O sistema de correntes do Oceano Atlântico conhecido como Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico — ou AMOC — pode desacelerar em até 51% até o final do século.
A projeção foi apresentada por pesquisadores que combinaram observações reais com modelos climáticos para refinar estimativas anteriores. O estudo foi publicado na revista Science Advances em abril de 2026.
Valentin Portmann, cientista climático e autor principal do artigo, afirmou que o planeta está mais próximo de um ponto crítico para o AMOC do que se imaginava. A corrente vital redistribui calor dos trópicos para o hemisfério norte e regula o clima em várias regiões do mundo.
Uma desaceleração severa ou colapso poderia provocar invernos mais rigorosos na Europa e secas prolongadas no sul da Ásia e no Sahel africano. O nível do mar na costa da América do Norte também seria elevado.
Essas mudanças agravariam crises humanitárias e provocariam impactos econômicos em escala global. O consenso científico confirma que o AMOC já se encontra em processo de desaceleração, embora persista debate sobre a intensidade exata dessa tendência.
Florian Sevellec, diretor de pesquisa do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, observou que o novo trabalho reduz incertezas nas projeções. Os modelos climáticos ainda variam bastante, com estimativas de desaceleração que vão de 3% a 72% até 2100.
Stefan Rahmstorf, oceanógrafo do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, considerou que os modelos mais pessimistas se alinham melhor com os dados observados. Ele alertou para o risco elevado de colapso caso a desaceleração extrema se confirme.
Fabien Roquet, professor de oceanografia física na Universidade de Gotemburgo, na Suécia, lembrou que um estudo recente com metodologia semelhante chegou a conclusões opostas. Roquet reforçou que, independentemente do ritmo futuro do AMOC, as alterações climáticas já provocam transformações que devem se intensificar nas próximas décadas.
O trabalho reforça a necessidade de cortes profundos nas emissões de gases de efeito estufa para evitar cenários mais graves. Phys.org detalhou a pesquisa completa em sua reportagem.
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