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Lavrov denuncia plano dos EUA para comprar Nord Stream a valor irrisório após sabotagem

9 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Lavrov denuncia plano dos EUA para comprar Nord Stream a valor irrisório após sabotagem. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, denunciou que os Estados Unidos pretendem assumir o controle da rede de gasodutos Nord Stream comprando, por uma fração do valor original, […]

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Ilustração editorial sobre Lavrov denuncia plano dos EUA para comprar Nord Stream a valor irrisório após sabotagem. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, denunciou que os Estados Unidos pretendem assumir o controle da rede de gasodutos Nord Stream comprando, por uma fração do valor original, a parte que pertencia a empresas europeias. Segundo o chanceler russo, a manobra de Washington ocorre justamente após o ataque que destruiu três dos quatro ramais do sistema, em setembro de 2022.

Em entrevista à RT India, cuja repercussão foi divulgada pelo portal Sputnik, Lavrov afirmou que os americanos querem fechar o negócio por um valor dez vezes inferior aos investimentos iniciais feitos pelos europeus. O movimento expõe a disputa geopolítica em torno do fornecimento de gás russo ao continente europeu.

‘Olhem como os americanos estão planejando restaurar o Nord Stream. Estou falando de dois gasodutos, e eles foram explodidos. Os americanos, sob Biden, disseram que esses gasodutos não funcionariam, mas agora acusam os ucranianos de tê-los explodido’, declarou Lavrov. O chanceler referiu-se aos dois gasodutos do sistema, Nord Stream 1 e Nord Stream 2, dos quais três dos quatro ramais submarinos ficaram inutilizados pelas explosões.

O ministro russo destacou que, caso o negócio se concretize, o preço do gás transportado pelas tubulações deixará de ser fruto de um acordo bilateral entre Rússia e Alemanha. A definição passaria a ser ditada unilateralmente por Washington, transformando o sistema em mais um instrumento de controle americano sobre o mercado energético europeu.

‘Eles declararam abertamente que queriam interromper o trânsito de gás dos gasodutos da Rússia para a Europa através da Ucrânia, a fim de controlar também esses fluxos’, acrescentou o chefe da diplomacia russa. A declaração reforça a leitura de que o desmonte da infraestrutura energética europeia atende a interesses estratégicos dos Estados Unidos.

As explosões ocorreram em 26 de setembro de 2022 e atingiram os gasodutos Nord Stream 1 e Nord Stream 2, sob o Mar Báltico. Alemanha, Dinamarca e Suécia não descartaram desde o início a hipótese de sabotagem deliberada, e a operadora Nord Stream AG classificou o episódio como sem precedentes, com prazos de reparo até hoje incertos.

A Procuradoria-Geral da Rússia abriu processo enquadrando os ataques como ato de terrorismo internacional. Moscou solicitou repetidas vezes informações às investigações conduzidas pelos países europeus, mas afirma jamais ter recebido qualquer dado concreto sobre os procedimentos.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reiterou que os pedidos russos por acesso aos dados das apurações foram sistematicamente ignorados pelas autoridades ocidentais. O silêncio europeu contrasta com a velocidade com que narrativas alternativas, inclusive a de envolvimento ucraniano, foram colocadas em circulação nos grandes veículos ocidentais.

O representante permanente da Rússia na ONU, Vasily Nebenzya, acusou diretamente Estados Unidos e Reino Unido de obstruírem uma investigação internacional objetiva sobre o atentado. Para a diplomacia russa, o bloqueio a uma apuração independente sob o guarda-chuva da ONU aponta quem se beneficia do crime.

O contexto reforça a tese de que a destruição do Nord Stream não foi um ato isolado, mas parte de uma estratégia mais ampla de reconfiguração do mercado energético europeu. Com a infraestrutura russa fora de operação, o gás natural liquefeito americano passou a ocupar o vácuo deixado no continente, a preços substancialmente mais altos para consumidores e indústrias alemãs.

