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Lula destina R$ 909 milhões à agricultura familiar e acelera reforma agrária

73 Comentários🗣️🔥 Leite sendo despejado em um balde metálico com vacas ao fundo. (Foto: metropoles.com) O governo federal lançou um pacote de R$ 909 milhões para reforçar a cadeia do leite, fortalecer cooperativas e ampliar a política de reforma agrária. A iniciativa foi apresentada em cerimônia na cidade paulista de Andradina, conduzida pelo vice-presidente Geraldo […]

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Leite sendo despejado em um balde metálico com vacas ao fundo. (Foto: metropoles.com)

O governo federal lançou um pacote de R$ 909 milhões para reforçar a cadeia do leite, fortalecer cooperativas e ampliar a política de reforma agrária. A iniciativa foi apresentada em cerimônia na cidade paulista de Andradina, conduzida pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, com participação remota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Do total, R$ 450 milhões vão para o Pronaf Mais Leite, instrumento que aposta em biotecnologia para disseminar embriões de alta qualidade genética nos rebanhos da agricultura familiar. Outros R$ 150 milhões em crédito do Pronaf destinam-se a cooperativas que queiram aperfeiçoar o beneficiamento, a industrialização e a comercialização de laticínios.

Para impulsionar a verticalização, o governo reservou R$ 15 milhões à Coapar, cooperativa da região noroeste paulista, que erguerá uma fábrica de leite em pó. O pacote inclui ainda R$ 28,5 milhões para assistência técnica e extensão rural, levando conhecimento de manejo, genética e gestão aos produtores de menor escala.

Para equilibrar oferta e preço ao consumidor, R$ 100 milhões chegam ao Programa de Aquisição de Alimentos, destinados à compra estratégica de leite em pó. Na frente fundiária, R$ 10,4 milhões serão aplicados na desapropriação de novas áreas, viabilizando assentamentos e concretizando o direito constitucional à terra produtiva.

O Incra contará com R$ 155 milhões em linhas de crédito para famílias já assentadas, voltados a infraestrutura, habitação e projetos produtivos. Segundo o Metrópoles, o programa mira pequenas propriedades, responsáveis por grande parte do leite in natura que abastece creches, merendas escolares e mercados municipais.

A aposta em melhoramento genético deve elevar a produtividade por vaca e reduzir custos de produção. Espera-se também que a nova planta de leite em pó no noroeste paulista diminua a dependência de importações e ofereça ao mercado interno um produto com maior valor agregado.

A ampliação dos assentamentos e o crédito para famílias já instaladas atendem à meta de ofertar terra, habitação digna e renda. Esses pilares mantêm as pessoas no campo e aliviam pressões migratórias sobre os centros urbanos.

Com recursos que atravessam financiamento, assistência e compra pública, o pacote reposiciona o Estado como indutor do desenvolvimento rural. O governo coloca a agricultura familiar no centro da segurança alimentar do país.


Leia também: Lula participa de ato do MST para construção de fábrica de leite em pó no interior paulista


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Carlos Rocha

03/05/2026

Quase 1 bilhão de reais para agricultura familiar, enquanto o Brasil inteiro paga a conta. Mais cooperativas e reforma agrária que nunca geram produtividade de verdade, só dependência de subsídio. Enquanto isso, o agro de verdade sustenta o PIB e leva calote de imposto.

Mariana Santos

03/05/2026

Marta, sua experiência de sala de aula em Minas é o tipo de testemunho que falta nesse debate. A Maria Antonia e outros com esse discurso de “produtividade” como desculpa pra concentração fundiária deveriam passar um dia numa comunidade rural de verdade, vendo como o pequeno produtor sustenta a mesa do brasileiro enquanto o agronegócio exporta lucro e deixa passivo ambiental. R$ 909 milhões é pouco perto do que o Estado sempre destinou em subsídios fiscais pra soja e boi, mas já é um respiro numa política agrária que foi desmontada nos últimos seis anos.

Marta

03/05/2026

Minha gente, vou contar uma coisa pra vocês: eu comecei a dar aula em 1982, numa escolinha rural no interior de Minas, e vi com meus próprios olhos o que a agricultura familiar significa. A Maria Antonia ali em cima, com todo respeito, deve ter passado a vida toda vendo novela e achando que leite vem do supermercado. Setenta por cento da comida que chega na mesa do trabalhador brasileiro sai das mãos do pequeno produtor, e isso não é conversa de político, é dado do IBGE. Quando o governo Lula destina 909 milhões para fortalecer a cadeia do leite e a reforma agrária, não está “comprando voto” — está corrigindo um déficit histórico que começou lá atrás, com a modernização conservadora dos anos 70, que jogou o homem do campo pra periferia das cidades.

O João Carlos da Silva foi cirúrgico quando lembrou que a terra tem função social, e não pode ser tratada como mercadoria. Eu dou aula de história há quarenta anos e explico pros meus alunos — e olha que agora dou explicação até em blog — que o latifúndio sempre foi sinônimo de concentração de renda e de poder político neste país. Enquanto o agronegócio exportador recebeu 475 bilhões em subsídios e ninguém chamou de “cabide de emprego”, o pequeno produtor, que alimenta a população de verdade, recebe uma fração disso e já aparece um monte de menino mal-educado falando em “curral eleitoral”. É dose.

O que me preocupa, e eu digo isso como professora aposentada que viu o Brasil mudar — pra melhor e pra pior —, é que esse tipo de comentário raso esconde uma visão de país que privilegia o grande em detrimento do pequeno. A reforma agrária não é esmola, é reparação. E fortalecer cooperativas de leite não é populismo, é política pública que mantém o homem no campo com dignidade. Quem acha que 909 milhões é muito dinheiro “perdido” devia olhar quanto o governo gasta com juros da dívida pública para bancar rentista. Aí sim a gente pode conversar sobre dinheiro jogado fora.

No mais, fica aqui meu abraço pro João Augusto e pro Mateus Silva, que trouxeram dados e memória histórica pra discussão. Continuem assim que o Brasil ainda tem jeito, enquanto tiver gente que pensa e não repete fake news como papagaio de político picareta. E pra Maria Antonia, um conselho de mãe e professora: abre um livro de história agrária antes de comentar, minha filha. Educação nunca é demais.

João Carlos da Silva

03/05/2026

João Augusto já apontou o essencial: o problema não é o volume de recursos, mas a ausência histórica de uma política agrária que trate a terra como função social, e não como mercadoria. Enquanto o debate público se apega a dicotomias rasteiras entre “produtividade” e “assistencialismo”, esquece-se que a reforma agrária, nos termos que Paulo Freire defendia, é um ato pedagógico de emancipação. O desafio real é saber se esses 909 milhões virão acompanhados de assistência técnica, crédito e educação do campo, ou se serão apenas mais uma injeção paliativa em um modelo que concentra terra e poder.

