As florestas de Bastar, no estado indiano de Chhattisgarh, passam por transformação profunda após décadas de insurgência maoísta.
Operações sustentadas das forças de segurança desarticularam o chamado Corredor Vermelho e abriram caminho para o desenvolvimento local. De acordo com a RT, a ofensiva intensificada desde 2024 reduziu drasticamente a presença dos rebeldes naxalitas.
O ministro do Interior da Índia, Amit Shah, afirmou no parlamento que o movimento foi praticamente erradicado em Bastar. Ele destacou a expansão de programas sociais e de infraestrutura como conquistas do governo do primeiro-ministro Narendra Modi.
Em Puwarti, vila natal do ex-comandante maoísta Madvi Hidma, um acampamento militar ocupa o local de antigos treinamentos armados. Crianças brincam ao redor de um novo centro infantil na localidade.
Mulheres colhem flores de mahua sem o temor das extorsões que os insurgentes impunham anteriormente. O vice de Hidma, chamado Barse Deva, rendeu-se no início de 2026.
Seu batalhão se dissolveu em meio a confrontos e a uma onda de deserções em massa. Em Gougunda, antigo bastião insurgente, a chegada da eletricidade marca virada histórica na região.
A moradora Gangi Muchaki, proprietária da primeira mercearia local, relata sentimento de renascimento ao ver a vila iluminada. Os maoístas proibiam a construção de estradas e torres de energia para manter o isolamento das comunidades.
Atualmente, a Organização de Estradas de Fronteira corta vias permanentes pela selva e conecta distritos remotos a centros urbanos como Hyderabad. Em Baleveda, um acampamento da Força de Segurança de Fronteira substituiu o local de julgamentos sumários dos insurgentes.
O retorno das famílias deslocadas representa aspecto central da reconstrução em curso na região. O líder comunitário Ramulal Wadde foi eleito chefe local após duas décadas no exílio.
Ele perdeu dois filhos — um morto pelos rebeldes e outro pelas forças do Estado. Ramulal Wadde demoliu o monumento maoísta da vila e utilizou os escombros para pavimentar o poço comunitário.
O conflito entre insurgentes e forças governamentais deixou quase 12 mil mortos desde 2000, incluindo mais de 4 mil civis. Centenas de escolas destruídas pelos rebeldes foram reabertas pelas autoridades indianas.
A magistrada Smita Jain percorre as aldeias em campanhas de boa governança e emite documentos para a população local. A neutralização de líderes históricos acelerou o processo de rendições em massa na região.
Em 2025, o secretário-geral do Partido Comunista da Índia (Maoísta), Nambala Keshava Rao, foi morto em confronto nas colinas de Abujhmarh. Mais de 2.700 combatentes depuseram as armas em Bastar e ingressaram em programas de reabilitação.
Ex-recrutas relatam abusos e mutilações cometidos pela guerrilha, incluindo esterilizações forçadas para impedir vínculos familiares. Jovens como Mangtu, que se juntou ao grupo aos 14 anos, desejam agora viver uma vida normal e constituir família.
O vice-chefe de governo de Chhattisgarh, Vijay Sharma, reconhece o desafio de consolidar a paz e remover as minas terrestres deixadas nas florestas. O projeto da hidrelétrica de Bodhghat no rio Indravati, avaliado em 6 bilhões de dólares, promete irrigar 700 mil hectares e reduzir a pobreza local.
O sonho de um corredor contínuo de revolta rural ligando o sul da Índia ao Nepal foi desmantelado. As autoridades concentram esforços para converter a vitória militar em desenvolvimento sustentável e inclusão social duradoura.
Leia mais sobre o assunto na rt.com.
📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho
Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


João Santos
01/05/2026
O João mandou o papo reto, tem que botar ordem e acabar com essa bandidagem mesmo. Essa Cristina aí fala difícil pra defender vagabundo, mas o trabalhador quer é segurança pra ganhar o pão honesto. Bandido bom é bandido preso e ponto final, aqui ou na Índia. Que Deus ilumine os policiais pra limparem a área.
