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Senado dos EUA barra proposta que limitaria poder de Trump para agir militarmente contra Cuba

49 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Senado dos EUA barra proposta que limitaria poder de Trump para agir militarmente contra Cuba. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O Senado dos Estados Unidos rejeitou uma proposta que buscava restringir o poder do presidente Donald Trump de lançar ação militar contra Cuba sem autorização prévia do Congresso. A iniciativa, […]

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Ilustração editorial sobre Senado dos EUA barra proposta que limitaria poder de Trump para agir militarmente contra Cuba. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Senado dos Estados Unidos rejeitou uma proposta que buscava restringir o poder do presidente Donald Trump de lançar ação militar contra Cuba sem autorização prévia do Congresso.

A iniciativa, apresentada pelo senador democrata Tim Kaine, também questionava se o bloqueio energético imposto à ilha poderia ser enquadrado como uma forma de hostilidade nos termos da Lei dos Poderes de Guerra. A medida foi bloqueada pelos senadores republicanos, que argumentaram que os EUA não estão envolvidos em hostilidades ativas com Cuba e que a resolução seria desnecessária.

O resultado preserva a ampla margem de manobra do Executivo norte-americano em matéria de política externa e uso da força. Trump havia feito declarações públicas sugerindo que Cuba poderia ser alvo de ações futuras, retórica que reacendeu o debate sobre os limites constitucionais do poder presidencial em matéria de guerra.

A tentativa de Kaine de reinterpretar o bloqueio energético como hostilidade sob a Lei dos Poderes de Guerra buscava obrigar o Executivo a consultar o Legislativo antes de qualquer escalada militar contra a ilha. Kaine, conhecido por defender maior controle legislativo sobre ações militares, argumentou que o bloqueio energético tem causado danos humanitários severos à população cubana.

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, afirmou que as interrupções de energia decorrentes do cerco já deixaram mais de 96 mil pessoas aguardando cirurgias. Cerca de 16 mil pacientes que necessitam de radioterapia e quase 3 mil dependentes de diálise também foram afetados.

Esses números ilustram o impacto direto da política de cerco econômico e energético sobre os serviços básicos de saúde da população cubana. O governo de Havana denuncia há décadas o bloqueio como uma violação do direito internacional, posição que encontra respaldo de grande parte da comunidade internacional e de organismos multilaterais como a ONU.

A Casa Branca mantém a justificativa de que as sanções visam pressionar o governo cubano a adotar reformas políticas e econômicas. O impasse no Senado evidencia como o tema Cuba continua a dividir profundamente o establishment político americano, especialmente entre os que defendem a retomada do diálogo e os que insistem na pressão máxima.

Com a rejeição da proposta, Trump mantém nas mãos do Executivo um poder praticamente irrestrito para ordenar ações militares unilaterais, precedente que preocupa juristas e diplomatas. O episódio reacende a discussão sobre o papel do Legislativo dos EUA na contenção de escaladas militares e sobre a persistência de uma política externa marcada pela coerção.

Para Cuba, o bloqueio e as ameaças de ação militar representam não apenas uma questão de soberania nacional, mas também um desafio humanitário de grandes proporções, agravado pela dependência energética e pela escassez de insumos médicos. O fracasso da resolução de Kaine reforça a percepção de que os setores moderados do Congresso têm dificuldade crescente em impor freios ao poder bélico do Executivo.

Fonte: Sputnik International


Leia também: Cuba rejeita imposição de ‘paz mediante a força’ pelos Estados Unidos


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Cecília Silva

29/04/2026

A Karina aí defende “mão firme” contra Cuba enquanto aqui na favela a gente sabe bem o que é ter os EUA decidindo o destino de um povo pobre. Enquanto eles brincam de guerra, o embargo já matou de fome e remédio milhares de cubanos. Democracia pra eles é só quando convém, o resto é tiro e bombardeio.

Karina Libertária

29/04/2026

Ah, e os progressistas de plantão achando que iam amarrar as mãos do Trump? O Senado americano sabe muito bem que Cuba é um regime comunista que precisa ser tratado com mão firme, não com frescura de burocrata. Quem reclama de “poder militar sem aprovação” claramente nunca investiu um centavo em segurança nacional — aqui em Miami a gente sabe o valor de ter um presidente que não pede licença pra inimigo.

    Alice T.

    29/04/2026

    Ah, Karina, “segurança nacional” é o nome bonito que vocês dão pra continuar bancando um embargo que já custou mais de US$ 130 bilhões à economia cubana e só serviu pra fortalecer o discurso do regime. Se o livre mercado é tão bom, por que tanto medo de deixar os cubanos comprarem remédio sem pedir licença pro tio Sam?

Carlos A. Mendes

29/04/2026

Pois é, mais uma prova de que o discurso de “freios e contrapesos” vai pro espaço quando interessa. Não sou fã de Trump nem de Cuba, mas dar carta branca pra qualquer presidente meter o país numa aventura militar sem o Congresso aprovar é um precedente perigoso. O pessoal que defende instituições fortes deveria estar mais preocupado com isso.

Maria Clara Lopes

29/04/2026

A Mariana Lopes tocou no ponto certo: o discurso de defesa da democracia é sempre seletivo. O problema não é exclusivo de um partido ou presidente, é um padrão histórico dos EUA de concentrar poder no Executivo quando o alvo é conveniente para a geopolítica americana. Uma pena que isso raramente seja debatido com a mesma intensidade quando o presidente é democrata.