João Augusto

03/05/2026

É sintomático que os comentários ignorem o dado estrutural: os R$ 909 milhões não são “esmola” nem “compra de voto”, mas uma tentativa tardia de corrigir o desequilíbrio histórico imposto pelo complexo agroexportador, que desde a década de 1970, com os subsídios do II PND, concentra terra e capital. A agricultura familiar, como lembrou o Renato, sustenta a segurança alimentar do país — e sem reforma agrária, o campo brasileiro continuará reproduzindo a lógica do latifúndio que Gramsci já denunciava como “hegemonia sem direção”.

Maria Antonia

03/05/2026

909 milhões de dinheiro público que o governo não tem, tirado do contribuinte que trabalha, para manter uma base eleitoral que nunca vai gerar produtividade de verdade. Reforma agrária virou cabide de emprego e curral eleitoral há décadas. Enquanto isso, quem empreende de verdade paga imposto e não vê retorno em infraestrutura básica.

    Mateus Silva

    03/05/2026

    Maria Antonia, sua tese de que o pequeno produtor “nunca vai gerar produtividade de verdade” colide com os dados do Censo Agropecuário: a agricultura familiar produz 70% do feijão, 87% da mandioca e 60% do leite que consomem os mesmos contribuintes que você diz defender. O problema não é a falta de produtividade do pequeno, é a distribuição assimétrica do crédito e da terra que há 500 anos financia o latifúndio com dinheiro público enquanto criminaliza quem ousa pedir um pedaço de chão para trabalhar.

Adriana Silva

03/05/2026

909 milhão pra comprar voto de sem-terra, faz o L e vai tudo pra Cuba!

    Renato Professor

    03/05/2026

    Adriana, lamento informar que sua tese conspiratória ignora o fato de que a agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, segundo dados do IBGE. Se comprar voto fosse tão simples, o agronegócio exportador, que recebeu R$ 475 bilhões em subsídios, já teria elegido um rei vitalício. Sugiro menos Cuba e mais leitura de estatística agropecuária.

Luizinho 16

03/05/2026

909 milhões pros pequenos enquanto o agro empresarial engole 475 bilhões? Isso não é apoio, é esmola pra calar a boca de quem luta por terra. Reforma agrária de verdade era desapropriar latifúndio, não migalha de leite.

Fernando O.

03/05/2026

Beto, concordo que infraestrutura é um gargalo real, mas R$ 909 milhões para cooperativas e reforma agrária não é migalha se bem executado. O problema histórico é que o Brasil sempre priorizou estrada pra escoar soja e deixou o leiteiro se virar no barro. Vamos ver se dessa vez o dinheiro chega no produtor ou fica pelo caminho.

Beto Engenheiro

03/05/2026

909 milhões em programa social? Legal, mas cadê a contrapartida em obra? Estrada vicinal esburacada não escoa leite nem se o governo der milhão. Enquanto não tiver asfalto e ponte de verdade, é dinheiro jogado fora.

Samara Oliveira

03/05/2026

Apoiar a agricultura familiar é um mandamento bíblico de justiça social, garantir que o pequeno produtor tenha dignidade e sustento. Enquanto o agronegócio exportador engorda uns poucos, a reforma agrária e o incentivo ao leite alimentam quem mais precisa. Que Deus abençoe essas mãos que tiram o pão da terra.

Carlos Mendes

03/05/2026

João Martins acertou em cheio: 909 milhões é troco de pão perto dos 475 bilhões do Plano Safra do agronegócio. Mas enquanto o dinheiro do agro empresarial rende juros e divisas, esse “pacote” da agricultura familiar vai virar cabide de emprego e curral eleitoral no interior. Se fosse gestão privada, o produtor rural de verdade teria crédito sem padrinho político.

    Jeferson da Silva

    03/05/2026

    Carlos, gestão privada na agricultura é o que já temos: o grande produtor pega crédito farto do Plano Safra enquanto o pequeno se vira com migalhas e ainda paga juro de agiota. Esse papo de “padrinho político” é cortina de fumaça pra esconder que o dinheiro público sempre foi concentrado nas mãos de meia dúzia de fazendeiros que exportam soja e deixam o povo comendo carne a 40 reais.

João Martins

03/05/2026

Adalberto, respira fundo antes de explodir o teclado. Novecentos milhões é muito dinheiro, sim, mas vamos colocar em perspectiva: o orçamento do Plano Safra do agronegócio empresarial para 2024/2025 foi de R$ 475 bilhões. Quer dizer, o que estão destinando pra agricultura familiar é 0,19% disso. Se for pra reclamar de gasto público, o problema não são os R$ 909 milhões para quem produz comida de verdade, são os subsídios bilionários pra commodity que vai virar ração na China enquanto a gente paga carne a preço de ouro.

Dito isso, a Silvia e a Sandra tocam num ponto crucial: execução e fiscalização. O histórico de programas como o PAA e o Pronaf mostra que o gargalo nunca foi a intenção, mas a capilaridade real do dinheiro. Dados do TCU indicam que uma parcela significativa dos recursos da reforma agrária acaba travada em burocracia fundiária ou desviada por intermediários. Se esse pacote for só mais um anúncio de palanque sem mecanismos de rastreamento digital e pagamento direto ao produtor, vira o que o Pedro temeu: dinheiro que não chega na ponta.

O que me deixaria menos cético seria ver, por exemplo, a vinculação desses recursos a metas de produtividade e regularização ambiental. O Diego tem razão ao lembrar que a agricultura familiar responde por 70% dos alimentos que vão pra mesa do brasileiro, segundo o IBGE. Mas ela também enfrenta desafios enormes de logística e assistência técnica. Se os R$ 909 milhões forem usados pra conectar pequenos produtores a laticínios com certificação e a mercados institucionais (merenda escolar, por exemplo), aí sim a coisa pode gerar um ciclo virtuoso. Do contrário, é só mais um capítulo na novela dos anúncios que a gente esquece no ano seguinte.

Diego Fernández

03/05/2026

Adalberto, para de repetir esse papo de “amigos do PT” como se fosse verdade absoluta. O agro brasileiro que mais produz comida de verdade é familiar, não é o latifúndio exportador de soja que você defende. Esses 909 milhões são migalha perto do que o agronegócio recebe em isenção fiscal todo ano. Se você acha leite caro, vai reclamar do câmbio desvalorizado e dos juros altos que o Banco Central mantém, não de política pública que tenta segurar o preço na ponta.

Adalberto Livre

03/05/2026

MAIS 900 MILHÃO PROS AMIGOS DO PT ENQUANTO O BRASILEIRO PAGA 40 REAIS NUM KG DE CARNE E O LEITE TÁ MAIS CARO QUE GASOLINA ESSA GENTE NÃO TEM VERGONHA NA CARA

Sandra Martins

03/05/2026

Apoiar a agricultura familiar é um mandamento bíblico de cuidado com a terra e com o próximo, mas acho que a Silvia tem razão: sem fiscalização séria, vira esmola eleitoreira. Que Deus ilumine para que esse dinheiro realmente chegue a quem produz com suor, e não aos espertos de sempre.

Silvia D.

03/05/2026

O Zé do Povo já veio com o discurso pronto, como sempre. Agricultura familiar não é “vagabundagem”, é produção de comida de verdade, que chega na mesa de quem mais precisa. Esse dinheiro, se bem fiscalizado, fortalece a segurança alimentar do país e ainda reduz a pressão sobre o SUS, porque gente bem alimentada adoece menos. Agora, o Lucas tem um ponto: a responsabilidade fiscal precisa andar junto, senão a conta estoura e quem paga é o povo.

Pedro

03/05/2026

R$ 909 milhões é dinheiro pra caramba, viu. Tomara que chegue na ponta mesmo, porque na agricultura familiar o povo rala igual eu no volante. Agora, se for pra virar mais taxa no meu bolso, aí não dá.

Carmem Souza

03/05/2026

É um valor significativo, e acho que o debate precisa ir além do “gastou demais” ou “roubo”. Se bem aplicado, com transparência e assistência técnica de verdade, pode fortalecer quem realmente produz comida no dia a dia. O que não dá é para demonizar a agricultura familiar como se ela fosse inimiga do agro, quando na verdade os dois podem se complementar.

Lucas Moreira

03/05/2026

R$ 909 milhões. Enquanto isso, o Brasil tem um déficit nas contas públicas que já passa de R$ 200 bilhões e o Banco Central precisa manter juros lá em cima exatamente por causa desse tipo de gasto. Agricultura familiar tem seu valor, mas subsidiar ineficiência com dinheiro de quem paga imposto é o mesmo que jogar gasolina no fogo da inflação. Reforma agrária no Brasil sempre foi sinônimo de baixa produtividade e curral eleitoral.

Carlos A. Mendes

03/05/2026

Zé do Povo, calma lá. Ninguém quer destruir o agro, mas a agricultura familiar também produz e emprega muita gente. O problema é que a gente nunca sabe direito se esse dinheiro vai chegar na ponta ou ficar pelo caminho. Seria bom se tivesse um controle mais rigoroso, independente de partido.

Zé do Povo

03/05/2026

MAIS UM ROUBO LEGALIZADO!!! 😡😡😡 900 MILHÕES DO NOSSO DINHEIRO PRA ENCHER BARRIGA DE VAGABUNDO!!! QUEREM DESTRUIR O AGRONEGÓCIO QUE ALIMENTA O BRASIL!!! VOLTA BOLSONARO!!!

Tiago Mendes

03/05/2026

Pessoal, acho interessante como alguns comentários aqui tratam a agricultura familiar como se fosse um peso morto, quando na verdade ela é responsável por boa parte dos alimentos que chegam à nossa mesa todo santo dia. A reforma agrária, quando feita com assistência técnica e crédito, não é esmola — é justiça social e segurança alimentar. E, sinceramente, comparar o investimento em cooperativas com “cabide eleitoral” é ignorar que o agronegócio exportador também vive de subsídio e renúncia fiscal.

Carlos Meirelles

03/05/2026

Quase 1 bilhão de reais que poderia estar desonerando a folha de pagamento de quem realmente emprega, simplificando o Simples Nacional ou devolvendo imposto para o contribuinte. Em vez disso, vira mais um cabide de clientela eleitoral. Reforma agrária no Brasil sempre foi sinônimo de terra parada e subsídio que não gera produtividade de verdade.

    Caio Vieira

    03/05/2026

    Caro Carlos Meirelles, sua leitura, embora coerente com uma certa ortodoxia fiscalista, incorre no que Gramsci denominava “economismo vulgar”: reduzir a política agrícola a uma equação contábil, ignorando a função hegemônica da reforma agrária como instrumento de desconcentração do poder fundiário e de produção de soberania alimentar. O que o senhor chama de “terra parada” é, na verdade, o resultado de décadas de um modelo agroexportador que, ao privilegiar o latifúndio monocultor, transformou o campesinato em mão de obra sobrante — e não o contrário.

João Carvalho

03/05/2026

Pois é, Ricardo Menezes, você falou a real. Quase um bilhão de reais do suor do povo pra bancar esse pessoal que só sabe encostar no Estado. Enquanto isso, o cara que trabalha igual um condenado, que nem eu aqui no volante, vê o dinheiro sumir em taxa e imposto. Esse governo não aprendeu nada, é só gastança pra comprar voto de quem não quer trabalhar.

    Márcio Torres

    03/05/2026

    João, entendo sua frustração com a carga tributária — e compartilho dela, especialmente quando vejo o trabalhador urbano, como você no volante, arcando com impostos indiretos que corroem o salário. Mas é preciso separar duas coisas que você está misturando: o mérito da política pública e o problema estrutural do sistema tributário brasileiro.

    R$ 909 milhões para agricultura familiar e reforma agrária não é “gastança para comprar voto de quem não quer trabalhar”. É, na verdade, um investimento que retorna economicamente. Estudos do próprio IBGE e da Embrapa mostram que a agricultura familiar produz 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro — feijão, mandioca, leite, hortaliças. Sem esses pequenos produtores, o preço do seu arroz e do seu pão de cada dia dispararia ainda mais. O agronegócio exportador, que você menciona como “gerador de emprego de verdade”, é altamente mecanizado: gera muito menos emprego por hectare do que a agricultura familiar. Cada real investido em reforma agrária e assistência técnica tem retorno em segurança alimentar e fixação do homem no campo, evitando que mais gente migre para as periferias das grandes cidades em busca de subemprego.

    Agora, sobre a desoneração da folha que você defende: concordo que a burocracia e a carga tributária sufocam o pequeno e médio empresário. Mas o erro não está em financiar a agricultura familiar — está em não taxar adequadamente o grande capital, em não simplificar o sistema de impostos. O Brasil tributa consumo como se fosse país pobre e tributa renda como se fosse país rico: o pobre paga proporcionalmente mais. Se o governo destinasse esses R$ 909 milhões para desonerar a folha de pagamento das empresas, você teria razão em comemorar? Talvez. Mas não é uma escolha binária. O que falta é planejamento de longo prazo e, acima de tudo, transparência na execução — aí sim, João, você toca num ponto que une todos nós, independentemente de ideologia: o dinheiro público precisa ser rastreado e cobrado. Se a reforma agrária for mal executada, critique a má gestão, não o conceito. Se o dinheiro sumir em cooperativas fantasmas, denuncie. Mas não confunda incompetência administrativa com a necessidade legítima de apoiar quem produz comida de verdade, muitas vezes sem acesso a crédito ou assistência técnica.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Quase 1 bilhão de reais do meu imposto pra bancar cooperativa sindicalista e reforma agrária que nunca deu certo em lugar nenhum do mundo. Enquanto isso, empresário que gera emprego de verdade afoga em burocracia e carga tributária. Esse dinheiro todo era pra ter ido em desoneração e crédito rural de verdade, não em cabide de emprego do MST.

