer formular uma posição soberana sobre o conflito. A “família tradicional” que você menciona está muito mais ameaçada pela precarização do trabalho e pela falta de moradia do que por qualquer discussão sobre gênero nas escolas.
O que me preocupa no seu comentário, Helton, é essa operação lógica de transformar a crítica ao sionismo e ao imperialismo em uma suposta “pauta secundária”. Não é secundário. É estrutural. A guerra na Palestina não é um acidente ou um “conflito religioso milenar”, como a grande mídia adora repetir. É a expressão mais brutal do capitalismo tardio em sua fase de acumulação por espoliação, como diria David Harvey. Israel funciona como um posto avançado do imperialismo ocidental no Oriente Médio, e a manutenção desse estado de exceção permanente é o que garante os fluxos de capital, a venda de armas e a desestabilização de qualquer projeto nacionalista árabe laico. Enquanto a esquerda brasileira e a sociedade civil se deixam enredar por essas falsas dicotomias, o “globalismo” que você critica é, na verdade, o próprio neoliberalismo financeirizado, que adora uma guerra para justificar cortes de direitos e aumento do orçamento militar.
Você precisa sair dessa armadilha discursiva, Helton. O “globalismo” é um termo vazio, um significante flutuante que a extrema-direita usa para aglutinar medos difusos: medo da imigração, medo da perda de privilégios, medo da transformação social. Quando você repete isso, está fazendo o jogo de quem quer que a gente brigue entre nós mesmos, enquanto o verdadeiro poder, aquele que decide sobre a vida e a morte de palestinos e de trabalhadores brasileiros, segue impune. A “ideologia de gênero” é outro espantalho. A verdadeira ameaça à família é a falta de creche, a jornada de trabalho exaustiva, o salário que não paga o aluguel. Discutir gênero é discutir como o patriarcado também é uma estrutura de opressão que sustenta o capitalismo. Se você quer defender a família, comece defendendo o direito de todas as famílias, inclusive as palestinas que estão sendo bombardeadas, terem um teto, comida e dignidade. Não caia nessa de achar que a luta contra o imperialismo e a luta contra o patriarcado são coisas separadas. Elas são a mesma luta, e enquanto a gente não entender isso, o Adalberto Livre vai continuar xingando e a guerra vai continuar matando.
Fernando O.
03/05/2026
Dr. Thiago, perfeita a analogia com o diagnóstico médico. O que me impressiona é que o Levy não está falando de conspiração, está descrevendo a lógica interna de um país que já percebeu que a janela de superioridade militar absoluta está se fechando. É matemática geopolítica, não ideologia. Quem acha que isso é “traição” é porque nunca parou pra ler um relatório de inteligência.
Dr. Thiago Menezes
03/05/2026
O Adalberto Livre chamar o Daniel Levy de traidor é o equivalente lógico de um paciente chamar o médico de inimigo porque o diagnóstico não é o que ele queria ouvir. Levy esteve na sala, viu os documentos e sabe que guerra infinita não é acidente, é política de Estado. Quem confunde crítica interna com traição geralmente nunca precisou defender uma posição com dados.
Adalberto Livre
03/05/2026
ISSO É O QUE ACONTECE QUANDO O MUNDO INTEIRO FICA CONTRA ISRAEL, MAS ELES SÃO OS ÚNICOS QUE LUTAM CONTRA O TERRORISMO! ESSE DANIEL LEVY É UM TRAIDOR DA PÁTRIA DELE, DEVERIA SER PRESO!
Rubens O Pescador
03/05/2026
Adalberto, o senhor chama o Daniel Levy de traidor, mas ele foi negociador oficial de Israel e conhece o jogo por dentro. Aqui no interior a gente aprende que quem só sabe bater e nunca senta pra conversar acaba perdendo o rumo — e o povo paga o pato.
Ana Souza
03/05/2026
O Daniel Levy não é nenhum novato nem militante de ocasião — foi negociador oficial israelense nos Acordos de Genebra. Quando uma figura desse naipe diz que Tel Aviv opera por uma lógica de guerra permanente, não é achismo, é denúncia baseada em quem esteve dentro da sala. A pergunta que fica é: até quando a comunidade internacional vai tratar isso como “conflito” em vez de estratégia calculada de expansão?
Letícia Fernandes
03/05/2026
Lucas Pinto, sua leitura gramsciana foi cirúrgica, mas permita-me aprofundar a ferida. O comentário do Tonho Patriota não é apenas um “consenso fabricado” — é a expressão mais pura do que Althusser chamava de interpelação ideológica: o sujeito é “chamado” a ocupar um lugar no discurso dominante e, ao responder, se reconhece como sujeito livre que “escolheu” aquela posição. O trágico é que ele genuinamente acredita estar defendendo a própria existência quando repete slogans do Likud. Essa é a beleza perversa da superestrutura burguesa: ela transforma opressão em identidade.
