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Pegadas de dinossauros na África do Sul revelam segredos de 132 milhões de anos

0 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Pegadas de dinossauros na África do Sul revelam segredos de 132 milhões de anos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Uma descoberta arqueológica na costa do Cabo Ocidental, na África do Sul, está redefinindo o que se sabia sobre a sobrevivência dos dinossauros no sul da África. Pesquisadores do African Centre […]

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Ilustração editorial sobre Pegadas de dinossauros na África do Sul revelam segredos de 132 milhões de anos. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Uma descoberta arqueológica na costa do Cabo Ocidental, na África do Sul, está redefinindo o que se sabia sobre a sobrevivência dos dinossauros no sul da África. Pesquisadores do African Centre for Coastal Palaeoscience, vinculado à Nelson Mandela University, encontraram dezenas de pegadas fossilizadas com aproximadamente 132 milhões de anos, as mais recentes já registradas na região, em um trecho rochoso próximo à cidade de Knysna.

O achado é particularmente relevante porque preenche uma lacuna de quase 50 milhões de anos no registro fóssil local, desde que erupções vulcânicas devastadoras cobriram a Bacia do Karoo com lava há 182 milhões de anos. Até então, a comunidade científica acreditava que os dinossauros haviam sido dizimados na região após esse evento cataclísmico, mas as novas evidências sugerem que eles persistiram em áreas costeiras por muito mais tempo, conforme apontou o estudo publicado na South African Journal of Science.

A área onde as pegadas foram encontradas, conhecida como Formação Brenton, é uma pequena exposição rochosa de apenas 40 metros de comprimento e cinco metros de largura, parcialmente submersa durante a maré alta. Apesar de suas dimensões modestas, o sítio revelou mais de duas dezenas de rastros, indicando que dinossauros eram relativamente comuns na região durante o período Cretáceo. Charles Helm e Willo Stear, pesquisadores associados à Nelson Mandela University e autores principais do estudo, destacaram que o ambiente da época era radicalmente diferente do atual, com canais de maré e uma vegetação exuberante que provavelmente servia de refúgio para essas criaturas.

As pegadas pertencem a diferentes grupos de dinossauros, incluindo terópodes, carnívoros bípedes que deixaram marcas afiadas no solo, possíveis ornitópodes, herbívoros bípedes de porte médio, e até sauropodomorfos, quadrúpedes de pescoço longo que poderiam atingir dimensões colossais. A identificação precisa das espécies, no entanto, permanece um desafio, já que rastros fósseis nem sempre preservam detalhes anatômicos suficientes para uma classificação definitiva. Ainda assim, a diversidade de pegadas reforça a ideia de que o sul da África abrigava uma fauna dinossauriana rica e variada mesmo após o fim do período Jurássico.

Esta não é a primeira vez que a região surpreende os paleontólogos. Em 2025, pesquisadores já haviam relatado pegadas de dinossauros com cerca de 140 milhões de anos em outra formação rochosa do Cabo Ocidental, a Formação Robberg. Juntas, essas descobertas sugerem que o litoral sul-africano pode esconder outros sítios paleontológicos ainda não explorados, especialmente em áreas com exposições de rochas não marinhas do Cretáceo. Fred Van Berkel, Mark G. Dixon e Linda Helm, integrantes da equipe de pesquisa, acreditam que buscas sistemáticas em outras localidades do Cabo Ocidental e Oriental poderiam revelar mais ossos, pegadas e até vestígios de outros animais pré-históricos que habitaram a região.

O registro fóssil do sul da África é um dos mais ricos do mundo para o período Mesozoico, especialmente na Bacia do Karoo, onde camadas espessas de rochas sedimentares preservaram uma abundância de rastros e vestígios de vertebrados. No entanto, a intensa atividade vulcânica que formou o Grupo Drakensberg acabou soterrando grande parte desses fósseis sob fluxos de lava, criando a falsa impressão de que os dinossauros haviam sido extintos na região. As novas descobertas na costa, portanto, não apenas reescrevem a história da paleofauna local, mas também demonstram a resiliência desses animais diante de mudanças ambientais drásticas.

Além das pegadas, o sítio de Knysna já havia rendido outros achados significativos, como um dente de terópode encontrado por um garoto de 13 anos em 2017 e fragmentos de uma tíbia que ajudaram a compor o quebra-cabeça da presença desses animais na região. Esses vestígios, embora escassos, reforçam a ideia de que a área foi um refúgio para dinossauros durante o Cretáceo Inferior, quando o supercontinente Gondwana começava a se fragmentar e novas bacias sedimentares se formavam ao longo do que hoje é a costa sul-africana. A combinação de fósseis corporais e rastros oferece uma visão mais completa da ecologia desses animais, que provavelmente se deslocavam por ambientes costeiros e fluviais em busca de alimento e abrigo.

A preservação das pegadas em um ambiente tão dinâmico quanto a zona entremarés é um fenômeno raro e fascinante para os cientistas. As marcas foram deixadas em sedimentos que, ao longo de milhões de anos, se transformaram em rocha, resistindo à erosão e à ação constante das ondas. Esse processo de fossilização, conhecido como litificação, permitiu que os rastros chegassem até os dias atuais, oferecendo uma janela única para o passado. A equipe de pesquisadores agora planeja expandir as buscas para outras formações geológicas da região, na esperança de encontrar mais evidências que ajudem a reconstruir o cenário ecológico do sul da África há mais de 100 milhões de anos.


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