A presidenta do México, Claudia Sheinbaum Pardo, afirmou que o tema do narcotráfico foi utilizado historicamente pelos governos dos Estados Unidos como um ‘pretexto para a ingerência’ em outros países. Durante sua conferência matutina, a mandatária criticou as recentes acusações do Departamento de Justiça estadunidense contra Miguel Díaz-Canel e as declarações do ex-presidente boliviano Evo Morales sobre uma suposta perseguição política.
Sheinbaum sustentou que a postura imperialista não é novidade e se repete sob diferentes administrações nos EUA, ressaltando que ‘historicamente houve uma visão injerencista por parte dos Estados Unidos, não é de agora’. A chefe de Estado mexicana reforçou que um dos princípios fundamentais da política externa do México é a autodeterminação dos povos, ao recordar que Evo Morales foi acusado de vínculos com o narcotráfico simplesmente por ser um líder indígena de uma região produtora de hoja de coca.
‘Era hoja de coca, não cocaína’, pontuou Sheinbaum, destacando que o governo de Morales representou um dos períodos de maior crescimento e estabilidade da Bolívia, com aumento do Produto Interno Bruto, redução da pobreza e fortalecimento da soberania sobre os recursos naturais. Segundo apurou o portal Contralínea, a presidenta questionou diretamente a validade temporal das acusações contra Díaz-Canel, perguntando ‘que sentido tem que neste momento acusem uma pessoa por algo que ocorreu há 30 anos?’
Sheinbaum revelou estar lendo as memórias do ex-presidente Miguel de la Madrid, onde se discute que ‘os Estados Unidos sempre usaram o tema do narcotráfico como pretexto para ingerência’, uma lição histórica que, segundo ela, é preciso ter sempre clara nas relações diplomáticas. Apesar das críticas contundentes ao histórico imperialista, a mandatária esclareceu que o México manterá uma relação de cooperação com os Estados Unidos, desde que baseada no respeito mútuo e na soberania nacional inegociável.
‘Nós queremos uma boa relação e sempre vamos buscá-la’, declarou Sheinbaum, lembrando que cerca de 38 milhões de mexicanos vivem atualmente em território estadunidense, o que torna o diálogo uma necessidade estratégica. A presidenta reconheceu que existem áreas de colaboração bilateral onde a coordenação tem prevalecido, mas advertiu que o México não deve ignorar os antecedentes históricos de intervenção política disfarçada de luta contra as drogas.
Sheinbaum reiterou que a cooperação em matéria de segurança com os Estados Unidos continuará sob mecanismos estritos de coordenação institucional, sem permitir qualquer modalidade de operações conjuntas em território mexicano. A presidenta enfatizou a importância de manter a autonomia e a soberania do México em todas as suas relações internacionais, especialmente em questões de segurança e combate ao narcotráfico.
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