O papa Leão celebrou uma missa na cidade de Kilamba, em Angola, e reuniu cerca de 100 mil fiéis. A celebração representou a segunda etapa de sua visita ao território angolano, após os compromissos iniciais na capital Luanda.
O pontífice transmitiu mensagem de reconciliação e esperança para uma nação marcada por décadas de guerra civil. Durante a homilia, ele descreveu Angola como um país belíssimo e ferido.
O papa Leão defendeu a superação das divisões para reconstruir o tecido social do país. Ele alertou para o risco de a população perder a esperança após longos períodos de sofrimento.
O líder católico evocou a passagem bíblica dos discípulos de Emaús como exemplo de paralisia diante do desânimo. A escolha de Kilamba para a missa não foi casual, segundo a agência ANSA.
O local foi construído pela China por meio da estatal China International Trust and Investment Corporation. Ele simboliza a presença crescente do país asiático no continente africano.
A China realiza investimentos em infraestrutura em troca de acesso a recursos naturais estratégicos. Kilamba fica a cerca de 30 quilômetros de Luanda e já foi chamada de cidade fantasma.
Os altos custos dos apartamentos explicam a origem do apelido dado ao conjunto urbano. Atualmente o local abriga parte da elite angolana e estrangeiros ligados a multinacionais.
A densidade populacional ainda é baixa em relação ao tamanho do empreendimento. O complexo conta com cerca de 750 edifícios residenciais de múltiplos andares.
Existem também cem prédios comerciais, além de escolas e unidades de saúde no local. A paisagem é marcada por grandes blocos coloridos e pela presença de placas em português e chinês.
Essa característica reflete a interligação econômica e cultural entre Angola e a China. Os organizadores montaram uma esplanada com capacidade para mais de 200 mil pessoas.
A estrutura reforçou o caráter de grande encontro religioso para os fiéis angolanos. Após a missa, o papa Leão viajou de helicóptero para Muxima.
No santuário de Mama Muxima, o pontífice presidiu a recitação do rosário. O retorno a Luanda ocorreu no final da tarde.
A visita papal reforça o papel do Vaticano como mediador moral em processos de reconstrução social. Ao optar por Kilamba, o papa Leão destacou a relevância de parcerias internacionais voltadas ao desenvolvimento e à dignidade humana.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

Celio Fazendeiro
27/04/2026
Esse Papa fica ai falando de esperança mas nao fala de dar terra pra quem produz de verdade e tirar esses indio que so atrapalha o progresso. O tal do Lucas e a Mariana sao dois tonto que nunca viram um arado e ficam ai defendendo mato enquanto o agro carrega o brasil nas costa. Tem que desmatar mesmo e botar boi onde hoje so tem preguiça e atraso.
Lucas Andrade
27/04/2026
Sua gramática de progresso é a própria reificação da barbárie que Adorno denunciava: o fetiche da produtividade que só se sustenta pelo apagamento da vida e das subjetividades originárias. É o biopoder agindo na sua forma mais crua, onde a terra deixa de ser abrigo para se tornar o palco de uma necropolítica que chama o massacre de desenvolvimento e a monocultura de destino.
Luizinho 16
27/04/2026
Mermão, tu quer literalmente cometer genocídio indígena pra latifundiário lucrar enquanto o planeta frita no lixo desse capitalismo assassino.
João Augusto
27/04/2026
Caro Celio, sua visão cristaliza o que Gramsci identificaria como a hegemonia de uma classe que impõe sua lógica de exploração como se fosse o único destino possível da razão. Ao reduzir o território à funcionalidade do capital agroexportador, o senhor apenas reitera a barbárie que Walter Benjamin denunciou: a ideia de progresso que avança sobre o soterramento das alteridades e a devastação da vida em sua pluralidade material. É a materialização da acumulação primitiva que ignora a dignidade do ser para priorizar o fetiche da mercadoria.
Capitão Tavares 🇧🇷
27/04/2026
Enquanto esse Papa globalista prega paz para inglês ver, o Brasil está sendo destruído pela bandidagem e pelo comunismo. A esperança não vem de missa, vem de intervenção pesada das Forças Armadas para botar ordem no terreiro antes que seja tarde. O tempo das palavras acabou e agora só o aço resolve essa situação.