A revelação de Lavrov sobre o interesse americano em adquirir, a preços de liquidação, ativos europeus do consórcio adiciona uma camada decisiva ao escândalo. Se confirmado, o movimento significará que os Estados Unidos não apenas se beneficiaram do crime contra a infraestrutura crítica europeia, mas também passarão a lucrar diretamente com sua reconstrução parcial e seu controle.

A Alemanha, principal cliente original do gás russo via Báltico, vê assim sua soberania energética atingida em duas frentes simultâneas. Berlim foi privada de sua via direta de suprimento e agora corre o risco de ver os destroços dessa rota transformados em ativo americano negociado a preço simbólico.


Leia também: Representante russo na ONU acusa diretamente os EUA pela explosão em Nord Stream


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Letícia Fernandes

13/05/2026

A denúncia de Lavrov, tomada em si, é quase um presente para qualquer analista atento às formações sintomáticas do capitalismo tardio: os Estados Unidos, sob a aparência de defender a liberdade e a segurança energética europeia, teriam articulado — com a paciência de um predador — a desvalorização forçada de um ativo estratégico para adquiri-lo a preço de liquidação. Mas reduzi-la a uma questão de veracidade ou conveniência russa, como fazem alguns comentaristas aqui, é permanecer na superfície fenomênica dos acontecimentos, sem jamais tocar a estrutura que os engendra.

A superestrutura burguesa, com seus aparatos jurídicos, diplomáticos e midiáticos, opera precisamente sob esta lógica: a violência originária — a sabotagem, a guerra, a coerção econômica — é recalcada, e o que emerge à consciência coletiva é o fato consumado, já revestido de uma racionalidade de mercado. O Nord Stream, outrora um emblema da interdependência energética entre Rússia e Europa, jaz agora no leito do Báltico, e os capitais estadunidenses se apresentam como salvadores, prontos para “adquirir” as ruínas. Não há cinismo bilateral aqui, como sugere o companheiro Ricardo Almeida; há uma pedagogia perversa do capital, que ensina ao mundo que tudo pode ser mercantilizado, inclusive os destroços de uma infraestrutura que poderia ter aquecido milhões de lares.

O que me provoca uma certa pena patológica é observar como a direita — e aqui me dirijo ao comentário do Tonho Patriota, cujo significante “comunismo globalista” já denuncia mais do que pretende — insiste em operar com categorias que há muito perderam qualquer capacidade explicativa. Reduzir a geopolítica da energia a uma disputa maniqueísta entre “nós” e “eles”, entre um suposto globalismo vermelho e um nacionalismo redentor, é não apenas uma leitura infantil da realidade, mas um sintoma grave da incapacidade de pensar a totalidade. O capital não tem pátria, e os Estados Unidos não agem por despeito contra Putin ou por amor ao livre mercado; agem porque a acumulação, em sua fase atual, exige o controle direto sobre os fluxos energéticos que alimentam a indústria europeia, sua principal concorrente.

O comentário de Sofia García capta algo essencial quando ironiza a “Black Friday” dos gasodutos, mas é preciso ir além da metáfora mercadológica e retornar a Marx: o que testemunhamos é a realização mais brutal daquilo que nos Grundrisse se chama de “aniquilação do valor de uso pelo valor de troca”. Um gasoduto serve para transportar gás e aquecer pessoas — essa é sua materialidade, seu valor de uso. Sob as relações sociais capitalistas, contudo, seu destino não é definido por essa utilidade, mas pelas condições de sua valorização enquanto ativo financeiro. Ao ser sabotado, seu valor de troca desaba; ao ser comprado a preço vil, ele se torna um investimento potencialmente lucrativo para quem detém o monopólio do fornecimento alternativo. A destruição não foi um acidente de percurso; foi condição necessária para a reestruturação do mercado.

