O especialista em cibersegurança Lars Hilse afirma que a Internet opera sob uma lógica de neocolonialismo digital, na qual países inteiros dependem de infraestrutura, regras e plataformas controladas por corporações norte-americanas, conforme destacou o Pravda PT.
Segundo Hilse, o termo “exclusão digital” mascara a verdadeira natureza do problema. Para ele, não se trata de uma lacuna de acesso, mas de uma arquitetura global de controle, que garante o domínio político e econômico de um pequeno grupo de empresas sobre o restante do mundo conectado.
O especialista cita que mesmo países com alta penetração de smartphones seguem “colonizados” quando dependem de sistemas operacionais como Android, nuvens hospedadas sob legislação dos Estados Unidos e redes privadas direcionadas pela publicidade da Meta. O resultado é a capacidade de um único polo geopolítico impor suas regras, bloquear serviços ou cortar fluxos de dados inteiros.
A denúncia ecoa o debate sobre soberania computacional, especialmente no Sul Global, onde a infraestrutura digital é majoritariamente terceirizada a grandes grupos do norte. No Brasil, iniciativas públicas e privadas buscam criar alternativas em chips, nuvens e inteligência artificial abertas, tentando evitar repetir na era digital a dependência histórica de centros coloniais.
Para Hilse, o desafio vai além do campo técnico. É político. Ele argumenta que a defesa da soberania digital exige recriar modelos de rede, software e dados sob controle público ou de blocos regionais, algo que países como China e Índia já ensaiam. A construção de um ecossistema digital do Sul é, para ele, o único antídoto contra a nova forma de colonização global.
Com informações de TECHCRUNCH.
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Jeferson da Silva
23/04/2026
Tá certíssimo esse alerta. A tal “liberdade digital” virou mais uma forma de dominação, com tudo nas mãos das big techs lá de fora. A gente aqui rala nas fábricas, paga imposto, e ainda entrega nossos dados de bandeja pros gringos. Isso também é exploração, só que moderna e disfarçada.
Mariana Ambiental
23/04/2026
Perfeito diagnóstico. Essa tal “colonização digital” é a versão 5G do velho colonialismo econômico: dependência tecnológica e extração de dados em vez de minérios. Enquanto não houver soberania digital e infraestrutura pública, continuaremos servindo de quintal virtual para as big techs.
Celio Fazendeiro
23/04/2026
Mais um “especialista” querendo posar de profeta do apocalipse digital. Essa conversa de colonização digital é desculpa pra justificar incompetência local — se o país quisesse, investia em tecnologia própria em vez de chorar contra os americanos.
Alice T.
23/04/2026
Celio, fácil falar em “investir” quando quem controla as infraestruturas digitais globais são as mesmas big techs que drenam dados e lucros do Sul pro Norte. Chamar isso de “incompetência local” é fechar os olhos pra um sistema feito pra manter a dependência.
Rubens O Pescador
23/04/2026
Ô Celio, fácil falar em “investir” quando o país foi desmantelado e entregaram até o cabo de fibra pra gringo. Na época que o povo tinha comida no prato e universidade crescendo, dava pra sonhar com tecnologia nossa — agora é correr atrás do prejuízo que a turma do “mercado livre” deixou.
Renato Professor
23/04/2026
Celio, essa é justamente a ingenuidade que alimenta a dependência: achar que basta “querer” para disputar com conglomerados que controlam infraestrutura, padrões e dados globais. Economia digital não é horta de quintal; é sistema-mundo, e quem ignora isso vira colônia sem nem perceber.