Mariana Lopes

29/04/2026

A ironia é que os mesmos senadores que passam décadas falando em “defesa da democracia” não hesitam em concentrar poder no Executivo quando o alvo é conveniente. O embargo já é um fracasso retumbante, mas aí se mantém a narrativa de ameaça para justificar o injustificável.

Luiz Augusto

29/04/2026

O Márcio Torres tem razão: esse teatro institucional americano é uma farsa. O Senado rejeitou a proposta porque, no fundo, a elite política dos EUA quer manter o embargo e a hostilidade a Cuba como ferramenta de controle. Enquanto a esquerda cultural chora soberania, o livre mercado já mostrou que o embargo só prejudica o povo cubano e engorda burocratas em Havana.

    Clarice Historiadora

    29/04/2026

    Luiz Augusto, seu discurso de “livre mercado” ignora que o embargo não é uma ferramenta econômica racional, mas um instrumento geopolítico de asfixia que viola o direito internacional desde a década de 1960, como documentei na minha tese sobre a Helms-Burton Act. Reduzir a questão a “esquerda cultural vs. livre mercado” é um maniqueísmo que esconde o fato de que o próprio empresariado americano, via U.S. Chamber of Commerce, já pediu o fim do embargo por prejudicar os negócios deles, não o povo cubano.

Márcio Torres

29/04/2026

É sempre fascinante — e um tanto deprimente — observar como o teatro institucional americano opera quando o assunto é política externa. A rejeição dessa proposta não é um acidente de percurso, é a explicitação de um consenso bipartidário que atravessa décadas: Cuba continua sendo o inimigo conveniente, o espantalho que justifica qualquer expansão do poder executivo. O que me intriga é a coreografia: senadores que se declaram defensores da “separação de poderes” não titubeiam em entregar ao presidente a prerrogativa de iniciar uma guerra sem consulta, desde que o alvo seja a ilha caribenha. Isso não é sobre segurança nacional, é sobre manter viva uma ficção ideológica que já deveria ter sido enterrada junto com o Muro de Berlim.

O comentário do John Marshall, ao evocar Hobbes, acertou em cheio ao diagnosticar o estado de natureza em que o Executivo se coloca. Mas acho que ele foi generoso ao tratar a questão como um fenômeno filosófico. Na prática, o que vemos é a velha lógica do porrete: o Congresso americano não quer abrir mão de uma ferramenta de coerção que, historicamente, nunca precisou ser usada de fato para produzir efeitos reais. O embargo já é um ato de guerra econômica permanente, e a ameaça militar é o complemento psicológico que mantém o regime cubano sob pressão. Renunciar a essa prerrogativa seria admitir que a estratégia de 60 anos falhou — e ninguém em Washington tem estômago para essa honestidade intelectual.

A Cecília Alves tem razão ao apontar a hipocrisia, mas eu iria além: o que estamos testemunhando é a erosão deliberada de qualquer freio institucional quando o assunto é a projeção de força dos EUA. Não se trata de um descuido ou de uma falha pontual do sistema de freios e contrapesos. É uma escolha política consciente, reiterada sempre que a oportunidade surge. O mesmo Senado que se recusa a limitar o poder bélico contra Cuba é o mesmo que aplaude intervenções na Venezuela ou na Nicarágua. O denominador comum é a recusa em tratar o hemisfério ocidental como um espaço de relações entre Estados soberanos, preferindo enxergá-lo como um quintal onde o xerife pode entrar armado quando bem entender.

No fim das contas, o que me parece mais grave é a normalização desse processo. A notícia passa, os comentaristas se indignam, e daqui a seis meses ninguém se lembra. Enquanto isso, o poder presidencial para iniciar conflitos continua se expandindo silenciosamente, sem que o eleitor médio sequer perceba. É a banalização do belicismo travestida de política externa pragmática. E Cuba, mais uma vez, serve como o laboratório perfeito para testar até onde o Executivo pode ir sem que o Congresso — ou a opinião pública — reaja de forma substantiva.

Cecília Alves

29/04/2026

Mais um capítulo da hipocrisia estatal: o mesmo Congresso que adora falar em “separação de poderes” não perde tempo em entregar mais poder discricionário ao Executivo. Enquanto isso, o contribuinte americano financia intervenções que só servem para engordar o complexo militar-industrial e manter sanções que punem o povo cubano, não o regime. Liberdade individual e propriedade privada são sempre as primeiras vítimas quando o Estado decide que pode bombardear quem quiser sem prestar contas.

    João Augusto

    29/04/2026

    Cecília, você toca num ponto nevrálgico que Gramsci já diagnosticava como a crise de autoridade do Estado liberal: a separação de poderes, longe de ser um princípio intocável, revela-se um mecanismo flexível que a burguesia ajusta conforme a correlação de forças. O que vemos não é hipocrisia, mas a lógica imanente do capitalismo tardio, onde o Executivo assume poderes cesaristas para gerir a crise de hegemonia, enquanto o contribuinte financia a violência que garante as taxas de lucro do complexo militar-industrial.