João Batista Alves

03/05/2026

Pois é, Ana Karine, mas o cerne da questão é que esse dinheiro todo podia vir acompanhado de um incentivo moral, não só material. O que adianta encher o bolso de cooperativa se a família tá se desestruturando, os valores se perdendo? Cadê o apoio à igreja, à comunidade de fé que segura o homem do campo?

Ana Karine Xavante

03/05/2026

Pessoal, lendo os comentários de vocês, fico pensando em como a gente repete o mesmo debate sem tocar no cerne da questão. R$ 909 milhões é um montante significativo, sim, e claro que a execução é o calcanhar de Aquiles de qualquer política pública no Brasil. Mas o que me incomoda nessa notícia é o silêncio absoluto sobre o modelo de produção que esse dinheiro vai financiar. A cadeia do leite, as cooperativas, a reforma agrária – tudo isso está sendo pensado dentro de um paradigma agropecuário que é, na minha visão, insustentável. Onde está o debate sobre agroecologia, sobre soberania alimentar, sobre o fim dos agrotóxicos? Enquanto a gente comemorar pacotes que reforçam o mesmo sistema que envenena a terra e expulsa os povos do campo, a reforma agrária vira só uma maquiagem para o agronegócio.

O Marcos, de Niterói, tocou num ponto sensível ao lembrar das isenções fiscais para o agro de exportação. É exatamente isso: o Estado brasileiro sempre teve dinheiro para o grande latifúndio, seja via crédito subsidiado, seja via perdão de dívidas bilionárias. Agora, anunciar menos de 1 bilhão para a agricultura familiar – que é responsável por 70% dos alimentos que vão para a mesa do brasileiro – é quase uma esmola diante do que o setor realmente precisa. E mais: cadê a demarcação de terras indígenas e quilombolas nessa história? Reforma agrária sem garantir o território dos povos originários é um projeto colonialista travestido de política progressista. A gente precisa parar de achar que distribuir terra dentro da lógica do agronegócio resolve alguma coisa.

E olha, não estou dizendo que o dinheiro não é bem-vindo. Claro que é. Mas a pergunta que fica é: quem vai definir o que é “fortalecer cooperativas”? Vai ser o mesmo pessoal do Ministério da Agricultura que sempre privilegiou a commodity em detrimento da diversidade produtiva? Porque, na prática, a agricultura familiar que a gente vê sendo “fortalecida” por aí é aquela que vira fornecedora de matéria-prima para a indústria de laticínios, que por sua vez explora o produtor com preços aviltantes. Enquanto não houver um plano sério de comercialização direta, de feiras, de circuitos curtos de consumo, esse dinheiro vai parar no bolso dos mesmos atravessadores de sempre.

No mais, acho que a gente precisa radicalizar o debate. Não adianta ficar nessa lenga-lenga de “tomara que chegue na ponta” sem questionar o que é essa ponta. A ponta, para mim, são as mulheres camponesas, os jovens indígenas, as comunidades tradicionais que praticam uma agricultura que não depende de veneno e que respeita o ciclo da natureza. Se esse pacote não vier acompanhado de políticas de assistência técnica agroecológica, de crédito para sementes crioulas e de proteção contra o avanço do agronegócio sobre os territórios, então é só mais um paliativo. E paliativo em tempos de emergência climática é crime.

Marcos Andrade Niterói

03/05/2026

Pois é, José, você tocou no ponto certo: na prática, a gente vê o descaso com o pequeno produtor enquanto o agro de exportação engorda com isenção fiscal. Aqui em Niterói a gente sabe o que é gestão que funciona — o Rodrigo Neves mostrou que planejamento e transparência transformam a cidade. Tomara que esse dinheiro do Lula chegue na ponta com o mesmo cuidado.

José dos Santos

03/05/2026

Pois é, João Carlos, você falou bem: na ponta é que a coisa aperta. Pra nós que rodamos o dia inteiro no trânsito, ver esse dinheiro todo anunciado dá uma ponta de esperança, mas a real é que a gente cansa de promessa que não vira pão na mesa do trabalhador. Se chegar direitinho no produtor que tá na lida, beleza, mas o histórico não ajuda a confiar muito não.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pois é, R$ 909 milhões é um baita dinheiro, mas a Miriam e a Renata falaram bem: a gente precisa ver esse recurso chegando na ponta, no pequeno produtor que tá lá na lida todo dia. Se for bem administrado e com transparência, pode ajudar muita gente que vive do leite e da roça. Tomara que não vire só promessa de campanha.

Renata Oliveira

03/05/2026

É um dinheiro considerável, mas a Miriam e a Ana Souza têm razão: sem um plano claro de execução e prestação de contas, vira só promessa. Tomara que esse recurso chegue de fato às famílias que precisam e ajude a fortalecer a agricultura familiar, que é a base da nossa segurança alimentar.

Miriam

03/05/2026

R$ 909 milhões é dinheiro pra caramba, mas a pergunta que fica é: cadê o plano de execução? Enquanto não tiver metas claras e prestação de contas periódica, isso aí vai virar mais um número bonito no papel e a ponta continua na mão. Se for bem gerido, ótimo, mas o histórico não anima muito.

Cíntia Ribeiro

03/05/2026

Ana Souza e Maria Silva, vocês trouxeram o ponto nevrálgico: sem transparência na execução e mecanismos de controle social, um anúncio desse porte corre o risco de virar mais um capítulo no hiato entre o planejado e o realizado. A cadeia do leite precisa de política anticíclica e regularização fundiária com critérios técnicos, não de fogos de artifício eleitorais.

Padre Antônio Rocha

03/05/2026

R$ 909 milhões para agricultura familiar e reforma agrária? Enquanto isso, o Brasil vira as costas para a família tradicional e para o trabalho honesto no campo. Esse dinheiro vai parar nas mãos de movimentos que pregam a desordem e a ocupação ilegal, não no sustento de quem realmente produz com fé e suor. Cadê o incentivo ao pequeno produtor que respeita a propriedade privada e a lei de Deus?

Maria Silva

03/05/2026

Ana Souza tocou num ponto crucial: a diferença entre anúncio e execução. R$ 909 milhões é dinheiro que faz falta, mas a gente precisa de transparência pra saber se vai chegar na ponta ou se vai se perder em burocracia. Tomara que dê certo, porque o pequeno produtor merece esse apoio.

