A eleição presidencial de 2026 começa a apresentar sinais cristalizados de uma polarização entre o presidente Lula e Flávio Bolsonaro. O levantamento divulgado pelo Datafolha neste sábado indica que os dois aparecem tecnicamente empatados em um eventual segundo turno, cenário que reforça a guerra simbólica que marcou, por exemplo, as eleições de 2022.
Segundo os dados publicados pela Folha de S.Paulo, Lula registra 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 43%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A pesquisa foi realizada entre 3 e 5 de março, com 2.004 eleitores em 137 municípios, e está registrada na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.
Embora ainda distante do início da campanha, onde as estratégias, emoções e percepções mudam a todo momento, o levantamento revela mudanças relevantes no jogo eleitoral, especialmente pela consolidação de Flávio Bolsonaro como chefe da oposição e o sucessor natural do bolsonarismo após a inelegibilidade e prisão do ex-presidente Bolsonaro.
Primeiro turno mantém Lula na dianteira, mas oposição junta os cacos e se reorganiza
Nas simulações de primeiro turno, Lula mantém seu recorte histórico que sempre o manteve na largada em todos os cenários avaliados, com índices entre 38% e 39% das intenções de voto.
No cenário considerado mais provável pelo instituto, o presidente aparece com 38%, seguido por Flávio que aparece com 32%.
Ou seja, o maior problema de Lula neste momento é se mostrar mais competitivo ao ponto de não levar sustos dos adversários e isso só será possível se o petista adotar medidas no governo, especialmente na economia, que mude a percepção e alivie o bolso da população .
A respeito disso, o eleitor está mandando duros recados ao presidente Lula, tais como:
- A economia melhorou, mas o salário ainda não está dando conta.
- As garantias e avanços que os governos petistas fizeram consideramos como “nossos” de direito. Ou seja, queremos
mais conquistas e avanços que os governos petistas são acostumados a garantir. - Se quiser reeleição, não abra somente os cofres do governo e mande o teto de gastos do Haddad para o espaço, mas também nos ofereça um projeto capaz de mudar de verdade, estruturalmente, nossas vidas no presente e no futuro.
Voltando a pesquisa, outros nomes testados aparecem em patamares mais baixos:
Ratinho Júnior (PSD) — 7%
Romeu Zema (Novo) — 4%
Renan Santos (Missão) — 3%
Aldo Rebelo (DC) — 2%
O levantamento ainda mostra que 11% dos entrevistados rejeitam todos os nomes apresentados, enquanto 3% afirmam não saber em quem votar.
O resultado da pesquisa indica dois movimentos simultâneos: a manutenção da liderança eleitoral de Lula, sustentada pela visibilidade da presidência e pela estrutura partidária do PT, e a reorganização da oposição em torno de um candidato “natural”, de sangue e identificado com o bolsonarismo.
Voto espontâneo marca território e consolida o herdeiro político do bolsonarismo
Um dos dados mais observados por especialistas é o da intenção de voto espontâneas, modalidade em que o eleitor menciona candidatos sem receber uma lista prévia.
Nesse cenário, Lula aparece com 25%, enquanto Flávio Bolsonaro surge com 12%. Já Jair Bolsonaro, mesmo inelegível, ainda é citado por 3% dos entrevistados.
O dado chama atenção porque, na rodada anterior da pesquisa, realizada em dezembro, Flávio sequer havia sido mencionado espontaneamente. O surgimento dele nessa categoria indica maior recall nacional de sua possível candidatura, reforçando a hipótese de que ele possa herdar grande parte do capital político do pai.
Segundo turno deixa Flávio e Ratinho no “cangote” de Lula
Outro ponto relevante da pesquisa é a diminuição da vantagem de Lula nas simulações de segundo turno.
Na pesquisa anterior do Datafolha, realizada em dezembro, o presidente aparecia 15 pontos percentuais à frente de Flávio Bolsonaro. Agora, o cenário mostra empate técnico, com 46% a 43%.
Quando o adversário testado é Ratinho Jr., Lula aparece com 45%, enquanto o governador do Paraná registra 41%.
A diferença menor nas simulações de segundo turno indica que a oposição conseguiu despertar a expectativa de vitória de um bloco anti-Lula — um espaço que envolve disputas internas entre nomes como Ratinho Jr., Romeu Zema e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, frequentemente citado como possível presidenciável.
Bases eleitorais reproduzem clivagens das eleições recentes
A pesquisa também revela que o comportamento eleitoral continua reproduzindo padrões observados nas eleições de 2018 e 2022.
Lula apresenta desempenho mais forte entre:
- eleitores do Nordeste
- pessoas com menor renda
- eleitores com menor escolaridade
- católicos
Entre os entrevistados que recebem até dois salários mínimos, o presidente alcança 42% das intenções de voto.
Já Flávio Bolsonaro registra maior apoio entre:
- evangélicos
- eleitores do Sul
- moradores das regiões Norte e Centro-Oeste
Entre os evangélicos, que representam 28% da amostra, o senador alcança 48% das preferências, confirmando a continuidade do peso desse segmento religioso na base eleitoral associada ao bolsonarismo.
Rejeição elevada mantém disputa aberta
A pesquisa também mediu os índices de rejeição dos candidatos.
Os resultados mostram patamares muito semelhantes entre os dois principais nomes:
Lula — 46% dizem que não votariam nele
Flávio Bolsonaro — 45%
O governador Ratinho Jr. apresenta a menor rejeição, com 19%, mas também registra alto nível de desconhecimento nacional, já que 38% dos entrevistados afirmam não conhecê-lo.
Geralmente, os níveis elevados de rejeição podem tornar campanhas eleitorais mais imprevisíveis, pois ampliam o espaço para movimentos de voto útil, alianças de última hora e mudanças de cenário durante a campanha.


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