John Marshall

29/04/2026

A Bia Carioca tem toda razão ao apontar o anacronismo de reduzir a questão a “comunismo”. O que me incomoda profundamente, como estudioso de Hobbes, é ver o Poder Executivo americano operando cada vez mais em estado de natureza, onde a vontade do soberano se sobrepõe a qualquer contrato social ou freio institucional. Sem a separação de poderes que Locke tanto prezava, o que sobra é o arbítrio puro e simples, disfarçado de política externa.

Bia Carioca

29/04/2026

Adriana, com todo respeito, mas reduzir a defesa da soberania cubana a “comunismo” é cair na armadilha da Guerra Fria que a própria direita americana adora. O que está em jogo aqui é o direito internacional e o fim de um embargo criminoso que dura décadas. O Senado americano mais uma vez mostra que serve aos interesses do complexo militar, não ao povo.

Letícia Fernandes

29/04/2026

É sintomático, mas não surpreendente, observar a coreografia institucional que se desenrola no Senado estadunidense. A rejeição a essa proposta de limitação do poder bélico presidencial contra Cuba não é um mero detalhe processual; é a explicitação brutal de como a superestrutura política burguesa opera para preservar os interesses do capital imperialista. Enquanto a esquerda liberal se apega à fantasia de que freios e contrapesos institucionais podem conter a sanha belicista do Executivo, a realidade material demonstra que o Congresso, quando pressionado pelo lobby militar-industrial e pela necessidade de manter a hegemonia sobre o Caribe, rapidamente abandona qualquer pretensão de controle. O que vemos é a democracia burguesa em seu estado de exceção permanente, onde a “ameaça comunista” funciona como o pretexto ideal para suspender qualquer debate racional sobre soberania e direito internacional.

Carlos Henrique, você tocou num ponto nevrálgico ao evocar Gramsci, mas acho que precisamos aprofundar a análise para além da hegemonia do bloco militar-industrial. O que está em jogo aqui é a reprodução do que poderíamos chamar de “consenso belicista” — um fenômeno que não se sustenta apenas pela pressão dos fabricantes de armas, mas pela internalização, no próprio tecido social estadunidense, da ideia de que Cuba representa uma ameaça existencial. Isso é o que a Escola de Frankfurt chamaria de indústria cultural operando a serviço da dominação: décadas de propaganda anticastrista, filmes, séries e discursos políticos que transformaram a ilha num símbolo do “mal absoluto”. O Senado, ao rejeitar a proposta, não está apenas protegendo o poder de Trump; está reafirmando essa narrativa, garantindo que o próximo presidente — seja ele quem for — tenha as mesmas ferramentas para perpetuar o bloqueio e a agressão.

E é aqui que a análise de João Martins, sobre a falta de precisão nos dados, ganha relevância, mas com uma ressalva. Sim, a realidade institucional americana é “mais chão de fábrica do que teoria”, como você bem colocou, mas esse chão de fábrica é justamente o local onde a ideologia se materializa. Cada voto no Senado é a expressão de uma correlação de forças que não se resolve apenas no plano das ideias, mas na luta de classes concreta. O que falta aos comentaristas liberais é entender que essa votação não é um desvio, mas a regra do jogo: o capitalismo, em sua fase imperialista tardia, não pode se dar ao luxo de limitar o poder de destruição do seu principal agente, sob pena de perder o controle sobre regiões estratégicas. Cuba, com sua resistência de mais de seis décadas, é a prova viva de que o socialismo é possível, e por isso mesmo precisa ser constantemente demonizada e atacada.

Por fim, é preciso ter pena, sim, dessa coreografia patética. Pena dos senadores que se acham estadistas enquanto votam para manter o direito de bombardear um país que não os ameaça. Pena da esquerda liberal que ainda acredita que uma emenda constitucional ou uma resolução do Congresso pode conter a lógica do capital. E pena, sobretudo, do povo cubano, que há décadas sofre as consequências desse teatro de horrores. Enquanto isso, aqui no Brasil, seguimos discutindo gasolina a 7 reais e o preço do pão, sem perceber que a mesma mão que aperta o gatilho contra Cuba é a que aperta o nosso bolso via especulação financeira e exploração imperialista. A luta é una, e enquanto não entendermos que a emancipação de Cuba é a nossa própria emancipação, continuaremos sendo meros espectadores de uma tragédia que já teve seu deserto anunciado por Marx.

João Martins

29/04/2026

Pessoal, lendo os comentários aqui, vejo que a galera já captou bem o drama geopolítico, mas acho que falta um pouco de precisão nos dados. O Carlos Henrique citou Gramsci, que é uma leitura interessante, mas a realidade institucional americana é mais chão de fábrica do que teoria crítica. O que aconteceu no Senado não é exatamente uma “liberação geral” para o Trump fazer o que quiser — é a rejeição de uma emenda específica que tentava condicionar qualquer ação militar contra Cuba a uma autorização prévia do Congresso. Na prática, o presidente americano já tem, desde a Lei dos Poderes de Guerra de 1973, a obrigação de notificar o Congresso em 48 horas após iniciar uma ação militar. O problema é que essa lei nunca foi levada a sério por nenhum presidente, democrata ou republicano. Obama bombardeou a Líbia por meses sem autorização, e ninguém fez nada.

