A Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos Estados Unidos (DARPA) anunciou um investimento de US$ 5,2 milhões na startup Avalanche Energy para desenvolver baterias nucleares de alta densidade destinadas a satélites e sistemas orbitais. O contrato faz parte do programa *Rads to Watts*, que busca criar fontes de energia capazes de operar por longos períodos no espaço.
Segundo a DARPA, o objetivo é alcançar uma capacidade de 10 watts por quilograma, superando as limitações das baterias radioativas tradicionais, que geram cerca de 2 watts-hora por quilograma. A tecnologia atual já é usada em missões civis, como os rovers da NASA em Marte, mas sua baixa eficiência restringe aplicações de longo prazo.
A Avalanche Energy trabalhará em células alfavoltaicas, dispositivos de estado sólido que convertem partículas alfa de isótopos radioativos em eletricidade. O processo é semelhante ao de painéis solares, mas usa radiação em vez de luz, permitindo operação em áreas sem exposição solar.
As baterias deverão resistir a condições extremas, como variações bruscas de temperatura e radiação cósmica, que danificam componentes eletrônicos convencionais. Testes de resiliência serão conduzidos pelo Laboratório Nacional de Los Alamos, em parceria com o Instituto de Tecnologia da Califórnia e a Universidade de Utah.
Em comunicado, a DARPA afirmou que a tecnologia tem aplicações civis e militares, incluindo sistemas de vigilância e comunicação. Robin Langtry, CEO da Avalanche Energy, declarou que os avanços obtidos com o financiamento militar também beneficiarão projetos de fusão nuclear comercial.
O investimento ocorre em um contexto de competição espacial entre potências. Enquanto os EUA defendem regras para o uso pacífico do espaço na ONU, iniciativas como essa reforçam o desenvolvimento de infraestrutura militar orbital. Países como China e Rússia também avançam em programas espaciais próprios, incluindo sistemas de energia nuclear para missões de longa duração.
Especialistas apontam que baterias nucleares compactas podem estender a vida útil de satélites militares, aumentando a autonomia de equipamentos de inteligência e guerra eletrônica. Para analistas de defesa, o projeto reflete a estratégia dos EUA de manter superioridade tecnológica no espaço.
Com informações de interestingengineering.com.


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