Os céus de Khan Younis e Deir el-Balah voltaram a rugir com drones e demolições israelenses, sinal de que o cessar-fogo firmado em janeiro de 2025 nunca consolidou paz real no enclave.
Agora, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, cancela reuniões do gabinete de segurança e admite abertamente a possibilidade de reabrir operações militares plenas caso o Hamas não entregue suas armas. Fontes médicas locais contabilizam 828 palestinos mortos desde o anúncio da trégua, quadro que reforça o sentimento de que a guerra apenas mudou de intensidade, não de natureza.
O Exército israelense já deslocou tropas do front libanês para Gaza e para a Cisjordânia ocupada, empurrando posições em direção ao oeste e controlando 59% do território costeiro do enclave. A escalada ocorre enquanto mediadores no Cairo oferecem um roteiro de cinco estágios que exige a completa entrega de armamentos em 281 dias.
O plano se ancora em proposta de 20 pontos elaborada pela administração de Donald Trump, condicionando qualquer pacote humanitário à rendição bélica plena das facções palestinas. Em entrevista ao portal Ultra Palestine, o membro do bureau político do Hamas, Abdul Jabbar Said, revelou os detalhes do roteiro.
Said afirmou que Hamas, Jihad Islâmica Palestina e Frente Popular para a Libertação da Palestina apresentaram resposta unificada: sem avanço político concreto rumo a um Estado soberano, não haverá desarmamento. O analista político em Gaza, Wissam Afifa, avalia que a estratégia de Washington busca dissociar ajuda humanitária de direitos nacionais, usando a fome e a reconstrução como moeda de pressão sobre a população civil.
Afifa acrescenta que as facções atrelam qualquer discussão de segurança a um horizonte político claro, exigindo o fim total da ocupação e garantia internacional de autodeterminação. Para ampliar a pressão, Israel bloqueia de forma recorrente a entrada diária de 600 caminhões de suprimentos prevista no primeiro estágio do acordo, provocando desabastecimento crônico nos hospitais e nos estoques de água potável.
O especialista em assuntos israelenses, Mamoun Abu Amer, vê nas ameaças de Netanyahu um artifício para fortalecer sua base política doméstica, além de tentar arrancar concessões extras dos mediadores egípcios e qatarianos. Abu Amer lembra que o ex-chefe de operações militares Israel Ziv reconheceu publicamente a exaustão entre reservistas, que já acumulam média de 80 dias de serviço no ano — situação que torna arriscado abrir outro front enquanto o sul do Líbano segue instável.
A retórica bélica serviria, portanto, como cortina de fumaça para dificuldades logísticas e para a dependência de coordenação com Washington. De acordo com reportagem da Al Jazeera, o número total de palestinos mortos desde o início da guerra já atinge 72.608, cifra que cresce mesmo durante os meses oficialmente rotulados de cessar-fogo.
Três novas vítimas foram registradas apenas na tarde de domingo, confirmando que a linha entre paz e guerra permanece tênue e refém de cálculos políticos externos à população civil. Enquanto helicópteros sobrevoam as ruínas e famílias ainda retiram corpos dos escombros, a mensagem que ressoa em Gaza é de que um conflito renovado não traria solução alguma — apenas o aprofundamento de uma ocupação que remonta a 1967.
Se Netanyahu ordenar o avanço, o colapso da iniciativa de paz apoiada pelos EUA poderá empurrar a região a um impasse ainda mais profundo, enfraquecendo a credibilidade de Washington como mediador. A percepção que se consolida na comunidade internacional é a de que a potência americana, enquanto prega democracia e direitos humanos em fóruns globais, financia e cobre diplomaticamente a punição coletiva de um povo inteiro.
Com informações de Al Jazeera.
Leia também: Netanyahu promete seguir devastando Gaza
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Zé Trovãozinho
03/05/2026
O Marcos de Niterói meteu o túnel Charitas-Cafubá no meio de um debate sobre genocídio, isso sim é que é fuga de pauta nível hard. Enquanto isso, Netanyahu ameaça voltar a bombardear e o Paulo Rocha acha que o problema é o Hamas não entregar as armas, como se ocupação ilegal e apartheid fossem detalhes. O Brasil precisa é de menos ufanismo comparativo e mais noção de que direito internacional não é sugestão.
Samara Oliveira
03/05/2026
Zé Trovãozinho, você tocou no ponto que me incomoda como cristã: a seletividade com que aplicamos o direito internacional. Enquanto isso, o discurso de “desarmamento” unilateral ignora que a paz verdadeira exige justiça para ambos os lados, e não só para quem tem mais tanques.
Alice T.
03/05/2026
Zé, tu resumiu bem o caos — o Paulo Rocha age como se o Hamas fosse um grupo guerrilheiro no vácuo, ignorando que 2 milhões de pessoas vivem numa prisão a céu aberto com taxa de desemprego de 45% e 80% dependendo de ajuda humanitária. Desarmamento sem fim da ocupação é só uma forma fancy de dizer “aceitem o apartheid calados”.
Paulo Rocha
03/05/2026
Netanyahu tá certo em pressionar pelo desarmamento desses grupos terroristas. Enquanto Hamas e outras facções não deporem as armas, não vai ter paz duradoura ali. Brasil que devia aprender com Israel a tratar terrorista como terrorista, não como “resistência”. Faz o L e chora, esquerdistas.
Carlos Oliveira
03/05/2026
Paulo, você reduz um conflito de mais de 70 anos a uma questão de “terrorismo”, ignorando que o desarmamento palestino só será possível quando houver um Estado viável e soberano, e não sob ocupação militar e bombardeios que matam crianças. Comparar a política de segurança brasileira com a de Israel é desconsiderar que aqui também temos um genocídio em curso nas periferias, tratado com a mesma lógica de extermínio que você aplaude em Gaza.
Fernanda Oliveira
03/05/2026
Paulo, falar em desarmamento ignorando que Israel tem o maior arsenal da região e ocupa territórios palestinos há décadas é um cinismo violento. Enquanto crianças continuarem sendo soterradas em escombros, não tem lição de moral que venha de quem chama genocídio de “combate ao terror”.
Marcos Andrade Niterói
03/05/2026
Paulo, comparar a gestão de segurança de Niterói com genocídio em Gaza é forçar a barra. Aqui a gente fez o túnel Charitas-Cafubá e integrou a cidade com mobilidade de verdade, enquanto Netanyahu usa bombardeio em escola pra justificar desarmamento. O Brasil precisa é de urbanismo e direitos, não de lição de apartheid.