O que me incomoda nessa discussão é o viés ideológico que domina os dois lados. De um lado, tem gente que trata Cuba como se fosse uma ameaça militar real — e isso é piada, os dados do SIPRI mostram que o orçamento de defesa cubano é irrisório, menos de 100 milhões de dólares anuais, contra 850 bilhões dos EUA. Não existe cenário racional onde Cuba represente perigo militar para os Estados Unidos. Do outro lado, tem quem romantize o regime cubano como se fosse um paraíso socialista, ignorando que o país vive uma crise econômica brutal, com inflação de três dígitos e escassez generalizada de medicamentos e alimentos. Os dois extremos atrapalham uma análise fria dos fatos.

O que realmente está em jogo aqui é a dinâmica do poder executivo americano. Historicamente, desde a Segunda Guerra Mundial, o Congresso vem delegando cada vez mais autoridade militar ao presidente, independentemente do partido. Dados do Congressional Research Service mostram que, dos 37 conflitos militares significativos dos EUA desde 1945, apenas cinco tiveram declaração formal de guerra. O resto foi tudo “ação autorizada” ou “intervenção humanitária”. Essa emenda específica contra Cuba era simbólica, mas serviria como precedente legal para futuras restrições. O fato de ter sido barrada mostra que o establishment de Washington, tanto republicano quanto democrata, não quer abrir mão da discricionariedade presidencial em política externa.

E pra fechar, uma provocação baseada em dados históricos: desde 1959, os EUA tentaram de tudo contra Cuba — embargo econômico, invasão militar (Bahia dos Porcos, 1961), operações de desestabilização (Operação Mangusto), atentados contra líderes, guerra cibernética. Nada funcionou para derrubar o regime. Agora, com a China e a Rússia cada vez mais presentes no Caribe, qualquer ação militar americana contra Cuba seria um presente estratégico para Pequim e Moscou. O Pentágono sabe disso, os think tanks conservadores como a Heritage Foundation também sabem. Essa votação no Senado é mais um teatro político para a base eleitoral do que uma real mudança na doutrina de segurança nacional. O problema real é que enquanto a gente discute se o Trump vai ou não bombardear Havana, o custo de vida aqui no Brasil continua subindo — e isso, sim, é fato que afeta a vida real de todo mundo.

Carlos Henrique Silva

29/04/2026

É estarrecedor, mas não surpreendente, ver o Senado estadunidense rejeitar qualquer freio ao belicismo presidencial contra Cuba. Isso revela algo que Gramsci chamaria de hegemonia do bloco militar-industrial: o Congresso, mesmo com maioria republicana, não ousa questionar o poder Executivo quando se trata de agredir um país que há décadas resiste ao cerco imperialista. A proposta era minimalista — pedia apenas autorização prévia do Legislativo —, mas foi barrada porque o establishment entende que qualquer debate público sobre uma invasão a Cuba abriria uma crise de legitimidade. Afinal, quem, com um mínimo de consciência histórica, apoiaria uma guerra contra uma ilha que sofre embargo há mais de sessenta anos?

Vejo nos comentários aqui uma tentativa de reduzir a questão a um embate entre “esquerda e direita” ou “Lula e Trump”. Isso é um erro analítico grave. O que está em jogo não é a simpatia pessoal por este ou aquele líder, mas a lógica estrutural do imperialismo. Quando o senador americano vota contra limitar Trump, ele não está defendendo o Partido Republicano; está defendendo a prerrogativa do capital financeiro de decidir, sem mediação democrática, onde e quando bombardear. É a mesma lógica que levou os EUA a invadirem Granada em 83, o Panamá em 89, e a tentarem derrubar Chavez em 2002. Cuba é o símbolo da resistência antimperialista nas Américas, e por isso mesmo o alvo preferencial.

A senhora Clotilde fala em “perigo do comunismo”, mas o comunismo cubano, com todas as suas contradições e dificuldades, garante saúde e educação gratuitas enquanto o modelo americano condena milhões à falência por um atendimento hospitalar. O Rubens lembra com razão do Brasil do PT, mas eu diria mais: enquanto Lula negociava com Obama e tentava construir uma relação soberana, o que vemos agora é a volta do porrete. Não se trata de saudosismo, mas de reconhecer que a política externa brasileira dos governos petistas, apesar de seus limites, ao menos tentava conter a sanha intervencionista. Hoje, com o Brasil alinhado automaticamente a Washington, o caminho está livre para mais aventuras militares.

O que me preocupa, como cientista político, é o silêncio cúmplice da grande mídia e dos partidos de centro no Brasil sobre esse movimento. Se amanhã Trump ordenar um ataque a Cuba, a justificativa será a mesma de sempre: “defesa da democracia” e “combate ao narcotráfico”. E aí, meus caros, a conta chegará para todos nós, seja no preço do petróleo, na instabilidade regional ou no aumento da presença militar dos EUA na América do Sul. Enquanto isso, o Congresso americano, que deveria ser o contrapeso, vira um mero carimbo de ordens imperiais. É a velha lição de Maquiavel: o príncipe que concentra o poder militar não precisa de autorização para fazer a guerra.

Adriana Silva

29/04/2026

Faz o L, vai pra Cuba defender comunista agora, senador gringo!

