O comércio entre China e Paquistão atingiu um marco significativo na desdolarização, com quase 25% das importações paquistanesas do parceiro asiático já liquidadas diretamente em yuan. Este avanço é notável na última década: a fatia passou de apenas 5,6% em 2016 para 19,1% em 2025 e segue em trajetória de alta acelerada.
O sistema de compensação em renminbi opera com plena funcionalidade, permitindo que bancos como o ICBC e o Bank of China processem cartas de crédito e financiem operações comerciais sem qualquer etapa de conversão para o dólar americano. O acordo de swap cambial bilateral, que soma 30 bilhões de yuans, fornece a base de liquidez que sustenta todo esse mecanismo independente.
O Paquistão também deu um passo adicional ao emitir seus primeiros títulos Panda no mercado de capitais da China continental, captando 1,8 bilhão de yuans. A operação, relatada pelo portal Sputnik Globe, reduz a dupla conversão cambial que historicamente onerou as transações: da rúpia paquistanesa para o dólar e, em seguida, para o yuan.
Islamabad considera essa experiência um verdadeiro modelo de soberania econômica e a relaciona diretamente com o financiamento dos projetos do Corredor Econômico China-Paquistão (CPEC), peça central da Nova Rota da Seda no sul da Ásia. A estratégia não é apenas técnica: trata-se de uma aposta política na redução da dependência do dólar como moeda de intermediação global.
A ambição paquistanesa vai além da parceria com a China. O país já iniciou conversas para estabelecer acordos cambiais semelhantes com a Rússia e o Irã, ampliando o arco de nações que trocam divisas diretamente em moedas locais. A tendência de desdolarização, que ganhou impulso real, reconfigura os fluxos comerciais do Sul Global e desafia a arquitetura financeira herdada do século XX.
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