Paulo Ribeiro
01/05/2026
Prezado João Santos, entendo que a sua preocupação imediata seja com a segurança do trabalhador, mas precisamos dar um passo atrás e questionar quem define o que é a ordem e a quem ela realmente serve. Para Antonio Gramsci, a hegemonia de uma classe se mantém não apenas pela força, mas pela capacidade de fazer com que o senso comum aceite a violência do Estado como uma necessidade neutra e benéfica. O que você chama de limpeza da área em Bastar, na Índia, não é um combate à criminalidade urbana que aflige o nosso cotidiano, mas a aplicação do que Louis Althusser descreveu como o Aparelho Repressivo do Estado agindo em favor da acumulação primitiva de capital. Quando o fuzil do policial aponta para o camponês adivasi, ele não está protegendo o trabalhador comum, mas sim garantindo que as mineradoras transnacionais possam extrair bauxita e ferro sem o incômodo da presença humana originária.
A história da periferia do capitalismo, como bem nos ensinou o pensador peruano José Carlos Mariátegui, é marcada por esse conflito inconciliável entre a modernização forçada e as massas despossuídas. No caso indiano, o chamado Corredor Vermelho é o palco de uma resistência secular contra o latifúndio e a expropriação violenta. Chamar esses sujeitos políticos de vagabundos ou bandidos é simplificar uma estrutura complexa de opressão histórica para justificar o extermínio físico. A segurança que você deseja, João, nunca virá pelo cano de uma arma que serve para expulsar o pobre de sua terra para inflar os lucros de uma elite que nos vê apenas como estatística ou custo de produção. A verdadeira segurança nasce da justiça social e do reconhecimento da terra como espaço de vida, e não da militarização que transforma o território em um campo de abate.
Portanto, ao pedir que a polícia limpe a área, você está, ainda que sem perceber, legitimando o braço armado de um sistema que amanhã poderá usar a mesma força contra o seu próprio direito de protestar por melhores salários ou contra o aumento da cesta básica. A ordem que você defende é a ordem do cemitério, onde o silêncio dos oprimidos é confundido com paz social. O papel da filosofia, e o meu como professor, não é falar difícil para confundir, mas sim oferecer as ferramentas conceituais para que o trabalhador perceba que o seu inimigo real não é o camponês que luta na selva de Bastar, mas sim aqueles que lucram com a guerra e com a manutenção da miséria. A emancipação humana exige que superemos essa lógica binária e entendamos que, enquanto houver espoliação, haverá resistência. No fim das contas, quem define quem é o bandido é quem detém a caneta e o capital.
Maura Santos
01/05/2026
Engraçado você falar de ordem, João, porque a única coisa que a sua turma realmente entregou foi aquele apagão histórico que deixou o Brasil no escuro e na mão. Enquanto você pede bala, o povo quer é a reconstrução que vocês nunca deram conta de fazer sem causar um curto-circuito no país.
Clarice Historiadora
01/05/2026
João, sua tara por bota militar ignora que a repressão sem reforma social é apenas adubo para o próximo levante, como bem demonstra o sociólogo inglês Alistair Thorne na obra The Illusion of State Order. Enquanto você repete frases feitas de grupo de WhatsApp, a história mostra que esse tipo de limpeza só serve para mascarar a incapacidade do Estado de lidar com a desigualdade estrutural que ele mesmo produz.
João Carvalho
01/05/2026
Tá vendo aí? Lá na Índia os caras limparam o ninho de rato desses maoístas e agora o progresso vai chegar pros coitados. Aqui no Rio a gente sofre com a bandidagem e o governo só sabe meter a mão no nosso salário pra sustentar mordomia de político. Tem que passar o trator nesses vermelhos e botar ordem na casa pra o país crescer de verdade!
Mariana Ambiental
01/05/2026
Esse progresso que você defende na Índia tem cheiro de minério e sangue de camponês, João. Chamar resistência territorial de banditismo é a tática velha de quem quer ver o trator do agronegócio passar por cima de biomas inteiros só para inflar o bolso de acionista na Faria Lima.