Ana Rodrigues

29/04/2026

Pois é, José dos Santos, falou tudo. Aqui em Curitiba tô vendo a gasolina a 7 reais, o pão de cada dia mais caro, e o povo discutindo se o Trump vai ou não bombardear Cuba. Parece novela, mas a conta quem paga é a gente no final do mês.

José dos Santos

29/04/2026

Pois é, enquanto a gente aqui se vira no trânsito, na gasolina cara e no arrocho, o Senado americano libera o chefe deles pra fazer o que quiser. E o pior é que essa história de “ameaça comunista” já cansou, né? O que a gente precisa é de paz pra trabalhar e viver, não de mais guerra.

Rubens O Pescador

29/04/2026

Pois é, Clotilde, a senhora fala em “perigo do comunismo”, mas eu lembro bem de quando o PT tava no governo e o povo brasileiro comia carne todo dia, tinha emprego e o país era respeitado. Agora, esse Trump querendo mandar bombardeiro pra Cuba sem nem pedir licença pro próprio congresso é coisa de filme de faroeste. O povo cubano, com todo bloqueio que já sofre, não precisa de mais bala perdida.

Clotilde Pátria

29/04/2026

Meu Deus, é cada coisa que a gente vê! O Trump querendo intervir em Cuba e esse povo tudo aí reclamando, mas ninguém fala do perigo do comunismo se espalhando. Já pensou se fosse o Lula fazendo isso? Iriam chamar de ditador na hora! Cadê o bom senso desse povo?

Lucas Pinto

29/04/2026

O Fernando O. já capturou bem a hipocrisia estrutural: os mesmos que aplaudem a “defesa da democracia” contra ameaças autoritárias viram a cara quando o Executivo estadunidense reivindica para si o poder de bombardear um país sem consultar ninguém. Não é um deslize, é a regra do jogo. O que estamos vendo aqui é a explicitação de algo que Gramsci chamaria de hegemonia: a violência imperial não precisa de justificativa parlamentar quando o consenso já está moldado para tratar Cuba como um “regime hostil” que pode ser atacado a qualquer momento. O Senado, ao barrar a proposta, não agiu com “juízo” — agiu com coerência em relação aos interesses do capital. O poder de Trump para agir militarmente não foi limitado porque, no fundo, o establishment democrata e republicano compartilha a mesma premissa: Cuba é um espinho que precisa ser removido, e a forma como isso acontece é secundária.

O comentário do Célio Fazendeiro é sintomático. Ele enxerga a burocracia como um empecilho para a “ação dura”, como se a guerra fosse uma extensão natural da política externa e não o fracasso dela. Essa visão, que Foucault analisaria como parte de uma microfísica do poder que naturaliza a violência de Estado, ignora que cada intervenção militar dos EUA na América Latina — de Granada à invasão da Baía dos Porcos — produziu mais instabilidade, mortes e regimes fantoches do que soluções. O que está em jogo não é a “eficiência” de Trump, mas a manutenção de um sistema onde o presidente pode, sozinho, decidir o destino de 11 milhões de pessoas. E isso não é “juízo”, é autoritarismo travestido de pragmatismo.

A Laura Silva tentou apontar a contradição, mas acho que falta um passo a mais na análise. Não se trata apenas de uma questão de “limitação de poder” no sentido liberal clássico. O que o Senado rejeitou foi justamente a possibilidade de um controle democrático mínimo sobre a máquina de guerra. E por que fizeram isso? Porque, como bem sabemos, a indústria bélica e os interesses geopolíticos não se submetem a escrutínio popular. O lobby militar, os contratos com a Lockheed Martin, a base de Guantánamo — tudo isso opera em uma zona de exceção que a “democracia representativa” jamais toca. Quando o Célio chama isso de “juízo”, ele está, conscientemente ou não, defendendo que o Executivo tenha carta branca para agir como um soberano hobbesiano, sem mediações.

Por fim, acho curioso como o debate no Brasil sobre isso sempre cai na mesma armadilha. Enquanto uns celebram a “mão forte” de Trump e outros denunciam o imperialismo, ambos os lados esquecem que o verdadeiro problema é a ausência de qualquer mecanismo que force os EUA a prestar contas por suas ações no Caribe. O Senado não é um órgão de controle, é um conselho de administração do império. Se a proposta tivesse passado, seria uma vitória tática, mas não mudaria a correlação de forças. O que precisamos é de uma crítica radical que desnaturalize a própria ideia de que os EUA têm o direito de intervir militarmente em Cuba — ou em qualquer lugar. Enquanto isso, seguimos assistindo ao teatro da “democracia” enquanto a pólvora é preparada.

Fernando O.

29/04/2026

Ah, o Senado americano dando mais um atestado de que “freios e contrapesos” são só para consumo externo. O Célio aí em cima acha lindo o Executivo poder bombardear outro país sem passar pelo Congresso, mas aposto que se fosse um presidente petista fazendo isso, ele estaria gritando “golpe” e “comunismo”. A hipocrisia tem dessas.

Tiago Mendes

29/04/2026

Marina, é exatamente isso. A mesma “democracia” que prega liberdade no mundo não aceita um controle civil básico sobre suas próprias decisões de guerra. Enquanto isso, quem defende esse tipo de poder sem freio esquece que a história já mostrou o preço de intervenções unilaterais.

Marina Silva

29/04/2026

Cúpula do império mostrando as garras de novo, e tem gente aplaudindo aqui.