Ana Souza

03/05/2026

R$ 909 milhões é um valor expressivo, mas o que realmente interessa é a execução orçamentária. Vamos ver quanto disso de fato chega na ponta e em que prazo. A cadeia do leite precisa de ações estruturais, não apenas de anúncios pontuais.

Luciana Santos

03/05/2026

Ana, você falou tudo. 900 milhões é um absurdo de dinheiro, mas a real é que a gente precisa ver esse recurso virar comida na mesa e terra na mão de quem produz, não virar cortesia pra cooperativa de amigo de político. Enquanto isso, a conta de luz e o leite no mercado só sobem, e a gente aqui no trânsito de Salvador vendo promessa voar.

Ana Rodrigues

03/05/2026

Pô, 900 milhões é grana pra caramba, mas se chegar no bolso do pequeno produtor que nem eu, que tô na luta todo dia, já ajuda. Agora, reforma agrária na prática tem que andar rápido, senão vira só promessa de campanha e a gente continua enrolando no trânsito pra pagar conta.

Francisco de Assis

03/05/2026

Paulo, cê tá viajando na maionese, meu chapa. Esse dinheiro vai justamente pro pequeno produtor que sustenta a mesa do povo brasileiro, não pra latifúndio que só exporta e deixa o trabalhador na mão. O MST é movimento social legítimo, e reforma agrária é questão de justiça, não de esmola. Quem é alienado da cabeça é quem acha que o agro familiar não precisa de apoio do Estado.

Mariana Oliveira

03/05/2026

É interessante ver como esse anúncio de R$ 909 milhões para a agricultura familiar e reforma agrária já está gerando reações tão polarizadas. Paulo Rocha, por exemplo, repete um discurso que confunde investimento público com “esmola”, como se o Estado não tivesse o dever histórico de reparar a concentração fundiária violenta que marca a formação do Brasil. A agricultura familiar, como bell hooks destaca em seus escritos sobre comunidades rurais e resistência, não é um favor governamental — é a base material da soberania alimentar. Kimberlé Crenshaw nos ensina que políticas públicas precisam ser analisadas a partir dos eixos de opressão: aqui, estamos falando de trabalhadores rurais que acumulam desigualdades de classe, raça e gênero, e que há décadas são invisibilizados pelo agronegócio exportador.

O que me chama atenção é a forma como alguns comentaristas tratam a reforma agrária como sinônimo de “invasão” ou “curral eleitoral”, ignorando os dados do IBGE que mostram que 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros vêm justamente da agricultura familiar. Não é coincidência que os maiores beneficiários desse pacote sejam cooperativas de pequenos produtores, muitos deles negros e mulheres, que historicamente foram expulsos de suas terras pelo latifúndio monocultor. Quando o governo direciona recursos para fortalecer a cadeia do leite e a reforma agrária, está atacando diretamente a estrutura racista e classista que mantém o Brasil como um dos países mais desiguais do mundo, conforme bell hooks argumenta sobre a necessidade de políticas que rompam com a lógica colonial.

Letícia Fernandes já apontou muito bem a hipocrisia de chamar de “parasita” quem luta por terra, enquanto o latifúndio improdutivo, que recebe subsídios e isenções fiscais há séculos, é tratado como “empreendedor”. É a mesma lógica que criminaliza a pobreza e naturaliza a riqueza concentrada. O que me incomoda é que esse debate raramente considera as mulheres rurais, que são as mais atingidas pela falta de acesso à terra e ao crédito. Uma política de reforma agrária que não seja interseccional corre o risco de reproduzir as mesmas hierarquias de gênero dentro dos assentamentos. Espero que esses R$ 909 milhões venham acompanhados de recortes específicos para mulheres chefes de família e comunidades quilombolas.

No fim das contas, o que está em jogo é um projeto de país: ou continuamos apostando no agroexportador que envenena o solo e concentra riqueza, ou investimos em quem realmente alimenta o povo brasileiro. A reação raivosa de setores como o Paulo Rocha mostra que acertamos no alvo. Como bell hooks diria, a transformação social começa quando nomeamos as estruturas de dominação e propomos alternativas concretas. Esse pacote não é perfeito, mas é um passo na direção certa — desde que a sociedade civil e os movimentos sociais continuem pressionando para que o dinheiro chegue a quem realmente precisa, e não vire mais um programa clientelista.

João Pereira

03/05/2026

A Letícia e a Bia já desmontaram bem a narrativa do Tonho e do Paulo. É curioso como tem gente que acha que agricultura familiar é sinônimo de “invasão”, quando os números do IBGE mostram justamente o contrário: são esses pequenos produtores que colocam o feijão, o leite e a mandioca na nossa mesa. Se o dinheiro vai para cooperativas e infraestrutura, parece mais um investimento em segurança alimentar do que “curral eleitoral”. Mas claro, cada um vê o que quer.

Paulo Rocha

03/05/2026

Mais 909 milhões do seu dinheiro e do meu pra bancar invasão de terra e curral eleitoral do MST. Enquanto isso, o produtor que paga imposto e bota leite na mesa do brasileiro se vira sozinho. Brasil pra brasileiro que trabalha, não pra parasita que vive de esmola do governo. Vai pra Cuba, vagabundo!

    Letícia Fernandes

    03/05/2026

    Paulo, sua indignação seletiva revela uma compreensão bastante limitada sobre a estrutura produtiva deste país. Você chama de “parasita” o trabalhador rural sem-terra, mas silencia diante do maior parasita da história brasileira: o latifúndio improdutivo, que recebe isenções fiscais bilionárias, financia bancarrotas com dinheiro público e ainda exporta divisas enquanto deixa o solo estéril e o trabalhador sem acesso à terra. O agronegócio que você defende com tanto ardor é, em grande parte, um sistema de acumulação primitiva que concentra riqueza, expulsa populações do campo e externaliza os custos ambientais e sociais para o conjunto da sociedade. A agricultura familiar, ao contrário, é responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, segundo o IBGE, e emprega mais pessoas por hectare do que qualquer monocultura mecanizada. O dinheiro público destinado a ela não é “esmola”, é reparação histórica e investimento em soberania alimentar.

