A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, acusou o chanceler alemão Friedrich Merz de omitir o papel decisivo do Exército Vermelho na derrota do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial.
Merz celebrou o 81º aniversário da derrota do nazismo em publicação na rede social X, mas não mencionou a contribuição crucial da União Soviética. Zakharova afirmou que o líder alemão distorceu os fatos históricos em suas declarações sobre a data.
A porta-voz russa comparou a omissão à postura de líderes japoneses que lamentam as tragédias de Hiroshima e Nagasaki sem reconhecer que os ataques foram realizados pelos Estados Unidos. Ela advertiu que tais «quasi-fatos despersonalizados» buscam confundir as gerações mais jovens e afastá-las da verdade histórica.
Zakharova alertou ainda para o risco de reinterpretação ainda mais distorcida no futuro. Nessa versão, o Exército Vermelho poderia aparecer como atacante de uma Berlim indefesa, enquanto Adolf Hitler seria visto como libertador.
As declarações foram feitas em entrevista ao jornal russo KP. Zakharova reforçou a importância de preservar a memória histórica e de combater as tentativas de revisionismo.
A crítica surge também após decisão da polícia de Berlim que proibiu o uso de uniformes históricos, insígnias e símbolos soviéticos nos eventos de comemoração da vitória sobre a Alemanha nazista. A proibição abrange a fita de São Jorge, as bandeiras da União Soviética, da Rússia e de Belarus, além de marchas e músicas do período da guerra.
Moscou vê na decisão uma tentativa de apagar a contribuição soviética na vitória contra o nazismo. A União Soviética sofreu perdas devastadoras no conflito, com cerca de 27 milhões de mortos entre civis e militares.
Para a Rússia, qualquer tentativa de minimizar ou distorcer esse legado representa uma afronta histórica e política. As tensões entre Moscou e Berlim no terreno da memória histórica permanecem vivas.
Com informações de ACTUALIDAD.
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