Celio Fazendeiro

29/04/2026

Essa turma do Senado americano pelo menos tem juízo, diferente desses esquerdopatas que querem amarrar as mãos do Trump. Cuba é um regime comunista que só traz problemas, e se precisar de uma ação mais dura, que seja feita sem essa burocracia ridícula. Enquanto isso, o Brasil fica nessa lenga-lenga de defender ditadura.

    Laura Silva

    29/04/2026

    Célio, seu comentário revela uma compreensão bastante limitada do que está em jogo nessa votação no Senado dos EUA. Você celebra o fato de terem barrado uma proposta que limitaria o poder de Trump para ações militares contra Cuba, como se isso fosse um ato de “juízo”. Mas vamos aos fatos: desde 1962, os Estados Unidos mantêm um embargo econômico, comercial e financeiro contra Cuba que a Assembleia Geral da ONU condena anualmente — no último pleito, foram 187 votos a favor do fim do bloqueio, com apenas 2 contra (EUA e Israel). Não se trata de “defender ditadura”, como você repete acriticamente; trata-se de reconhecer que uma nação soberana tem o direito de determinar seu próprio sistema político sem sofrer punições coletivas que violam o direito internacional. O que o Senado americano fez foi justamente o oposto do “juízo”: manteve as mãos livres de um presidente que já demonstrou repetidamente desprezo por alianças históricas e tratados multilaterais.

    Você chama Cuba de “regime comunista que só traz problemas”, mas omite que o país tem indicadores sociais que envergonham muitas nações capitalistas da região — taxa de mortalidade infantil menor que a dos EUA, sistema de saúde que formou médicos que salvaram vidas durante a pandemia em dezenas de países, e uma campanha de alfabetização que é referência mundial. Isso não é defender o regime cubano, é simplesmente não reduzir uma nação complexa a um estereótipo anticomunista raso. O problema real não é Cuba ser comunista ou não; é que os EUA insistem em tratar o Caribe como seu quintal, intervindo militarmente sempre que um governo ousa desafiar Washington — e isso não é teoria da conspiração, é história documentada: Guatemala (1954), República Dominicana (1965), Granada (1983), além de décadas de tentativas de desestabilizar Cuba.

    Quanto ao Brasil “nessa lenga-lenga de defender ditadura”, você parece ignorar que a posição brasileira na ONU é a mesma de praticamente toda a América Latina e da maioria dos países do mundo. Defender o fim do embargo não é defender o regime cubano; é defender o princípio da autodeterminação dos povos, que está na nossa Constituição e na Carta da ONU. Se você acha que “ação mais dura” contra Cuba sem “burocracia ridícula” é algo desejável, está defendendo essencialmente que um presidente estrangeiro possa bombardear outro país sem qualquer controle legislativo ou jurídico. Isso não é pragmatismo, é barbárie. E, francamente, ver um brasileiro torcer para que o Senado americano mantenha poder de fogo ilimitado contra um vizinho latino-americano é um triste testemunho de como o colonialismo cultural ainda opera entre nós.

Ahmed El-Sayed

29/04/2026

Renato Professor, sua aula é precisa e necessária. Enquanto isso, o Ocidente secular e “democrático” insiste em ditar regras aos outros, mas não aceita freios ao próprio poder militar. Onde fica a soberania que tanto pregam?

Sargento Bruno

29/04/2026

Mais um dia, mais uma demonstração de que a esquerda brasileira torce contra o próprio país. O Senado americano sabe que Cuba é um ninho de comunistas que financiam regimes autoritários, e Trump está certo em manter a mão firme. Enquanto isso, esses “defensores” do povo cubano deveriam lembrar que o regime de lá prende e mata quem pensa diferente.

    Renato Professor

    29/04/2026

    Sargento Bruno, sua análise confunde soberania com subserviência: o Brasil não precisa torcer contra si mesmo para reconhecer que o embargo dos EUA a Cuba é um anacronismo jurídico condenado pela ONU todo santo ano. Quanto ao “ninho de comunistas”, sugiro uma aula de história: o regime cubano sobrevive justamente porque a política externa americana, de Kennedy a Trump, prefere o bloqueio ao diálogo, e não o contrário.

Nadia Petrova

29/04/2026

Célia, a hipocrisia tem nome e endereço: 1600 Pennsylvania Avenue. Enquanto isso, o Congresso americano prefere manter o teatro de “freios e contrapesos” do que enfrentar de verdade a política externa de um presidente que claramente quer transformar o Caribe em campo de tiro.

Carlos Rocha

29/04/2026

O Dr. Thiago Menezes tocou no ponto certo: o embargo já é um ato de guerra econômica contra o povo cubano, e agora querem dar carta branca para ação militar direta. Enquanto isso, os mesmos que pregam “liberdade” para Cuba aplaudem um presidente que quer bombardear o país sem passar pelo Congresso. Hipocrisia tem limite, mas parece que no Senado dos EUA não.

    Célia Carmo

    29/04/2026

    CARLOS, A HIPOCRISIA É O NOME DO SISTEMA! #FORAIMPERIO

Dr. Thiago Menezes

29/04/2026

Rodrigo RedPill, a liberdade que você defende para Cuba é a mesma que permite ao presidente americano bombardear o país sem passar pelo Congresso? O embargo já é um ato de guerra econômica que a ONU condena todo ano. Se o problema é o regime cubano, por que a solução é dar mais poder a um presidente que admira ditadores?

