O presidente da Rússia, Vladimir Putin, rompeu 51 dias de silêncio telefônico com Donald Trump para adverti-lo sobre o ‘impacto inevitável e extremamente grave’ de qualquer ação militar americana ou israelense contra a República Islâmica do Irã.
Segundo o assessor diplomático do Kremlin, Iúri Ushakov, a conversa de 90 minutos foi iniciativa de Moscou e concentrou-se na escalada de tensão no Golfo Pérsico. Putin classificou a situação como ameaça direta à estabilidade internacional.
Dias antes do telefonema, Putin havia recebido o chanceler iraniano Abbas Araghchi em sua residência oficial. Na ocasião, comprometeu-se a ‘fazer tudo’ para reativar a via diplomática e evitar novo conflito regional.
O dirigente russo lembrou que, em junho de 2025, ofereceu-se para mediar a guerra de 12 dias entre Israel e o Irã. A proposta foi então rejeitada por Trump com a frase ironizada em Moscou: ‘Cuide primeiro da sua guerra’, referência direta ao conflito na Ucrânia.
Desta vez, o Kremlin foi além da mediação e qualificou como ‘totalmente inaceitável e perigosa’ qualquer operação terrestre no território iraniano. O alerta incluiu o dano potencial ao mercado global de energia.
A Rússia declarou estar ‘firmemente decidida’ a sustentar internacionalmente iniciativas de diálogo sobre o programa nuclear iraniano. Moscou já apresentou propostas específicas para destravar as negociações suspensas em Viena.
O aviso a Trump ecoa debates em Washington sobre novas opções militares após incidentes recentes no Estreito de Ormuz, onde navios de guerra dos EUA e do Reino Unido voltaram a patrulhar sob o argumento de garantir liberdade de navegação. Analistas em Moscou veem Putin explorando a parceria com Teerã para contrapor a pressão ocidental nas frentes ucraniana e síria.
Durante o diálogo, os dois líderes também discutiram os riscos à segurança energética global caso explosões de poços ou bloqueios de rotas comerciais atinjam a cadeia de suprimentos já sob pressão. Diplomatas europeus destacaram que um bombardeio ao Irã comprometeria até 20% da oferta marítima de petróleo bruto — volume suficiente para disparar preços e abalar mercados financeiros.
Com o gesto, Moscou tenta recuperar espaço junto às monarquias árabes do Golfo, aproximando-se de Teerã sem romper canais com Riad e Abu Dhabi. Analistas descrevem a estratégia como exercício de equilíbrio num cenário dominado há décadas por Washington.
Trump, de acordo com a mesma fonte, limitou-se a afirmar que ‘todas as opções permanecem sobre a mesa’, sem assumir compromisso público de descartar o uso da força. A postura americana deixa em aberto até onde a mediação russa será capaz de conter uma escalada que, segundo o próprio Kremlin, colocaria em risco a recuperação econômica mundial.
A íntegra do posicionamento russo foi detalhada pela RFI, que acompanhou de perto as declarações do Kremlin sobre o telefonema.
Leia também: Irã leva ofensiva diplomática a Moscou e pede apoio russo para frear pressão dos EUA e Israel
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Helton Barros
03/05/2026
A Célia Carmo aí já mostrou que não entende nada de geopolítica e ainda parte pro xingamento baixo. O Putin não tá fazendo caridade pro Irã, ele tá protegendo o próprio rabo e o fluxo de armas que mantém a máquina de guerra russa. Trump precisa ter juízo e não cair nessa de sair bombardeando país alheio sem pensar nas consequências pra nós, cristãos e conservadores que estamos do lado de Israel.
Cecília Silva
03/05/2026
Helton, você quer falar de geopolítica mas termina o comentário colocando a fé cristã e o apoio a Israel como se fossem cláusula pétrea da política externa brasileira, enquanto o povo palestino, que também é filho de Deus, morre soterrado nos escombros que os seus ‘conservadores’ financiam com imposto.
Major Ricardo Silva
03/05/2026
O Putin tá certo em alertar, mas não porque concorde com a teocracia iraniana. É jogo de poder: se os EUA atacarem, a Rússia perde um aliado estratégico no Oriente Médio e ganha mais um front de crise. O erro do Trump seria cair nessa armadilha e desviar o foco do que realmente importa — conter o eixo China-Rússia. Enquanto isso, a esquerda brasileira vai continuar chamando o Putin de pacifista e o Irã de vítima, como sempre.
Célia Carmo
03/05/2026
Ah, Major, vai tomar no cu com esse discursinho de Guerra Fria de araque, enquanto você lambe as botas do imperialismo ianque o povo iraniano só quer viver em paz, #ForaEUAdeTodoLugar!
Rodrigo RedPill
03/05/2026
Lá vem o Putin de novo querendo bancar o xerife global enquanto o Trump só tenta arrumar a bagunça que o Biden deixou no Oriente Médio. Se os EUA atacarem o Irã, é problema deles, não vejo motivo pra Russia ficar dando pitaco em assunto que não é da conta deles. Aliás, se o Trump fosse esperto, mandava um drone na capital iraniana e acabava de vez com essa palhaçada de regime terrorista que só atrasa o mundo.
Lucas Andrade
03/05/2026
Rodrigo, acho fascinante como você naturaliza a soberania dos EUA sobre o Oriente Médio enquanto chama a Rússia de intrometida — essa geopolítica de xadrez tem dono, sim, e não é o povo iraniano que vai pagar a conta do seu delírio de drone salvador.
Clarice Historiadora
03/05/2026
Rodrigo, você acabou de sugerir um ataque preventivo a um país soberano como se fosse missão de videogame — isso não é geopolítica, é delírio de hegemonia que ignora que o Irã tem 85 milhões de habitantes e uma teia de alianças com Rússia e China desde o Tratado de Amizade Persa de 1921.
Pedro Almeida
03/05/2026
Rodrigo, sua sugestão de “mandar um drone na capital iraniana” revela uma compreensão da guerra que ignora que, desde Clausewitz, sabemos que o ato militar não é um fim em si, mas a continuação da política por outros meios — e que um ataque desse porte, longe de “acabar com a palhaçada”, desencadearia uma conflagração regional que arrastaria não só o Oriente Médio, mas a economia global inteira, como já advertia Hannah Arendt sobre a banalidade com que se trata a violência de Estado.