A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (DARPA) está planejando lançar um satélite robótico, batizado de Robotic Servicing of Geosynchronous Satellite (RSGS), no verão deste ano. O satélite poderá realizar reparos e reabastecimento em órbita geoestacionária, a mais de 35 mil quilômetros da Terra.
Este projeto representa uma mudança significativa na indústria espacial, promovendo a manutenção em ativos que atualmente são descartados após falhas ou esgotarem combustível. O RSGS incluirá um conjunto robótico capaz de realizar tarefas como inspeção, atualização de componentes, correção de anomalias e realocação de satélites já em posição.
A iniciativa visa reduzir o lixo espacial e prolongar a vida útil de equipamentos custosos, que chegam a centenas de milhões de dólares para serem colocados em órbita. A órbita geoestacionária, localizada a aproximadamente 22.236 milhas da superfície terrestre, é crítica para telecomunicações, monitoramento climático e vigilância de defesa, com satélites que acompanham a rotação do planeta e fornecem cobertura fixa.
Conforme relata o Space.com, o programa RSGS enfrentou adiamentos desde seu anúncio em 2017, com a saída da contratada Maxar Technologies em 2019 e interrupções na cadeia de suprimentos durante a pandemia. A Northrop Grumman, por meio de sua subsidiária SpaceLogistics, assumiu o contrato principal e integrou a carga útil da DARPA à espaçonave.
A missão conta com uma viagem de 10 meses até a órbita geoestacionária, com início das operações previstas para 2027. A agência trabalha em parceria com o Laboratório de Pesquisa Naval dos EUA para garantir que o sistema robótico seja adaptado a diferentes missões e condições em órbita.
O RSGS foi projetado para não apenas reabastecer, mas também instalar novas cargas úteis em satélites ainda funcionais, mas com tecnologia desatualizada. A DARPA argumenta que muitos equipamentos têm sua vida útil encurtada não por falhas mecânicas, mas porque seus sistemas ficam ultrapassados, resultando em um custo imenso para operadores que precisam substituir ativos valiosos.
Um satélite geoestacionário tradicional tem uma vida útil média de 15 anos, de acordo com o Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE). Em contraste, constelações de órbita baixa, como a Starlink da SpaceX, operam com ciclos de renovação mais curtos e econômicos. A manutenção em órbita alta se torna uma necessidade financeira para investidores em satélites de grande porte.
O RSGS não é o único programa de serviços orbitais. Empresas como a Astroscale e a Thales Alenia Space também estão desenvolvendo tecnologias para reparo e remoção de detritos espaciais, em resposta ao aumento do risco de colisões entre satélites ativos e lixo espacial acumulado ao longo das décadas.
A DARPA acredita que sua abordagem vai além do reabastecimento pontual, visando criar uma infraestrutura sustentável no espaço onde os satélites possam ser atualizados e mantidos, em vez de descartados. A transição de ativos espaciais descartáveis para sistemas resilientes e reaproveitáveis deve alterar as operações espaciais no setor público e privado.
Leia mais sobre o assunto na space.com.
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