Menu

A importância do estabelecimento de normas para o uso das canetas emagrecedoras pela Anvisa

0 Comentários🗣️🔥 A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai discutir normas para a manipulação de canetas emagrecedoras. A diretoria da agência debaterá uma proposta de novas normas na próxima quarta-feira (29). É o tipo de discussão que desperta muito interesse, não só na área médica como também entre a população em geral; afinal de […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vai discutir normas para a manipulação de canetas emagrecedoras. A diretoria da agência debaterá uma proposta de novas normas na próxima quarta-feira (29). É o tipo de discussão que desperta muito interesse, não só na área médica como também entre a população em geral; afinal de contas, 60% da população brasileira é obesa atualmente, o que faz o médico sanitarista Gonzalo Vecina Neto, docente da Faculdade de Saúde Pública da USP e ex-presidente da Anvisa, afirmar, em entrevista ao Jornal da USP, que a obesidade é uma doença e que não havia um remédio para ela, até o surgimento recente das popularmente conhecidas como canetas emagrecedoras, que agem como agonistas dos receptores GLP-1, o que significa que aumentam a saciedade e retardam o esvaziamento gástrico.

Vecina compara o aparecimento desse tipo de medicamento ao da penicilina, dada a importância que confere a ele. O medicamento atua no organismo, segundo o sanitarista, produzindo poucos efeitos colaterais. Admite, contudo, que o grande problema das canetas emagrecedoras é o seu preço; por outro lado, a demanda pelos agonistas de GLP-1 é muito alta.

Independentemente de a demanda ser alta ou não, o fato é que o uso do medicamento não pode prescindir de acompanhamento médico. “O GLP-1 tem que ter a possibilidade da realização de uma revisão da dieta, porque se eu vou comer menos, eu tenho que comer melhor, ou então eu vou sofrer duas vezes […], viva o aparecimento dos agonistas, como vamos utilizá-los de maneira adequada, essa é a dúvida”, pontua.

As novas normas, anunciadas no último dia 6, preveem uma série de procedimentos técnicos que nortearão a manipulação desses medicamentos. Uma das principais preocupações é, devido ao seu alto custo e à sua importância para quem pretende perder peso, colocar as canetas ao alcance da população. A saída, diz Vecina, seria um produto industrializado. O que acontece no momento é que a alta procura pelas canetas criou um mercado paralelo. “Tem gente oferecendo qualquer coisa dizendo que aquilo é um agonista do GLP-1. Muito disso é pura e simples falsificação”, afirma ele. O grande problema “é que não existe como a autoridade sanitária captar tudo isso”. Por outro lado, a saída para esse problema tampouco passa pelas farmácias de manipulação. “O remédio manipulado só existe para cumprir uma prescrição médica de uma quantidade, ou de uma via de administração, diferente daquela oferecida pela indústria. Farmácia de manipulação não é indústria, não tem qualidade como a qualidade de uma indústria.”

Por causa disso, no quesito normas para manipulação, Vecina coloca, em primeiro plano, a receita médica, e em segundo, o controle de qualidade. “A vigilância sanitária vai visitar as farmácias de manipulação e vai verificar se ela está produzindo para atender a uma receita médica e, segundo, se esse produto que está sendo manipulado fez um controle de qualidade na farmácia de manipulação, demonstrando que aquele insumo farmacêutico ativo é um produto de qualidade aceitável, de acordo com a farmacopeia”. Ele alerta que a maioria das farmácias de manipulação está entrando no comércio com o único objetivo de lucrar e não o de promover saúde.

Um último alerta diz respeito ao papel coletivo: “A Anvisa não é onisciente, não é onipresente, não é onipotente. Se o consumidor e os médicos não estiverem presentes e não fizerem denúncias, nós não vamos conseguir dar conta disso”. É muito importante ainda que o Estado faça a sua parte e “garanta algum canal de acesso para os obesos, particularmente os obesos mórbidos, que não possam fazer uma cirurgia de redução de estômago. Esses obesos são candidatos especiais à utilização das canetas emagrecedoras, e o Estado tem que dar acesso a essas canetas com políticas de acesso adequadas”. Vecina finaliza alertando para a importância da fiscalização, a fim de impedir abusos por parte das farmácias de manipulação.

Fonte: Jornal da USP

, ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes