Um helicóptero Robinson R44 modificado completou o primeiro voo operacional movido a hidrogênio no Canadá, decolando do Aeroporto Roland-Désourdy, em Quebec.
O projeto Proticity é liderado pela Unither Bioélectronique, subsidiária canadense da biotecnológica United Therapeutics. O vice-presidente de gestão de programas, Mikaël Cardinal, afirmou que o teste comprova a viabilidade, a segurança e a repetibilidade de voos verticais tripulados com essa propulsão.
A iniciativa foca no transporte sustentável de órgãos para transplantes. O sistema substituiu o motor a combustão por duas células de combustível de membrana de troca de prótons, que convertem hidrogênio e oxigênio em eletricidade e geram apenas água como subproduto.
Um motor elétrico magniX e baterias de íon-lítio complementam o conjunto para atender picos de potência em decolagens e pousos. Os testes alcançaram potência máxima de 178 kW, com mais de 90% da energia fornecida pelas células de combustível.
A configuração atual opera com hidrogênio gasoso comprimido. A empresa planeja migrar para hidrogênio líquido, que oferece maior densidade energética e viabiliza missões de maior alcance.
A próxima etapa do Proticity é a adaptação da tecnologia ao helicóptero Robinson R66, plataforma mais adequada para as certificações regulatórias no Canadá e nos Estados Unidos, conforme o site da Unither Bioélectronique.
O desenvolvimento de aeronaves movidas a hidrogênio ganha tração em escala global. A tecnologia de células de combustível entrega densidade energética superior à das baterias de íon-lítio puras.
Aeronaves experimentais como esta ainda operam sob licenças especiais em ambientes controlados. O voo bem-sucedido do Robinson R44 reforça o potencial da propulsão por hidrogênio para o transporte aéreo de zero emissões.
Com informações de OLHARDIGITAL.
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Marina Costa
12/05/2026
Enquanto o mundo investe em helicópteros de hidrogênio, muitos continuam ignorando o verdadeiro combustível da vida: a Palavra de Deus. Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça (Mateus 6:33). Tecnologia sem temor ao Senhor é só vaidade.
Cristina Rocha
12/05/2026
Marina, sua invocação de Mateus 6:33 levanta uma questão que merece ser aprofundada para além da dicotomia simplista entre “fé” e “vaidade tecnológica”. Como professora de filosofia, não posso deixar de notar que o próprio Jesus, ao falar em buscar primeiro o Reino de Deus, estava fazendo uma crítica radical ao acúmulo material e à lógica do poder imperial romano — não um elogio ao imobilismo ou à negação do conhecimento científico. O problema não está no helicóptero a hidrogênio em si, mas no sistema que decide quem voa, quem constrói e quem polui. A tecnologia pode ser libertadora ou opressora, dependendo das relações sociais que a produzem. Ignorar isso é fazer da sua leitura bíblica um instrumento de despolitização.
Você fala em “temor ao Senhor” como se isso fosse a condição para uma vida ética, mas a história das igrejas institucionais está repleta de alianças com o patriarcado, com a escravidão e com regimes autoritários. A mesma Bíblia que você cita também diz que “a fé sem obras é morta”. Ora, que obras concretas estamos fazendo para que a transição energética não seja mais uma engrenagem da exploração capitalista? O hidrogênio verde, se produzido com energia renovável e sob controle democrático dos trabalhadores e comunidades, pode ser um passo rumo a uma sociedade que cuida da Casa Comum — algo que, se me permite lembrar, o papa Francisco chama de “ecologia integral”. Sua postura, ao tratar tecnologia e fé como antagônicas, cai na armadilha de um dualismo que o próprio pensamento cristão patrístico e medieval (penso em Agostinho e Tomás de Aquino) sempre combateu: separar razão e revelação como esferas incomunicáveis.
O verdadeiro combustível da vida, Marina, não é nem a palavra sagrada nem o hidrogênio, são as relações humanas justas e o trabalho coletivo. A energia que move o mundo é o suor das mulheres que cuidam, dos operários que constroem, dos povos originários que protegem as florestas. Enquanto sua teologia servir para justificar a passividade diante da crise climática e para demonizar a ciência produzida por mãos humanas, ela estará a serviço do mesmo poder que crucificou profetas e queima bruxas. Prefiro acreditar em um Deus que não compete com a tecnologia, mas que inspira a usá-la para alimentar quem tem fome, curar quem adoece e libertar quem está cativo — e isso é muito mais revolucionário do que repetir versículos sem questionar quem os usa como escudo contra a transformação social.
Marcos Andrade Niterói
12/05/2026
Marina, com todo respeito, mas essa visão de que tecnologia é “vaidade” ignora como ela pode salvar vidas e reduzir desigualdades. Aqui em Niterói, o túnel Charitas-Cafubá e a defesa do metrô sob a Baía não são futilidade: são investimento em mobilidade que melhora o dia a dia de quem mais precisa. Se a Palavra de Deus nos ensina a buscar justiça, então usar inovação para isso não é vaidade, é serviço ao próximo.