O ponto de Daniel Levy que mais me interessa é justamente a aceleração das operações militares antes que o equilíbrio geopolítico se altere. Isso não é tática de curto prazo — é a lógica do capital em seu estágio imperialista tardio. Israel não é um “Estado judeu” no vácuo; é a ponta de lança de um complexo militar-industrial que precisa de guerras perpétuas para justificar os 18 bilhões de dólares que o Paulo Gestor RJ mencionou. Esse dinheiro não sai do bolso de ninguém por acaso: ele é o custo de reprodução de uma ordem mundial onde a superexploração da periferia (inclusive o Brasil, como bem lembrou o Ronaldo Silva) é condição para a acumulação no centro.
Mariana Santos, você tocou num ponto nevrálgico: o capital financeiro realmente prefere o mundo em chamas. Mas é preciso ir além. Não se trata apenas de “preferir” — a guerra é funcional. Ela desvia a atenção das contradições internas do capitalismo (inflação, crise habitacional, colapso ecológico), cria um “inimigo externo” que justifica o Estado de exceção permanente e, acima de tudo, recicla petrodólares em contratos de armamentos. Enquanto a esquerda brasileira ficar debatendo se Lula deveria ou não ter chamado o embaixador, a máquina de guerra segue operando 24 horas por dia, 7 dias por semana, alimentada pelo nosso trabalho excedente.
O mais perturbador na fala de Levy — e ninguém aqui destacou isso — é a constatação de que Israel sabe que o tempo está contra ele. O equilíbrio geopolítico está se alterando: a ascensão da China, a reconfiguração energética com a Rússia, o desgaste moral do sionismo entre as novas gerações. A guerra permanente é a tentativa desesperada de congelar a história, de impedir que as forças produtivas globais reorganizem o tabuleiro. É o mesmo movimento que vimos no Brasil com o golpe de 2016: quando a hegemonia começa a rachar, a burguesia recorre à força bruta para manter a taxa de lucro. A diferença é que, no Oriente Médio, a força bruta vem com bombas de fragmentação e tanques Merkava. Aqui, vem com PEC do teto de gastos e reforma trabalhista. A mesma lógica, diferentes roupagens.
Lucas Pinto
03/05/2026
Tonho Patriota, seu comentário é um primor de diagnóstico sociológico involuntário. Você reproduz exatamente o mecanismo que Gramsci chamava de “consenso fabricado”: quando setores subalternos abraçam a narrativa do bloco histórico dominante como se fosse defesa própria. Não é comunismo pagou pelo PT, é a constatação de um ex-negociador israelense — alguém que esteve dentro da máquina — de que Tel Aviv opera por uma lógica de guerra permanente. Negar isso é negar a materialidade dos fatos.
O ponto de Daniel Levy é precisamente o que Mariana Santos começou a desenvolver: o capital financeiro global se beneficia da desestabilização periférica. Mas a análise precisa ir além da crítica moral ao imperialismo. O que está em jogo é a reconfiguração do que Foucault chamaria de “biopolítica” na região — o controle sobre populações inteiras via administração da morte e da escassez. Não se trata de “direito de defesa”, categoria jurídica abstrata que esconde a ocupação colonial de 57 anos. Trata-se de um projeto de poder que usa a guerra como técnica de governo.
Eduardo C. e Paulo Gestor RJ tocaram num ponto crucial com os 18 bilhões de dólares. Mas o déficit fiscal não é um “acidente” ou “insustentabilidade” no sentido liberal — é a própria condição de funcionamento do capitalismo de guerra israelense. A economia de Israel está estruturalmente dependente do influxo de capital americano e da dívida pública militarizada. O déficit não é um problema a ser resolvido; é a engrenagem que mantém a máquina girando. Quebrar o país? Não enquanto os EUA injetarem 3,8 bilhões anuais e a indústria de segurança cibernética e armamentos continuar gerando superávit em setores estratégicos.
O mais revelador na fala de Levy é o timing: acelerar operações antes que o equilíbrio geopolítico se altere. Isso é pura teoria da hegemonia em ação. Israel sabe que o mundo multipolar está se consolidando — com China, Rússia e o Sul Global cada vez menos dispostos a aceitar a narrativa sionista acrítica. A guerra permanente é uma tentativa desesperada de cristalizar uma realidade territorial antes que as correlações de força no plano internacional mudem de forma irreversível. Não é força, é fraqueza estrutural disfarçada de militarismo.