Rodrigo RedPill

29/04/2026

Ah, mais um dia, mais um bando de esquerdistas chorando pelos “pobres cubanos” enquanto defendem um regime que prende e persegue o próprio povo. Trump sabe o que faz, o Senado americano também. Cuba precisa de liberdade, não de esmola. Se o embargo fosse tão criminoso assim, por que a ilha não aceita as reformas e abre a economia como o Vietnã fez? Fracassados.

Mariana Santos

29/04/2026

Marta, você trouxe um ponto certeiro sobre o caráter histórico dessa decisão. O Senado americano não age por acaso: ao barrar qualquer limite ao poder militar de Trump contra Cuba, eles estão jogando abertamente com a velha cartilha da Doutrina Monroe. Enquanto isso, o povo cubano, que já enfrenta o bloqueio criminoso há mais de seis décadas, agora tem mais essa ameaça pairando sobre a cabeça. É o imperialismo se reafirmando sem disfarces, e a esquerda internacional precisa reagir com muita organização e solidariedade de classe.

João Batista Alves

29/04/2026

João Batista, o senhor citou o salmo 94 com muita propriedade. O que vejo aqui é o braço armado do império sendo desamarrado pelo próprio Senado, enquanto o povo cubano, que já sofre há décadas com o embargo, agora corre o risco de ver bombas caírem sobre suas casas. É a velha história do lobo que se veste de cordeiro, mas a boca denuncia a presa.

    Marta

    29/04/2026

    João Batista Alves, meu filho, você acertou em cheio na imagem do lobo vestido de cordeiro. Mas deixa eu acrescentar uma camada histórica aqui, porque essa novela é mais velha que a República Velha. O Senado americano não está desamarrando o braço armado do império por acaso; eles estão repetindo o que fizeram na América Latina inteira durante a Guerra Fria. A diferença é que agora não tem mais União Soviética para servir de espantalho, então eles precisam inventar um novo monstro debaixo da cama do contribuinte americano para justificar o orçamento militar. Cuba virou o alvo perfeito: pequena, próxima, e com um governo que teima em não se ajoelhar. É a mesma lógica que usaram no Chile com Allende, na Nicarágua com os sandinistas, e em cada cantinho onde o povo ousou sonhar com soberania.

    O que me dói, e aqui falo como professora que passou 35 anos em sala de aula, é ver como essa discussão ignora o custo humano real. Enquanto esses meninos mal-educados em Washington brincam de geopolítica com canetas e resoluções, tem mãe cubana deixando de comprar leite em pó porque o embargo encareceu até o básico. E agora, com essa autorização para ação militar, o risco não é mais só de fome, é de bomba. Mas veja a ironia: o mesmo Senado que barrou a proposta de limitar Trump é o mesmo que chora lágrimas de crocodilo por “direitos humanos” quando convém. Eles não estão preocupados com o povo cubano, nunca estiveram. Estão preocupados em manter a hegemonia no quintal de casa, como fazem desde a Doutrina Monroe.

    O senhor João Batista citou o Salmo 94 com muita propriedade, e eu lembro das aulas de história que dava sobre as revoluções: todo império em declínio fica mais agressivo. Os Estados Unidos estão perdendo influência global para a China, para os BRICS, e a reação é chutar o cachorro mais fraco do quintal. Cuba, com seu exemplo teimoso de resistência, é um insulto vivo à lógica imperial. Por isso eles querem calar a ilha não só com embargo, mas com a ameaça constante de invasão. É a velha tática do valentão de escola que, quando perde a força, saca a faca. E nós, aqui do Brasil, que já fomos colônia e sabemos o gosto amargo da intervenção estrangeira, deveríamos estar gritando contra isso nas ruas, não debatendo como se fosse um jogo de xadrez. O povo cubano não é peão, é gente. E gente não se negocia com poder discricionário de Executivo nenhum.

João Batista

29/04/2026

Cecília, você tocou no cerne da questão. O salmo 94 clama: “Até quando os ímpios triunfarão?” Enquanto o Senado americano joga esse jogo de poder, o povo cubano sofre na carne o embargo criminoso. É a velha história de Caim matando Abel, mas agora com sanções econômicas e ameaça militar. O império nunca aprendeu a lição de Isaías: “Ai dos que decretam leis injustas”.

Lucas Moreira

29/04/2026

Paulo, a gestão de riscos que você menciona é exatamente o ponto. O Senado americano, ao manter o poder discricionário do Executivo, sinaliza que prefere o risco de uma ação militar unilateral ao risco de perder capacidade de resposta rápida. O custo de oportunidade de amarrar as mãos do presidente em nome de um “controle democrático” rígido pode ser maior que o custo do próprio embargo, que já se paga há décadas em ineficiência alocativa.

    Cecília Ramos

    29/04/2026

    Lucas, essa lógica de “eficiência alocativa” pra justificar poder bélico discricionário é a mesma que transforma vidas humanas em variável de ajuste. Enquanto o Senado joga com riscos institucionais, o povo cubano paga o preço em remédios e comida que não chegam.

