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WiFi comum já identifica pessoas com precisão de quase 100%, revelam cientistas alemães

4 Comentários🗣️🔥 Ilustração mostra uma pessoa em casa sendo identificada por sinais de WiFi. (Foto: sciencedaily.com) Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), na Alemanha, demonstraram que redes WiFi comuns podem ser transformadas em ferramentas de vigilância capazes de identificar pessoas com precisão quase perfeita. O sistema utiliza apenas sinais de rádio e inteligência […]

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Ilustração mostra uma pessoa em casa sendo identificada por sinais de WiFi. (Foto: sciencedaily.com)

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe (KIT), na Alemanha, demonstraram que redes WiFi comuns podem ser transformadas em ferramentas de vigilância capazes de identificar pessoas com precisão quase perfeita. O sistema utiliza apenas sinais de rádio e inteligência artificial para reconhecer indivíduos mesmo quando eles não carregam nenhum dispositivo ativo.

O professor Thorsten Strufe, do Instituto de Segurança da Informação e Confiabilidade KASTEL do KIT, explicou que, ao observar a propagação das ondas de rádio, é possível criar uma imagem do ambiente e das pessoas presentes. O especialista em cibersegurança comparou o funcionamento ao de uma câmera comum, com a diferença de que ondas de rádio substituem a luz visível.

Diferentemente de sistemas experimentais anteriores que dependiam de sensores caros, o novo método funciona com hardware WiFi comum já instalado na maioria das residências e empresas. Os dispositivos conectados a uma rede sem fio enviam regularmente dados de retorno conhecidos como beamforming feedback information (BFI) ao roteador, e esses dados são transmitidos sem criptografia.

Qualquer pessoa dentro do alcance da rede pode potencialmente ler essas informações, que revelam como os sinais de rádio se refletem em paredes, móveis e corpos humanos. De acordo com artigo publicado no ScienceDaily, os testes envolveram 197 participantes e o sistema atingiu precisão de quase 100% na identificação individual.

O pesquisador Julian Todt, também do KASTEL, alertou que essa tecnologia transforma cada roteador em um meio potencial de vigilância. Ele destacou que uma pessoa que passa regularmente por um café com rede WiFi pode ser identificada sem perceber e reconhecida posteriormente por autoridades ou empresas.

A onipresença das redes sem fio em residências, escritórios, restaurantes e aeroportos amplia enormemente o alcance potencial desse sistema de monitoramento invisível. Felix Morsbach, outro membro da equipe, observou que, embora agências de inteligência já tenham meios mais fáceis de vigilância no momento, as redes WiFi representam uma preocupação única por serem praticamente onipresentes e não levantarem suspeitas.

Os pesquisadores enfatizaram que desligar o smartphone não é suficiente para evitar a detecção, pois outros dispositivos próximos conectados à rede continuam gerando atividade de sinal suficiente para o sistema funcionar. A equipe também expressou preocupação especial com o uso da tecnologia para monitorar cidadãos sem seu conhecimento, defendendo a inclusão de proteções de privacidade mais rigorosas no futuro padrão IEEE 802.11bf.

O projeto foi financiado pelo programa Helmholtz ‘Engineering Secure Systems’ e os resultados foram apresentados na Conferência ACM sobre Segurança de Computadores e Comunicações (CCS) em Taipei. A descoberta acende um debate urgente sobre os limites entre inovação tecnológica e o direito fundamental à privacidade em um mundo cada vez mais conectado.

Leia mais sobre o assunto na sciencedaily.com.


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Lucas Moreira

23/05/2026

Tecnologia de ponta para vigilância em massa e o debate público ainda é sobre WiFi grátis em ônibus sucateado. O Estado que não garante segurança de dados é o mesmo que afugenta capital produtivo com insegurança jurídica.