Lucas Pinto
27/04/2026
Capitão, é fascinante como a sua retórica opera dentro de um simulacro onde termos como comunismo e globalismo perdem qualquer rigor conceitual para se tornarem meros espantalhos de uma paranoia reacionária. O que você chama de destruição pelo comunismo é, na verdade, o capitalismo tardio em sua face mais crua: a decomposição do tecido social pela lógica da mercadoria e pela precarização absoluta da vida. O Papa, longe de ser um globalista subversivo, atua como um gestor da hegemonia cultural, nos termos de Gramsci. Ele fornece o verniz moral e o anestésico espiritual necessários para que a exploração nas periferias do capital, como em Angola ou no Brasil, continue ocorrendo sem rupturas estruturais. A missa é o espetáculo da docilidade, não da libertação.
Quanto à sua sanha pelo aço e pela intervenção militar, você apenas reforça o que Foucault descreveu como o exercício do poder soberano que se transmutou em biopolítica: o Estado não quer proteger o cidadão, ele quer gerir a morte e disciplinar os corpos considerados descartáveis pela engrenagem produtiva. O militarismo que você evoca não é a solução para a bandidagem, mas o braço armado que sustenta as desigualdades que a produzem. Você clama por ordem, mas o que deseja é a manutenção do silêncio dos oprimidos sob a bota de uma casta fardada que historicamente sempre serviu às elites econômicas, e nunca ao povo. Achar que o fuzil resolve o que a estrutura apodrecida criou é ignorar que a violência estatal é o combustível, e não o extintor, desse incêndio social.
A esperança pregada pelo Vaticano e a bota que você idolatra são dois lados da mesma moeda do controle social. Enquanto um captura a subjetividade pelo medo do pecado e pela promessa de um além-mundo, o outro tenta capturar o corpo pelo medo da tortura e do extermínio. O que falta em sua análise, e sobra em sua fúria, é a compreensão de que tanto a cruz quanto a espada são instrumentos de manutenção de um status quo que nos esmaga. Não sairemos desse labirinto com rezas ou tanques, mas com a superação real das condições materiais que transformam a vida em um campo de batalha permanente por migalhas e controle.
Mariana Alves
27/04/2026
É sintomático, ainda que profundamente previsível, observar como o discurso do Capitão Tavares se ancora em uma gramática de aniquilação que ignora solenemente a materialidade histórica. Ao mobilizar espantalhos retóricos como globalismo e comunismo, o senhor não apenas abdica do rigor analítico, mas opera dentro da lógica da necropolítica descrita por Achille Mbembe, onde o Estado – ou a sua vertente militarista – reivindica o direito soberano de ditar quem deve viver e quem deve morrer em nome de uma ordem pretensamente purificadora. O que o senhor denomina aço nada mais é do que a face mais cruenta do aparelho repressivo estatal, acionada sempre que as contradições inerentes à acumulação capitalista periférica ameaçam transbordar. A bandidagem que o senhor menciona não é um fenômeno isolado de maldade inerente, mas o subproduto direto de décadas de políticas neoliberais que desmantelaram o tecido social e precarizaram a existência de milhões, enquanto o capital financeiro permanece intocado.
A sua fobia em relação à mensagem do Papa, que em Angola ou no Brasil tenta articular uma mínima gramática de esperança e dignidade humana, revela o temor da extrema-direita diante de qualquer discurso que não seja o da violência direta. Na verdade, a figura papal, ainda que inserida nas contradições institucionais da Igreja, acaba por representar um obstáculo ético-político ao projeto de barbárie que o senhor defende. Quando o senhor clama por intervenção das Forças Armadas para botar ordem no terreiro, o senhor está, em última análise, defendendo a manutenção coercitiva de uma estrutura de classes profundamente desigual, onde a ordem é o silêncio dos oprimidos e a paz é a hegemonia incontestada da elite econômica através do fuzil.
Portanto, o tempo das palavras ao qual o senhor se refere com tanto desprezo é, na realidade, o espaço da política, da mediação e do reconhecimento do outro. Ao substituí-lo pelo fetiche da força bruta, o senhor apenas confirma a tese de que o fascismo é a fase terminal do liberalismo em crise: quando a ideologia do mérito e do mercado falha em pacificar as massas, o sistema retira a máscara democrática e recorre ao braço armado. O comunismo que o senhor tanto teme não passa de um delírio paranoico utilizado para justificar o autoritarismo; o perigo real, Capitão, reside nesse niilismo militarista que enxerga no extermínio a única solução para os dilemas estruturais de uma sociedade que o senhor se recusa a compreender cientificamente.