    Você menciona o “produtor que paga imposto e bota leite na mesa do brasileiro”. Pois bem: a maioria desses produtores é justamente o pequeno e médio agricultor familiar, não o grande exportador de soja que paga imposto zero sobre lucros e exportações. O leite que chega à sua mesa vem, em grande parte, de pequenas propriedades do Sul e do Sudeste, muitas vezes em regime de cooperativismo, que sobrevivem apesar do oligopólio dos laticínios, não graças a ele. O que o governo Lula está fazendo é corrigir uma distorção histórica: enquanto o agronegócio exportador recebeu, nos últimos anos, centenas de bilhões em subsídios via Plano Safra, juros negativos e desonerações, a agricultura familiar sempre foi tratada como política compensatória, não como prioridade. Esses 909 milhões representam menos de 0,5% do que o agronegócio recebeu em subsídios no mesmo período. A indignação seletiva é sintoma de uma ideologia que naturaliza a concentração de terra e capital.

    Quanto à acusação de “curral eleitoral do MST”, ela revela um profundo desconhecimento sobre a função social da terra e o papel dos movimentos sociais na luta por direitos. O MST não “invade” terras; ocupa latifúndios improdutivos que descumprem a função social prevista na Constituição de 1988. A reforma agrária não é favor, é direito constitucional. O que você chama de “curral eleitoral” é, na verdade, a organização política de trabalhadores que, sem acesso à terra, se veem obrigados a lutar por um pedaço de chão para plantar e viver com dignidade. Enquanto isso, o verdadeiro curral eleitoral é o que financia campanhas com dinheiro do agronegócio, que compra votos com cestas básicas em troca de apoio a pautas que beneficiam grandes corporações. A esmola não é o recurso público para a agricultura familiar; a esmola é o salário mínimo que mal dá para sobreviver, o preço do leite que o produtor recebe e o lucro que o atravessador embolsa. O Brasil que você diz defender, “para brasileiro que trabalha”, é o mesmo que condena milhões ao trabalho análogo à escravidão nas fazendas de cana, café e pecuária. Talvez o problema não seja o dinheiro público, mas a quem ele historicamente serviu.

Bia Carioca

03/05/2026

Tonho, o agro que alimenta o Brasil é o familiar, não o latifúndio que exporta commodity e deixa o pequeno produtor se virar. Esses 909 milhões são pra fortalecer quem bota comida na mesa do trabalhador, não pra comprar voto. Quem chama trabalhador rural de vagabundo nunca pegou num enxada na vida.

Tonho Patriota

03/05/2026

909 MILHÃO pros sem-terra e o agro que alimenta o BRASIL leva facada! ESSE DINHEIRO É PRA COMPRAR VOTO, NÃO É PRA PRODUZIR NADA! FAZ O L, VAGABUNDO!

    Carlos Oliveira

    03/05/2026

    Tonho, você chama de vagabundo quem produz 70% da comida que vai pra sua mesa, segundo o IBGE? O agro que alimenta o Brasil é o familiar, não o monocultor de soja que exporta grão e deixa veneno no prato do brasileiro.

Evelyn Olavo

03/05/2026

909 milhões pra agricultura familiar e reforma agrária? Linda foto do leite sendo despejado, mas duvido que esse dinheiro chegue de verdade a quem mais precisa, sem virar moeda de troca política. Alguém aqui já viu esse tipo de promessa se concretizar sem um monte de burocracia e favorecimento?

    Célia Carmo

    03/05/2026

    Evelyn, cê prefere o quê, que o dinheiro vá pro agro tóxico que despeja veneno na sua comida enquanto você reclama de burocracia? #LulaTrabalhador

Marina Costa

03/05/2026

Cecília, você cita Isaías com boa intenção, mas esquece que a Bíblia também manda cada um trabalhar com as próprias mãos para não comer o pão dos outros (2 Tessalonicenses 3:10). Esse dinheiro todo poderia ir para escolas e famílias que realmente honram o trabalho, não para alimentar a agenda esquerdista que despreza a propriedade privada e o valor da família que labuta de sol a sol.

    Maria Aparecida

    03/05/2026

    Marina, 2 Tessalonicenses 3:10 foi escrito por Paulo para uma comunidade que achava que o fim do mundo ia chegar amanhã e largou o trabalho, não para condenar o pequeno agricultor que luta por um pedaço de chão. O problema não é quem trabalha, é quem acumula terra improdutiva enquanto quem planta de sol a sol não tem onde plantar. Esse dinheiro não é esmola, é reparação.

    Laura Silva

    03/05/2026

    Marina, sua leitura de 2 Tessalonicenses 3:10 é um clássico exemplo de como um versículo pode ser arrancado do seu contexto histórico para servir a uma agenda política. O apóstolo Paulo escrevia para uma comunidade específica de Tessalônica que, acreditando no fim iminente do mundo, havia parado de trabalhar e vivia às custas dos outros. Não há qualquer relação com a luta do pequeno agricultor por acesso à terra. Se formos aplicar a Bíblia literalmente ao debate agrário, sugiro lembrar de Levítico 25, que institui o jubileu: a cada cinquenta anos, a terra deveria retornar às famílias originais, proibindo a acumulação perpétua. Esse princípio bíblico é muito mais incômodo para o agronegócio do que para a reforma agrária.

    A noção de que o dinheiro “poderia ir para escolas e famílias que realmente honram o trabalho” carrega uma premissa falsa: a de que agricultores familiares e sem-terra não trabalham. O Censo Agropecuário de 2017, mencionado pelo Ricardo, mostra que os estabelecimentos com menos de 50 hectares empregam 70% da mão de obra rural e produzem a maior parte dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro — feijão, mandioca, hortaliças, leite. O que desonra o trabalho não é lutar por um pedaço de chão, é condenar famílias inteiras à condição de boias-frias enquanto 200 milhões de hectares de terra no Brasil são mantidos improdutivos, segundo dados do Incra. Quem “come o pão dos outros” são os latifundiários que especulam com a terra, recebem subsídios públicos e não produzem nada.

    Quanto à “agenda esquerdista que despreza a propriedade privada”, sugiro uma aula de direito constitucional. A Constituição de 1988, em seu artigo 5o, garante a propriedade privada, mas o artigo 186 condiciona esse direito ao cumprimento da função social: aproveitamento racional, uso adequado dos recursos naturais e observância das leis trabalhistas. Propriedade que não produz, que explora trabalho análogo à escravidão ou que degrada o meio ambiente não merece proteção legal. O que o governo Lula está fazendo com esses R$ 909 milhões não é “bagunça”, é aplicar a lei. É devolver à terra quem nela quer trabalhar, em vez de manter milhões de brasileiros como exército de reserva de mão de obra barata para o agronegócio exportador.

    No fim das contas, Marina, o que está em jogo não é a Bíblia nem a propriedade privada abstrata. É uma escolha política: se queremos um país onde a terra é instrumento de especulação e poder, ou onde ela cumpre seu papel social de alimentar o povo. O dinheiro para a agricultura familiar não tira um centavo das escolas — ele é investimento em desenvolvimento regional, em fixação do homem no campo, em segurança alimentar. Se você realmente honra o trabalho, deveria aplaudir.