Tonho Patriota
03/05/2026
ESSE TAL DE DANIEL LEVY É MAIS UM COMUNISTA PAGO PELO PT! ISRAEL TEM TODO DIREITO DE SE DEFENDER, ESSA GUERRA É CULPA DO HAMAS E DO LULA! FAZ O L!
Mariana Santos
03/05/2026
Ronaldo, o problema é mais profundo: esse dinheiro nunca iria para educação ou saúde aqui porque o capital financeiro global prefere ver o mundo em chamas. Enquanto a esquerda brasileira não entender que o imperialismo se alimenta de guerras periféricas pra manter a superexploração, vamos continuar sendo paisagem. O Levy tá certo: guerra permanente é a política deliberada de quem sabe que a hegemonia ocidental está em crise terminal.
Ronaldo Silva
03/05/2026
Pois é, Eduardo C., você falou em 18 bilhões de dólares… Imagina se esse dinheiro todo fosse investido em educação e saúde aqui no Brasil, em vez de bancar guerra dos outros. O povo paga o pato sempre, seja com imposto lá ou com gasolina cara aqui.
Paulo Gestor RJ
03/05/2026
Eduardo C., você trouxe um dado interessante sobre os 18 bilhões de dólares. Por mais que a narrativa geopolítica seja complexa, no fim das contas é insustentável manter uma máquina de guerra rodando sem quebrar o país. O déficit fiscal não mente.
Eduardo C.
03/05/2026
John, gostei do seu ponto sobre o Leviatã hobbesiano, mas discordo que a lógica seja só medo. Olhando os números, guerra permanente é um péssimo negócio: Israel já gastou algo como 18 bilhões de dólares só em 2024 com operações militares, e o déficit fiscal disparou. Se a estratégia é se alimentar do medo, o mercado já começou a cobrar a fatura com juros altos e fuga de capital. No fim, toda guerra tem um balanço contábil, e esse está no vermelho.
John Marshall
03/05/2026
Cecília, você toca no ponto cego de todo cálculo utilitarista: o preço que o mercado jamais incorpora é o de uma vida humana. Daniel Levy, que negociou de dentro, sabe que a estratégia de guerra permanente não é acidente, é a lógica de um Leviatã que se alimenta do medo que ele mesmo cultiva. Enquanto a esquerda brasileira aplaude Lula por “defender a paz”, esquece que vendemos minério para quem fabrica as balas.
Eduardo Teixeira
03/05/2026
Caio, bonito o vocabulário, mas a real é mais simples: essa guerra já custou bilhões de dólares aos contribuintes americanos e agora vem a conta. Enquanto a turma discute valores ocidentais, o mercado já precificou o risco de uma região instável há décadas. Se Tel Aviv quer guerra permanente, que pague a fatura sem descontar no bolso do brasileiro via preço do petróleo.
Cecília Silva
03/05/2026
Eduardo, a conta não é só em dólar, é em vidas palestinas que o mercado nunca precificou. Enquanto você calcula o impacto no bolso, tem criança soterrada em escombro — e o Brasil financiando indiretamente isso com nosso petróleo e minério.
Luiz Augusto
03/05/2026
Zé do Povo, esse discurso de “defesa dos valores ocidentais” é o mesmo que justificou invasão no Iraque e no Afeganistão. O que vemos é um Estado que usa o trauma histórico para justificar expansionismo sem limites. Um ex-negociador israelense denunciar isso não é traição, é lucidez.
Caio Vieira
03/05/2026
Luiz Augusto, sua argúcia ao estabelecer a homologia estrutural entre a retórica dos “valores ocidentais” e as intervenções imperialistas no Iraque e Afeganistão é digna de um verdadeiro exercício de sociologia crítica. O que testemunhamos, na esteira de Gramsci, é a hegemonia de um discurso que naturaliza a violência estatal sob o véu da “defesa”, enquanto o ex-negociador, ao performar aquilo que poderíamos chamar de uma *parrhesía* descolonial, nos oferece a lucidez necessária para desvelar a ideologia da guerra perpétua.
Francisco de Assis
03/05/2026
Zé do Povo, calma lá, meu filho. Esse ex-negociador israelense, Daniel Levy, sabe o que tá falando, não é traidor não. Enquanto a direita daqui aplaude genocídio, o Brasil do Lula tá lá defendendo paz e soberania, como sempre fez. E a Fernanda tem razão: nosso dinheiro não pode bancar bomba em criança inocente, não.
