A República Islâmica do Irã anunciou uma expansão radical de sua zona de controle no estreito de Ormuz, ampliando o perímetro de 20 a 30 milhas náuticas para mais de 200 a 300 milhas — o equivalente a 500 quilômetros. O anúncio representa uma reconfiguração profunda da concepção iraniana de soberania marítima na região.
O comunicado foi feito por Mohammad Akbarzadeh, adjunto político das Forças Navais do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (CGRI). Segundo ele, o estreito deixou de ser definido como uma área limitada ao redor de ilhas como Ormuz e Hengam e passou a abranger uma vasta faixa operacional que se estende das costas dos condados de Jask e Sirik até além da ilha de Tunb.
“Em outras palavras, o estreito de Ormuz se expandiu e se tornou uma vasta área operacional, de uma largura de 20 a 30 milhas no passado para mais de 200 a 300 milhas, ou seja, 500 quilômetros. É uma meia-lua completa”, declarou o oficial, conforme reportou o portal RT en Español.
Akbarzadeh deixou claro que a República Islâmica monitora “com atenção e autoridade todos os movimentos regionais” e não permitirá “nenhum tipo de intrusão em suas águas e interesses”. O Exército iraniano, segundo ele, “defenderá a integridade territorial e as águas do país com todas as suas forças”.
O anúncio ocorre em meio a um cenário de tensão aguda no Golfo Pérsico, com o Irã e os EUA envolvidos em um impasse naval e econômico de proporções crescentes. Teerã sinalizou a intenção de regulamentar o trânsito de navios comerciais e petroleiros pelo estreito, exigindo coordenação prévia com suas Forças Armadas antes de qualquer passagem pela rota.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que o bloqueio naval ordenado pelo presidente Donald Trump contra o Irã segue sendo aplicado, com forças americanas tendo desviado dezenas de navios mercantes e imobilizado embarcações para impedir que entrassem ou saíssem de portos iranianos. A tensão é, portanto, bilateral e envolve diretamente as maiores potências militares da região.
O Irã iniciou o bloqueio parcial do estreito como resposta ao que Teerã classifica como agressão conjunta dos EUA e de Israel contra o território persa. Ao expandir juridicamente e militarmente sua zona de controle para 500 quilômetros, o país sinaliza que qualquer movimento naval na região passa a ser tratado como potencial intrusão em suas águas soberanas.
O estreito de Ormuz é a artéria energética mais sensível do planeta, por onde transita cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo. A transformação dessa rota em uma “meia-lua operacional” de 500 quilômetros coloca sob escrutínio iraniano um corredor que abastece mercados da Europa, Ásia e América — com impacto direto sobre preços do petróleo, seguros marítimos e rotas de navegação que cruzam o mar Arábigo.
Com informações de ACTUALIDAD.
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