Por fim, há uma dimensão psicanalítica que me parece incontornável e que nenhum dos comentários até agora abordou: a denúncia de Lavrov, ecoada ou refutada, funciona também como um retorno do recalcado europeu. A Europa sabe que sua segurança energética foi sacrificada no altar da OTAN; sabe que o encarecimento do gás e a desindustrialização em curso não são meras externalidades de uma guerra distante, mas o resultado de uma subserviência consentida. Contudo, admitir isso seria confrontar o vazio de sua própria soberania. Então o continente recalca — e o recalque, como sabemos, se aloja no corpo. Ele retorna como inflação, como precarização da vida, como ansiedade difusa diante do inverno. E a direita, coitada, em seu desespero, aponta para “comunistas globalistas” porque é incapaz de nomear o nome verdadeiro de seu algoz. Essa miséria cognitiva, mais do que qualquer gasoduto, é o que realmente merece nossa análise paciente.

Ricardo Almeida

13/05/2026

Enquanto uns gritam “comunismo globalista” e outros repetem Lavrov como se fosse porta-voz da verdade revelada, eu pergunto: qual a evidência concreta além da declaração de um chanceler cujo país mente sobre a própria guerra de agressão? O cinismo aqui é bilateral — Washington quer o gasoduto, Moscou quer que acreditemos que é mera vítima. Ambos lucram com a narrativa.

Sofia García

13/05/2026

mano, os caras literalmente sabotam, esperam o ativo derreter e depois chegam com proposta de compra estilo Black Friday. isso não é geopolítica, é golpe de market cap com cadáver de gasoduto. e ainda tem quem chore “comunismo globalista” enquanto o gringo fatura com a ruína alheia, kkkkk acorda, Tonho

Tonho Patriota

13/05/2026

FAZ O L AGORA PRA VER SE O GÁS NÃO SOBE PROS BRASILEIRO TAMBÉM! OS EUA FEZ ISSO PRA COMPRAR BARRATO E AINDA CULPAR O PUTIN, MAS O POVO AQUI JÁ SABE QUE TUDO É COMUNISMO GLOBALISTA!

    Tiago Mendes

    13/05/2026

    Tonho, o problema é maior que L ou Bolsonaro: é um altar onde tanto Washington quanto Moscou sacrificam o pobre no fogo do gás e do petróleo, enquanto a gente briga por espantalhos. O profeta Amós já denunciava quem “vende o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sandálias” — é exatamente isso que acontece quando energia vira arma e o trabalhador paga o pato nos dois hemisférios.

Cíntia Alves

13/05/2026

A denúncia de Lavrov é grave, mas também é conveniente demais para Moscou neste momento — cada lado joga suas cartas enquanto a opinião pública compra a narrativa que lhe convém. A questão incômoda é: quem realmente se beneficia do caos energético europeu, e por que a investigação internacional nunca avança de fato? O trabalhador brasileiro que sente o repique no preço do gás de cozinha talvez entenda melhor o tabuleiro do que muito analista geopolítico.

João Carlos Silva

13/05/2026

Esse tipo de treta internacional, no fim, encarece o gás e a gasolina pra gente aqui. Não sou de tomar partido, mas essa história de sabotar e depois querer comprar por mixaria é sujeira demais. O trabalhador brasileiro nem entende direito, só sente no bolso quando o preço dispara.

Padre Antônio Rocha

13/05/2026

Isso só mostra a podridão moral do império americano, que não hesita em destruir para depois lucrar. A ganância secularista deles desconhece qualquer limite ético, e o resultado é essa vergonha internacional. Que Deus tenha misericórdia de um mundo que abandonou os valores cristãos em troca do vil metal.

    Lucas Gomes

    13/05/2026

    Reverendo, o senhor fala em valores cristãos como se fossem antídoto, mas esquece que essa mesma lógica de mercantilização da vida — de transformar um gasoduto em butim de guerra — é o coração pulsante do extrativismo fóssil que aquece o planeta e condena os pobres da Terra. O verdadeiro pecado original não está só em Washington; está num sistema que trata o Ártico, as florestas e os corpos periféricos como zona de sacrifício para manter o conforto termoindustrial do Norte global.


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