Estudo publicado recentemente pelo portal CleanTechnica revela uma discrepância crítica entre as projeções otimistas sobre energia nuclear e a realidade estagnada do setor nas últimas décadas.
Apesar de acordos internacionais, como os discutidos na última COP, preverem triplicação da capacidade nuclear até 2050, a participação dessa fonte na matriz global caiu de 17,5% em 1996 para menos de 10% atualmente. Especialistas apontam que esses modelos matemáticos, como MESSAGE e GCAM, são baseados em premissas otimistas sobre custos e prazos de construção, sem embasamento histórico.
O estudo destaca que narrativas sobre tecnologias como pequenos reatores modulares e hidrogênio verde influenciam diretamente esses modelos, criando um ciclo de superestimação. Enquanto isso, fontes renováveis como solar e eólica enfrentam subestimação em sua capacidade de flexibilidade e integração em redes inteligentes.
Essa assimetria nos modelos energéticos tem consequências políticas graves, distorcendo prioridades na transição energética. Decisores públicos recebem essas projeções como verdades científicas, ignorando que se tratam de cenários condicionados a interesses setoriais.
Por outro lado, a capacidade de fabricação de painéis solares e turbinas eólicas no Sul Global, especialmente na China, superou todas as expectativas anteriores. A transição energética avança mais rápido onde há investimento real e menos dependência de promessas tecnológicas distantes.
O alerta final é claro: o planejamento energético deve priorizar evidências concretas sobre apostas em tecnologias que historicamente não cumprem o prometido. Enquanto isso, soluções comprovadas como renováveis e descentralização continuam sendo subestimadas.
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