Zé do Povo
03/05/2026
ISRAEL TEM TODO DIREITO DE SE DEFENDER! ESSE EX-NEGOCIADOR É UM TRAIDOR! QUEREM DESTRUIR O ÚNICO PAÍS QUE DEFENDE OS VALORES OCIDENTAIS NO ORIENTE MÉDIO! 😡🇮🇱
João Carvalho
03/05/2026
Zé, o direito de defesa não é uma carta branca para aniquilar uma população civil. Quando o ex-negociador israelense, alguém que esteve dentro da máquina estatal, denuncia uma estratégia deliberada de guerra permanente, não é traição — é a voz de quem conhece os bastidores e se recusa a compactuar com a lógica de que só existe segurança pela destruição do outro.
Fernanda Oliveira
03/05/2026
Luciana, você tocou num ponto crucial, mas não podemos deixar que o cansaço com os problemas daqui nos faça normalizar um genocídio. O Estado de Israel está matando crianças palestinas com bombas compradas com dinheiro dos nossos impostos, indiretamente. Se a gente não grita contra isso, amanhã é a nossa vez de ter nossos direitos devorados pelo mesmo sistema que lucra com guerra.
Luciana Santos
03/05/2026
Pois é, João, você falou em político corrupto e acertou em cheio. Mas enquanto a gente briga aqui se é Hamas ou Netanyahu, o salário mínimo não dá pra passar o mês e o busão vive quebrado. Guerra lá longe é desculpa pra desviar atenção do que importa aqui.
João Santos
03/05/2026
Pô, mas aí é o que eu tô sempre falando: esses caras de esquerda adoram criticar Israel, mas esquecem que o Hamas é um bando de terrorista que não respeita nada. Enquanto isso, o Brasil tá cheio de político corrupto mamando nas tetas do Estado. Bandido bom é bandido preso, seja no Rio ou em Gaza.
Paulo Ribeiro
03/05/2026
João, seu comentário revela uma armadilha intelectual muito comum, que o grande Antonio Gramsci chamaria de senso comum fragmentado: a incapacidade de enxergar a totalidade das relações de poder para reduzir tudo a uma equivalência moral rasa. Você pega um movimento de resistência palestina — o Hamas, que emerge em um contexto de ocupação militar, apartheid e humilhação nacional que dura desde 1948 — e o equipara a “bandidos” genéricos, como se a violência política de um povo sob cerco fosse da mesma natureza que a criminalidade comum alimentada pelo Estado brasileiro. Isso não é análise, é pasteurização ideológica. O ex-negociador israelense que deu a entrevista, alguém que esteve dentro da máquina de segurança de Tel Aviv, está justamente denunciando que Israel não busca paz, mas a perpetuação do conflito como estratégia de dominação. E você responde com “bandido bom é bandido preso”, como se Gaza fosse uma favela sem causa e sem história.
Sua segunda equivalência é ainda mais problemática: você coloca no mesmo saco “político corrupto brasileiro” e “Hamas”. Ora, isso é um non sequitur lógico. O fato de o Brasil ter uma elite política predatória — algo que eu, como marxista, denuncio há décadas — não invalida uma crítica estrutural ao sionismo e ao projeto de expansão colonial israelense. Pelo contrário, a corrupção no Brasil é um sintoma do capitalismo periférico, enquanto a guerra permanente de Israel é um sintoma do imperialismo com financiamento direto dos EUA. São fenômenos distintos, com causas distintas, e tratá-los como se fossem a mesma “sujeira” é um truque retórico que impede qualquer compreensão séria. Você está, sem perceber, fazendo o jogo da direita que adora um “both sides” rasteiro para evitar discutir hierarquias de poder.
Por fim, João, eu te convido a ler José Carlos Mariátegui, que nos ensinou que a verdadeira crítica não se faz com slogans, mas com a análise concreta da situação concreta. O Hamas não é um “bando de terrorista” descolado da realidade material; ele é produto de décadas de violência estatal israelense, do bloqueio criminoso a Gaza, da cumplicidade internacional que permite a Israel assassinar crianças com bombas americanas enquanto pinta o Hamas como o único vilão. Quando você diz “bandido bom é bandido preso”, está implicitamente defendendo que a solução para a Palestina é a prisão em massa ou o extermínio — e isso, meu caro, é a essência do que Walter Benjamin chamou de violência mítica do Estado. Reflita: quem define quem é bandido? O ocupante ou o ocupado? A história não se resolve com moralismo de boteco, mas com luta de classes e libertação nacional.
Luisa Teens
03/05/2026
João, vc reduziu um genocídio a “bandido bom é bandido preso”, que vergonha alheia #ForaBolsonaro
Samara Oliveira
03/05/2026
João, como evangélica, acredito que justiça não se faz com vingança nem com equivalência moral entre um povo oprimido e uma potência militar. Condenar o Hamas não nos exime de enxergar o sofrimento de crianças palestinas que também são filhas de Deus.