Cientistas anunciaram que uma vacina universal contra coronavírus, desenhada com inteligência artificial, passou com sucesso seu primeiro teste clínico em humanos. A vacina demonstrou ser segura, bem tolerada e capaz de gerar respostas imunológicas contra múltiplas cepas de coronavírus simultaneamente.
O desenvolvimento da vacina utilizou inteligência artificial para projetar antígenos que visam regiões conservadas compartilhadas por várias cepas de coronavírus, incluindo o SARS-CoV-2 e suas variantes, SARS-CoV-1, MERS-CoV, e diversos coronavírus de morcegos considerados ameaças potenciais de pandemia.
Os pesquisadores afirmam que a vacina representa uma nova abordagem para a preparação contra pandemias. Em vez de atualizar reforços para combinar com a última variante, uma vacina universal contra coronavírus poderia fornecer proteção contra uma ampla gama de coronavírus. Essa proteção pode não exigir reformulação anual e permanecer eficaz contra novos coronavírus emergentes antes mesmo de serem completamente identificados e estudados.
O ensaio clínico de Fase 1 focou em três questões-chave: segurança, tolerabilidade e imunogenicidade, ou seja, a capacidade da vacina de desencadear uma resposta imune. Os resultados foram positivos em todas as áreas.
Não foram relatados eventos adversos graves, e os participantes toleraram bem a vacina em todos os níveis de dose. Os dados de resposta imune mostraram que a vacina gerou anticorpos contra múltiplas variantes do espinhaço do coronavírus, incluindo cepas que os participantes nunca haviam encontrado antes. Esta resposta imune ampla e cruzada é o que distingue uma vacina universal de uma projetada para uma cepa específica.
Embora os resultados não mostrem que a vacina previne a infecção, eles indicam que o antígeno desenhado por IA pode produzir o tipo de resposta imune desejada em humanos, um passo importante para o desenvolvimento adicional.
A inteligência artificial acelerou o processo de design dos antígenos, permitindo que os sistemas de aprendizado de máquina avaliassem milhões de possíveis designs muito mais rapidamente do que os métodos laboratoriais tradicionais. Isso possibilitou a identificação de candidatos que combinam características essenciais: conservação em muitas cepas de coronavírus, acessibilidade aos anticorpos e alta probabilidade de desencadear uma forte resposta imune.
Instituições-chave na pesquisa da vacina contra o coronavírus incluem a Escola de Medicina Baylor no Texas Medical Center, liderada por Peter Hotez, junto com a Faculdade de Medicina Feinberg da Universidade Northwestern e a Divisão de Ciências Biológicas da Universidade de Chicago. O trabalho é particularmente relevante para Houston e Chicago, que enfrentaram pressões severas nos hospitais durante a COVID-19. O Centro Médico do Texas tornou-se um exemplo de capacidade de UTI sobrecarregada, enquanto o sistema hospitalar de Chicago também enfrentou pressões semelhantes.
Embora uma vacina universal contra coronavírus não impeça todas as doenças respiratórias, ela poderia reduzir o risco de futuras pandemias, fornecendo proteção precoce e ampla contra novas cepas de coronavírus antes que elas se manifestem plenamente.
Para avançar, serão necessários ensaios clínicos de Fase 2 para mostrar se a vacina pode realmente prevenir a infecção ou reduzir a gravidade da doença. Esses estudos são mais complexos e caros do que a Fase 1 e geralmente requerem transmissão contínua do vírus para que os pesquisadores possam medir resultados no mundo real. Os desenvolvedores da vacina desenhada por IA planejam realizar testes de Fase 2 em locais internacionais onde os coronavírus ainda estão circulando, e podem abranger múltiplas cepas simultaneamente.
Reguladores da Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) ainda não definiram um caminho claro para a aprovação de uma vacina universal contra coronavírus. Embora a agência tenha experiência em revisar vacinas específicas de cepas para a COVID-19 e vacinas de gripe atualizadas anualmente, uma única dose projetada para proteger contra múltiplas espécies de coronavírus representa uma nova categoria regulatória. Como resultado, o desenvolvimento e a aprovação completos são esperados para levar anos, em vez de meses.
Mesmo assim, a passagem pelos ensaios clínicos de Fase 1 marca um marco importante. Para os pesquisadores que trabalham em direção a uma vacina universal contra coronavírus desde a autorização das primeiras vacinas contra a COVID-19 em dezembro de 2020, o anúncio sinaliza o início de uma nova fase na pesquisa de vacinas contra o coronavírus.
Segundo revelou o portal Medicaldaily.com, a pesquisa continua avançando, prometendo transformar a forma como encaramos a prevenção e a gestão de futuras pandemias.


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