    Ana Karine Xavante

    23/05/2026

    Lucas, o que você chama de “debate público ainda sobre WiFi grátis em ônibus sucateado” não é um desvio ingênuo de foco. É a superfície visível de um projeto que nunca foi sobre mobilidade ou acesso, mas sobre a gestão algorítmica de corpos racializados, periféricos e indesejados. Enquanto se discute se o trabalhador merece conexão gratuita no trajeto entre a favela e o centro, o verdadeiro desenho institucional já foi implementado: uma malha sensorial que extrai padrões de presença e ausência, transformando o deslocamento do subalterno em dado comercializável e, principalmente, em prova potencial de culpa. O Estado que “não garante segurança de dados” é o mesmo que historicamente tutelou populações indígenas sob o pretexto de proteção, enquanto nos capturava em cadastros, censos e relatórios de “pacificação”. O WiFi que nos identifica com precisão quase total é a continuidade digital do laudo antropológico que dizia se éramos “integrados” ou “selvagens”, um instrumento neocolonial de classificação que decide quem merece ser visto como cidadão e quem deve ser monitorado como ameaça.

    Mas o verdadeiro nó no seu argumento está na ideia de que esse mesmo Estado “afugenta capital produtivo com insegurança jurídica”. De qual capital produtivo estamos falando? Do agronegócio que avança sobre terras demarcadas e espera que a Justiça referende a grilagem como se fosse mera formalidade? Do mercado de carbono que quer transformar florestas em pé em ativos financeiros sem que as comunidades que as protegem tenham soberania sobre esses contratos? Do capital imobiliário que empurra favelas e aldeias urbanas para longe, enquanto constrói condomínios inteligentes onde a vigilância por WiFi é chamada de “comodidade”? A “insegurança jurídica” que você menciona é, na realidade, o último suspiro de freios legais que ainda permitem a resistência de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais contra a acumulação por despossessão. O mesmo ente que não protege meus dados pessoais e permite que minhas coordenadas sejam vendidas a mineradoras é o que rasga a Convenção 169 da OIT e faz consulta prévia de mentirinha. Não há contradição entre o Estado vigilante e o Estado que supostamente afugenta o capital com instabilidade jurídica: na verdade, ele usa a vigilância para conter o dissenso que essa mesma instabilidade gera quando tenta passar a boiada em nome do “produtivismo”.

    A precisão de quase 100% na identificação via WiFi não é um acidente técnico a ser corrigido com mais “segurança de dados”, como se a LGPD, sozinha, fosse resolver o fato de que nossas existências são capturadas por sensores sem consentimento. Para um corpo indígena, ser identificado com tamanha precisão é uma sentença. Líderes espirituais, agentes de saúde, professores e comunicadores de base são mapeados em deslocamentos, enquadrados em grafos de relações, transformados em nós vulneráveis de uma rede de resistência que o Estado e as corporações querem desarticular. A tecnologia que rastreia o trabalhador no ônibus é a mesma que pode rastrear uma marcha de mulheres indígenas até Brasília, identificando quem esteve na linha de frente, quem dormiu em qual acampamento, quem se comunicou com quem. Não se trata de uma ferramenta neutra que carece de regulação; é uma arma de guerra assimétrica contra os movimentos populares, e chamá-la de “tecnologia de ponta” é revesti-la de uma aura de inevitabilidade histórica que desarma qualquer resistência antes mesmo dela começar.

    Portanto, o caminho não é rezar pelo retorno de um “capital produtivo” que se sentiria mais confortável com leis estáveis que garantam o saque sem surpresas judiciais. O caminho é disputar o comum digital como território, assim como disputamos a terra, as águas e o ar. Isso significa exigir não apenas proteção de dados, mas soberania de dados: o direito dos nossos povos de decidir como, quando e se nossas informações serão coletadas, armazenadas e processadas. Significa projetar cidades onde a conectividade não seja a isca para uma armadilha de controle, mas um direito humano fundamental, gerido pela esfera pública com total transparência e participação popular. Enquanto a conversa for sobre WiFi grátis em ônibus sucateado, perpetuamos a armadilha de pedir ao mesmo sistema que nos vigia que nos sirva migalhas de acesso. A resposta não é segurança jurídica para o capital, mas justiça epistêmica e tecnológica para quem sempre soube, desde antes da invenção do roteador, que a verdadeira liberdade é não ser obrigado a se explicar a cada antena no caminho.

Pedro Neto

23/05/2026

Faz o L que o WiFi te acha, comunista.

    Bia Carioca

    23/05/2026

    Pedro, se tem uma coisa que não falta em Niterói é ônibus com câmera e WiFi rastreando trabalhador – isso não é comunismo, é precarização do transporte público que vocês apoiaram.


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