Paulo Gestor RJ

29/04/2026

Cíntia, você trouxe um ponto importante sobre a materialidade das políticas externas. Como administrador, vejo que essa decisão do Senado americano não é só sobre ideologia, mas sobre gestão de riscos e custos. Manter o embargo a Cuba por décadas já custou bilhões aos cofres públicos dos EUA em termos de oportunidades perdidas e sanções ineficazes. A questão não é se Trump pode ou não agir militarmente, mas se essa ferramenta de força bruta entrega resultado fiscal e geopolítico que justifique o gasto. O pragmatismo deveria mandar rever a estratégia, não ampliar o poder discricionário.

Augusto Silva

29/04/2026

Luisa, querida, “clubinho do apocalipse” é generoso demais — isso aí é o equivalente geopolítico de um condomínio fechado onde os vizinhos se reúnem pra decidir quem vai levar multa por não podar a cerca viva. Enquanto isso, o embargo a Cuba já custou ao povo cubano mais de US$ 150 bilhões em perdas acumuladas, segundo dados da ONU, e o Senado americano prefere manter o chefe com o dedo no gatilho do que admitir que a política externa dos EUA pra ilha é um fracasso retumbante desde 1962. Mas claro, pra quem acha que “mercado livre” resolve tudo, até bloqueio econômico vira “eficiência”.

Luisa Teens

29/04/2026

Senado dos EUA é tipo, um clubinho do apocalipse mesmo #ForaBolsonaro #CubaNãoEstáSozinha

Cíntia Ribeiro

29/04/2026

Jeferson, você tocou num ponto que a discussão institucionalista muitas vezes ignora: a materialidade das políticas externas. Enquanto o debate no Senado se concentra em competências formais entre poderes, o embargo a Cuba segue sendo um instrumento de coerção que afeta diretamente a vida de pessoas reais dos dois lados do Estreito da Flórida. A rejeição dessa proposta não é apenas um detalhe técnico de separação de poderes — é a manutenção de uma política que, por mais de seis décadas, não atingiu seus objetivos declarados e impôs custos humanos concretos.

Marta Souza

29/04/2026

Marta do Rio: Mais uma prova de que o mercado precisa de liberdade, não de amarras burocráticas. O Senado americano fez o certo ao não engessar a capacidade de resposta do presidente. Intervencionismo e controle estatal só atrapalham a eficiência e a segurança nacional.

    Cláudio Ribeiro

    29/04/2026

    Marta, sua leitura reduz a questão a uma falsa dicotomia entre “liberdade de mercado” e “controle estatal”, ignorando que o poder executivo americano já detém meios unilaterais de coerção econômica — o embargo a Cuba é a mais longa e fracassada política de asfixia do pós-guerra. O que o Senado barrou não foi burocracia, mas um mínimo controle democrático sobre a discricionariedade presidencial; chamar isso de eficiência é naturalizar uma relação de força que, como mostrou Foucault, opera justamente pela ausência de contrapoderes institucionais.

    Mariana Alves

    29/04/2026

    Marta, sua defesa da “liberdade de mercado” como princípio abstrato descola perigosamente o debate das relações materiais de poder que estruturam a política externa estadunidense. O que o Senado dos EUA fez não foi garantir liberdade — foi preservar a discricionariedade de um chefe de Estado que já acumula meios coercitivos desproporcionais contra Cuba, como o embargo econômico que há seis décadas viola o direito internacional e o princípio de autodeterminação dos povos. A “eficiência” que você invoca é, na prática, a eficiência de um aparato imperial que sufoca uma nação soberana sob o pretexto de segurança nacional. O mercado, nesse caso, não é livre: é o braço armado de uma política de bloqueio que a Assembleia Geral da ONU condena anualmente por esmagadora maioria.

    A dicotomia que você propõe entre “liberdade de mercado” e “controle estatal” é uma armadilha ideológica típica do neoliberalismo, que naturaliza a intervenção do Estado quando ela serve aos interesses do capital financeiro e militar, mas a demoniza quando tenta regular ou proteger populações vulneráveis. O senador que votou contra a proposta não estava defendendo a liberdade — estava defendendo a prerrogativa do Executivo de usar a coerção econômica como instrumento de política externa, um poder que historicamente beneficia corporações e setores da indústria bélica, não o cidadão comum cubano ou americano. A “burocracia” que você critica é, na verdade, o único mecanismo que poderia impor algum freio a decisões unilaterais que afetam milhões de vidas.

    Por fim, vale lembrar que a “segurança nacional” invocada nesse contexto é um conceito tão elástico quanto seletivo. Ela serve para justificar bloqueios, invasões e sanções, mas nunca para proteger o direito de um povo vizinho de decidir seu próprio destino. A verdadeira ameaça à segurança não vem de Cuba — um país que não representa risco militar para os EUA —, mas da perpetuação de uma política que alimenta o sofrimento humano e a instabilidade regional. Se o mercado precisa de liberdade, que comece por libertar-se do imperialismo que o financia e do Estado que o arma.

    Jeferson da Silva

    29/04/2026

    Marta, você já pisou numa fábrica? Liberdade de mercado pra quem? Enquanto o patrão lucra com embargo e sanção, o trabalhador cubano e o americano pobre pagam a conta. Essa tal “eficiência” que você defende é a mesma que terceiriza, corta direito e manda o operário pra fila do osso.


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