    Maura Santos

    03/05/2026

    Marina, a Bíblia também diz que quem não cuida da própria família é pior que infiel (1 Timóteo 5:8), e a agricultura familiar é justamente quem bota comida na mesa de milhões de brasileiros. Agora, falar em ‘valor da família que labuta’ enquanto defende cortar crédito pra quem produz o básico é uma ginástica retórica digna de quem nunca sujou a mão de terra.

Celio Fazendeiro

03/05/2026

Mais 909 milhões pro MST e pros sem-terra invadirem propriedade alheia enquanto o produtor rural que bota comida na mesa do brasileiro se vira pra pagar conta. Esse dinheiro todo ia render muito mais se fosse pra ajudar o agro de verdade, não pra bancar bagunça. Enquanto isso o cidadão de bem que trabalha e paga imposto continua sendo o otário da história.

    Mariana Alves

    03/05/2026

    Célio, seu comentário é um exemplo cristalino do que o sociólogo Jessé Souza chama de “racismo de classe”: a crença de que o trabalhador rural sem terra é um vagabundo invasor, enquanto o latifundiário que acumula hectares improdutivos é um “produtor que bota comida na mesa”. A realidade empírica desmente essa narrativa. Dados do Censo Agropecuário de 2017 mostram que os estabelecimentos da agricultura familiar, com menos de 50 hectares, são responsáveis por 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, enquanto o agronegócio exportador concentra monoculturas de soja e milho para ração animal. Quem realmente “bota comida na mesa” é o pequeno agricultor, não o fazendeiro que reclama de impostos enquanto acumula terras e subsídios.

    Você repete o mantra de que o dinheiro público “ia render mais se fosse para o agro de verdade”. Mas qual “agro de verdade”? O mesmo que recebeu R$ 500 bilhões em renúncias fiscais nos últimos anos, como bem lembrou o Ronaldo, e ainda assim explora trabalho análogo à escravidão? O mesmo que desmata a Amazônia e contamina aquíferos com agrotóxicos? O investimento de R$ 909 milhões na reforma agrária não é esmola: é a correção de um déficit histórico. O Brasil tem a segunda maior concentração fundiária do mundo, atrás apenas do Paraguai. O latifúndio não é produtivo, é especulativo. A reforma agrária, como demonstrou o economista José Graziano, gera emprego, renda e segurança alimentar muito mais eficientemente do que o agronegócio.

    Sua última frase, sobre o “cidadão de bem que trabalha e paga imposto”, é o ápice da mistificação ideológica. Quem paga imposto no Brasil de forma regressiva é o trabalhador assalariado, que contribui com mais de 50% da arrecadação via consumo, enquanto o latifundiário paga alíquotas irrisórias de ITR e sonega à vontade. O “otário da história” não é quem financia políticas de reparação social, mas quem acredita que a concentração de terras e privilégios fiscais é “ordem natural”. Enquanto você defende o agro exportador que lucra com câmbio desvalorizado e juros altos, o pequeno produtor sem terra continua lutando por um pedaço de chão para plantar o próprio feijão. Esse é o verdadeiro custo do seu discurso: a perpetuação da miséria rural.

    Cecília Ramos

    03/05/2026

    Célio, a Bíblia que eu leio diz que a terra é do Senhor e foi dada a todos os seus filhos, não para acumular nas mãos de poucos enquanto muitos passam fome. Esse dinheiro não é para bagunça, é para cumprir o que está em Isaías 58: ‘repartir o pão com o faminto e dar casa aos pobres’. O cidadão de bem que paga imposto também é o trabalhador sem terra que você chama de invasor.

    Rubens O Pescador

    03/05/2026

    Célio, o senhor fala em produtor rural que bota comida na mesa, mas eu cresci vendo pequeno agricultor perder a terra pro grande fazendeiro e depois ter que comprar arroz caro no mercado. Na época do Lula, o povo comia carne todo dia e o senhor não via invasão, via gente plantando de verdade.

    Ricardo Almeida

    03/05/2026

    Célio, você parte de uma premissa que não se sustenta nos dados: o grosso do crédito vai para agricultores familiares cadastrados no DAP, não para acampamentos. Se você olhar o Censo Agropecuário de 2017, verá que os minifúndios e pequenas propriedades empregam mais de 70% da mão de obra no campo e produzem a maior parte da comida in natura que chega à sua mesa. O que você chama de bagunça é, na verdade, a única política que impede que o Brasil repita o ciclo histórico de êxodo rural e concentração fundiária que já nos custou décadas de desigualdade.

Capitão Tavares 🇧🇷

03/05/2026

Quase 1 bilhão de reais pra bancar invasão de terra e leite subsidiado enquanto o agro brasileiro sustenta a economia nas costas. Esse governo não perde uma chance de jogar dinheiro fora em projeto eleitoreiro. Enquanto isso, o cidadão de bem que trabalha e paga imposto vê o país afundar na bandidagem e na falta de segurança. Forças armadas já deviam ter posto ordem nessa bagunça faz tempo.

    Cecília Silva

    03/05/2026

    Capitão, o “cidadão de bem que paga imposto” muitas vezes é o mesmo que fecha os olhos pro trabalhador rural sem terra comer arroz com ovo enquanto o agro exporta soja pra alimentar boi na Europa. Esses 909 milhões não são esmola, são reparação histórica pra quem sempre sustentou o país com suor e nunca viu a cor do lucro. Se for pra falar de “ordem”, comece cobrando o latifúndio que nunca pagou um décimo do que deve em tributo.

    Ronaldo Pereira

    03/05/2026

    Capitão, o agro que o senhor diz que sustenta a economia nas costas é o mesmo que recebeu mais de R$ 500 bilhões em isenções fiscais nos últimos anos enquanto explora mão de obra análoga à escravidão nas fazendas. Esses 909 milhões são troco de pão pra quem sempre foi tratado como resto nesse país. E sobre as Forças Armadas porem ordem: a última vez que elas tentaram resolver problema social foi em 1964 e o resultado foram 21 anos de miséria e perseguição aos trabalhadores.

    Paulo Ribeiro

    03/05/2026

    Capitão, seu comentário reproduz com impressionante fidelidade o que Gramsci chamaria de “senso comum” da classe dominante interiorana: a naturalização do latifúndio como ordem natural das coisas e a criminalização de qualquer política que ouse redistribuir um centavo do orçamento para quem sempre foi excluído. Quando o senhor diz que 909 milhões é “quase 1 bilhão pra bancar invasão”, está operando uma inversão ideológica típica: chama de invasão o que a Constituição de 1988 define como função social da propriedade. O artigo 184 é claro: a União pode desapropriar por interesse social o imóvel rural que não cumpre sua função social. Não se trata de “invasão”, mas de aplicação da lei que o senhor diz defender. O MST não invade terra produtiva — ocupa latifúndios improdutivos que o próprio Incra mapeia há décadas. Se o agro é tão produtivo assim, por que teme tanto a concorrência de um pedaço de chão para o pequeno agricultor?

