A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a petroleira britânica BP para desenvolver projetos energéticos conjuntos. A ofensiva busca reativar a presença de multinacionais no setor de gás do país e transformar reservas offshore em receita fiscal voltada a programas sociais.
O memorando cobre a área Deltana, uma zona de águas profundas rica em gás natural onde a BP já operou nos anos 2000, conforme reportou o Sputnik. As partes preveem iniciar campanhas sísmicas, estruturar o modelo fiscal de partilha e definir cronogramas para instalação de plataformas e gasodutos.
Durante a cerimônia no Palácio de Miraflores, Rodríguez exaltou “a volta de um grande parceiro” e disse que a cooperação será conduzida em bases de respeito mútuo e defesa da soberania energética. Ela classificou o retorno da empresa ao mercado local como “sinal claro do futuro” que a Venezuela busca construir em matéria de integração energética.
Além da Deltana, o encontro abordou a participação da companhia nos campos fronteiriços Manakin-Cocuina e Loran, localizados na bacia do Delta do Orinoco. Esses blocos são parcialmente contíguos a áreas em águas de Trinidad e Tobago, abrindo espaço para sinergias logísticas e eventual exportação regional de gás natural liquefeito.
Rodríguez destacou que o Tesouro nacional já definiu prioridades para os recursos gerados, incluindo saúde, educação, construção de moradias populares e modernização do transporte público. A líder reiterou que cada nova molécula de gás monetizada deverá se refletir em melhor qualidade de vida para a população, rompendo a lógica de escassez imposta por anos de bloqueios financeiros.
O ato contou com a presença de William Lin, vice-presidente executivo da BP para gás e energia de baixo carbono, que oficializou a abertura de um escritório permanente em Caracas. Lin argumentou que a decisão reforça o “compromisso de longo prazo” da corporação com o potencial gasífero venezuelano e com a transição energética global.
Segundo o executivo, a empresa vê oportunidades de combinar a extração de gás com projetos de hidrogênio, captura de carbono e geração elétrica eficiente. Ele afirmou ainda que a proximidade geográfica com a Europa e o Caribe oferece rotas competitivas para exportação de GNL.
O governo venezuelano assinou, dias antes, um acordo-quadro com a italiana Eni para retomar a produção de petróleo em campos maduros, ampliando o conjunto de parcerias internacionais em curso. A sequência de assinaturas indica um novo ciclo de investimentos que pode elevar a disponibilidade de divisas e aliviar gargalos no mercado interno de combustíveis.
Do ponto de vista britânico, o acordo permite à petrolífera reposicionar-se em um mercado de alto potencial e assegurar volumes de gás alinhados à demanda europeia, em fase de substituição do fornecimento russo. A BP aposta que a maturidade geológica dos blocos e a proximidade de facilidades existentes reduzem o risco exploratório e encurtam o prazo de retorno sobre o capital investido.
Com reservas estimadas em 200 trilhões de pés cúbicos, a Venezuela detém a oitava maior base de gás convencional do mundo e carece de infraestrutura para monetizar parte significativa desse volume. O plano oficial inclui construir terminais de liquefação, ampliar redes de gasodutos domésticos e estimular indústrias intensivas em energia, como fertilizantes e petroquímica.
Diplomatas venezuelanos afirmam que a parceria com a BP fortalece pontes com o Reino Unido num momento de reconfiguração geopolítica e pode abrir portas para cooperação em finanças verdes e transferência tecnológica. O projeto é visto em Caracas como instrumento central na diversificação das exportações, para além do barril de petróleo bruto.
Técnicos de PDVSA e da BP projetam concluir os estudos de viabilidade até o próximo ano e definir o investimento inicial, estimado por consultorias independentes em mais de US$ 1,5 bilhão. Caso os prazos sejam cumpridos, o primeiro gás comercial poderá fluir antes do fim da década, consolidando a posição da Venezuela como exportador de energia na América Latina.
Leia também: Tarifaços: Trump ameaça sufocar países que importarem petróleo da Venezuela
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Karina Libertária
03/05/2026
Ah, mais um “acordo” desse governo comunista da Venezuela pra enganar trouxa. Prometer serviço público com dinheiro de petróleo é clássico, mas a gente sabe que vai tudo pro bolso dos amigos do Maduro e o povo continua sem água e luz. Quem acredita nisso merece tomar um loss brabo.
Cecília Silva
03/05/2026
Karina, seu discurso ignora que aqui na favela a gente conhece bem o cheiro de promessa vazia, mas também sabe quando um governo tenta, mesmo com as amarras do capital estrangeiro, canalizar recurso pro povo — enquanto o modelo que você defende só entregou bala de borracha e UPP pra gente.
Major Ricardo Silva
03/05/2026
Mais um engodo desse regime comunista que só sabe destruir riqueza. Prometer investir em serviço público com dinheiro de multinacional é piada, enquanto o povo passa fome e falta remédio. O Brasil que aprenda com esse exemplo e não repita essa parceria suja com a Venezuela.
João Carvalho
03/05/2026
Major Ricardo, sua leitura ignora que a parceria com a BP não é um “engodo”, mas sim um movimento clássico de soberania energética: a Venezuela mantém o controle estatal do recurso enquanto atrai capital estrangeiro para explorá-lo, algo que o Brasil faz com o pré-sal há anos. O problema real não é a parceria em si, mas a falta de transparência na gestão dos fundos — e isso, sim, é uma crítica que a esquerda deveria fazer, em vez de cair no discurso fácil de que “tudo é comunismo”.
João Carlos da Silva
03/05/2026
Major Ricardo, sua análise reduz o Estado venezuelano a uma caricatura ideológica que ignora o fato de que a Petrobras opera há décadas com sócias como Shell e Chevron sem que isso seja chamado de “parceria suja”. O problema não é a presença da BP, mas a ausência de um projeto nacional que garanta que essa receita chegue de fato à saúde e à educação — e aí, sim, temos uma lição que o Brasil deveria levar a sério, não a de romper com a Venezuela.
Lucas Gomes
03/05/2026
Major Ricardo, sua crítica ignora que a Venezuela está tentando usar o capital da BP para financiar serviços públicos justamente porque o modelo neoliberal que o senhor defende já destruiu qualquer capacidade de investimento estatal soberano — o problema não é a parceria, é o sistema que obriga países a se curvarem às multinacionais para sobreviver.