Rubens O Pescador
01/05/2026
Ô João, esse papo de trator e ordem na casa eu já conheço, mas o progresso que eu vi de verdade foi quando o colono aqui do Sul tinha dinheiro no bolso e picanha na mesa sem precisar de briga. No tempo do Lula a gente via o povo crescendo era na base do crédito barato e da barriga cheia, bem diferente desse rancor aí que não bota um grão de feijão na panela de ninguém.
Cristina Rocha
01/05/2026
João, sua fala é o exemplo acabado do que Achille Mbembe conceitua como necropolítica: o uso do poder soberano para ditar quem pode viver e quem deve morrer em nome de um projeto de modernidade que, historicamente, jamais incluiu os subalternos. Chamar de ninho de rato a resistência camponesa e indígena em Bastar é ignorar deliberadamente séculos de expropriação colonial e patriarcal que transformou corpos e terras em meras mercadorias para o apetite do capital transnacional. O que você apressadamente denomina como ordem nada mais é do que a imposição violenta de uma lógica extrativista que precisa silenciar a dissidência para que as grandes corporações mineradoras possam operar sem o incômodo da ética ou da soberania territorial. A história nos ensina, através das lentes do materialismo histórico, que esse progresso que chega montado em lagartas de tanques é, na verdade, a atualização do pacto colonial que ainda rege as nossas periferias e todo o sul global.
Ao traçar esse paralelo temerário entre a luta política na Índia e a complexa dinâmica da criminalidade urbana no Rio de Janeiro, você opera um apagamento perverso das estruturas de classe e de raça. O que você chama de bandidagem é o sintoma mórbido de um Estado que se ausenta na garantia de direitos fundamentais, mas se hipertrofia na repressão seletiva — um Estado que, sob a égide do patriarcado autoritário, prefere o genocídio da juventude negra e pobre ao enfrentamento das desigualdades que sustentam as elites. É sintomático como o discurso do trator sempre mira no elo mais frágil da corrente, enquanto protege os verdadeiros arquitetos da miséria que lucram com a especulação e com a guerra às drogas. A ordem que você almeja é o silêncio dos cemitérios, uma paz imposta pela falocracia do fuzil que não resolve a fome, apenas a oculta sob o verniz da propaganda estatal e do autoritarismo higienista.
Como nos lembra a teoria pós-colonial, é preciso questionar se o subalterno pode falar quando a única linguagem que o sistema reconhece como legítima é a da rendição total. Esse entusiasmo com a desarticulação de movimentos de resistência, travestida de combate ao banditismo, é a mesma ferramenta retórica que foi usada contra as sufragistas, contra os sindicatos operários e contra todos os corpos que ousaram desafiar a hegemonia burguesa. Reconstruir vilarejos sobre os escombros da autonomia popular não é desenvolvimento, é ocupação militar de territórios tradicionalmente rebeldes à lógica do lucro. Para que o Brasil, ou a Índia, cresça de verdade para além dos índices frios do PIB, precisaríamos superar essa sanha punitivista que goza com a violência institucional e começar a construir uma soberania que seja, de fato, democrática, feminista e radicalmente anticapitalista. Sem essa ruptura, o que você chama de país não passa de um grande latifúndio vigiado por capitães do mato modernos.
Bia Carioca
01/05/2026
João, o progresso de verdade não vem com trator, mas com investimento em ferrovias e na ligação Rio-Niterói, projetos que o Rodrigo Neves pauta muito bem apesar de às vezes ceder demais ao seu lado conservador. Segurança para o trabalhador carioca é ter transporte público digno e mobilidade, e não esse discurso violento que vocês bolsonaristas usam para mascarar a falta de um projeto real para o país. Ordem pra mim é o povo ter direito de ir e vir com qualidade, sem ser explorado pela máfia dos ônibus que financia muita política atrasada por aí.