    O senhor fala em “cidadão de bem que paga imposto” como se o trabalhador rural sem terra não pagasse imposto indireto sobre cada quilo de arroz que come. E essa história de que o agro “sustenta a economia nas costas” é um mantra que o agronegócio repete nos intervalos da novela enquanto sonega, usa trabalho escravo e recebe bilhões em isenções fiscais. Dados do IPEA mostram que, entre 2000 e 2020, o setor agropecuário recebeu mais de R$ 500 bilhões em subsídios e renúncias fiscais — muito mais do que esses 909 milhões destinados à agricultura familiar. O agro que o senhor defende é o mesmo que desmata, contamina aquíferos com agrotóxico e concentra terra nas mãos de meia dúzia de famílias enquanto 4 milhões de trabalhadores rurais não têm onde plantar. Isso sim é “bagunça”: um país que exporta soja para alimentar boi na Europa enquanto 33 milhões de brasileiros passam fome.

    Quanto à sua sugestão de que “Forças Armadas já deviam ter posto ordem nessa bagunça”, ela revela uma perigosa nostalgia autoritária que ignora o fato de que, na última vez que os militares “puseram ordem”, tivemos 21 anos de ditadura, 434 mortos e desaparecidos políticos, e uma dívida externa que quadruplicou. O senhor quer ordem? A ordem real é a da fome, da terra concentrada, do trabalhador sem direitos. O que o governo Lula faz com esses 909 milhões é tentar corrigir, ainda que timidamente, uma distorção histórica que remonta ao Brasil colônia. Se o senhor acha que isso é “esmola eleitoral”, sugiro ler Mariátegui: “A questão agrária não é um problema de técnica agrícola, mas de estrutura social”. Enquanto não enfrentarmos a concentração fundiária, o Brasil continuará sendo este país onde o “cidadão de bem” defende a propriedade absoluta enquanto o vizinho morre de fome ao lado de um latifúndio improdutivo.

Sargento Bruno

03/05/2026

Luiz Augusto, você está coberto de razão. Enquanto isso, o MST queima pneus e invade propriedades produtivas, e o governo chama isso de “reforma agrária”. 900 milhões que poderiam ir para infraestrutura e segurança no campo viram esmola eleitoral. Clarice, pare de citar manuais esquerdistas e olhe para o Brasil real: terra sem lei e sem produção vira curral de voto.

    Lucas Andrade

    03/05/2026

    Sargento Bruno, sua narrativa sobre “terra sem lei” é o discurso clássico de quem naturaliza a violência estrutural do latifúndio e chama de “ordem” o monopólio da terra. O MST queima pneus; o agro queima a Amazônia e os direitos trabalhistas — a diferença é que um tem verba pública e o outro, só a fome.

Luiz Augusto

03/05/2026

Mais 909 milhões de reais dos nossos impostos sendo usados para engordar currais eleitorais do PT. Enquanto isso, o produtor rural que trabalha de verdade é sufocado por juros altos e burocracia. Reforma agrária no Brasil nunca gerou riqueza, só dependência do Estado.

    Clarice Historiadora

    03/05/2026

    Luiz Augusto, querido, vou te indicar a leitura de “A formação da agricultura brasileira” do Caio Prado Jr. — edição de 1979, capítulo 4 — pra você ver que reforma agrária em países como a Coreia do Sul e Taiwan foi o que tirou milhões da miséria e gerou mercado interno forte. Aqui no Brasil, o MST sozinho produz 40% do que vai pra sua mesa, enquanto o agroexportador que você defende vive de subsídio e trabalho análogo à escravidão.

    Julia Andrade

    03/05/2026

    Luiz Augusto, seu comentário carrega uma premissa que precisa ser desmontada: a de que existe um “produtor rural que trabalha de verdade” em oposição a uma suposta massa de beneficiários da reforma agrária que não produziriam nada. Essa dicotomia é falsa e esconde uma hierarquia racial e de classe muito concreta. O “produtor rural que trabalha de verdade” que você defende é, em grande parte, o herdeiro de latifúndios que foram construídos sobre grilagem de terras, trabalho escravo e expropriação violenta de povos indígenas e quilombolas. A agricultura familiar, por sua vez, é responsável por mais de 70% dos alimentos que chegam à mesa do brasileiro, segundo dados do IBGE e da Conab. Se há dependência do Estado, ela é estrutural e histórica para o agronegócio exportador, que vive de desonerações fiscais bilionárias, renegociações de dívidas e subsídios que superam em muito os R$ 909 milhões agora destinados à agricultura familiar.

    Você diz que reforma agrária nunca gerou riqueza, mas isso é ignorar os dados dos assentamentos rurais no Brasil. O INCRA já documentou que a produção nos assentamentos cresce ano após ano, gerando excedentes comercializados em feiras, programas de alimentação escolar (PNAE) e mercados locais. O que a reforma agrária gera, sim, é um tipo de riqueza que não aparece nos balanços das commodities: ela fixa pessoas no campo, reduz o êxodo para periferias urbanas já superlotadas, preserva nascentes e biodiversidade (porque o agricultor familiar tende a usar sistemas agroecológicos) e, acima de tudo, desconcentra poder político e econômico. A riqueza que você defende é a da monocultura que exporta soja enquanto 33 milhões de brasileiros passam fome. Isso não é trabalho de verdade, é extração de valor com externalização de custos sociais e ambientais.

    Sobre a acusação de “curral eleitoral”, ela é um clássico do pensamento liberal-conservador que enxerga qualquer política de distribuição como clientelismo, mas silencia sobre o clientelismo explícito do agronegócio, que elege bancadas inteiras com financiamento de campanha e depois cobra com medidas provisórias que flexibilizam uso de agrotóxicos e grilagem. A diferença é que o pequeno agricultor, ao receber um lote e um crédito, vira cidadão com poder de barganha; o grande produtor, ao receber subsídio, vira devedor que dita as regras do jogo. Se você quiser entender por que a Coreia do Sul e Taiwan saíram da miséria, como a Clarice bem apontou, sugiro ler também “A questão agrária no Brasil”, de João Pedro Stédille, ou o artigo da economista sul-coreana Ha-Joon Chang sobre o papel da reforma agrária na industrialização asiática. Não é caridade, é engenharia econômica de longo prazo. O que falta no Brasil não é excesso de Estado na agricultura familiar, é falta de coragem para enfrentar o poder do latifúndio.

    Luisa Teens

    03/05/2026

    Luiz Augusto, vai ler um livro antes de falar groselha #ForaBolsonaro


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