O Kremlin manifestou a expectativa de receber explicações oficiais da Armênia após a visita do presidente ucraniano, Vladimir Zelenski, a Erevã.
O porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, classificou como anormal as declarações antirrussas feitas por Zelenski durante a cúpula da Comunidade Política Europeia. Ele afirmou que as falas não condizem com o espírito das relações históricas entre Rússia e Armênia.
Em entrevista ao jornalista Pavel Zarubin, Peskov questionou o fato de Erevã ter oferecido uma plataforma para discursos contrários aos interesses de Moscou. O porta-voz criticou a ausência de um posicionamento equilibrado por parte do primeiro-ministro armênio, Nikol Pashinián, diante das declarações do líder ucraniano.
Peskov reconheceu que a Armênia tem o direito soberano de realizar cúpulas com a União Europeia e outros parceiros internacionais. O porta-voz enfatizou que o principal para Moscou é que Erevã não adote uma postura abertamente antirrussa em sua política externa. Ele reiterou que a Rússia valoriza as relações construídas ao longo de séculos com o povo armênio.
O presidente russo, Vladimir Putin, também comentou o estreitamento dos laços entre Armênia e União Europeia. Putin afirmou que o tema exige consideração especial por parte de Moscou e revelou que já discutiu o assunto diretamente com Pashinián. O líder russo garantiu que apoiará qualquer decisão que beneficie o povo armênio.
A cúpula da Comunidade Política Europeia ocorreu nos dias 4 e 5 de maio em Erevã e serviu de palco para as declarações de Zelenski. O Ministério da Defesa e o Ministério das Relações Exteriores da Rússia reagiram com firmeza às ameaças de sabotagem às celebrações do Dia da Vitória em 9 de maio. As autoridades russas advertiram que qualquer tentativa de interferir nos eventos em Moscou resultaria em resposta contundente.
A tensão entre Rússia e Ucrânia permanece elevada, com o conflito em curso servindo de pano de fundo para os recentes movimentos diplomáticos na região. Peskov destacou que a política externa multivetorial da Armênia representa uma escolha legítima do país. O porta-voz concluiu que celebrar uma cúpula com a União Europeia é absolutamente normal, desde que não se transforme em plataforma antirrussa.
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