O deputado federal José Guimarães (PT), líder do governo Lula, anunciou que, após a conclusão do processo de repatriação dos brasileiros na Faixa de Gaza, defenderá a expulsão do embaixador de Israel no Brasil, Daniel Zonshine.
“Como a prioridade é repatriar os brasileiros, depois disso eu vou defender claramente que esse embaixador seja expulso do Brasil”, afirmou Guimarães durante uma entrevista ao programa O POVO News.
O representante da diplomacia israelense, Zonshine, teve um encontro com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na última quarta-feira (8), nas dependências da Câmara dos Deputados.
Após o encontro, parlamentares bolsonaristas começaram a atribuir ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) a influência a favor dos brasileiros, cuja saída de Gaza havia sido autorizada naquele momento.
Através das redes sociais, Mario Frias (PL-SP) chegou a afirmar que, “enquanto Lula passou todo esse tempo atacando Israel, Bolsonaro intercedeu pelos brasileiros que estão na Faixa de Gaza”.
Na visão de Guimarães, no entanto, “Bolsonaro nem fede nem cheira nessa discussão sobre a guerra e repatriação dos brasileiros”.
“Ele presta um desserviço à vida e ao processo de diálogo que a diplomacia brasileira está fazendo com Israel e demais países árabes para repatriar esses brasileiros”.
Conforme declarado pelo deputado, “se tem uma coisa que nosso governo está fazendo com êxito é essa política humanitária”, que já resultou no resgate de “ao menos de 1600 brasileiros e brasileiras” da zona de conflito entre Israel e o Hamas.
O deputado também comunicou que, no momento, a principal prioridade do presidente é repatriar 34 cidadãos do país, os quais “a qualquer momento podem sair e cruzar a fronteira em direção ao Egito”.
Cumprida essa etapa, continuou Guimarães, “vamos discutir isso (a expulsão)”
“Como é que um embaixador de um país que reconhecemos como estado vai se reunir com um governo que perdeu as eleições? É um desserviço à paz, à democracia e à questão humanitária. Nós temos plena consciência”.
As declarações do deputado cearense estão em sintonia com as de outros membros do partido, como os deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), vice-líder do governo, e Gleisi Hoffmann. Estes últimos consideram que a “aliança espúria entre Bolsonaro e o embaixador de Israel é mais repugnante ainda porque envolve a segurança e a vida de cidadãos brasileiros”.
Quaest desmonta narrativa de Bolsonaro sobre repatriação de brasileiros em Gaza

Apesar dos esforços dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, que utilizaram suas plataformas online para atribuir ao ex-presidente a responsabilidade nas negociações para evacuar os brasileiros da Faixa de Gaza, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva continua sendo percebido como o garantidor da diplomacia brasileira.
Um levantamento da consultoria Quaest, divulgado nesta sexta-feira, revelou que apenas 23% dos comentários nas redes sociais endossavam a alegação de que o ex-chefe do Executivo, mesmo após conceder uma entrevista reforçando seu suposto papel no episódio, teria desempenhado um papel significativo no processo de repatriação, que ainda está em andamento.
A análise, que compilou todas as informações disponíveis na internet sobre o tema desde as 15h desta quinta-feira até as 15h desta sexta-feira, indicou que 74% do conteúdo compartilhado nas redes sociais era favorável ao governo atual. “Bolsonaro até conseguiu convocar seus soldados digitais para a guerra, mas não conseguiu furar a bolha. Pelo menos até aqui”, avaliou Felipe Nunes, diretor da Quaest, em post no X (antigo Twitter).
Lula vê motivação política de Israel na detenção de brasileiros em Gaza
O presidente Lula (PT), expressou sua insatisfação ao ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, acerca do atraso na liberação dos cidadãos brasileiros na fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza. Demonstrando irritação, Lula busca esclarecimentos sobre os motivos que levaram à detenção do grupo de 34 pessoas que permanecem na área de conflito.
Lula está considerando a possibilidade de que a não liberação dos brasileiros possa ser uma forma de retaliação por parte de Israel em relação ao papel do Brasil como presidente do Conselho de Segurança da ONU durante todo o mês de outubro. Ele sugere que a atuação do país nessa posição pode estar relacionada ao impasse na fronteira do Egito com a Faixa de Gaza.
Diplomatas experientes do Itamaraty compartilham a mesma percepção de Lula. Durante o período em que o Brasil ocupou a presidência do Conselho de Segurança, o país adotou posições contrárias a Israel, como a não aceitação do “direito de defesa” israelense no conflito com o Hamas. Essas posturas podem estar contribuindo para a complexidade da situação na fronteira do Egito com a Faixa de Gaza.
Na semana passada, o Brasil encaminhou perguntas à diplomacia do Egito e de Israel, buscando esclarecimentos sobre os critérios para a liberação de estrangeiros. Até o momento, entretanto, as indagações não receberam resposta por parte desses países.
Com informações do O POVO e do Metrópoles.


EdsonLuíz.
12/11/2023
ocafezinho vai denunciar o terrorismo árabe apoiado pelas ditaduras da China e da Rússia.
Ou não vai?
Paulo
11/11/2023
Não vejo problemas em um ex-presidente da República se encontrar com um embaixador de um país que lhe era favorável no passado recente, e vice-versa (embora as razões desse favorecimento possam ser discutidas). Não vejo, sinceramente, como uma “traição” ao governo eleito (Lula). Mas que isso possa estar na raiz da dificuldade de expatriação dos brasileiros em Gaza já me parece comprometedor, se puder ser provado…
Patriotário
11/11/2023
Tem de ser expulso, com um bico no rabo…